E o povo, pá ? - O vosso roubo custa-nos milhões...

É o povo, pá!

Quem somos
Não importa quem somos, mas aquilo que nos junta. Somos gente farta da falta de oportunidades e cansada do discurso mentiroso que afirma «não há outro caminho». Somos gente cujo investimento e sacrifícios dos pais na nossa educação resultou em desemprego e precariedade e ofende-nos ouvir dizer que a culpa da nossa precariedade é dos direitos que a geração deles conquistou. Somos gente que defende o trabalho digno e com direitos, independemente da idade e habilitações literárias. Somos gente que está farta de ter a vida congelada e o futuro, nosso e dos nossos filhos, adiado. Porque não nos resignamos, protestamos. Exigimos respeito e reclamamos o direito à dignidade e ao futuro.

Ao que vimos
Vimos dizer que não nos comem por parvos. Não aceitamos o discurso que nos impõe a precariedade como forma de organização do trabalho. Desconfiamos de quem nos diz que «tem que ser assim» e «este é o único caminho» acenando com a chantagem da falta de patriotismo. Este país também é nosso e temos direito a cá viver e trabalhar. Exigimos pluralidade de opiniões porque sabemos que é nesse confronto que se encontram caminhos. Não aceitamos o pensamento único e sabemos que chegámos até aqui porque foram feitas escolhas: decidiram converter as pessoas em clientes e contribuintes. Nós dizemos que essas escolhas são erradas.

Porquê o BPN
Quando falamos do buraco nas contas públicas deixado pelo BPN referimo-nos a cerca de 6500 milhões de euros, ou seja, a mais de 13 milhões de salários mínimos, mais de um salário mínimo por cada habitante deste país.

A Caixa Geral de Depósitos enterrou directamente no BPN cerca de 4600 milhões de euros, a somar aos 2000 milhões de euros em imparidades (activos tóxicos), o que perfaz cerca de 4% do PIB. Explicitando: este valor assemelha-se ao encaixe total que o Estado português prevê fazer com o plano de privatizações. Dito de outra forma, assemelha-se ao valor previsto pelo plano de austeridade de 2010, em que para o cumprir foram necessários os PEC, mas também o fundo de pensões da PT, no valor de 1600 milhões de euros. Este é o valor da factura que todo nós estamos a pagar.

Quase três anos após a falência do BPN, podemos dizer que aquilo que estamos a pagar é a fraude,a promiscuidade entre a política e a finança, a cumplicidade e a troca de favores, os offshores, a evasão fiscal. Enfim, estamos a pagar o preço de um crime que não cometemos.

O caso BPN configura o processo de desagregação do Estado democrático, onde se salvam os accionistas e as entidades reguladoras, onde se escolhe salvar os activos nacionalizando os prejuízos à conta dos impostos que pagamos. O caso BPN diz-nos que em Portugal a fraude compensa e, quando esta vence, a democracia perde. Portugal está transformado num país onde há Estado máximo para alguns e Estado mínimo para quase todas as outras pessoas.

Quando nos dizem que o tempo é de sacríficios , sabemos que a sua distribuição não é justa nem democrática. Quem escolhe salvar Bancos para salvar amigos legitima a corrupção. Para o fazer, corta onde é mais necessário: nos serviços públicos e nas prestações sociais.

Não nos falem de austeridade, falem-nos de  justiça.

 

- por eopovopa , cartaz, video fotos  e www.visão.pt nº943 de 31a6Abril.2011 pag.62e63

Nota prática: ''Faz download do cartaz e cola-o na tua cidade...'' - Vem aí a 'ação direta' ! e o 'apontar o dedo' a alvos concretos e 'provocar nervoso' nos responsáveis políticos e económicos.

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por Daniel Oliveira
As agências de notação financeira advertiram a Comissão Europeia de que poderão deixar de atribuir notações aos países de risco se Bruxelas prosseguir com a ideia de os responsabilizar juridicamente por erros de avaliação.
    O clima de tensão entre o Executivo europeu e as três principais agências de “rating” – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch - está assim a intensificar-se, segundo fontes do sector, citadas pela Reuters. Este agravamento deu-se depois de a S&P ter cortado as classificações de Portugal e da Grécia, tendo a notação portuguesa ficado a apenas um nível do chamado “lixo” e a grega abaixo do “rating” do Egipto – país que está a atravessar um momento político delicado depois da revolta social que levou ao derrube do regime de Hosni Mubarak.
   As agências estão preocupadas com estas propostas de Bruxelas, receando ficar expostas a pedidos de reembolso de crédito por parte de milhares de detentores de obrigações soberanas, realça a Reuters.


