Estados e cidadãos: aliar e lutar contra terrorismo financeiro

A arma das periferias

Renegociar dívida antes que seja inevitável pode ser solução. Vale a pena ler o oportuno trabalho de Ana Rita Faria, até pelo pluralismo da opinião económica auscultada, de “vários quadrantes ideológicos”, como deve ser, onde se incluem os economistas José Reis e José Castro Caldas do Ladrões.

Adenda: há uma diferença de economia política entre uma reestruturação imposta pelos credores e a reestruturação liderada por uma aliança das periferias. A possibilidade desta última espevitaria a imaginação de quem comanda a des(união)...
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Povos/ países periféricos:   ALIAR  e LUTAR  para salvar a economia e a democracia
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O Engano das 'ajudas/resgates' do FMI/FE 

     La realidad es que el "rescate" de Portugal, tal y como se daría allí siguiendo la línea de otros tantos anteriores (un préstamo muy cuantioso para que Portugal pague las deudas acompañado de medidas restrictivas y de recorte de derechos sociales y de gasto) no va a salvar a su economía. Es mentira que este tipo de operaciones rescaten a los países. Esto es solo un último y definitivo engaño: de lo que se trata no es de salvar o rescatar a un país sino a los bancos, principalmente, y a los grupos más ricos y poderosos, puesto que lo que se hace con el rescate es poner dinero para que ellos cobren sus deudas y obligar a que la sociedad cargue con la factura de la operación durante años.
     Tan cierto es esto que resulta fácil y patético comprobar que son precisamente estos grupos financieros y las autoridades europeas que le sirven los que se empeñan en convencer a las portuguesas de que soliciten el "rescate", una buena prueba de quiénes son de verdad los que se beneficiarán de él.
     Y esto pone sobre la mesa una última cuestión. Un engaño no menos importante. Quizá el peor. El que tiene que ver con el tipo de régimen político en el que vivimos y en el que los electores, los ciudadanos, no podemos decidir realmente sobre las cuestiones económicas.
     Lo llaman democracia pero a la vista de lo que viene sucediendo está cada vez más claro que no lo es porque se nos ha hurtado la posibilidad de decidir sobre las cuestiones económicas que evidentemente son una parte central de las que directamente afectan a nuestra vida. Y es justamente por ello que hemos de hacer todo lo que esté en nuestras manos para tratar de cambiarlos. Eso sí que sería un verdadero rescate. Lo demás es otro robo.
       -por Juan Torres López (www.juantorreslopez.com), Catedrático de Economía Aplicada de la Universidad de Sevilla


Publicado por Xa2 às 13:39 de 31.03.11 | link do post | comentar |

5 comentários:
De o FMI na Grécia a 31 de Março de 2011 às 14:08
O FMI na Grécia

Não sei se conhecem o conjunto das medidas de austeridade em curso na Grécia.

Elas são duríssimas.
Mas, após uma contestação social enorme, foi a única forma dos gregos obterem os 100 mil milhões de euros de que precisavam para continuar viver com alguma normalidade.
Hoje é claro que o seu sistema económico e social era, não apenas insustentável, como também baseado em números deliberadamente falsos, para enganarem os seus credores.

Agora que também do nosso lado os credores deixaram de aceitar que todos os dias lhes ficássemos a dever cerca de 40 milhões de euros, algo de muito semelhante nos espera. Desejavelmente deveria ser o poder político a tomar tais medidas. Mas não sei se ele será suficientemente forte para, apesar da sua legimitade democrática, enfrentar o poder de todas as corporações. Se assim não for, não nos restará outra saída que bater às portas do FMI.

Aqui chegados eu defendo a adopção de medidas saneadoras das contas publicas e privadas que sejam, além de justas, eficazes e rápidas. Ou seja não sou a favor da adopção de PEC`S atrás de PEC`s. Além do inevitável arrastar do sofrimento social, o seu prolongamento no tempo cria frustações e impede que nos concentremos noutras acções fundamentais par ao nosos bem estar coletivo.

Com efeito, a par do saneamento das contas, temos de saber onde, e como criar riqueza. O grande desafio é que tal terá de ser feito com menor custo por cada dia de trabalho.
Isso passa também por alterações de mentalidade.
As corporações não podem continuar a achar que o que fazem é tão vital para o País que devem ser apenas "os outros" a sofrerem os cortes orçamentais. Pelo contrário elas deverão encontrar meios de fazerem mais com menos recursos.
Nas comparações internacionais com países semelhantes ao nosso (cf. o Expresso), nós já temos por exemplo mais polícias ou médicos por 100 mil habitantes. O mesmo se passa com a Educação, onde gastamos mais dinheiro por habitante que a maioria dos restantes países. Por outro lado os nossos gestores publicos têm regalias muito superiores aos seus congéneres internacionais.

