Oligopólios e 'bangsters' fazem Guerra aos Estados e Pessoas

O triunfo dos agiotas - uma história de gangsters

1 Duas nações:

... Tal como essas "duas nações" de costas voltadas uma para a outra, também hoje se poderá falar de "duas Américas", de "duas Europas" ou mesmo de "duas nações" de costas voltadas em vários países da União Europeia. Estamos de facto a viver uma crise profunda e a assistir a uma degradação inquietante da democracia representativa. Há uma distância cada vez maior entre a classe política e os cidadãos, entre o povo e os seus representantes, entre a minoria dos muito ricos e o resto da sociedade, com uma classe média em erosão acentuada que vai engrossando as fileiras dos pobres e dos desempregados. O partido dos abstencionistas é cada vez maior e a representação política é cada vez mais a imagem inversa do país real.

...Cresce a sensação de que os políticos nacionais já não têm autonomia para tomar as decisões indispensáveis para combater eficazmente a crise nos seus países, tal como a noção de que esses políticos foram substituídos pelos novos poderes fácticos: mercados e especuladores financeiros, bancos e agências de rating, tecnocratas e políticos escolhidos em instâncias superiores, que tomam decisões além-fronteiras encerrados em "torres de marfim" (BCE, FED, Wall Street, City, Bruxelas, etc.).

... Quando o topo e a base se afastam excessivamente, o poder vai perdendo a autoridade à medida que a confiança se degrada. E vai tomando forma, entre o povo, o sentimento de que existem "duas nações" ou "dois países": um país de cima, constituído pelos muito ricos, por uma minoria de pessoas moldadas na mesma matriz, que obedecem aos mesmos códigos e vivem encerradas na mesma torre de marfim; e um país de baixo, constituído pela grande maioria, abandonada à sua sorte, esquecida pelos que tudo têm, pelas elites, vítima de uma espécie de desprezo de classe. Como salienta o filósofo esloveno Slavoj Zizek, "o capitalismo actual move-se segundo uma lógica de apartheid, em que uns poucos se sentem com direito a tudo e a grande maioria é constituída por excluídos". Como também diz, "os capitalistas actuais são fanáticos religiosos que defendem a todo o custo os seus lucros, mesmo que causem a ruína de milhões de pessoas". É a lógica neoliberal.

2 Neoliberalismo:

Não se trata de uma fantasia imaginada por esquerdistas. Como nos explica David Harvey, no seu livro "O Enigma do Capital e as Crises do Capitalismo" (Editorial Bizâncio, 2011), o termo "neoliberalismo" "refere-se a um projecto de classe que foi tomando forma durante a crise da década de 1970". "Mascarado por muita retórica sobre liberdade individual, autonomia, responsabilidade pessoal e as virtudes da privatização, do mercado livre e do comércio livre, o termo ''neoliberalismo'' legitimou políticas draconianas concebidas para restaurar e consolidar o poder da classe capitalista. Projecto que tem sido bem-sucedido, a julgar pela incrível concentração de riqueza e poder que se verifica em todos os países que enveredaram pela via neoliberal. E não há provas de que esteja morto" - ao contrário do que pensam os que não se cansam de falar de um "novo paradigma", mas não conseguem sequer defini-lo ou explicá-lo.

Num texto publicado em 2000, "A mão invisível dos poderosos", Pierre Bourdieu dizia que "a visão neoliberal é difícil de combater com eficácia porque, sendo conservadora, apresenta-se como progressista e pode remeter para o lado do conservadorismo, e até do arcaísmo, todas as críticas que lhe são dirigidas, nomeadamente aquelas que tomam por alvo a destruição das conquistas sociais do passado". Todavia, é um facto que "o neoliberalismo visa destruir o Estado social, a mão esquerda do Estado (que é fácil mostrar ser o melhor garante dos interesses dos dominados, desprovidos de recursos culturais e económicos, mulheres, etnias estigmatizadas, etc.)". Para os que praticam esta doutrina, é a economia que está "no centro da vida" - e não o homem. E acham que o mercado não se dá bem com a res publica.

De facto, o neoliberalismo está na base daquilo que alguns designam por "hipercapitalismo" e, evidentemente, na base da "financeirização da economia". A finança - que nunca devia ter deixado de ser um meio, um instrumento, uma alavanca - tornou-se um fim em si mesma. O dinheiro é rei e o homem é súbdito, a especulação financeira não conhece limites nem regras, o lucro imediato é o Santo Graal. Pior: a dívida é consubstancial, é indispensável ao bom funcionamento do sistema. A ganância e o egoísmo estão na essência do hipercapitalismo. São os agiotas, e não os políticos, que governam o mundo e estão a dar cabo da democracia representativa.

O hipercapitalismo, é bom lembrar, nasceu nos EUA e em Inglaterra durante a década de 1980, nos anos Reagan-Thatcher (e também teve como fiéis executores, através de férreas ditaduras militares,..,todos adeptos da doutrina neoliberal elaborada por Milton Friedman, acolitado pelos seus Chicago boys). Foi nessa altura que a progressão dos salários começou a ser bloqueada, o desemprego em massa gerou a precariedade e esta foi instituída em regra, ao mesmo tempo que os accionistas passaram a ser privilegiados em detrimento do factor trabalho. A acentuada diminuição da parte dos salários dos trabalhadores na redistribuição das riquezas, que partiu do mundo anglo-saxónico, alastrou em seguida a todos os países desenvolvidos e foi reforçada pela irrupção da China e da sua mão-de-obra barata. Só que, para a máquina continuar a funcionar, era preciso que os assalariados consumissem. Para tanto, urgia estimulá-los a endividar-se, e a sobreendividar-se, enquanto as desigualdades se iam acentuando. "Você não ganha o suficiente? Peça emprestado, consuma, sobretudo produtos importados baratos, e o mundo continuará a girar." O hipercapitalismo tem, estruturalmente, necessidade de um endividamento sempre crescente para prosperar. E as vítimas tanto são os indivíduos como os estados.

