Eleições com dor

 

As eleições não correm bem ao PS desde a vitória nas legislativas há 4 anos. Perdeu as locais de 2005 e desbaratou nelas generais como Manuel Maria Carrilho, João Soares e Francisco Assis, entre outros; perdeu estrondosamente as presidenciais de 2006 com Mário Soares na versão oficial e Alegre na versão espontânea e é derrotado nestas europeias com o free-lancer engagé Vital Moreira. Só Sócrates ostenta as estrelas conquistadas nas antecipadas de Fevereiro de 2005, embora não se possam dissociar os resultados subsequentes do seu modo imperioso de governar. O PS terá de mudar de filosofia de governação.

Com efeito, depois das locais e das presidenciais, e de quatro anos de governo de choque, não seria de esperar apoios entusiásticos em eleições como as europeias. Muito menos comparar com as eleições para o PE de 2004 tendo em conta os números da vitória da equipa Sousa Franco-António Costa quando o PS estava em pleno estado de graça na oposição ao executivo Barroso-Paulo Portas.

Ficar atrás do PSD agora significa que o PS vai deixar de ter grande parte do apoio dos interesses económicos que se colaram ao governo Sócrates até aqui. Com a vitória do PSD a direita política reaparece e vai deixar cair para já a ideia do bloco central. Neste particular Cavaco Silva também perde. Porém há uma outra conclusão que convém sublinhar: o PS não perdeu só para o PSD, perdeu nas duas frentes, à direita e à esquerda. O único lenitivo veio da sondagem da SIC para as legislativas. Mas muitas sondagens também foram derrotadas nestas eleições. [Medeiros Ferreira, Correio da Manhã]



Publicado por JL às 20:29 de 08.06.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Campanha negra e má a 9 de Junho de 2009 às 12:43
Campanha negra

É confrangedora a impreparação, paupérrimo discurso e arrepiante a demagogia nesta campanha
Visão, 4.6.2009, Filipe Luís

Considero um dever de pedagogia democrática defender a política e os políticos. Tornou-se demasiado fácil, populista e um pouco cobarde zurzir em quem já tem as costas largas.
Os políticos encarnam, sempre, a famigerada terceira pessoa do plural: "Eles"! São sempre "eles", os culpados, os incompetentes, os corruptos. Eles. Nunca somos "nós".

Ao mesmo tempo, quem manda, a alta finança, o poder económico, as multinacionais, entidades que poucos dos que estão sempre a atirar pedras têm a coragem de afrontar, passam incólumes.

Insuspeito, portanto, de querer mal à classe política, devo admitir, desta vez:
nesta campanha, é confrangedora a impreparação, assustadora a leviandade, esmagadora a alarvidade, paupérrimo o discurso e arrepiante a demagogia demonstrada por praticamente todos os cabeças de lista e por todos os líderes dos cinco principais partidos. No cenário patético das figuras de urso, nas feiras do País, safa-se Nuno Melo, não porque tenha ideias, mas porque se agarra, habilmente, ao maná do caso BPN/Banco de Portugal.

São adjectivos fortes, ditos com a esperança de que um alarme, tocado pela abstenção gigante, possa soar, naquelas cabecinhas pensadoras. Por razões de espaço, dediquemos atenção, apenas, aos dois maiores partidos.

Os socialistas começaram por acusar os adversários de só quererem discutir temas nacionais e esquecerem a Europa. Pois foram eles que trouxeram para a mesa da discussão o caso BPN ou a reabertura das minas de Aljustrel. Temas "profundamente europeus", como se nota. Para não falar do argumentário infantil de José Sócrates, que esteve bem em Valência e em Coimbra, mas que tem gasto os últimos discursos a criticar a alegada falta de militantes nos comícios adversários. Temas europeus? Vou ali, já venho.

Vital Moreira tinha especiais responsabilidades. Esperava-se elevação no discurso, pedagogia na acção, inteligência nos argumentos - características consentâneas com o seu prestígio e perfil. Mas não. Peixe fora de água, político enferrujado, gaffeur desastrado, exibe um discurso inarticulado, demagogia na acção e arrogância nos argumentos. Um Manuel Maria Carrilho... em mau. Mais: outro qualquer teria suspendido, durante a campanha, a sua coluna no Público (tipo de atitude que depende, claro está, do sentido ético de cada um...). Vital tem handicaps de que nem sequer é culpado: a esquerda radical vê nele um traidor. A direita, um "comuna". E o PS, um intruso.

No meio da desolação geral, até parece que Paulo Rangel tem brilhado. Mas o brilho do candidato "laranja" pode ser um fogo-fátuo. A sua notoriedade é mais mediática do que popular. Tem boa imprensa, mas pouco público. Devia disparar nas sondagens, mas manca, abaixo da linha de água. É que nunca foi tão fácil ganhar ao PS - e mesmo assim, o PSD deve perder. Culpas de um candidato promissor mas com défice de papa Maizena? Ou responsabilidades atribuíveis à falta de rede de uma liderança forte, determinada, solidária e presente? A um partido "saco de gatos", que não inspira confiança?

Agora, já pode dizer-se: foi você que pediu uma campanha negra? Ora tome!
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(nota: PSD ganhou com o mesmo score com que se esperava que perdesse, i.e. não foi vencedor, o PS é que foi o perdedor, o grande derrotado)


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