Voltando ao caso grego, eu acho que faltam, no conjunto (indispensável) das medidas do FMI, as acções/programas que visem o crescimento da riqueza de forma sustentável (e com menos dinheiro publico).
Espero que o mesmo não se aplique no nosso País. Pois aí estará a chave do sucesso das políticas de austeridade.

Um abraço luso-grego,
Jorge

PS
Pareceu-me que as medidas gregas são relativamente justas ao penalizarem quem mais tem e ao isentarem os mais desfavorecidos. Isso é vital. Ou seja, sem que se estimule a perguiça, nunca podemos perder de vista que uma mais justa distribuição da riqueza é um sinal de civilização.
Talvez paradoxalmente a chamada crise possa contribuir para dar a devida importância àquele desiderato.
_______________________________


De Medidas de Austeridade na Grécia a 31 de Março de 2011 às 14:10
Conjunto de medidas de austeridade em vigor na Grécia

1. Sector Público

Corte do subsídio de férias e natal para todos os empregados públicos que ganhem mais de 3000€/mês brutos. Quem ganhar menos de 3000€ vai receber 250€ pela Páscoa, 250€ no Verão e 500€ no Natal;
Reduzir os subsídios de 8 a 20% no sector público estado e 3% nas empresas públicas
Uniformizar todos os salários pagos pelo estado;
Congelar todos os salários do sector público até 2014.

2. Sector Privado

Chegou-se a um acordo colectivo, assinado em 15 de Julho, pelo qual os empregados do sector privado na Grécia continuam a receber o seu salário anual em 14 pagamentos (chegou a ser sugerido passar para 12 pagamentos). Não houve aumentos em 2010 e prevê-se aumentos de 1.5 a 1.7% para 2011 e 2012 – muito abaixo da inflação actual que ronda os 5.6%.
Imposição de um imposto aplicado uma única vez às empresas que tenham tido mais de 100 000€ de lucro em 2009:
· 100 000 a 300 000: 4%;
· 300 001 a 1 000 000: 6%;
· 1 000 001 a 5 000 000: 8%;
· Mais de 5 000 000: 10%.

Alargar os limites pelos quais os empregadores podem despedir funcionários:
Empresas com até 20 empregados: sem limite; Empresas com um número de empregados entre 20 e 150: até 6 despedimentos por mês; Empresas com mais de 150 empregados: até 5% dos efectivos ou 30 despedimentos por mês.
Redução das indemnizações por despedimento, que também poderão ser pagas bimensalmente;
Pessoas jovens, com menos de 21 anos podem ser contratadas durante um ano recebendo 80% do salário mínimo (592€). O pagamento da segurança social também será apenas de 80% e findo o ano de contrato têm direito a ingressar nos centros de emprego;
Pessoas com idades entre os 15 e os 18 anos podem ser contratadas por 70% do salário mínimo, o que dá 518€;
Os empregados considerados redundantes não podem contestar o despedimento a menos que o empregador concorde;
Empregados pela primeira vez, com menos de 25 anos, podem ser pagos abaixo do salário mínimo;
Pessoas que auto empregadas com OAEE (sistema de seguro para empresários em nome individual), que por qualquer motivo não tenham trabalho, são cobertos pelo seguro durante até dois anos desde que:
Tenham trabalhado um mínimo de 600 dias, mais 120 por cada dia acima dos 30 anos até terem chegado aos 4500 dias ou 15 anos de trabalho; Não estejam segurados por um seguro do sector público.
Liberalização das profissões ou sectores fechados (são aquelas profissões ou sectores que necessitam de autorizações do estado ou que estão altamente reguladas, tais como notários, farmácias, cirurgiões, etc). Esta medida não foi implementada dado que há processos a decorrer no Tribunal Europeu;
Cancelar o segundo pagamento de pagamentos de solidariedade;
Aumentar as contribuições para a segurança social em 3%, tanto para empregados como empregadores.

3. Pensões/Reformas

De notar que a reforma do sistema de pensões já tinha sido discutida muito antes da entrada do FMI, mas nunca tinha sido implementada.
A Grécia tem uma percentagem desproporcionada de população idosa, cerca de 2.6 milhões e uma população activa na ordem dos 4.4 milhões, isto para uma população total de 11.2 milhões. Isto obriga o Estado a contrair empréstimos para puder efectuar os pagamentos mensais.
A 8 de Julho do ano passado foram aprovados um conjunto de princípios depois de terem sido efectuadas mais de 50 emendas à lei. As medidas mais importantes foram:

Cortar os subsídios de férias e natal para todos os pensionistas que recebam mais de 2 500€/mês brutos. Aqueles que ganhem menos de 2500€ vão receber 200€ pela Páscoa, 200€ pelo Verão e 400€ no Natal;
Cortar os subsídios de férias e natal para todos os pensionistas com menos de 60 anos, excepto para aqueles que tenham o número mínimo de anos de contribuição, tenham menos dependentes ou estudantes com menos de 24 anos a viver na mesma casa;
Todas as pensões congeladas até 2013;
...


