4 comentários:
De Cala-te ou levas... a 8 de Abril de 2011 às 11:42
Ordem para calar críticas ao líder
«Ao que o Correio da Manhã apurou, os homens do aparelho estão empenhados em controlar a situação ao milímetro, concedendo "margem de manobra mínima" aos desalinhados e aos críticos de José Sócrates.

Sendo certo que eles estarão lá e que alguns usarão da palavra, a máquina vai encarregar-se de os pôr a falar em "horas mortas" e de lhes fazer ver que o momento não é propício à querela.

Um alto dirigente do PS revelou ao CM que "a ideia é fazer do Congresso um acto de demonstração de união em torno de José Sócrates, pondo todos os notáveis a falar a uma só voz nas críticas ao principal partido da oposição", ou seja, um acto de preparação da campanha.

"José Sócrates tinha a solução para o País e a oposição deitou tudo a perder", disse ontem o ex-deputado António Campos, frase que perpassará a maioria das intervenções de fundo. Os cerca de 1800 delegados vão votar por braço no ar quatro moções globais de orientação política, que foram escritas em Janeiro, antes do chumbo do PEC e da queda do Governo. E muito antes do pedido de ajuda externa. Assim, os congressistas vão eleger os órgãos do partido a pensar nas listas de deputados.

"RADICALIZAR É INCONVENIENTE"

O presidente da Câmara de Baião considera que a radicalização do discurso do PS contra o PSD não é conveniente. "Julgo que o PS deveria, neste momento, optar por um outro tipo de discurso. É inconveniente para a economia portuguesa e para a situação política haver radicalização do discurso político", afirmou ao CM José Luís Carneiro, que pretende liderar a Federação Distrital do Porto do PS. Sublinhando que "afrontar o PSD poderá dificultar inevitáveis negociações futuras, independentemente de quem sair vencedor das próximas legislativas", o autarca manifestou-se também favorável à demissão de José Sócrates da liderança do partido em caso de derrota nas legislativas. "Se fosse eu, era o que faria. No entanto, estamos na luta com o claro objectivo de fazer com que ele volte a vencer", disse.


De Socorro ! a 8 de Abril de 2011 às 14:48

Nitidamente o PS está em crise, verificando-se existirem diferentes sensibilidades ou correntes:

- a maior é a dos abstencionistas/ carneiros e alguns descontentes calados;
- a grande é a dominante do aparelho, a ala direita e defensora dos seus tachos;
- a minoritária é a dos contestatários, a ala esquerda defensora de ideais e valores.

Claro que cada ala tem muitos subgrupos... e também parece claro que a Ala Direita vai ter neste Congresso (como em todos os outros) uma vitória esmagadora... tanto que até vai esmagar e derrotar o próprio partido deixando-o de rastos por muitos anos.

- Qual o futuro do PS ?
que desapareça, que se renove que se parta... o que/ quem se interessa ?!!

a questão importante é :
- Qual o futuro do Estado Social, dos direitos dos trabalhadores por conta de outrém, dos desempregados, dos pensionistas, da classe média, ... ?


De Ana Gomes no Congresso PS a 12 de Abril de 2011 às 12:36
Intervenção no Congresso do PS
[Publicado por AG, CausaNossa, 10.4.2011]

A crise política precipitada pelo PSD, com a cumplicidade de PP/PC/BE, no pior momento, atirou a imagem internacional de Portugal e dez milhões de portugueses para as ruas da amargura. Em duas semanas, alem dos ataques das agencias de ratings, sofremos a indignidade de ter os nossos banqueiros a encostar os revolveres aa cabeça do Governo, obrigando ao pedido de empréstimo externo.

As contrapartidas vão ser muito mais estranguladoras do que o PEC chumbado, pois estamos numa Europa diferente daquela a que aderimos, sem solidariedade nem coesão, com um Euro nao sustentado por governação que impeça as economias nacionais de divergir - e a nossa, portanto, de continuar a perder competitividade.
Com uma Comissão Europeia de fraquíssima liderança, submissa a directórios de geometria variável com eixo em Berlim, onde receitas NEOLIBERAIS ressuscitam alarmantes preconceitos xenófobos.

Nesta União Europeia melhor fora que investissemos na construção de ALIANÇAS e sinergias com gregos, irlandeses, espanhois e os Junckers que restam na direita a defender mais União e a Europa social, para dar resposta ao regabofe no sistema financeiro.
Resposta que ainda nao foi dada, e nao será, se se deixar no tinteiro o controlo dos "OFF SHORES", esses antros da criminalidade em que estão viciados empresas e bancos europeus, portugueses incluídos.

