Vamos Votar em quê e quem?

 

            Nós vamos votar e escolher entre o PEC do PS e o PEF do PSD ou a possibilidade de um governo PCP ou BE que vai simplesmente decretar o fim da austeridade que conduz a medidas recessivas, cortes salariais, etc.

 

            Passos Coelho anunciou o PEF, Plano de Estabilidade Financeira, mas nada disse sobre o seu conteúdo, pelo que ficámos sem saber o significado político da palavra estabilidade e como é que vão ser pagas as dívidas a vencer e onde é que se vai buscar dinheiro.

 

            O PS com Sócrates não se cansa de dizer que a situação é dramática e que tem de ir ao bolso dos que ganham mais de 1.500 euros mensais para pagar o serviço da dívida, apesar das contas do Estado serem superavitárias. As receitas em Janeiro e Fevereiro ultrapassaram em 800 milhões de euros as despesas, mas o serviço da dívida vai tornando-se cada vez mais elevado, pelo que um excedente de 400 milhões de euros por mês poderia dar 4.800 milhões ao fim do ano, mas é insuficiente para pagar as dívidas de Abril e Maio. Acrescente-se que o segundo semestre é mais caro que o primeiro, dado terem de ser pagos 8 salários e pensões em vez de seis.

 

            Mesmo assim, o problema já não está nas despesas do Estado, mas na falta de um Banco Central, pois o BCE feito à medida dos alemães não serve os 330 milhões de europeus da zona euro. É curioso que aparentemente nenhum economista nacional e nenhum comentador leu os dois manuais de Macroeconomia que tenho, o de Dornbusch, Fischer e Startz e o de Robert J. Gordon e, menos ainda, os estatutos do BCE. Em Dornbusch há um capítulo que relaciona o crescimento monetário antecipado com o crescimento do produto e vamos ao encontro das teses de Krugman de que sem emissão (crescimento monetário) não há crescimento do PIB. A Senhora Merkel impôs um BCE totalmente “independente” dos outros países menos da Alemanha e da França que tem o Sr. Trichet ao leme. O BCE perdeu a função macroeconómica de “prestamista de última instância” no preciso momento em que se surge a maior crise financeira desde a de 1929.

 

            Mesmo assim, Merkel vê o seu partido derrotado, apesar dos alemães pagarem juros muito inferiores aos dos portugueses, terem um menor desemprego e as suas exportações aumentaram extraordinariamente. A direita cristã da Merkel perdeu as eleições no Baden-Wurtemberg, um dos estados mais ricos e que foi sempre governado pela democracia cristã desde as primeiras eleições federais em 1953.

 

            O Banco Central Europeu não emite moeda para os bancos centrais dos países membros, apenas pode e fê-lo no passado para emprestar a bancos capitalistas. Claro, em Portugal a CGD conta como um banco qualquer e tem valido bastante ao Estado português, até por ser o maior banco do País e esperemos que Passos Coelho não cometa o crime de o privatizar se for PM.

 

            O BCE nem compensa a valorização do ouro, de que Portugal possui umas toneladas valentes, emitindo moeda para comprar dívida, limitando-se a algumas aquisições no mercado secundário de títulos a quase 8% ao ano. Os lucros que o BCE está a obter com os títulos portugueses são distribuídos pelos bancos centrais nacionais, pelo que Portugal está a financiar a Alemanha com os seus 18% do BCE e outros países grandes, já que a quota portuguesa é de um pouco menos de 2%.

 

            Estamos a ser roubados pelos alemães e Europa em geral enquanto andam na televisão uns ignorantes às cabeçadas uns contra os outros sem nunca terem lido um manual de Macroeconomia.

 

            Para a Alemanha, o euro a 1,4 dólares é interessantíssimo porque permite comprar tudo à sua volta, isto é, nos países que não têm o euro e as suas moedas estão desvalorizadas. Como o Jerónimo Martins comprou a maior cadeia de supermercados na Polónia, a Alemanha comprou a Skoda na Rep. Checa onde o ordenado mínimo é de 319 euros devido à diferença cambial. Em vez das divisões panzer são os milhares de milhões de euros ganhos à custa de países como Portugal, Irlanda e Grécia, Espanha, Bélgica, Itália, etc., Repare-se que a Grécia e a Irlanda estão a pagar juros superiores a 10%, apesar da intervenção do FMI.

 

            Durante a II. Guerra Mundial, a Alemanha hitleriana financiou uma parte das despesas de guerra com o ouro e reservas roubados aos bancos centrais dos países ocupados. Hoje, fá-lo através dos estatutos do BCE que foram concebidos por geniais economistas que imaginavam que nunca podia haver uma crise económica.