De Medidas austeridade na Grécia2 a 31 de Março de 2011 às 14:13
...
Todas as pensões congeladas até 2013;
Calculo das pensões tendo em conta toda a carreira contributiva. Vai estar em vigor um sistema de transição até 2015;
Passagem da idade de reforma no sector público e privado para os 65 anos;
Ajustes da idade de reforma tendo em conta a esperança média de vida a partir de 2020;
As pessoas podem-se reformar a partir dos 60 anos com penalizações de 6% por cada anos, ou aos 65 anos com pensão completa depois de 40 anos de serviço. A partir de 2015 ninguém abaixo dos 60 se poderá reformar;
Os trabalhadores que tenham trabalhos de desgaste rápido podem reformar-se a partir dos 58 anos (antes era 55) a partir de 2011;

Desconto para um fundo de solidariedade social (LAFKA), a ser feito pelos pensionistas que ganhem mais de 1400€, a partir de 1 de Agosto de 2010:
· 1401 a 1700: 3%;
· 1701 a 2300: 5%;
· 2301 a 2900: 7%;
· 2901 a 3200: 8%;
· 3201 a 3500: 9%;
· Mais de 3500: 10%.

Aumento da idade de reforma para mães trabalhadoras:
· No sector privado: para 55 (era 50) em 2011, 60 em 2012 e 65 em 2013; No sector público: para 53 em 2011, 56 em 2012, 59 em 2013, 62 em 2014 e 65 em 2015; Com três filhos: 50 em 2011, 55 em 2012 e 60 em 2013.

Retirada da pensão aos ex-empregados públicos que sejam apanhados a trabalhar e tenham menos de 55 anos; Corte em 70% se tiverem mais de 55 anos e se a pensão for mais de 850€/mês. A partir de 2011;
Limitar a transferência de pensão de pais para filhos segundo critérios de idade e rendimento, o que inclui o pagamento de 26 000 a filhas divorciadas ou solteiras ( empregados bancários e empregados públicos). Se os filhos estiverem a receber duas destas transferências, apenas receberão uma delas, a maior, a partir de 2011;

A pensão completa pode ser transferida para viúvas(os) se a data da morte ocorreu após cinco anos de casamento e o cônjuge vivo tiver mais de 50 anos e se certos parâmetros de rendimentos forem cumpridos. No entanto, durante os primeiros três anos após a morte os pagamentos serão retidos;
Estabelecimento de uma pensão mínima garantida de 360€;
As pensões não devem exceder 65% do rendimento auferido enquanto se trabalhava (anteriormente este número podia chegar aos 96% baseado nos últimos anos de trabalho e nos mais bem pagos);
Os que não pagaram segurança social podem receber a pensão mínima desde que tenham mais de 65 anos, não tenham rendimentos e que vivam há mais de 15 anos na Grécia;

Fusão dos 13 fundos de pensão Gregos até 2018. Os fundos dos trabalhadores por conta de outrem, agricultores, empresários em nome individual e trabalhadores do sector público, serão integrados na segurança social até 2013;

Reduzir o número de fundos que servem os advogados, engenheiros, jornalistas e médicos;
Reforma completa das condições de reforma dos militares e forças de segurança o que inclui aumentar a idade de reforma e a remoção de bónus especiais;

4. Impostos

IVA: todas as taxas de IVA foram aumentadas 10%: 5 para 5.5%, 10% para 11% e 21 pra 23%;
Imposto sobre tabaco, bebidas alcoólicas e combustíveis: imposto adicional de 10%;
Imposto em automóveis de luxo (novos e usados): 10 a 40% baseado no valor em novo e no valor de mercado;
Publicidade na TV: toda a publicidade na TV está sujeita a um imposto de 20% a partir de 2013;
Imposto especial de 1% para aqueles que tenham um rendimento líquido de 100 000€ ou mais.
____________________________________________
PS
O texto acima resulta duma tradução. Embora tentasse corrigir algumas das dificiências dessa mesma tradução, nem sempre o consegui. As minhas desculpas.


De Fonte do seu comentário? a 1 de Abril de 2011 às 10:10
Qual é o endereço online do texto que traduziu?
A fonte é fiável?
Sabe responder-me?

Muito obrigado pela cortesia.


De . a 4 de Abril de 2011 às 10:10
A fonte é e-mail recebido, indirectamente. A fiabilidade não é. garantida.


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