GOVERNO E PARTIDOS, A CADA UM O SEU PAPEL

Quase toda a gente sabe que, em terra de políticos surdos e que não querem ver, de pouco valerá escreverem-se ou dizerem-se certas verdades, contudo como diz o poeta “a arvore que dá os frutos de pouco se importa se alguém ou quem os comerá, dá-os porque é da sua natureza”. Também nós escrevemos estas coisas porque somos militantes e porque é da nossa natureza interpretar, em diálogo aberto e através da escrita, aquilo que sentimos e pensamos sobre o que se passa à nossa volta, sobre o que se passa no interior de certos partidos e sobre a sociedade em geral. Em concreto sobre a situação, algo adoentada em que se encontra a democracia portuguesa.

De quase nada que acompanhei os trabalhos do congresso do CDS/PP constatei que já se está (e bem) a preparar para a eventualidade (quase certeza, na perspectiva do seu líder) de virem a ser chamados para a partilha do poder, quer o convite surja do lado do PSD quer apareça do lado do PS, tanto lhes importa, o essencial é que chegue, tal é a cede ainda que tanto mal digam da governação.

Todavia, mostra sinais de alguma inteligência, ao invés do que tem sucedido com o PS que neste particular se deixou afunilar e praticamente desaparecer, o CDS quando parece criar condições para evitar a “morte” do partido através do envolvimento dos seus principais responsáveis nos compromissos que vier a ter na governação.

A eventual criação do lugar de Vice-Presidente da comissão politica, que agora o congresso do CDS assumiu, vem colocar a pertinente questão do debate sobre se o lugar de Primeiro-ministro deve ou não ser acumulado na mesma figura pessoal do Secretário-Geral e/ou presidente da comissão politica do partido ganhador das eleições.

Pelos vistos, o CDS, aprendeu com os seus próprios erros e com erros alheios que são os actuais do Partido Socialista completamente desaparecido em favor do seu líder ao ponto da sua candidatura a Secretário-Geral ter a designação de “Socrates 2011” e da sua moção de candidatura versar quase em exclusivo sobre politicas governativas e pouco (quase nada) se referir aos problemas partidários nomeadamente a democracia interna, a organização, o compromisso militante, o debate politico, as autarquias e tudo o mais que deveria preocupar, permanentemente, militantes, dirigentes e partido no seu todo.

Assim, bastante mais inteligente parece o CDS ao preparar-se para criar condições de defesa, simultânea, do partido e do governo, se a este for chamado, autonomizando um do outro deixando ao primeiro o campo aberto à criatividade, à crítica ideológica dos seus militantes e à capacidade solidária que deve, sempre e em todos os momentos, aportar aos que no arco da governação se esforçam para levar a bom porto os destinos do país como lhes compete e para o que foram nomeados e cujo compromisso aceitaram.

Não tem sido isso que vem acontecendo com o PS e com o actual governo, para mal de ambos, para prejuízo do país e dos portugueses.

Será que algum dia virão a dar as mãos à palmatória? Oxalá que sim!



Publicado por Zé Pessoa às 09:38 de 21.03.11 | link do post | comentar |

5 comentários:
De Anónimo a 21 de Março de 2011 às 14:36
Lojas de conveniência preocupadas com a falta de doutores
A Associação Portuguesa de Lojas de Conveniência lançou o alerta para o problema da saída de licenciados para o estrangeiro, que aumentou 57% desde 2008 (ou coisa assim). O sector conta actualmente com os colaboradores mais qualificados do mundo (13% de licenciados, 22% de mestres e 65% de doutores), tendo habitualmente apenas um quadro em cada loja sem qualquer escolaridade (o dono). Há o receio de que a fuga de cérebros obrigue à contratação de pessoas menos qualificadas que exigem o salário mínimo (bruto) a recibos verdes, porque não têm a expectativa de que irão "arranjar um emprego de acordo com as suas qualificações" e que "isto é temporário".


De Anónimo a 21 de Março de 2011 às 14:33
António Guterres está preocupado com a situação política portuguesa e diz que “ é preciso parar esta carnificina"
António Guterres, Alto Comissário da ONU para os Refugiados, preocupa-se com a Líbia. O IP falou com Guterres: "Aquilo na Líbia está chato, mas estou mais preocupado com a guerra e violação dos direitos humanos na política portuguesa! Assisto com horror à agudização dos conflitos entre Cavaco e Sócrates e à escalada da violência verbal entre oposição e Governo! Como Alto Comissário não posso exprimir o meu pensamento político, como nunca o fiz quando fui PM de Portugal, mas a comunidade internacional e a senhora Merkel, têm de parar esta carnificina ! Este sofrimento afecta os ministros, secretários de Estado e os deputados do PS, bem como os refugiados de outros partidos, que foram para o PS em busca de uma vida melhor! Mas o mais chocante é ver a oposição a olhar para Sócrates, à espera que ele caia, como na foto do abutre a olhar para a criança sudanesa, do Kevin Cárter!".
IP


De Tudo a mesma... a 21 de Março de 2011 às 14:41
O problema deste país e deste povo é que senhores e súbditos virou tudo a mesma escumalha como, muito bem, afirmam os gaúchos brasileiros.


