17 comentários:
De .Isto é GUERRA ao Estado e aos Travalhad a 28 de Abril de 2011 às 17:20
Ainda há SOCIAL-DEMOCRATAS no PS ?

O antigo primeiro-ministro dinamarquês e inspirador da social-liberal flexisegurança deu uma entrevista à Lusa a que os socialista portugueses devem prestar atenção.
Nela defendeu que a troika pode demolir a protecção laboral portuguesa.
Não é só a troika, claro.
Talvez por diplomacia ou ignorância não referiu a cumplicidade activa dos "negociadores" portugueses do bloco central neste objectivo, alimentando a ilusão de alguma atitude nacional dura nesta e noutras matérias.

Não há dureza, até porque não há negociação e muito menos qualquer ajuda.
Aqui ficam excertos da entrevista, destacando-se a importância da negociação colectiva relativamente centralizada, envolvendo sindicatos fortes, na economia política laboral dos modelos, apesar de tudo mais progressistas, de capitalismo: "Quando se ouve a Comissão Europeia a falar convosco, com Portugal, esse não é o meu caminho. Vocês precisam de negociar e de ser duros nas novas negociações (...) Há que perceber que não enfrentamos uma ditadura do FMI e da UE, são é negociações duras sobre o resgate e sobre as condições para receber a ajuda e auxílio (...) A negociação colectiva é parte fundamental da moderna democracia e, basta olhar para a Escandinávia, para o meu país. Nós temos tido acordos colectivos em todos os anos desde 1945 e somos uma das economias mais fortes da Europa. A Alemanha tem também acordos colectivos. Por isso, penso que [a 'troika'] tem de dizer - vamos para boas negociações com Portugal, vamos olhar para a economia, mas vamos perceber que os acordos colectivos vieram para ficar".
- por João Rodrigues

----------- e estão prontos a combater ? ----------

Da VIOLÊNCIA

As propostas do “Compromisso Portugal”, agora transformado em “Mais Sociedade” porque o dicionário da novilíngua NEOLIBERAL tem de ser rentabilizado, são apenas a expressão intelectual, abertamente mais violenta, da coligação interna e externa que conduz a AUSTERIDADE em curso:

usar a oportunidade do desemprego de massas, criada pela crise e pelas actuais políticas recessivas,
para organizar a redução de salários directos e indirectos (contribuições e prestações sociais, serviços públicos),
tentando legitimar este projecto de regressão através de um intenso moralismo, o contrário de qualquer noção básica de moralidade.

Os desempregados, que precisariam de “incentivos” porque, na realidade, não querem trabalhar,
e os pobres, aldrabões até prova em contrário, prova que até poderia ser feita com um cartão concebido para o efeito,
são alguns dos alvos de uma CASTA de GESTORES e outros intelectuais orgânicos que quer consolidar em definitivo a CAPTURA e subversão do ESTADO.
- por João Rodrigues


De Marketing e circo...sem Pão nem Justiça. a 29 de Abril de 2011 às 16:54

Insultem-se com conteúdo
por Daniel Oliveira, Arrastão

Lello diz que Cavaco é foleiro. Nogueira Leite diz que Lello é um cibernabo. Lello diz que Nogueira Leite quer abifar uns tachos.
Deve ser disto que falam quando falam de crispação. E esta crispação compreende-se. São os foguetes que animam uma festa morna.

Enquanto a União Europeia e o FMI escrevem o verdadeiro programa eleitoral do PS e do PSD, aquele que ambos se preparam para aceitar sem um sinal de resistência, há que continuar a fingir que há um confronto político.

A ver se nos entendemos:
dá imenso jeito, por exigir menos informação e menos reflexão, acreditar que a nossa situação se resume a uma questão de carácter dos intervenientes políticos.

É confortável pensar que estamos como estamos porque o Presidente da República é "foleiro", o primeiro-ministro é "aldrabão", o líder do PSD é "um banana" e todos eles estão rodeados de gente que quer "abifar uns tachos".

Esta narrativa permite não discutir política, não discutir economia, não discutir Europa.
Permite que os atores políticos não apresentem alternativas entre si e que os cidadãos não se dêem ao trabalho de pensar nelas.
Tudo se resume a (falta de) qualidades pessoais.

Nada tenho contra a crispação política. Pelo contrário.
Nos tempos que correm, com a INJUSTIÇA evidente na distribuição de sacrifícios, com o EGOISMOa corroer a Europa por dentro, com o ASSALTO das instituições financeiras aos cofres públicos, com a SUSPENSÃO de várias DEMOCRACIAS europeias, fazia falta um sobressalto cívico. Mais crispação e menos anemia democrática.
Mas a crispação que falta é política.
Querem insultar-se? Insultem-se. Mas com conteúdo, se fazem favor.


De políticas de ex-sociais democratas... a 29 de Abril de 2011 às 17:16
Despedir mais, despedir melhor

Quem é amigo?
Os patrões queriam despedimentos baratos, indemnizações de 21 ou 15 dias por cada ano de trabalho em vez dos 30 actuais e, mesmo assim, com um limite de 12 anos, isto é, 12 salários.

Por outras palavras: o patronato foi aos saldos do Estado Social abertos em Portugal desde 2005 a ver se comprava dois despedimentos pelo preço de um.

Coube a uma ministra ex-sindicalista de um governo socialista (ex-?) a duvidosa honra de entregar numa bandeja o direito ao trabalho dos portugueses à voracidade patronal com o generoso pretexto de, assim, "aliviar" os encargos das empresas com os trabalhadores despedidos (passando esses encargos para os contribuintes através do subsídio de desemprego, quem é amigo?).

O patronato queria 21 dias de indemnização por cada ano de trabalho em vez de 30?
O Governo deu-lhe 20.
Queria um limite máximo de 12 salários, que lhe permitisse despedir os trabalhadores mais antigos e substitui-los por precários (se não despedi-los e contratá-los depois "a recibo verde" de modo a livrar-se dos descontos para a Segurança Social)?
O Governo deu-lhe os 12 salários.

Explicou a ministra que em Espanha também é assim. Com admirável honestidade intelectual, "esqueceu-se" de dizer qual é o salário mínimo em Espanha e que, em Espanha, os 12 salários de indemnização são 'brutos", isto é, com todos os suplementos e em Portugal incluem só o salário-base.
Mas não podia lembrar-se de tudo, não é?

Manuel António Pina, JN,25.01.2011 via http://www.assedio.blogspot.com/


Comentar post