Desregulamentação financeira, baixos salários, aumento do trabalho precário, feminização crescente da mão-de-obra (e da pobreza) a nível mundial, acesso do capital às reservas de mão-de-obra barata em todo o mundo - são algumas das características essenciais da doutrina neoliberal, que estão na base da famosa globalização e da subordinação dos governos às exigências do mercado. Ao Estado passou a estar reservada uma função essencial: usar o seu poder para proteger as instituições financeiras a qualquer custo (em contradição, aliás, com o não intervencionismo preconizado pela doutrina neoliberal). No fundo trata-se - como salienta David Harvey "com toda a crueza" - de "privatizar os lucros e socializar os riscos", de "salvar os bancos e extorquir ao povo". A pretexto de não poder haver um risco sistémico, "os bancos comportam-se mal porque não têm de se responsabilizar pelas consequências negativas dos seus comportamentos de alto risco". Como se viu nos EUA e no Reino Unido, a partir da brutal crise das hipotecas subprime, em 2008. E como se viu em Portugal no caso absolutamente escandaloso do BPN. Mas há muito mais exemplos.

É verdade o que diz Jean-Claude Trichet, presidente do BCE: "Os bancos teriam todos desaparecido se nós não os tivéssemos salvo." Mas o paradoxo é evidente: os estados endividaram-se para evitar o colapso dos bancos, mas agora são os bancos que impõem aos governos a adopção de políticas de austeridade brutais, que podem conduzir ao colapso dos povos e dos estados. Para tanto, socorrem-se das já famosas agências de rating, que espancam os governos até estes atirarem a toalha ao chão.

3 Gangsterismo:

Parece-me ser a expressão mais adequada para descrever a actividade das agências privadas de qualificação de riscos, mais conhecidas como agências de rating. Trabalham para quem lhes paga, sobretudo os bancos, proporcionando aos especuladores financeiros, e aos investidores oportunistas de alto calibre, juros cada vez mais elevados para os seus empréstimos. Para tanto, sovam os governos de vários países em sérias dificuldades económicas e financeiras, até eles não aguentarem mais espancamentos. E se continuarem a resistir apontam-lhes uma pistola à cabeça e ameaçam: "Ou cedes ou morres de bancarrota!" As agências de rating são assim uma espécie de gangsters ao serviço da agiotagem.

Apesar da veneração que suscitam entre os economistas e os jornalistas especializados ao serviço do capital financeiro, as agências de rating não são entidades de direito divino. De facto, são empresas privadas ao serviço de interesses privados, que acumulam já, ao longo da sua história, muitos casos de manifesta incompetência, escandaloso favoritismo e oportunismo irresponsável. Além disso, não são avaliadas nem fiscalizadas por qualquer entidade reguladora e ainda por cima funcionam praticamente em regime de oligopólio: apenas três agências - Moody''s, Standard & Poor''s e Fitch - repartem entre si mais de 90 % do mercado e as duas primeiras quase 80 %. Isto para não falar dos óbvios conflitos de interesses em que incorrem.

O actual Presidente da República, Cavaco Silva, gostaria de impor um silêncio patriótico aos políticos e comentadores (infelizmente, poucos!) que criticam as agências de rating. Todavia, abundam os casos em que elas contribuíram para agravar as crises. Vejamos dois exemplos recentes.

Desde logo, o caso do magnata Bernard Madoff, sem dúvida um dos maiores vigaristas do século, que exibia, no cartão de apresentação da sua entidade financeira, um rutilante triplo A (AAA), a classificação positiva máxima atribuída pelas agências de rating. Foi parar à cadeia.

Depois o caso das famosas hipotecas subprime e dos tão sofisticados como tóxicos produtos financeiros que ajudaram a fabricar, que incluíam nomeadamente títulos de dívida (obrigações) do Lehman Brothers. Todos eles beneficiaram também de um rutilante triplo A. Mas foi precisamente a falência do Lehman Brothers que desencadeou a gigantesca crise financeira de 2008 nos EUA, que depois alastrou à Europa, e cujas consequências ainda hoje estamos a sofrer. Vale a pena lembrar aqui uma passagem do relatório final da Comissão de Investigação do Congresso dos EUA que foi constituída para apurar as causas da grave crise financeira. Reza assim:

"Concluímos que os erros cometidos pelas agências de qualificação de riscos (agências de rating) foram engrenagens essenciais na maquinaria de destruição financeira. As três agências foram ferramentas-chave do caos financeiro. Os valores relacionados com hipotecas, no coração da crise, não se teriam vendido sem o selo de aprovação das agências. Os investidores confiaram nelas, na maioria dos casos cegamente. [...] Esta crise não teria podido ocorrer sem as agências de rating. As suas qualificações (máximas) ajudaram o mercado a disparar, e quando tiveram de baixá-las (até ao nível de lixo), em 2007 e 2008, causaram enormes estragos".

O relatório salienta que a Moody''s - que em 2006 foi uma autêntica fábrica de atribuição de classificações máximas a títulos hipotecários - deve ser considerada um case study das más práticas que provocaram a crise. De facto, entre os anos 2000 e 2007, a Moody''s considerou de máxima solvência (AAA) nada menos que 45 mil valores relativos a hipotecas. O relatório refere a existência de modelos de cálculo desfasados, as pressões exercidas por empresas financeiras e a ânsia de ganhar quota de mercado, que se sobrepôs à qualidade das qualificações atribuídas.

Apesar destas conclusões devastadoras para a credibilidade das agências de rating, estas não hesitaram em aumentar os salários e prémios dos seus executivos, já depois de conhecido o relatório. O caso da Moody''s foi o mais escandaloso. O seu presidente executivo, Raymond Mc Daniel, recebeu em 2010 um aumento de 69 % do seu salário anual, que trepou até aos 9,15 milhões de dólares (cerca de 6,4 milhões de euros). Um dos motivos invocados, entre outros, foi ter ajudado a "restaurar a confiança (!) nas qualificações atribuídas pela Moody''s Investors Service, ao elevar o conhecimento do papel e da função dessas qualificações".

