De Ag.'rating' Canadiana 'protege' Portugal a 6 de Abril de 2011 às 14:26
Agência de 'rating' canadiana 'protege' banca nacional
SOL, 5 de Abril, 2011
O último baluarte que protege a banca portuguesa de ver agravadas as condições de financiamento junto do BCE, depois do corte de rating de Portugal pela Moody s, é uma discreta agência canadiana de notação financeira canadiana - a DBRS.
Com o mercado interbancário praticamente fechado para os bancos portugueses, estes têm no Banco Central Europeu a sua principal fonte de financiamento, que atingia os 41.078 milhões de euros no final de Fevereiro, o seu maior nível desde agosto.
Para a banca portuguesa se financiar junto do Banco Central Europeu, tem de apresentar garantias (colaterais) como contrapartida do valor que o BCE lhes empresta. Estas garantias, que tomam várias formas, são em grande parte títulos de dívida soberana portuguesa.
O BCE aplica então um 'haircut' (corte no valor do ativo considerado) consoante a nota de crédito atribuída pelas agências de rating , prevalecendo a nota mais positiva atribuída pelas agências aos diferentes ativos.
Com o eclodir da crise financeira, o BCE mudou as regras relativas aos colaterais que aceita nas operações de refinanciamento. Antes, aceitava apenas notações de nível A, e agora estendeu o nível até BBB-, última nota antes de sair da escala de investimento.
Com o corte de rating de Portugal hoje pela Moody s, (de A3 para Baa1), e depois da Standard & Poor s e Fitch já terem cortado o rating para BBB-, o último nível antes de junk , Portugal fica com uma avaliação em nível B, mais ainda dentro da escala da investimento.
No entanto, para o Banco Central Europeu, na avaliação dos colaterais conta a melhor nota de quatro agências de rating : Standard & Poor s, Moody s, Fitch e ainda a não tão conhecida agência canadiana DBRS.
Uma vez que esta agência ainda mantém o rating de Portugal em AL (A low), com tendência negativa, desde 15 de Novembro do ano passado, ainda não serão aplicados haircuts nos activos portugueses que servem como colateral junto do BCE.
Caso a DBRS venha a cortar a avaliação de Portugal para níveis inferiores a A, então as regras do BCE estabelecem que serão aplicadas maiores desvalorizações dos ativos, que levarão os bancos ou a terem de providenciar colaterais adicionais para o mesmo valor de empréstimo, ou pagamentos em dinheiro que compense a desvalorização.
No documento onde estabelece as regras aplicáveis a estes colaterais, o BCE explica que é necessário um rating mínimo de «single A», o que, explica, «significa um rating de longo prazo mínimo de A- pela Fitch e Standard & Poor s, A3 da Moody s e AL (A low) da DBRS».
As regras do BCE estabelecem ainda que «os ativos são sujeitos a avaliações diárias», e, «se, depois da avaliação, os ativos respetivos não cumprirem os requisitos como calculado nesse dia, serão realizados pedidos de cobertura».
Para que estes pedidos de cobertura (ou margin calls ) não sejam tão frequentes, os bancos centrais, dependendo da sua jurisdição, podem aplicar um limite a partir do qual os bancos têm de fazer a cobertura necessária, e o modo, acontecendo através da entrega de mais colaterais ou de pagamentos em dinheiro.
No entanto, existem alguns activos, como as 'Asset Backed Securities' (ABS) - títulos suportados por vários tipos de activos não relacionados com hipotecas - que o BCE só aceita como colateral caso tenha nível A.
O BCE não aceita no entanto activos com notações junk , com excepção dos colaterais entregues pela Grécia e Irlanda, sobre os quais tomou a decisão de suspender a regra de notação de crédito mínima para aceitar todos os colaterais que os bancos destes países entregarem.
Lusa/SOL