Economia política ... e referendo

A economia política da simpatia e do compromisso

Na sua comunicação ao simpósio sobre justiça, valores e economia política, realizada na passada segunda-feira na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), o prémio Nobel da Economia Amartya Sen referiu-se de passagem à intransigente abordagem de "sangue, suor e lágrimas" subjacente à política de austeridade europeia.
     No seu trabalho sobre ética e desenvolvimento económico, Sen sempre defendeu, pelo contrário, uma abordagem “amigável” da política económica, centrada na promoção das liberdades, incluindo decisivamente a expansão, tanto quanto possível igualitária, das oportunidades e das capacidades que as pessoas têm realmente para alcançar funcionamentos genuinamente humanos.
     Isto requer uma pluralidade de instituições, mercantis e não-mercantis, mercados regulados e incrustrados numa democracia vibrante e num Estado social robusto, o que aliás é consistente com a insistência de Sen na necessidade de se alargar o leque de motivações humanas reconhecidas na economia para lá do estreito interesse próprio, passando incluir a simpatia e o compromisso com causas e valores que as pessoas têm boas razões para suportar. Uma análise mais robusta. Não fiquei por isso admirado ao ler a entrevista de Sen no Público:
     As reduções de défices gigantes que ocorreram no passado, como por exemplo a dívida contraída por vários países europeus junto da América durante a Segunda Guerra Mundial, foram possíveis apenas numa situação de grande crescimento económico, que é sempre uma altura propícia à redução da dívida (…) Um dos problemas que fazem com que, agora, o corte da dívida seja tão severo é que vai levar à redução do crescimento económico.
     E isso torna muito difícil amortizar a dívida. Por isso, como economista, acho que é preciso que os Governos ajam de uma forma mais cuidadosa e não apenas nervosamente devido à dimensão da dívida. Deviam esperar pelo momento certo para reduzir a dívida pública (…) Criar uma união monetária sem união política é um erro.
     As comunicações ao simpósio da FEUC, incluindo a notável comunicação de Emma Rothschild e as comunicações que vários de nós fizemos sobre a obra de Sen, podem ser encontradas aqui.


Publicado por Xa2 às 12:37 de 17.03.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Doido varrido a 18 de Março de 2011 às 23:59
Defendo a actividade empresarial como forma de Arte. Sendo o lucro essencial, não ser a motivação única. Sendo o prazer de ser criativo também motor do investimento. O gosto por ser útil e o gosto por proporcionar o melhor produto da melhor maneira possível. As empresas seriam qualificadas na relação entre a qualidade do produto e qualidade de vida dos seus trabalhadores.assim como na relevância social e não apenas no montante dos seus lucros. Os poderes públicos dariam tratamentos distintos àquelas que se aproximassem de um ideal e não àquelas que mais contribuem para o orçamento do Estado. As empresas classificadas de pouca relevância social, além de criar emprego, pagariam mais impostos. As que fossem consideradas como exemplo da Arte do empreendedorismo teriam benefícios fiscais e apoio diferenciado. A realidade não se compadece com tais propósitos? Tanto pior para a realidade.


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