Os culpados do costume

Não li na íntegra o artigo do "Wall Street Journal", citado por vários jornais portugueses, que "explica" a crise económica que Portugal atravessa com a pouca qualificação dos trabalhadores, mas conheço bem o jornalismo que chega a um local exótico, fala com uma ou duas pessoas que conhece no bar do hotel, junta uns dados estatísticos e julga ter descoberto a verdade sobre os autóctones.

De acordo com o resumo feito pelo DN, para o "Wall Street Journal" o fraco crescimento da economia portuguesa resultaria de "apenas 28% da população entre os 25 e os 64 anos [completar] o ensino secundário".

O artigo não se interroga - tal tipo de jornalismo raramente se interroga - por que motivo a "mão-de-obra não qualificada" portuguesa contribui tanto para o crescimento da economia dos países para onde emigra e não da portuguesa. Provavelmente, no bar do hotel, ninguém lhe terá dito que, em Portugal, existem poucos empresários, a maior parte "Estadodependentes", e muitos patrões, nem lhe terá falado da cultura empresarial dominante por estas latitudes: a do tráfico partidário de influências e dos ajustes por baixo da mesa.

E quem lhe forneceu as estatísticas da qualificação dos trabalhadores ter-lhe-á omitido que, segundo dados do INE, 74,1% dos patrões portugueses só têm o ensino básico, ou nem isso, e apenas 13,9 e 12% possuem formação secundária ou superior (contra 15,2 e 14,5% dos trabalhadores).

Manuel António Pina [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 23:02 de 04.04.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Paraíso de Ladrões. a 5 de Abril de 2011 às 17:28
"Portugal é hoje um paraíso criminal
onde alguns inocentes imbecis se levantam para ir trabalhar, recebendo por isso dinheiro que depois lhes
é roubado pelos criminosos e ajuda a pagar ordenado aos iluminados que bolsam certas leis."
Barra da Costa


De .perguntas ao cartel das gasolineiras: a 5 de Abril de 2011 às 17:24
CARTA ABERTA
Prezado Dr. Carlos Barbosa
Presidente da Direcção do Automóvel Club de Portugal
Lisboa, 9 Março 2011

Assunto: O DESCARADO AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS

TRÊS PERGUNTAS A FAZER ÀS GASOLINEIRAS

O elevado custo a que os combustíveis chegaram é um doloroso espinho na nossa economia.
Torna-se urgente removê-lo ou pelo menos evitar que se enterre mais, se a quisermos salvar de "morte certa".
O preço dos combustíveis assenta em quatro custos básicos:
1 - A matéria prima (ramas de petróleo)
2 - O transporte marítimo (frete)
3 - A refinação (transformação do crude nos produtos de consumo)
4 - A distribuição (armazenagem e colocação nas bombas)
Mas as nossas gasolineiras (Galp/BP/Repsol/Shell,etc.) parece só conhecer o primeiro ou escondem os restantes.
HÁ TRÊS PERGUNTAS URGENTES A FAZER

A primeira grande situação escandalosa do custo dos combustíveis, que abastecemos nas bombas, advêm do facto das gasolineiras, quando trocaram a compra da matéria prima proveniente dos portos do Golfo Pérsico, cerca der 15 dias de viagem, pela dos portos do Norte e do Oeste de África, cerca de 3 a 6 dias de viagem, nem um só cêntimo alguma vez baixaram seus preços! (Alguém soube de tal?)
Por exemplo se os fretes estiverem a 1 dolar/tonelada/dia de viagem (para usar nºs simples pois o valor é superior) teremos que, no caso dum petroleiro de 100 mil toneladas, com aquela troca de origem resultaria:
De 100.000x1x15 = 1.500.000 dólares
Para 100.000x1x3ou6 = 300.000 ou 600.000 dólares
Uma redução fabulosa!
A pergunta que o ACP deve fazer:
QUEM BENEFICIOU COM ESTA REDUÇÃO DE FRETES?

A segunda grande situação escandalosa advêm do facto (pelo menos no momento actual) da escalada do custo das matérias primas se ter iniciado há menos de um mês e as gasolineiras já fizeram três aumentos. O primeiro escândalo, nesta situação, é o facto de que todo o produto refinado, entregue na distribuição naquele período de tempo, foi primeiro adquirido nos mercados estrangeiros em "spot" a longo termo (talvez seis meses ou mais) com custos muito inferiores aos actuais), depois feito o afretamento dos navios petroleiros estrangeiros (que os não há portugueses) nos "brokers" internacionais, nem sempre de pronto disponíveis. Depois realizam-se as viagens das origens daquela matéria, para os terminais de Sines e Leixões. Seguiu-se o processo de tratamento e refinação, tanquagem e distribuição. Tudo levando largas semanas senão meses até ao consumidor.
A pergunta a fazer é:
A QUE PREÇO PAGARAM AS GASOLINEIRAS AS RAMAS QUE SINES E LEIXÕES RECEBERAM NAS ÚLTIMAS SEMANAS?

A terceira situação escandalosa advêm do facto do petróleo bruto ali recebido, primeiro não ser todo proveniente do mesmo terminal de origem, fretes diferentes, depois não possuir as mesmas características (mais ou menos "light" ou mais ou menos betuminoso, etc.) de que resulta produtos refinados de diferente qualidade.
A pergunta a fazer é:
COMO É QUE TODAS AS GASOLINEIRAS CONSEGUEM, COM TAIS PARÂMETROS, FAZER O MESMO PREÇO DE VENDA E NO MESMO DIA?

A minha solicitação a meu prezado Presidente do ACP para que se coloquem estas questões às gasolineiras é porque a mim a elas não me respondem. Faço parte daqueles que "elas" consideram de "tansos pagantes", apesar de ter andado algumas dezenas de anos no transporte de hidrocarbonetos e viajado mais de um milhão de milhas em navios petroleiros por esse mundo fora do petróleo.
Como seria bom ler o que nos vão (se) responder...
E talvez com as respostas dadas o Sr Ministro responsável pelos transportes saísse da meditação em que se encontra e nos ajudasse a resolver o assunto.
E com um muito saudar vos solicito minhas escusas.

Joaquim Ferreira da Silva - Sócio nº 3147
Capitão da Marinha Mercante (Reformado)
Membro da Secção de Transportes da Sociedade de Geografia de Lisboa.


De .Gasolineiras connections... a 5 de Abril de 2011 às 17:31
Gasolineiras connections...

Para que não haja dúvidas!!!

GASOLINEIRAS - excelente reportagem


http://imgs.sapo.pt/sapovideo/swf/flvplayer-sapo.swf?v7&file=http://rd3.videos.sapo.pt/flHWZvffDzTEl0ic2Jdz/mov/1


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