MÁRIO SOARES

Entre a angústia e a ingenuidade

Naturalmente que uma velha raposa da politica como, obrigatoriamente, se terá de reconhecer a Mário Soares é muita ousadia estar a atribuir-lhe o epíteto de ingénuo.

Contudo e, admitindo memo que o tenha feito conscientemente, não deixou de ser oportuna a sua, pública, angustia manifestada no artigo que acaba de fazer publicar, na sua habitual crónica no DN e que aqui se poderá ler. Fê-lo tendo em conta a gravíssima situação, de deficit público e recessão económica, em que o país se encontra e que o bom senso deveria levar os partidos (chamados pelo Presidente) a formar um governo de coligação multipartidária sem necessidade do recurso antecipado a eleições. Infelizmente e para nosso mal não será lido nem escutado com a assertividade que as circunstancias o exigem.

Ingénuo porque parece ignorar, ou não ter percebido, a real intenção (os factos demonstram-no) das referidas declarações produzidas por Cavaco Silva, no discurso da sua posse, quando se comprometeu a “exercer uma magistratura de influência activa.” Essa e outras declarações do mesmo discurso foram, elas próprias, o exercício da influência activa visto que as mesmas, partir desse momento, impulsionaram Pedro Passos Coelho e o PSD para desenvolver toda a actividade seguinte e que irá continuar. Cavaco foi tão-somente o impulsionador dessa actividade, os multiplicadores passaram a ser, a partir daí, toda a oposição com o PSD ao leme.

Cavaco Silva nunca esteve tão activo como está actualmente, ainda que se não oiça, se não veja e se não sinta. Ele anda por aí, vai estar na queda do governo, vai estar na marcação das eleições, vai estar na escolha do próximo governo e até de alguns ministeriáveis.

Como diz o poeta, só que desta vez é o corpo e, também, o povo é que paga.



Publicado por Zé Pessoa às 14:02 de 22.03.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Esta-se mesmo a ver porquê a 22 de Março de 2011 às 15:36
José Sócrates reúne-se esta noite com a Comissão Política do PS, a bancada parlamentar e todos os presidentes das federações. A convocatória foi assinada pelo próprio secretário-geral.


De Maria João Rodrigues, disse a 22 de Março de 2011 às 14:52
Conselheira Especial da presidência da CE. Paralelamente, integrou o Conselho do European Policy Centre, em Bruxelas, e o Conselho da Notre Europe, em Paris, Maria João Rodrigues afirmou em entrevista ao jornal “I” que "Portugal recorre ao Fundo antes das eleições".

Justifica, “As taxas de juro no mercado primário tornaram-se insustentáveis para financiar o crescimento da economia portuguesa e a consolidação orçamental,...”


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