Raymond McDaniel foi chamado a testemunhar perante a Comissão de Inquérito acompanhado pelo principal accionista da Moody''s, Warren Buffet. Este lavou as mãos, como Pilatos, declarando que não fazia a menor ideia da gestão da agência, e que nunca lá tinha posto os pés. Explicou, no entanto, que tinha investido na empresa porque o negócio das agências de rating era "um duopólio natural, o que lhe dava um incrível poder sobre os preços"! Na transcrição do depoimento de Raymond McDaniel perante a Comissão de Inquérito do Congresso também surge uma declaração surpreendente. Disse ele: "Os investidores não deveriam confiar nas qualificações (das agências) para comprar, vender ou manter valores"! Não foi ingenuidade. Foi insolência e hipocrisia. Infelizmente, em relação a Portugal, ninguém seguiu o conselho deste senhor Raimundo...

4 Portugal:

... Portugal foi sovado pelas agências de rating até à exaustão. Estava marcado para morrer de bancarrota se não cedesse às exigências do capital financeiro. No dia 5 de Abril de 2011, o "Jornal de Negócios" noticiava: "Bancos cortam crédito ao Estado". E explicava: "Os banqueiros reuniram-se ontem no Banco de Portugal. Não vão financiar mais o Estado. Querem um pedido de ajuda intercalar de 15 mil milhões - e já! O governo tem de pedir e o PSD e o PP têm de subscrever."

"E já!" Percebeu? Foi assim, sem qualquer pudor, que o ultimato foi anunciado, que a pistola foi apontada à cabeça da vítima, que já estava na fila de espera para ser garrotada pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Cerca de 24 horas depois, já tínhamos direito a ouvir o sr. Olli Rehn (criatura finlandesa em quem não votámos e que fala inglês aos soluços) a explicar à Europa e ao mundo o que é bom para Portugal - e não necessariamente para a grande maioria os portugueses. Olli Rehn é comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros. Trabalha, portanto, sob a direcção (!?) do sr. Durão Barroso, ex-presidente do PSD e ex-primeiro-ministro, que foi sovado pelo PS (de Ferro Rodrigues) nas eleições europeias de 2004 e que a seguir abandonou o governo que chefiava com o rabo entre as pernas, pouco depois de ter prometido ao país que não o faria, para ir ocupar em Bruxelas o cargo de presidente da Comissão Europeia, que lhe foi oferecido pela direita.

Como escreveu Pierre Bourdieu há 11 anos: "Temos uma Europa dos bancos e dos banqueiros, uma Europa das empresas e dos patrões, uma Europa das polícias e dos polícias, teremos em breve uma Europa das forças armadas e dos militares" (esta está quase!). Infelizmente, ainda não existe um movimento social europeu unificado, capaz de reunir diferentes movimentos, sindicatos e associações de diferentes naturezas, e capaz de resistir eficazmente às forças dominantes, a essa "Europa que se constrói em torno dos poderes e dos poderosos e que é tão pouco europeia".

Ao contrário do que algumas vozes bem intencionadas andaram a proclamar, a gravíssima crise económica e financeira desencadeada pelas más práticas do hipercapitalismo não deu origem a um novo paradigma. Paralisada (e neutralizada) pelas sucessivas concessões à doutrina neoliberal, a social-democracia europeia assiste, política e ideologicamente desarmada, ao que alguns já designam como "nova contra-revolução social thatchero-reaganiana". Até onde poderá ela ir? Nesta verdadeira guerra dos mercados contra os estados, foi manifesta a incapacidade dos europeus de definir uma estratégia progressista comum para enfrentar a crise. Isso foi perfeitamente percebido pelos mercados, que decidiram aproveitar essa sua vantagem para atacar frontalmente os estados mais frágeis, com o objectivo de desregular ainda mais os mercados internos e de exigir mais privatizações. É exactamente o que está a acontecer aqui e agora.

A estratégia europeia de saída da crise mundial é clara: desregulação dos mercados de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, menor protecção no emprego, restrições orçamentais, privatizações em massa, etc. É uma estratégia aparentemente paradoxal, que torna ainda mais vorazes os "mercados", que exigem sempre tudo e nunca se sentem saciados. Mas é também uma estratégia fundamentalmente recessiva, que pode provocar um aumento significativo das reivindicações sociais e políticas. Neste braço-de-ferro, o estatuto do euro é um teste definitivo, dizem os entendidos. E a questão está em saber se será, finalmente, posto ao serviço da promoção de um modelo social sustentável ou irá tornar-se o vector da destruição do que resta do estado de bem-estar europeu. Os exemplos da Grécia, da Irlanda e de Portugal não auguram nada de bom para o Estado social.

Como já se noticia, a "ajuda" financeira do FEEF e do FMI servirá essencialmente para Portugal "pagar o que deve aos credores, sobretudo bancos estrangeiros, que, ao longo de décadas, foram fornecendo fundos aos bancos nacionais e que estes depois canalizavam para a compra de casas, carros e créditos às empresas" (DN, 08/04/2011). Além de cortes em salários, pensões, subsídios de desemprego e outras prestações sociais, fala-se em reformas mais profundas do mercado de trabalho, menor protecção no emprego, maior abertura da educação e da saúde aos privados, subida dos impostos (o dr. Passos Coelho deve estar radiante!). Também se diz que mal as condições melhorem, o Estado deve começar a sair (privatizar) das empresas de transportes. Casos da ANA, da TAP, da CP, da Refer, da Carris, da Metro de Lisboa e do Porto. Não haverá mais nada para privatizar? Claro que há! Um Estado bem desmantelado dá para enriquecer vários oligarcas.

Enfim, temos este país pronto a morrer da cura. Graças ao trabalho sujo das agências de rating (os gangsters desta história) ao serviço dos mercados (os agiotas). Mas também graças aos bons ofícios do actual Presidente da República, à ansiedade do pote de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, e ao extraordinário sentido de oportunidade de Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã. Sem esquecer as evidentes responsabilidades de José Sócrates, que não resistiu às sucessivas concessões que foi fazendo ao blairismo e ao neocentrismo, ou seja, à doutrina neoliberal.

Observação final. Várias são as vozes que afirmam que o FMI não é nenhum papão e não mete medo a ninguém, porque já cá esteve no século passado e tudo correu às mil maravilhas. É quase verdade, mas esquecem-se de um pequeno pormenor que faz toda a diferença: é que, quando o país sair exausto e exangue dos próximos anos de brutal austeridade, não haverá mais uma CEE à nossa espera para inundar Portugal com as catadupas de fundos comunitários que fizeram a felicidade do cavaquismo!