Publicado por Xa2 às 13:08 de 04.04.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 4 de Abril de 2011 às 19:13
Alô, Constâncio! Está lá? Está? Alô, alô... Deve ser da ligação... Ninguém houve o «caramelo».
Não há dúvida nenhuma de que «quem faz os fretes» é recompensado. Ou será a incompetência que é recompensada? Ou que será que foi que o fez «merecer» esta vice-presidência lá fora?


De Ratings e ratões a 4 de Abril de 2011 às 16:46
Pois está claro!

Que é lá isso de por em causa a seriedade de suas, pardas e absolutas, eminências ?


De . a 4 de Abril de 2011 às 15:22
Se não fosse a crise política portuguesa teria havido terramoto no Japão?

por Daniel Oliveira

Ricardo Salgado (BES), a entidade onde se cruzam todos os interesses privados e públicos, responsabiliza o impasse político pela descida da banca nacional nos ratings.
Sim, a banca, que está bem mais endividada do que o Estado, diz que a culpa é dos políticos.

Sabe quem não se limita à ideologia que, até ao aumento dos juros, a nossa dívida pública estava na média europeia, enquanto a dívida privada há muito estava acima da de qualquer outro país.

De facto, o Estado não é apenas bom para fazer excelentes negócios. Também serve muitíssimo bem para passar todas as culpas.

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Notícias da verdadeira «geração rasca»
por Miguel Cardina

O administrador dos CTT, Marcos Baptista,
nomeado para o cargo pelo seu ex-sócio e secretário de Estado dos Transportes, Paulo Campos, suspendeu hoje o seu mandato após revelações de que teria falsificado o seu currículo académico.

A notícia está aqui e só me fez lembrar um grande hit dos anos oitenta (''Boys...boys...''). Deve ser do calor.


De Abuso de poder, lóbi, ingerência polític a 4 de Abril de 2011 às 15:16
A Fitch e o abuso de poder
por Daniel Oliveira, 31.3.2011, Arrastão

A agência Fitch, uma das que andou a avaliar positivamente lixo e a descobrir pelos jornais a falência de empresas e de países, ameaça baixar de novo o ratig da dívida portuguesa se Portugal não recorrer à ajuda externa .
Diz-se, quando se contesta a fiabilidade das avaliações destas empresas (que, recorde-se, trabalham para quem ganha dinheiro com o aumento dos juros), que nada podemos fazer.
Elas limitam-se a olhar para os dados económicos e financeiros e a dizer de sua justiça.

Se assim fosse, não havia avisos.
Se assim fosse, as agências limitavam-se a olhar para as contas - que não são um segredo de Estado, são públicas e podem ser avaliadas pelos investidores - e a dar a nota correspondente.

O que a Fitch fez, e não é o primeiro caso, foi dar um conselho a Portugal. Sendo que Portugal não é seu cliente.
E nesse conselho está implícita a ameaça:
ou fazem o que os nossos clientes querem ou nós dizemos aos mercados que vocês não vão conseguir pagar, aumentando assim as vossas dificuldades de financiamento e, obviamente, a dificuldade em pagar.

O que a Fitch fez não foi uma avaliação externa ao próprio mercado.
Foi uma intervenção direta no mercado para determinar as políticas de um Estado.
Foi lobby em favor dos seus clientes, usando o instrumento que tem para determinar decisões políticas.

Porque, todos sabemos, o recurso à ajuda externa, sendo péssimo para a nossa economia, permite o saque final e impede qualquer renegociação da dívida, a única solução racional para as economias periféricas da Europa.

Nada a fazer, é o que se diz. Falso.
Está nas mãos da Europa determinar os moldes em que a ajuda externa é garantida.
Está nas mãos da Europa garantir essa ajuda, comprando ela própria a dívida nos mercados primários, e dando garantias para uma renegociação da dívida.
Está nas mãos da Europa proteger os países que estão na linha da frente de um ataque especulativo ao euro, dizendo o que diz qualquer devedor que seja vítima do abuso de poder dos credores:
ou renegociamos as condições ou não pagamos.

Não estamos dispostos a trabalhar para pagar juros que não correspondem ao risco real de incumprimento.
É isto que famílias, empresas e Estados fazem quando o credor abusa do seu poder:
se queres receber o que te devo não tentes levar o que não te devo.

Mas para isso Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal não podem ser abandonados à sua sorte.
Cabe à Europa cumprir o seu papel solidário.
E não deixar que seja a Fitch e restantes agências de notação a determinar as políticas dos seus Estados.


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