De Zé T. a 21 de Março de 2011 às 10:57
Bom post.
Há muito para clarificar e responsabilizar no PS (para além do Governo).
Este PS está a caminho do suicídio político... e os seus militantes mais esclarecidos ou o fazem mudar de rumo, ou criam um novo partido Socialista ou são engolidos pelas trevas e pela vergonha.


De PS: Carrilho e Medeiros Ferreira a 21 de Março de 2011 às 16:37
Se o Governo se demitir, o PS precisa de parar para reflectir a mudança de contexto, defende

Carrilho junta-se a Medeiros e pede mudança de líder do PS
[São José Almeida, Público.pt, 19-03-2011, via MIC ]

A aparente unanimidade no PS é cada vez mais aparente.
Manuel Maria Carrilho junta-se, em declarações ao PÚBLICO, à ideia defendida por Medeiros Ferreira, em entrevista ao i, de que, no caso de haver eleições antecipadas, José Sócrates deve ser substituído no cargo de secretário-geral, pelo que a eleição do líder do PS, marcada para 25 e 26 de Março, deve ser adiada.

Frisando que fala na base de cenários e atendendo à votação do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República, que pode abrir caminho a "uma situação de crise aguda", Carrilho sustenta que, a partir desse momento, "só pode haver iniciativa política por parte de dois agentes, o Presidente da República, que não tem dado sinais de ir agir, e o PS" para que haja "um acordo e a criação de uma situação maioritária".

Ora, na sua opinião, "não é verosímil que quem conduziu à crise tenha capacidade para gerir um acordo". Logo, o secretário-geral do PS deve ser substituído.

Por outro lado, sustenta que, "no caso de haver eleições antecipadas, dá-se uma sobreposição de datas com a eleição interna e o congresso do PS" e afirma:
"Estou de acordo com Medeiros Ferreira, para mais porque não tem havido eco de que haja debate dentro do PS, nem da campanha.
Sou a favor de que fosse adiado o processo um mês. Se houver crise, o PS deve ter um período de reflexão, não é tocar trombetas à reeleição do secretário-geral, como se não se passasse nada."

Sobre a manutenção de Sócrates à frente do PS, Carrilho manifesta o seu apoio à tese de Medeiros Ferreira e explica que "não faz sentido ser o mesmo candidato a primeiro-ministro", isto porque uma eleição "não pode ser um tira-teimas".
E sublinha que "Sócrates devia dar lugar a uma solução, com desprendimento, devia ser ele a abrir a porta para a reflexão do partido."

Carrilho só não acompanha Medeiros Ferreira na defesa de que António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, deve substituir Sócrates à frente do PS.

Considerando que o PS não tem "número dois", o antigo ministro da Cultura de António Guterres defende que "no PS há órgãos e há militantes e isso passa por decisões dos militantes e por decisões colectivas", pelo que não quer avançar agora com nomes.

Medeiros Ferreira, antigo deputado e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo de Mário Soares, defendeu em entrevista ao i que as eleições internas e o congresso do PS devem ser adiadas.

Sobre a substituição de Sócrates, sustenta:
"Há soluções políticas e soluções institucionais nestes casos.
Uma solução institucional seria alguém do Governo que se tivesse distinguido por uma boa prestação política.
Outra solução institucional é o presidente da Assembleia da República.

Depois há soluções políticas. Toda a gente fala em António Costa, que é uma solução política e até quase institucional, porque aparece informalmente como o "número dois" do PS."

Reagindo ao desafio que Medeiros Ferreira lhe lançou, António Costa, que se encontrava ontem em Lanzarote, para a inauguração da Casa e da Biblioteca de José Saramago, declarou à agência Lusa:
"É sabido que tenho uma tarefa muito pesada até 2013, estou muito satisfeito com o que estou a fazer e é nisso que estou 100 por cento concentrado."
E acrescentou:
"Cada um deve estar concentrado naquilo que está a fazer: o primeiro-ministro em ser primeiro-ministro, o líder da oposição em ser líder da oposição, o ministro das Finanças em ser ministro das Finanças, e em resolvermos os problemas do país.
É isso que é essencial fazermos, cada um a cumprir a sua missão.
Eu dedicar-me-ei a cumprir a minha."


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