Alfredo Barroso [Jornal I]



Publicado por Xa2 às 08:07 de 27.04.11 | link do post | comentar |

17 comentários:
De Fogem ao fisco e são subsidiados p.contr a 13 de Maio de 2011 às 10:08
MADEIRA: QUE GRANDE ''OFF-SHORE'' (ninho de piratas/sanguessugas e burlões do fisco)

«São quase 3.000 as empresas sedeadas na zona franca da Madeira que aproveitam benefícios fiscais na taxa de IRC. A grande maioria tem isenção total de taxa (2.637) enquanto 59 gozam de uma redução parcial da mesma.

A informação foi hoje divulgada pelo Ministério das Finanças no âmbito da obrigação de divulgação anual das entidades que recebem incentivos do Estado.

Além da lista de entidades que recebem incentivos na Zona Franca da Madeira, são também nomeadas as empresas que têm benefícios ao investimento no quadro do que se designam de benefícios fiscais contratuais (cerca de 80), ao abrigo do SIFIDE (cerca de 400), dos incentivos à criação de emprego (aproximadamente 2.700 entidades) e à interioridade (cerca de 23.500).
Estão ainda nomeadas as cooperativas que gozam dos apoios previstos no Estatuto Fiscal Cooperativo (aproximadamente 700) e as escolas de ensino particular (cerca de 400 entidades).» [Jornal de Negócios]

E porque razão não financiam a descida da TSU com o fim da bandalhice fiscal na Madeira?

Despacho do Jumento: «Pergunte-se ao senhor ministro 0%.»(catroga)


De Políticos Liquidatários co-Assaltantes.. a 29 de Abril de 2011 às 17:21

E quando não houver mais nada para vender?
" (.....)

Não deixa de me surpreender o apetite que as empresas ainda estatais em Portugal geram nos grupos económicos.
Nem a forma como os políticos aceitam ser o suporte governamental a esse ASSALTO aos bens, que supostamente deveriam ser e estar ao serviço de todos os cidadãos.
Já agora, expliquem qual o interesse de privatizar o sector da saúde e segurador da CGD, ou seja, empresas como o Hospital dos Lusíadas e os seguros de saúde Multicare, que não seja possibilitar que os seus lucros sejam auferidos pelos privados que as adquirirem?
E para quê privatizar mais uma parcela do sector das águas? Para mais quando se sabe que a água potável é um recurso natural em desaparecimento.

Será que, além de prosseguir na missão de entrega dos bens públicos a privados, Passos não tem outras propostas para o país?
Aguardemos pelo fim do programa eleitoral para aferir se Passos é um candidato a primeiro-ministro com dimensão nacional ou apenas um chefe de partido que une os militantes na voragem do assalto aos cargos e aos empregos da administração e à venda de bens públicos.

Por agora, só mais uma pergunta:
e quando não houver nada para vender?
Qual o projecto de Passos para além de se comportar perante o Estado português como um gestor de empresa em fase de liquidação? "

São José Almeida, "E quando não houver mais nada para vender?", Público, 2.04.11
- por J em http://www.assedio.blogspot.com/ 13.4.2011


De DITADURA de 'Bangsters' hipercapitalista a 28 de Abril de 2011 às 14:33

'Troika' vai demolir protecção de trabalhadores portugueses (, relações laborais e negociação colectiva)
Económico com Lusa 28/04/11 07:24

Poul Rasmussen, o ex-primeiro-ministro dinamarquês e 'pai' da flexisegurança alerta que a Troika vai destruir a protecção dos trabalhadores portugueses.

A 'troika' que negoceia com Portugal as condições para o resgate vai tentar DESTRUIR os mecanismos sociais de protecção dos TRABALHADORES portugueses, alerta o antigo primeiro-ministro dinamarquês Poul Rasmussen e criador da flexisegurança.

Economista, actual presidente do Partido Socialista Europeu e, enquanto primeiro-ministro da Dinamarca, entre 1993 e 2001, o primeiro a adaptar a nova forma de regular as relações laborais - com mais flexibilidade para contratar, despedir e organizar o trabalho em troca de medidas compensatórias de protecção do trabalhador e dos desempregados - Rasmussen mostrou-se PESSIMISTA face ao futuro das relações laborais em Portugal.

A 'troika' da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional (FMI) "esqueceu-se do que é a flexisegurança", acusou Poul Rasmussen, na entrevista à agência Lusa, culpando o que chama de "maioria conservadora" (direita NEOLIBERAL ultracapitalista) na Europa e nas instituições comunitárias.

"Por isso, receio que a pressão da União Europeia (UE) e do FMI seja no sentido de desmantelar a protecção dos trabalhadores, de questionar os mecanismos de negociação colectiva. E, deixe-me dizer, eu desaconselharia profundamente a UE e o FMI a exigir a Portugal que acabe com a NEGOCIAÇÂO COLECTIVA", acrescentou.

Admitindo estar "muito, muito preocupado" com as exigências que a 'troika' vai fazer a Portugal, no que toca ao mercado de trabalho, o antigo primeiro-ministro dinamarquês afirmou que cabe agora a Portugal lutar para conseguir os melhores resultados das negociações.

"Quando se ouve a Comissão Europeia a falar convosco, com Portugal, esse não é o meu caminho. Vocês precisam de negociar e de ser duros nas novas negociações(...) Há que perceber que não enfrentamos uma DITADURA do FMI e da UE, são é negociações duras sobre o resgate e sobre as condições para receber a ajuda e auxílio", afirmou.

"A negociação colectiva é parte fundamental da moderna democracia e, basta olhar para a Escandinávia, para o meu país. Nós temos tido acordos colectivos em todos os anos desde 1945 e somos uma das economias mais fortes da Europa. A Alemanha tem também acordos colectivos.
Por isso, penso que [a 'troika'] tem de dizer -- vamos
para boas negociações com Portugal, vamos olhar para a economia, mas vamos perceber que os acordos colectivos vieram para ficar", frisou Poul Rasmussen.