 

            No PSD há uma pessoa que tem razão. Manuela Ferreira Leite afirmou que Portugal nunca poderá ter um défice de 2% em 2013, mas talvez só daqui a uns cinco anos. Sem contar com juros da divida e liquidação de prestações, Portugal pode ter um excedente nas contas públicas de mais de 2% do PIB, mas o serviço da dívida, que vai  financiar a Alemanha e a França impedem de todo que isso aconteça.

 

            O PCP e BE querem decretar o fim da austeridade e sabemos que querem ir buscar dinheiro aos bancos, o que é lógico, pois lá é que está o dinheiro, mas não nos disseram qual o dinheiro que querem levantar, o dos depósitos ou a chamada “moeda primária” que é constituída pelo dinheiro em circulação que está em reserva e nas caixas de multibanco mais as reservas ou, apenas, o lucro de 50 cêntimos diários por cada português.

 

            A banca lucra uns 5 milhões de euros por dia, o que dá 1.825 milhões de euros ao ano, sobre os quais paga 21,5% de imposto, ou seja, 392 milhões de euros, e é obrigada a reter como reserva a maior parte desse lucro, dado que os mercados europeus estão fechados há mais de um ano à banca portuguesa. A dívida da banca portuguesa ao BCE era em Agosto passado de quase 50 mil milhões de euros, os quais estão emprestados a compradores de casas, empresas e outros devedores.

 

            Os poucos dividendos que o BES pagou aos seus acionistas estão sujeitos ao IRS à taxa de 47% para quem auferira de algo mais do que uns 10 mil euros mensais englobados com outros rendimentos, incluindo de trabalho.

 

            A banca portuguesa, incluindo o maior banco nacional, a Caixa Geral de Depósitos, viram o seu rating descer e estão a um nível de serem considerados “lixo” pelas agências respetivas.

 

            Assim sendo, com lucros inferiores a um quinto do serviço da dívida nacional e a braços com as dívidas privadas, a banca nacional poderá proporcionar meios suficientes para acabar com a austeridade? É evidente que não e Jerónimo e Louçã não são suficientemente estúpidos para saber que nada iriam buscar de especial aos bancos e a três ou quatro grandes empresas lucrativas. Mas, faz parte da sua política dizer que não a tudo e os portugueses sabem que é mentira e daí nunca lhes terem dados os 45% necessários para decretarem o fim da austeridade e as sondagens indicam que ficarão muito longe disso, mesmo se resolvessem fazer uma ampla coligação CDU que incluísse o BE.

 

            Saliente-se no “Armazém de Estatísticas” do BCE podemos ler que o volume dos agregados monetários M1, M2-M1 e M3-M2-M1 sofreram uma redução entre Dezembro de 2010 e Janeiro de 2011 como já aqui escrevi algures, mas é bom repetir para colocar a realidade bem na mente das pessoas. Por falta de emissão, há menos moeda, logo os juros aumentam e produzem ainda menos moeda para os países mais aflitos.

 

            Enfim, a maior MENTIRA e a existência de uma UNIÃO EUROPEIA.

 



Publicado por DD às 23:20 de 29.03.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De DD a 30 de Março de 2011 às 20:18
O meu acesso ao blog Luminária foi cortado. Já não posso colocar post e os dois últimos foram CENSURADOS pelos inimigos pidescos do José Sócrates. E ainda têm a lata de falar em democracia e socialismo, vão para o PCP, um partido estalinista, pois lá é que estão bem. Raiva e inveja é que vos move. Queria tachos e não há em quantidade suficiente e, provavelmente, não têm habilitações para fazer o quer que seja.


De Fanáticos masoquistas acéfalos?! a 30 de Março de 2011 às 10:36
Vamos votar em quem e o quê ?
Boa questão dupla. Mas... a sério:

1- quantos irão votar? e qual a legitimidade (por mais legal e constitucional que seja) dos ''representantes '' se forem eleitos por menos de 50% ou até menos de 40 % dos eleitores? (e se forem apenas 20% e depois 10% ... continuarão a dizer que são eleições válidas ?!! em democracia? o 'governo da ''maioria'' do povo' ?!! )

2- votar em quem ? em listas de uma sigla das quais a maioria dos eleitores só conhece os 2 ou 3 nomes de candidatos ...

3- votar em quê ? em slogans e enormes e 'redondos' ''programas'' que nada concretizam, nem fazem corresponder medidas a custos e prazos, nem responsabilizam os seus autores/subscritores ...
...
Se é votação tipo ''cheque em branco'' ... e se está descontente com as 'chaves' usuais ...então porque não experimentar outras chaves, outras soluções outros candidatos, ... ou em vez de cidadãos conscientes, será que a maioria dos portugueses são fanáticos masoquistas ?!!


