De Ana Gomes no Congresso PS a 12 de Abril de 2011 às 12:36
Intervenção no Congresso do PS
[Publicado por AG, CausaNossa, 10.4.2011]
A crise política precipitada pelo PSD, com a cumplicidade de PP/PC/BE, no pior momento, atirou a imagem internacional de Portugal e dez milhões de portugueses para as ruas da amargura. Em duas semanas, alem dos ataques das agencias de ratings, sofremos a indignidade de ter os nossos banqueiros a encostar os revolveres aa cabeça do Governo, obrigando ao pedido de empréstimo externo.
As contrapartidas vão ser muito mais estranguladoras do que o PEC chumbado, pois estamos numa Europa diferente daquela a que aderimos, sem solidariedade nem coesão, com um Euro nao sustentado por governação que impeça as economias nacionais de divergir - e a nossa, portanto, de continuar a perder competitividade.
Com uma Comissão Europeia de fraquíssima liderança, submissa a directórios de geometria variável com eixo em Berlim, onde receitas NEOLIBERAIS ressuscitam alarmantes preconceitos xenófobos.
Nesta União Europeia melhor fora que investissemos na construção de ALIANÇAS e sinergias com gregos, irlandeses, espanhois e os Junckers que restam na direita a defender mais União e a Europa social, para dar resposta ao regabofe no sistema financeiro.
Resposta que ainda nao foi dada, e nao será, se se deixar no tinteiro o controlo dos "OFF SHORES", esses antros da criminalidade em que estão viciados empresas e bancos europeus, portugueses incluídos.
E para criar recursos novos para investir no crescimento economico e no emprego, porque sem eles nem Portugal, nem a Europa, sairao desta crise sem precedentes.
Importa fazer ver aos chanceleres desta Europa neoliberal que se Portugal está nesta ressaca, houve bancos, empresas e cidadãos dos seus paises que ajudaram á festa, com os seus governos a fazer vista grossa á teia de CORRUPÇÂO subjacente a muitos negocios, submarinos e nao só.
Porque esta crise ee também uma crise de valores. A ética, a ideologia, a Política tem de voltar a comandar a economia e as finanças. Na Europa e em Portugal. Para por a economia ao serviço das pessoas, e nao as sacrificar na roleta da ECONOMIA de CASINO.
Os portugueses precisam, exigem - têm o direito - de que se lhes fale VERDADE. Toda a verdade.
Bem podemos, no PS, agitar as bandeiras de que nos orgulhamos, por toda a diferença que fez a governação socialista: a escola publica, o SNS, a reforma da segurança social, a desburocratizacao, o investimento na ciencia e inovacao, as energias renováveis.
Mas ele há o outro lado, que ninguem responsável e credível pode deixar na sombra:
os desempregados e as desempregadas,
a pobreza e as desigualdades,
os idosos abandonados,
a juventude qualificada a emigrar,
as famílias a entregar casas aos bancos,
a conflitualidade social perigosamente a espreitar.
Para continuar a ter a confiança dos portugueses, é preciso que o PS assuma, com humildade, que nem tudo foram rosas na governação, nem sempre a rosa cheirou bem: o PS cometeu ERROS.
Assumi-los será meio caminho andado para os corrigirmos: por exemplo,
a nacionalização dos ossos do BPN sem nacionalizar as empresas lucrativas do Grupo SLN. Por exemplo,
o desvio e desperdício de dinheiros do Estado em consultadorias e "OUTSOURCINGS",
a corrupção e o despilfarro em diversas empresas publicas.
Assumir erros é regenerador e as crises também são oportunidades. Vamos precisar de incutir confiança aos portugueses para transformarem em oportunidade as brutais reformas que o emprestimo externo vai impor.
O PS vai precisar de ter a coragem de dizer aos portugueses que vem ai muito trabalho, suor, e ate, com certeza, lagrimas.
O PS vai ter de assegurar TRANSPARÊNCIA e JUSTIÇA na distribuicao dos sacrifícios:
quem mais tem, ee quem mais deve pagar.
A começar pelos BANCOS e transacções financeiras que nao podem continuar a ser escandalosamente privilegiadas na FISCALIDADE.
As PARCERIAS publico/privadas têm de ser renegociadas em favor do Estado, isto é, dos contribuintes, para recuperarmos recursos e os investirmos no crescimento economico e no emprego.
Os portugueses são admira...
De AG a 12 de Abril de 2011 às 12:42
Intervenção no Congresso do PS
[Publicado por AG]
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Os portugueses são admiravelmente resilientes e adaptáveis, mas precisam de esperança. E para isso o PS tem de propor-lhes uma estrategia de reformas em que austeridade e sacrificios façam sentido, num horizonte para alem da crise.
Os socialistas têm motivos para se INDIGNAR com a oposição que nos precipitou no abismo. E para descrer do alheamento hoje revelado pelo Senhor Presidente da Republica sobre o que implica a negociação do emprestimo externo.
Mas a razão e o interesse patriótico devem prevalecer:
nao vai haver financiamento externo de emergencia sem um compromisso nacional, o que exige um esforço de entendimento entre todos os partidos.
E isto vai ter de acontecer ja durante a campanha eleitoral.
As negociacoes vao começar, vao ser durissimas e o governo do PS vai ter de as liderar. É do interesse nacional, e do PS, que todos os partidos sejam chamados a assumir as suas responsabilidades no estabelecimento das condições da assistencia financeira.
Nao se trata apenas de evitar a bancarrota a curto prazo, trata-se de EXECUTAR o CONTRATO sobre as reformas internas que vier a ser acordado. E que nao pode por em causa o Estado Social.
E por isso precisamos do PS a liderar o Governo. Este e o próximo.
Para esse entendimento inter-partidário temos de valorizar o que nos une, como portugueses, orgulhosos da nossa Historia, amantes desta terra e deste mar que sempre nos levou mais longe.
Desejosos, todos, do melhor para os nossos filhos e netos. Que nao nos perdoarão se agora falharmos.
Camaradas,
Unanimismos NÃO SERVEM ao PS.
Empenhamento critico, leal e construtivo é o que, como militantes, temos de dar ao PS e ao nosso Secretario Geral, José Sócrates.
Também eu confio que os portugueses vao reconhecer que o PS continua a ser a força política mais capaz e mais responsável para conduzir o país perante os desafios existenciais que enfrentamos, em Portugal e na Europa.
Nao temos medo das eleições! Vamos aa luta!
Viva o PS!
Viva Portugal!
Ana Gomes
Matosinhos, 9 Abril de 2011
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