E para criar recursos novos para investir no crescimento economico e no emprego, porque sem eles nem Portugal, nem a Europa, sairao desta crise sem precedentes.
Importa fazer ver aos chanceleres desta Europa neoliberal que se Portugal está nesta ressaca, houve bancos, empresas e cidadãos dos seus paises que ajudaram á festa, com os seus governos a fazer vista grossa á teia de CORRUPÇÂO subjacente a muitos negocios, submarinos e nao só.

Porque esta crise ee também uma crise de valores. A ética, a ideologia, a Política tem de voltar a comandar a economia e as finanças. Na Europa e em Portugal. Para por a economia ao serviço das pessoas, e nao as sacrificar na roleta da ECONOMIA de CASINO.

Os portugueses precisam, exigem - têm o direito - de que se lhes fale VERDADE. Toda a verdade.
Bem podemos, no PS, agitar as bandeiras de que nos orgulhamos, por toda a diferença que fez a governação socialista: a escola publica, o SNS, a reforma da segurança social, a desburocratizacao, o investimento na ciencia e inovacao, as energias renováveis.

Mas ele há o outro lado, que ninguem responsável e credível pode deixar na sombra:
os desempregados e as desempregadas,
a pobreza e as desigualdades,
os idosos abandonados,
a juventude qualificada a emigrar,
as famílias a entregar casas aos bancos,
a conflitualidade social perigosamente a espreitar.

Para continuar a ter a confiança dos portugueses, é preciso que o PS assuma, com humildade, que nem tudo foram rosas na governação, nem sempre a rosa cheirou bem: o PS cometeu ERROS.

Assumi-los será meio caminho andado para os corrigirmos: por exemplo,
a nacionalização dos ossos do BPN sem nacionalizar as empresas lucrativas do Grupo SLN. Por exemplo,
o desvio e desperdício de dinheiros do Estado em consultadorias e "OUTSOURCINGS",
a corrupção e o despilfarro em diversas empresas publicas.

Assumir erros é regenerador e as crises também são oportunidades. Vamos precisar de incutir confiança aos portugueses para transformarem em oportunidade as brutais reformas que o emprestimo externo vai impor.
O PS vai precisar de ter a coragem de dizer aos portugueses que vem ai muito trabalho, suor, e ate, com certeza, lagrimas.
O PS vai ter de assegurar TRANSPARÊNCIA e JUSTIÇA na distribuicao dos sacrifícios:
quem mais tem, ee quem mais deve pagar.
A começar pelos BANCOS e transacções financeiras que nao podem continuar a ser escandalosamente privilegiadas na FISCALIDADE.
As PARCERIAS publico/privadas têm de ser renegociadas em favor do Estado, isto é, dos contribuintes, para recuperarmos recursos e os investirmos no crescimento economico e no emprego.

Os portugueses são admira...


De AG a 12 de Abril de 2011 às 12:42
Intervenção no Congresso do PS
[Publicado por AG]
...
Os portugueses são admiravelmente resilientes e adaptáveis, mas precisam de esperança. E para isso o PS tem de propor-lhes uma estrategia de reformas em que austeridade e sacrificios façam sentido, num horizonte para alem da crise.

Os socialistas têm motivos para se INDIGNAR com a oposição que nos precipitou no abismo. E para descrer do alheamento hoje revelado pelo Senhor Presidente da Republica sobre o que implica a negociação do emprestimo externo.

Mas a razão e o interesse patriótico devem prevalecer:
nao vai haver financiamento externo de emergencia sem um compromisso nacional, o que exige um esforço de entendimento entre todos os partidos.
E isto vai ter de acontecer ja durante a campanha eleitoral.
As negociacoes vao começar, vao ser durissimas e o governo do PS vai ter de as liderar. É do interesse nacional, e do PS, que todos os partidos sejam chamados a assumir as suas responsabilidades no estabelecimento das condições da assistencia financeira.

Nao se trata apenas de evitar a bancarrota a curto prazo, trata-se de EXECUTAR o CONTRATO sobre as reformas internas que vier a ser acordado. E que nao pode por em causa o Estado Social.
E por isso precisamos do PS a liderar o Governo. Este e o próximo.
Para esse entendimento inter-partidário temos de valorizar o que nos une, como portugueses, orgulhosos da nossa Historia, amantes desta terra e deste mar que sempre nos levou mais longe.

Desejosos, todos, do melhor para os nossos filhos e netos. Que nao nos perdoarão se agora falharmos.
Camaradas,
Unanimismos NÃO SERVEM ao PS.
Empenhamento critico, leal e construtivo é o que, como militantes, temos de dar ao PS e ao nosso Secretario Geral, José Sócrates.
Também eu confio que os portugueses vao reconhecer que o PS continua a ser a força política mais capaz e mais responsável para conduzir o país perante os desafios existenciais que enfrentamos, em Portugal e na Europa.
Nao temos medo das eleições! Vamos aa luta!
Viva o PS!
Viva Portugal!

Ana Gomes
Matosinhos, 9 Abril de 2011


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