Os nossos impostos (como são gastos)

grupo de "Trabalho para o Património Imaterial"...

 

A notícia ilustra o rigor com que os escassíssimos recursos financeiros são geridos oficialmente em Portugal: um fantástico Grupo de “Trabalho” para o Património Imaterial, criado por despacho governamental há cerca de um ano, não produziu qualquer trabalho, terá reunido 1 vez apenas, mas custou € 209.000...

 

Paradoxalmente, alguns dos seus membros queixam-se amargamente de falta de apoios, o que dá que pensar no orçamento que teriam em mente quando se constata que 1 reunião apenas "custou" aquela módica quantia...que mais apoios seriam necessários para que o trabalho de levantamento do Imaterial atingisse alguma “corporalidade”?

 

Ocorre pensar em quantas dezenas, centenas (quiçá milhares) de decisões deste tipo, dispersas e escondidas pelos incontáveis gabinetes ministeriais e de outras instâncias públicas (centrais, regionais, locais e empresariais) - criando grupos ou postos de trabalho/descanso a esmo, sem qq controlo dos resultados - não terão contribuído para o descalabro das contas públicas e o estado financeiro degradante em que o País se encontra, impondo agora custos enormes às empresas e às famílias...

 

...

 

Uma pergunta que inevitavelmente ocorre quando nos deparamos com a inconcebível superfluidade destes gastos e os sacrifícios que estão sendo exigidos a famílias e empresas: será que os aumentos de impostos, que acabam por ser necessários para financiar tais desvarios, têm ainda alguma legitimidade?

 

in http://www.quartarepublica.blogspot.com/

 

Qualquer semelhança entre esta notícia e o texto de Vasco Pulido Valente «Uma Casa Portuguesa», com vinte anos de idade, não é mera coincidência. Vejamos o que se passou.

 

O Grupo de Trabalho para o Património Imaterial foi constituído há cerca de um ano, no âmbito dessa inutilidade que dá pelo nome de Ministério da Cultura (outro ministério a extinguir com urgência). Já em altura de grave crise e de sucessivos sacrifícios impostos aos portugueses, custou ao estado 209 mil euros e, ao longo de quase 400 dias, reuniu somente uma vez. Por outras palavras: não fez literalmente nada e não serviu literalmente para coisa nenhuma, senão para gastar o dinheiro dos contribuintes portugueses com meia-dúzia de pessoas.

 

O famigerado Grupo tinha por «missão» fazer o «levantamento sistemático e tendencialmente exaustivo do património cultural imaterial português». Repare-se no preciosismo do «tendencialmente exaustivo», não fossem os ilustres membros do não menos ilustre Grupo de Trabalho morrer de cansaço, em vez de morrerem de tédio, como acabou por suceder.

 

Todavia, o que mais custa neste tipo de notícias nem é propriamente o seu conteúdo. É saber que nem assim os portugueses entendem por que não funciona o estado social. É não terem percebido ainda que entre o momento em que o estado nos vai aos bolsos e a famosa «redistribuição de rendimentos» para «ajudar» os mais pobrezinhos e tomar medidas para «estimular» a economia, vai um mar sem fim de desperdício, despesismo e irracionalidade, para não lhe chamarmos outra coisa.

 

in http://blasfemias.net/

 


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Publicado por Izanagi às 17:45 de 10.03.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Casa Portuguesa a 10 de Março de 2011 às 19:28
«A Preservação da Casa Portuguesa: Vectores de Uma Problemática, a Nível Urbano e Rural».

A moral da história é a seguinte: se amanhã desaparecessem duzentos mil funcionários públicos, ninguém, excepto os próprios, daria por nada. Ou daria – daria porque pagava metade dos impostos.»



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