4 comentários:
De anónimo a 29 de Março de 2011 às 07:25
Aqui refere-se o silêncio dos meios de comunicação sobre a Islândia.. Há uns 3 anos leio em LETRAS GORDAS na PRIMEIRA pág. de um jornal que, « O atraso português deve-se às baixas qualificações dos trabalhadores portugueses» - assim mesmo. Semanas depois, leio num jornal ou suplemento económico que já não lembro, que um estudo de um organismo estrangeiro concluíra que o referido atraso se devia à fraca qualidade das elites económicas portuguesas.. O interessante é que esta notícia vinha num quadradinho pequenino nas páginas INTERIORES do dito jornal ou suplemento económico.
No Verão de 2010 vejo, também em lugar discreto uma lista sobre o "nível de eficiência"- não faço ideia que queira dizer - de universidades da UE e Portugal constava em penúltimo lugar entre a Bulgária e a Eslovénia ou a Eslováquia. Não lembro exactamente. Mais ou menos na mesma altura vejo outra lista sobre o nível de desigualdade de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres em países da OCDE e nesta, Portugal figurava no topo dos países mais desiguais, entre o México e a Turquia. A minha estranheza é o contraste dado à 1ª notícia - primeira pág. e título principal - e a muita discrição das outras - pág interiores em pequenos apontamentos. Já agora refiro que também não dei conta de nenhum prós e contras sobre a notícia que dava conta do nível da média de rendimentos anuais dos gestores de topo em alguns países da UE que passo a citar - Reino Unido 750 mil, Portugal 270 mil, Espanha 250 mil e Alemanha 180 mil. Li a notícia e depois vi-a comentada por Mário Crespo com Odete Santos, na SIC. Por curiosidade anoto a opinião de MC que perguntou a OS se não achava que, «assim não sendo os melhores não seriam convocados a resolver os problemas do país».Por sinal acho estranho que "os melhores" portugueses necessitem de valores mais altos que os melhores espanhóis e alemães para se sentirem convocados a resolver os problemas do país.
E já agora também lembro a notícia que dava conta de uma investigação patrocinada pela ONU ao recurso do sistema financeiro internacional aos capitais do crime organizado durante a crise do sistema financeiro em 2008.. Pequenas notícias que surgem na imprensa sempre em páginas interiores e em caixas pequeninas e que depois nunca mais se ouvem repetidas. Ou então sou eu que ando distraído e são assunto de debate alargado pela intelectualidade de serviço e apenas não dou conta..


De Temos muito para aprender a 28 de Março de 2011 às 16:04
Bons exemplos não haja duvida. Mas quê, são outras gentes, outros, usos outros costumes, outras culturas. nesse país a cidadania não se come usa-se, pratica-se e a punição dos corruptos é uma realidade e não uma óptica ilusão pior que utopia .
Temos muito a aprender!


De .. a 28 de Março de 2011 às 15:54
Islândia, um país que pune os banqueiros responsáveis pela crise
Sáb, 26 de Março de 2011 13:28

A grande maioria da população ocidental sonha desde 2008 em dizer "não" aos bancos, mas ninguém se atreveu a fazê-lo. Ninguém, excepto os islandeses, que levaram a cabo uma revolução pacífica que conseguiu não só para derrubar um governo e elaborar uma nova Constituição, mas também enviar para a cadeia os responsáveis pela derrocada econômica do país. Crise financeira e econômica provocou uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país. O artigo é de Alejandra Abad.

Alejandra Abad - El Confidencial, na Carta Maior

Na semana passada, nove pessoas foram presas em Londres e em Reykjavik (capital da Islândia) pela sua responsabilidade no colapso financeiro da Islândia em 2008, uma profunda crise que levou a uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país.

Foi a revolução sem armas da Islândia, país que hospeda a democracia mais antiga do mundo (desde 930), e cujos cidadãos conseguiram mudar com base em manifestações e panelas. E porque é que o resto dos países ocidentais nem sequer ouviram falar disto?

A pressão da cidadania islandesa conseguiu não só derrubar um governo, mas também a elaboração de uma nova Constituição (em andamento) e colocar na cadeia os banqueiros responsáveis pela crise no país. Como se costuma dizer, se você pedir educadamente as coisas é muito mais fácil obtê-las.

Este processo revolucionário silencioso tem as suas origens em 2008, quando o governo islandês decidiu nacionalizar os três maiores bancos - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir - cujos clientes eram principalmente britânicos, americanos e norte-americanos.

