Domingo, 3 de Maio de 2009

George Agostinho Baptista da Silva nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906 e veio a falecer, no Hospital de São Francisco Xavier em Lisboa, a 3 de Abril de 1994.

De formação multifacetada e um Homem universal (sem perda das raízes foi um cidadão do mundo) foi um filósofo, poeta e ensaístaportuguês.
O seu pensamento combina elementos de panteísmo (teoria em que Deus e o mundo são uma só substancia), milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano.
Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático e empenhado através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Mudança social a partir da mudança permanente e constante de cada um em particular e de todos, em geral
Agostinho da Silva “mudou-se” para Barca D'Alva (Figueira de Castelo Rodrigo) ainda em 1906, onde viveu até aos seus 6 anos. Regressando ao Porto, sua terra natal, onde inicia os estudos na Escola Primária de São Nicolau em 1912, ingressando em 1914 na Escola Industrial Mouzinho da Silveira e completando os estudos secundários no Liceu Rodrigues de Freitas, de 1916 a 1924.
Dono de um percurso académico notável, cursou Filologia Clássica entre 1924 e 1928, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde concluiu a sua licenciatura com 20 valores. Começa, nesse mesmo ano, a escrever para a revista Seara Nova, colaboração que manteve até 1938.
Em 1929, com apenas 23 anos, defende a sua dissertação de doutoramento a que dá o nome de “O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas”, doutorando-se “com louvor”.
Em 1931 parte como bolseiro para Paris, onde estuda na Sorbonne e no Collège de France. Após o seu regresso em 1933, lecciona no ensino secundário em Aveiro até ao ano de 1935, altura em que é demitido do ensino oficial por se recusar a assinar a Lei Cabral, que obrigava todos os funcionários públicos a declararem por escrito que não participavam em organizações secretas (e como tal subversivas). No mesmo ano, consegue uma bolsa do Ministério das Relações Exteriores de Espanha e vai estudar para o Centro de Estudos Históricos de Madrid. Em 1936 regressa a Portugal devido à iminência da Guerra Civil Espanhola.
Cria o Núcleo Pedagógico Antero de Quental em 1939, e em 1940 publica Iniciação: cadernos de informação cultural. É preso pela polícia política em 1943, abandonando o país no ano seguinte, em direcção à América do Sul, passando pelo Brasil, Uruguai e Argentina, no seguimento da sua oposição ao Estado Novo, na altura conduzido por Salazar.
Em 1947 instala-se definitivamente no Brasil, onde viveu até 1969.
Em 1948, começa a trabalhar no Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, estudando entomologia (estudo dos insectos), e ensina simultaneamente na Faculdade Fluminense de Filosofia. Colabora com Jaime Cortesão na pesquisa sobre Alexandre de Gusmão. De 1952 a 1954, ensina na Universidade Federal da Paraíba (em João Pessoa (Paraíba)) e também em Pernambuco.
Em 1954, novamente com Jaime Cortesão, ajuda a organizar a Exposição do Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. É um dos fundadores da Universidade de Santa Catarina, cria o Centro de Estudos Afro-Orientais, e ensina Filosofia do Teatro na Universidade Federal da Bahia, tornando-se em 1961 assessor para a política externa do presidente Jânio Quadros. Participou na criação da Universidade de Brasília e do seu Centro de Estudos Portugueses no ano de 1962 e, dois anos mais tarde, cria a Casa Paulo Dias Adorno em Cachoeira e idealiza o Museu do Atlântico Sul em Salvador.
Regressa a Portugal em 1969, após a doença de Salazar e a sua substituição por Marcelo Caetano, que deu origem a alguma abertura política e cultural do regime. Desde aí continuou a escrever e a leccionar em diversas universidades portuguesas, dirigindo o Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e no papel de consultor do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, (actual Instituto Camões).
Agostinho Da Silva é referenciado como um dos principais intelectuais portugueses do século XX. Da sua extensa bibliografia, destacam-se o livro Sete cartas a um jovem filósofo, publicado em 1945. Dedicou toda a vida à liberdade do Homem e do Espírito. Fundou universidades, percorreu o país com palestras abertas a todos. Falava 15 línguas e não perdia os desenhos do «Calvin». [Fonte: Wikipédia]

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