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 30 de Março de 2011 às 11:01
Esta sim. Esta é que é a verdadeira questão do «voto» dito democrático.
É a não «obrigatoriedade» do voto expresso.
E do voto expresso a forma de não representatividade dos «brancos» e «nulos».
Quem representa «todos» sendo que os votos expressos só representam «meia-dúzia» de nós... E não me venham cá com as tretas de «se não votaram foi porque não quiseram» e blá-blás similares...
É que nem toda a «gente» gosta de frequentar «casas» de «má-fama» e não sendo o voto «obrigatório» o «não votar» não dá direito a ninguém dizer que o representa. Tudo o resta é conveniências na falta de transpar^ncia do regime em que vivemos e de interesses grosseiros para e de «poder».
Quem se diz verdadeiramente empenhado em representar a voz do povo, mesmo que seja de uma facção, deve no mínimo respeitar quem o não escolheu e sobretudo «perceber» o porque não. Mas o que se vê nos políticos e partidos actuais é o inverso do que estou a afirmar. Os nossos políticos querem é que o povo se identifiquem com eles ou seja, em vez de serem representantes do nosso sentir, querem é que as «gentes» estejam com eles, os maiores, os salvadores, os maiores...
Precisamos de uma mudança radical na forma de encararmos a vida política dita democrática. Precisamos de acabar de vez com esta deturpação do que nos querem convencer que é a «democracia» senão corremos o sério risco de acabarmos com a própria democracia.

"Seriedade intelectual
em primeiro lugar,
precisa-se URGENTE"
(respostas para este blog)


De Unir: Esquerda do PS+Verdes+PCP+BE a 30 de Março de 2011 às 14:07
Por que não aqui?

Na Alemanha, os Verdes conquistaram uma inesperada vitória nas eleições de Baden-Württemberg, à frente dos social-democratas.

Daniel Oliveira escreveu no Arrastão um belo texto sobre esta surpresa eleitoral, mas também sobre a encruzilhada política em que as esquerdas se encontram em Portugal. Plenamente de acordo com isto:

Por outro lado, não há, em Portugal, uma esquerda à esquerda dos socialistas disponível para participar em soluções de poder. Uma originalidade nacional. Por essa Europa fora partidos ecologistas ou mais à esquerda mostraram, em vários momentos históricos, disponibilidade para governar. E nunca como agora essa disponibilidade foi tão urgente. O que está em causa na Europa é resistir a uma avalanche que ameaça não deixar pedra sobre pedra no edifício do Estado Social. Ser de esquerda tornou-se num sinal de radicalismo. A social-democracia consequente é hoje de uma ousadia extraordinária.

Mas Portugal tem outra originalidade, em que é acompanhado pela Alemanha e mais um ou outro país europeu: a esquerda à esquerda dos socialistas representa quase vinte por cento dos eleitores. Se quisesse usar a sua força em funções executívas teria um poder extraordinário.

Para a utilização desse poder seria necessário, antes de mais, que BE e PCP, em vez de se controlarem mutuamente no seu purismo ideológico, se entendessem no muito em que estão de acordo. E seria necessário que os dois quisessem cumprir a sua obrigação histórica, num momento que exige tanta responsabilidade. E seria, por fim, necessário que os socialistas não fizessem questão, como fazem, de escolher a direita, do PSD ao CDS, como aliada preferencial.

Olhando para a Alemanha, vemos como um partido como os "Verdes" - que tem um discurso consistentemente crítico contra as grandes opções que estão a ser feitas na Europa - pode vir a ter um papel fundamental no futuro do País e, por isso, no futuro da Europa. E percebemos como a esquerda portuguesa pode estar a perder uma oportunidade histórica. A oportunidade de se apresentar aos eleitores como uma alternativa de poder. Dizendo ao PS que, depois da provável travessia do deserto e de se ver livre de um Sócrates sem credibilidade nem pensamento político, tem uma escolha a fazer: ou continua a navegar no pântano político - o que levou o País a esta desgraça -, ou escolhe um lado no combate que se avizinha à escala europeia. Um combate pelo Estado Social e contra a mercantilização de todos os domínios da nossa vida, a precarização das relações sociais e a degradação da democracia. E que para esse combate tem aliados prontos para assumir responsabilidades de poder e para pagar a fatura de fazer essa escolha em tempos difíceis.

-por Jorge Bateira, Ladrões de Bicicletas


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