A 'troika' composta pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia iniciou na segunda-feira as negociações com os responsáveis portugueses para delinear um plano de ajuda financeira a Portugal, após o pedido feito pelo primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, a 6 de Abril.

Para Portugal voltar a crescer, mais do que cortes, Rasmussen defendeu maiores níveis de INVESTIMENTO e criticou que, nas conclusões da Cimeira Europeia de Chefes de Estado e de Governo, de 24 e 25 de Março, a ausência da palavra "investimento" seja notória.

"Se olharmos para os últimos acordos da cimeira, a palavra não é referida. Para voltar a fazer Portugal crescer, o importante é o investimento e a educação, para aumentar os níveis de competência que permitam a criação e a aceitação de novos EMPREGOS. Quanto mais se fizer em termos de crescimento e investimento, mais se pode fazer no sector da educação e das qualificações o nível de vida será melhor", concluiu.


De .Isto é GUERRA ao Estado e aos Travalhad a 28 de Abril de 2011 às 17:20
Ainda há SOCIAL-DEMOCRATAS no PS ?

O antigo primeiro-ministro dinamarquês e inspirador da social-liberal flexisegurança deu uma entrevista à Lusa a que os socialista portugueses devem prestar atenção.
Nela defendeu que a troika pode demolir a protecção laboral portuguesa.
Não é só a troika, claro.
Talvez por diplomacia ou ignorância não referiu a cumplicidade activa dos "negociadores" portugueses do bloco central neste objectivo, alimentando a ilusão de alguma atitude nacional dura nesta e noutras matérias.

Não há dureza, até porque não há negociação e muito menos qualquer ajuda.
Aqui ficam excertos da entrevista, destacando-se a importância da negociação colectiva relativamente centralizada, envolvendo sindicatos fortes, na economia política laboral dos modelos, apesar de tudo mais progressistas, de capitalismo: "Quando se ouve a Comissão Europeia a falar convosco, com Portugal, esse não é o meu caminho. Vocês precisam de negociar e de ser duros nas novas negociações (...) Há que perceber que não enfrentamos uma ditadura do FMI e da UE, são é negociações duras sobre o resgate e sobre as condições para receber a ajuda e auxílio (...) A negociação colectiva é parte fundamental da moderna democracia e, basta olhar para a Escandinávia, para o meu país. Nós temos tido acordos colectivos em todos os anos desde 1945 e somos uma das economias mais fortes da Europa. A Alemanha tem também acordos colectivos. Por isso, penso que [a 'troika'] tem de dizer - vamos para boas negociações com Portugal, vamos olhar para a economia, mas vamos perceber que os acordos colectivos vieram para ficar".
- por João Rodrigues

----------- e estão prontos a combater ? ----------

Da VIOLÊNCIA

As propostas do “Compromisso Portugal”, agora transformado em “Mais Sociedade” porque o dicionário da novilíngua NEOLIBERAL tem de ser rentabilizado, são apenas a expressão intelectual, abertamente mais violenta, da coligação interna e externa que conduz a AUSTERIDADE em curso:

usar a oportunidade do desemprego de massas, criada pela crise e pelas actuais políticas recessivas,
para organizar a redução de salários directos e indirectos (contribuições e prestações sociais, serviços públicos),
tentando legitimar este projecto de regressão através de um intenso moralismo, o contrário de qualquer noção básica de moralidade.

Os desempregados, que precisariam de “incentivos” porque, na realidade, não querem trabalhar,
e os pobres, aldrabões até prova em contrário, prova que até poderia ser feita com um cartão concebido para o efeito,
são alguns dos alvos de uma CASTA de GESTORES e outros intelectuais orgânicos que quer consolidar em definitivo a CAPTURA e subversão do ESTADO.
- por João Rodrigues


De Marketing e circo...sem Pão nem Justiça. a 29 de Abril de 2011 às 16:54

Insultem-se com conteúdo
por Daniel Oliveira, Arrastão

Lello diz que Cavaco é foleiro. Nogueira Leite diz que Lello é um cibernabo. Lello diz que Nogueira Leite quer abifar uns tachos.
Deve ser disto que falam quando falam de crispação. E esta crispação compreende-se. São os foguetes que animam uma festa morna.

Enquanto a União Europeia e o FMI escrevem o verdadeiro programa eleitoral do PS e do PSD, aquele que ambos se preparam para aceitar sem um sinal de resistência, há que continuar a fingir que há um confronto político.

A ver se nos entendemos:
dá imenso jeito, por exigir menos informação e menos reflexão, acreditar que a nossa situação se resume a uma questão de carácter dos intervenientes políticos.

É confortável pensar que estamos como estamos porque o Presidente da República é "foleiro", o primeiro-ministro é "aldrabão", o líder do PSD é "um banana" e todos eles estão rodeados de gente que quer "abifar uns tachos".

Esta narrativa permite não discutir política, não discutir economia, não discutir Europa.
Permite que os atores políticos não apresentem alternativas entre si e que os cidadãos não se dêem ao trabalho de pensar nelas.
Tudo se resume a (falta de) qualidades pessoais.

Nada tenho contra a crispação política. Pelo contrário.
Nos tempos que correm, com a INJUSTIÇA evidente na distribuição de sacrifícios, com o EGOISMOa corroer a Europa por dentro, com o ASSALTO das instituições financeiras aos cofres públicos, com a SUSPENSÃO de várias DEMOCRACIAS europeias, fazia falta um sobressalto cívico. Mais crispação e menos anemia democrática.
Mas a crispação que falta é política.
Querem insultar-se? Insultem-se. Mas com conteúdo, se fazem favor.


De políticas de ex-sociais democratas... a 29 de Abril de 2011 às 17:16
Despedir mais, despedir melhor

Quem é amigo?
Os patrões queriam despedimentos baratos, indemnizações de 21 ou 15 dias por cada ano de trabalho em vez dos 30 actuais e, mesmo assim, com um limite de 12 anos, isto é, 12 salários.

Por outras palavras: o patronato foi aos saldos do Estado Social abertos em Portugal desde 2005 a ver se comprava dois despedimentos pelo preço de um.