Depois da entrada do estado no capital a moeda oficial (coroa) caiu e a Bolsa suspendeu a sua atividade após uma queda de 76%. A Islândia foi à falência e para salvar a situação o Fundo Monetário Internacional (FMI) injectou 2.1 bilhões de dólares e os países nórdicos ajudaram com mais de 2.5 bilhões de euros.

As grandes pequenas vitórias das pessoas comuns
Enquanto os bancos e as autoridades locais e estrangeiras procuravam desesperadamente soluções econômicas, o povo islandês tomou as ruas, e com as suas persistentes manifestações diárias em frente ao parlamento em Reykjavik provocou a renúncia do primeiro-ministro conservador Geir H. Haarde e do governo em bloco.

Os cidadãos exigiram, além disso, a convocação de eleições antecipadas, e conseguiram. Em abril, foi eleito por um governo de coligação formada pela Aliança Social Democrata e Movimento Esquerda Verde, chefiado por uma nova primeira-ministra, Johanna Sigurdardottir.

Ao longo de 2009, a economia islandesa continuou em situação precária (fechou o ano com uma queda de 7% do PIB), mas, apesar disso, o Parlamento propôs pagar a dívida de 3.5 bilhões euros à Grã-Bretanha e Holanda, um montante a ser pago mensalmente pe as famílias islandesa durante 15 anos com juros de 5,5%.

A mudança trouxe a ira de volta dos islandeses, que voltaram para as ruas exigindo que, pelo menos, a decisão fosse submetida a referendo. Outra nova pequena grande vitória dos protestos de rua: em março de 2010 a votação foi realizada e o resultado foi que uma esmagadora de 93% da população se recusou a pagar a dívida, pelo menos nessas condições.

Isso levou os credores a repensar o negócio, oferecendo juros de 3% e pagamento a 37 anos. Mesmo se fosse suficiente, o atual presidente, ao ver que o Parlamento aprovou o acordo por uma margem estreita, decidiu no mês passado não o aprovar e chamar de volta os islandeses para votar num referendo, para que sejam eles a ter a última palavra.

Os banqueiros estão fugindo atemorizados
Voltando à situação tensa de 2010, enquanto os islandeses se recusaram a pagar uma dívida contraída pelos os tubarões financeiros sem os questionar, o governo de coligação lançou uma investigação para resolver juridicamente as responsabilidades legais da fatal crise econômica e já havia detido vários banqueiros e executivos de cúpula intimamente ligados às operações de risco.

Entretanto, a Interpol, tinha emitido um mandado internacional de captura contra o presidente do Parlamento, Sigurdur Einarsson.
Esta situação levou os banqueiros e executivos, assustados, a deixar o pa


De .. a 28 de Março de 2011 às 15:55
Islândia, um país que pune os banqueiros responsáveis pela crise
Sáb, 26 de Março de 2011 13:28


Entretanto, a Interpol, tinha emitido um mandado internacional de captura contra o presidente do Parlamento, Sigurdur Einarsson. Esta situação levou os banqueiros e executivos, assustados, a deixar o país em massa.

Neste contexto de crise, elegeu-se uma Assembleia para elaborar uma nova Constituição que reflita as lições aprendidas e para substituir a atual, inspirada na Constituição dinamarquesa.

Para fazer isso, em vez de chamar especialistas e políticos, a Islândia decidiu apelar directamente ao povo, soberano, ao fim e ao cabo, das leis. Mais de 500 islandeses apresentaram-se como candidatos a participar neste exercício de democracia direta de redigir uma Constituição, dos quais foram eleitos 25 cidadãos sem filiação partidária, que incluem advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais.

Entre outros desenvolvimentos, esta Constituição é chamada a proteger, como nenhuma outra, a liberdade de informação e expressão, com a chamada Iniciativa Islandesa Moderna para os Meios de Comunicação, um projeto de lei que visa tornar o país um porto seguro para o jornalismo de investigação e liberdade de informação, onde se protejam as fontes, jornalistas e os provedores de internet que alojem órgãos de informação

Serão as pessoas, por uma vez, para decidirão sobre o futuro do país, enquanto os banqueiros e os políticos assistem (alguns da prisão) à transformação de uma nação, mas do lado de fora.

Tradução para o português: Vermelhos.net


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