Coube a uma ministra ex-sindicalista de um governo socialista (ex-?) a duvidosa honra de entregar numa bandeja o direito ao trabalho dos portugueses à voracidade patronal com o generoso pretexto de, assim, "aliviar" os encargos das empresas com os trabalhadores despedidos (passando esses encargos para os contribuintes através do subsídio de desemprego, quem é amigo?).

O patronato queria 21 dias de indemnização por cada ano de trabalho em vez de 30?
O Governo deu-lhe 20.
Queria um limite máximo de 12 salários, que lhe permitisse despedir os trabalhadores mais antigos e substitui-los por precários (se não despedi-los e contratá-los depois "a recibo verde" de modo a livrar-se dos descontos para a Segurança Social)?
O Governo deu-lhe os 12 salários.

Explicou a ministra que em Espanha também é assim. Com admirável honestidade intelectual, "esqueceu-se" de dizer qual é o salário mínimo em Espanha e que, em Espanha, os 12 salários de indemnização são 'brutos", isto é, com todos os suplementos e em Portugal incluem só o salário-base.
Mas não podia lembrar-se de tudo, não é?

Manuel António Pina, JN,25.01.2011 via http://www.assedio.blogspot.com/


De Zé T. a 28 de Abril de 2011 às 12:35

. Culpados da situação actual

Considerando que:
- Portugal é uma República sob regime Democrático (governado pela Maioria do Povo e para o Povo) Pluripartidário semi-presidencialista e Capitalista ...
- Portugal é um Estado de Direito, onde o desconhecimento da Lei (e das regras) não é desculpa para o seu incumprimento... ou actuação mais cuidadosa e eficiente.
- Todos (...) os Portugueses maiores de 18 anos são CIDADÃOS com IGUAIS direitos e deveres cívico e políticos, independentemente de serem licenciados ou semi-analfabetos e dos seus rendimentos e impostos serem altos ou baixos, pagos ou não ...

- Neste país, a Justiça, a ética, a democracia, ...podem não funcionar ou funcionar mal mas é a que temos até encontrarmos outra melhor, ou querermos realmente MUDAR/ Melhorar esta Democracia, Justiça e governação / sistema político...

- É demasiado simplista ignorar os factos ou clamar contra o Destino ... temos de admitir que há agentes, cabeças e mãos humanas no chegar a esta situação, TEM de haver CULPADOS de crimes económico-políticos de lesa pátria há ... mesmo que não estejam na prisão nem cheguem à barra dos tribunais...

E os culpados, em graus diferentes, são muitos (daí o ser comum ''sacudir a água do capote'' e cada um ter sempre uma desculpa/justificação), mas, sem ser necessário retroceder às calendas (basta atender aos últimos 25 anos, uma geração), podem ser aqui apresentados os principais CULPADOS :

1ºgrau - Todos os CIDADÃOS ABSTENCIONISTAS ou que votaram nulo ou branco - porque, no nosso sistema, nada contam mas dão ''autorização a outros para decidirem por eles'' (e esses outros são cada vez menos mas com mais poder e que põem ao serviço de ...).

2º- Todos os MILITANTES dos vários partidos que se Abstiveram, que CALARAM, que não se apresentaram como Concorrentes aos vários órgãos dos seus partidos, que não apresentaram ou subscreveram quaisquer Propostas ... porque deram autorização a outros para decidirem por eles, serem eleitos, os representarem e 'governarem' o seu país e autarquias...

3º- Todos os ELEITOS (especialmente os deputados, governantes e autarcas) que não exerceram o seu dever de BEM representar e governar os seus concidadãos.

4º- (e só depois vêm os) TRATANTES e pilantras do costume, os corruptos/corruptores, os maus e dolosos executores/ governantes/ administradores/ gestores ... seja na Presidência, na A.R, nos Tribunais, nos Governos, nas Autarquias, nos organismos públicos ou nos privados com apoios/dinheiros/isenções públicas ...

5º- Seguem-se os ''PODERosos atrás da cortina'' que determinam/ameaçam/compram legisladores governantes autarcas DGs, ... - os OLIGARCAS empresariais, os banqueiros, os grande especuladores/AGIOTAS, os nababos CEO/PDG/Administradores, ...

6º- Depois os ''tachistas saltimbancos e acumuladores de rendimentos'', os ''influenciadores/ mediadores/ aproveitadores'' próximos dos executores, os 'lóbistas', jornalistas, comentadores, famosos gabinetes de estudos e projectos, grandes sociedades de advogados/ juristas, fiscalistas, economistas, os académicos/prof.doutores, ... e os barões e caciques partidários.

7º- (finalmente ?) são Culpados os Votantes que sofrem de ''clubite partidária'', os ''carneiros acéfalos'', os repetidamente enganados e tontos que se deixam comprar por ''lentilhas e bolos'' e sobrevivem com ''pão e circo''.

Nota:
Não esquecer que também existem CULPADOS externos (ou, pior, sem pátria nem Lei que não seja o Lucro e o Egoísmo) e muito muito PODERosos que controlam e manipulam tanto os ''governantes-títeres'' dos Estados como os fazedores da opinião pública e os consumidores-eleitores.


De .. a 28 de Abril de 2011 às 13:31
---- De: Zé das Esquinas
...
É que pelo que vejo e oiço, em democracia, pelo menos na portuguesa, NINGUÉM É CULPADO de coisa nenhuma... (a não ser os outros, oposição, mercados chineses, a srª merkl, etc...)
E mais ao afirmar que TODOS SOMOS CULPADOS está a dizer o mesmo que NINGuÉM É CULPADO! Porque isto de passar dos 0º para os 360º é ficar tudo na mesma.
Eu, c´´a por mim, percebo-o, mas não alinho nessa, não!

Entre os que gamaram, desbarataram, ou usaram em benefício próprio ou de interesses privados com os dinheirinhos públicos,
não têm as mesmas culpas dos que os meros cidadãos contribuintes do país que ou votaram em branco ou nulo ou mesmo que não foram votar.
Porque «isto» destas maneira que a nossa democracia arranjou chamado de «eleições» não são mais que meros «plebiscistos». Fiz-me entender?

----- De: Zé T.

. Há CULPADOS e há culpados em GRAUS diversos - o racional e justo seria impedir/resolver os erros ou falhas do sistema e que os culpados MAIS GRAVES fossem incriminados
(para vários existe já moldura penal, basta ''alguém'' querer accionar a sério o processo, e tendo consciência que isso iria ''partir vidros em TODAS as 'casas''),
penalizados e, de algum modo, a sociedade beneficiasse com isso.

. Na generalidade dos cidadãos portugueses, da Culpa cívico-política ''escapam'' alguns ...
- os que participam/ram cívica e politicamente na sociedade portuguesa :
- votando em algum partido (eventualmente criticando e mudando de opinião/ voto ao longo destes 25 anos)
- concorrendo em listas de algum partido ou movimento cívico e fazendo propostas ...
- os eleitos que defendem/ram o interesse colectivo/geral da população (mesmo que contra a disciplina partidária porque a sua razão e consciência o dita)...
- os que exercem cargos ou funções com isenção técnica, sem manipulação de informação ou documentos, sem corrupção nepotismo tráfico de influências, ...

Serão poucos ou muitos?
Não está em causa o número, mas os agentes os actos e o seu grau de RESPONSABILIDADE ...


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 27 de Abril de 2011 às 17:06
Importante post.
É longo mas tem substância.
Ainda bem que Xa2 fez o favor de o colocar aqui no Luminária.
Não me descansa nada o que li, mas dá-me mais fôlego para a luta que se avizinha e para poder continuar a fazer comentários não alinhados.
Afinal nem todos estão cegos no vida política activa em Portugal...


De ''Bangsters'' / vampiros / abutres / ... a 27 de Abril de 2011 às 13:34
O negócio dos abutres que nos "ajudam"
- por Daniel Oliveira , http://arrastao.org/ 24.4.2011

O FMI teve lucros em quatro dos últimos seis anos fiscais - entre 2005 e 2010 - e já reviu em alta de 63 por cento as previsões de resultados operacionais para este ano, graças aos empréstimos aos países europeus em dificuldades.

As previsões de 328 milhões de SDR (524,8 milhões de dólares, ao câmbio de hoje) comparam com projeções iniciais de 202 milhões de SDR, feitas em abril de 2010, e refletem os reflexos positivos -- para as contas do fundo -- dos empréstimos à Grécia e à Irlanda, sem contar ainda com o empréstimo a Portugal, cujo valor ainda não foi fixado.

Os novos empréstimos, aprovados depois de abril de 2010, incluindo os 30 mil milhões de euros à Grécia e os 22,5 mil milhões à Irlanda, "fizeram aumentar as previsões de resultados de crédito em cerca de 102 milhões de SDR [163,2 milhões de dólares], incluindo 74 milhões de SDR em taxas de serviço e 28 milhões nas margens da taxa de juro cobrada", refere um recente relatório financeiro do FMI. Aqui


De ''Bancocracia'' ou ''Bangsters'' ? a 27 de Abril de 2011 às 13:19
Goldmen... (homens d'ouro)
- por João Rodrigues

As declarações com laivos keynesianos de Strauss-Kahn e os alertas de alguma investigação do FMI, a que temos aludido,
sobre as consequências económicas negativas da austeridade,
sobre a responsabilidade da desigualdade elevada no desencadear da crise ou
sobre a eventual necessidade de controlos de capitais para desencorajar a especulação nos países em desenvolvimento,
não devem iludir, como sublinha Mark Weisbrot no The Guardian, a questão dos interesses que comandam as operações concretas do FMI, que têm acabado sempre por convergir com a máxima ortodoxia da CE-BCE por essa Europa fora:

acima dos governos do centro só mesmo a Goldman Sachs, a "bancocracia" de que fala hoje Rui Tavares no Público, não sendo aliás por acaso que o inefável Borges foi colocado a chefiar a secção europeia da internacional monetária.

O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que agora até defende condições financeiras mais realistas nos empréstimos às periferias que vão para os credores,
é há muito um dos mais entusiastas defensores de cortes, na ordem dos 20%, dos salários no nosso país.
Assim se explica o relaxamento com o desemprego e a obsessão com as regras laborais.
Uma prescrição para o desastre da interacção perversa entre deflação e dívida, com muita insolvência e fragilidade financeira à mistura.

Entretanto, quem quiser sair deste quadro de terror socioeconómico e ter uma perspectiva mais realista sobre problemas de competitividade das periferias pode ler este artigo no ''voxeu'',
que revela o que se esconde por detrás dos custos do trabalho e sobretudo do capital…

http://www.voxeu.org/index.php?q=node/6299


De ''ir ao pote'' / sacanagem disfarçada. a 27 de Abril de 2011 às 13:24
Passos para ir ao pote
- por João Rodrigues, http://arrastão.org , 20.4.2011

Talvez alguém que estude as nossas elites seja capaz de me explicar por que é que em Portugal
quanto mais intenso o preconceito de classe subjacente a declarações sobre politicas públicas de gente com responsabilidades,
maiores são os benefícios individuais que retiram de um Estado considerado gerador de perversidades.
Curiosamente, estas perversidades só atingem as classes subalternas.

Leite Campos do PSD é um estudo de caso: o seu conforto não pode ser suficiente para explicar as inanidades sobre o totalitarismo fiscal ou o inovador toma lá mas é um cartão de débito para não gastares tudo em vinho e bolos.

Mudando de assunto ou talvez não.
Até agora, o PS bateu todos os recordes nas opacas parcerias público-privadas.
Estas agradam muito aos espíritos santos que comandam a economia politica nacional, mas terão de ser bem auditadas e revistas.

Passos Coelho, revelando toda a hipocrisia da direita, quer alargar as engenharias políticas do PS a novas áreas e assim talvez bater os seus recordes.
Terá chegado o tempo das "parcerias privado-públicas"?
Nuno Serra analisa as ideias políticas do PSD no ensino: trata-se sempre de ir ao pote.


De .Aldrabões e reformas douradas... e acum a 27 de Abril de 2011 às 13:31
Claro que Diogo Leite Campos não é aldrabão
- por Daniel Oliveira, Expresso Online

O senhor Diogo Leite Campos quer acabar com os subsídios - subsídio de renda ou abono de família - sem saber onde realmente gastam os beneficiários o dinheiro. Não deixa de ser um raciocínio económico estranho, já que a despesa - os filhos ou a casa - estão lá. Para resolver o problema, quer fazer como se faz com os mendigos: dá-se-lhes uma sandes em vez do dinheiro.
Através de um cartão de débito e recorrendo a instituições de caridade, como "albergues" ou a "sopa dos pobres". A leitura de Oliver Twist, de Charles Dickens, pode ajudar a perceber o modelo social de Leite Campo.

Num excelente almoço organizado pela Câmara do Comércio e Indústria Luso Francesa, onde perorou sobre a pobreza, Leite Campos explicou que "quem recebe os benefícios sociais são os mais espertos e os aldrabões e não quem mais precisa".

Seria impensável eu dizer que o senhor Leite Campos é um "aldrabão". Longe de mim pôr em causa a honorabilidade de tão distinta figura. Os insultos, já se sabe, são coisa que deixamos para os miseráveis.
O direito ao bom nome vem com o cartão de crédito e quem não o traz na carteira só pode deixar de ser suspeito se lhe derem um cartão de débito. Os pobres são, até prova em contrário, mentirosos.
Como não insulto o senhor, fica apenas este facto:
estando ainda a trabalhar, já recebe uma reforma do Banco de Portugal.
Quando se retirar da Universidade de Coimbra, juntará o que recebe já hoje ao que receberá dali. Acumulará duas reformas vindas do Estado.

Seria um argumento "ad hominem" atacar o professor Leite Campos, competente fiscalista, por causa das suas duas reformas.
Dizer que ele é "esperto" e que gasta recursos do Estado que podiam ir "para quem mais precisa".
Espertos são os pobres que ficam com os trocos.
Quem consegue acumular reformas por pouco trabalho é inteligente.
Os pobres enganam o Estado, os outros têm direitos.
Os pobres roubam o contribuinte, os outros têm carreiras.
Fico-me por isso pelos factos:
a reforma que o senhor Leite Campos recebe do Banco de Portugal resulta de apenas seis anos de trabalho naquela instituição.

Cheira-me que se a generalidade dos portugueses recebesse reformas, estando ainda no ativo, por seis anos de trabalho e as pudesse acumular com outras dispensaria bem o abono de família e até o cartão de débito para ir à sopa dos pobres.

Aquilo que realmente está esgotar o crédito da minha paciência é ver tanto "esperto" que vive pendurado nas mordomias do Estado a dar lições de ética
aos "aldrabões" que recebem subsidios miseráveis.
É mais ou menos como dizia o outro. Já chega. Não gosto de tanto cinismo. É uma coisa que me chateia, pá.

Sobre os subsídios, Leite Campos disse:
"O dinheiro não é do Estado, é nosso. Quem paga somos nós. Nós, contribuintes, temos direito a ter a certeza que o nosso dinheiro é bem entregue.
Eu estou disposto a pagar 95 por cento do que ganho para subvencionar os outros, mas quero ter a certeza que é bem empregue, e que não vai parar ao bolso de aldrabões".
Sobre as escandalosas reformas do Banco de Portugal, faço minhas as palavras do vice-presidente do PSD.

Publicado no Expresso Online


De C.S. certeiro como sempre. a 27 de Abril de 2011 às 13:00
Afinal alguém me representou na reunião com a "troika", disse o que tinha de ser dito e não perdeu capacidade de luta por isso.
Pelo contrário. Ela faz-se em todo o lado e aproveitando todas as oportunidades.
- por Daniel Oliveira

Carvalho da Silva defendeu hoje, depois de ter reunido com a troika, que o prazo de redução para o défice português deverá ser prolongado até 2016.
Carvalho da Silva sustentou ainda que as taxas de juros cobradas a Portugal não podem ser o «triplo» do que noutros países
e que a solução para a crise assenta numa politica «dinamizadora de crescimento económico».

«O que nós dissemos é que nós recusamos as medidas de austeridade que condenam o país», afirmou Carvalho da Silva aos jornalistas.
A CGTP revela ainda que apresentou medidas concretas para combater a crise, que assentam em três pontos:
«Resolver o défice, o endividamento, com crescimento económico e politicas para evitar a ruptura social».

«Portugal tem que ter medidas de crescimento económico através da dinamização de um programa nacional, nomeadamente, no sector primário», afirmou dando ainda o exemplo de um combate à economia clandestina.
Carvalho da Silva lembrou ainda que nos últimos meses Portugal assistiu a uma quebra da «protecção social que assusta», com quebras na «ordem dos 40 por cento, em sectores como o abono de família».

O líder sindical reforçou que só o crescimento levará Portugal para fora da crise, frisando que «não podemos ter qualquer saída da situação em que estamos comandados pelo sector financeiro», disse.

Questionado sobre a atenção da troika às propostas da CGTP, o sindicalista respondeu:
«Não vi nenhum deles com os ouvidos tapados, acredito que tenham ouvido».


De De Leitor assíduo a 27 de Abril de 2011 às 12:20
Como leitor assíduo deste blog, que é, de facto, uma LUMINÁRIA no cinzentismo em que vivemos, sobretudo ao nível partidário e de exercício de cidadania, concordo com o reparo feito no comentário anterior.
Corrijo que o referido link existe no fim do post o que o torna exagerado e bastaria o titulo, sub-titulo, foto e primeiro parágrafo .
Caro Xa2, aceite a sugestão, para bem do blog e, olhe que o caro amigo também ganha com isso.
A continuação de boas Linkadas é o que eu vos desejo.


De Zé T. a 27 de Abril de 2011 às 13:06
Realmente é um post longo (não deve ser frequente)... mas é excelente e merece o destaque e leitura completa.
Para mim é uma lição de política e economia .... espero que para outros visitantes também faça bom proveito.


De Quase sublime a 27 de Abril de 2011 às 11:12
tirando o exagerado do tamanho do post é um bom post . por isso sugiro, é mesmo uma sugestão não um Xa , a Xa2 que de futuro tente faze-los mais curtos e remeter o grosso do texto par um link .
Não será isso possível ?
Tanto o titulo como a foto estão sublimes...


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