1º Maio: unir e lutar

Primeiro de Maio, abnegação e luta

[  O próximo futuro não augura nada de bom para os trabalhadores, pensionistas, reformados e para o povo em geral. Maio e luta são duas palavras indissociáveis, há mais de cem anos. Carregam sofrimento, coragem, honra, dignidade, emancipação e justiça.

   Numa sociedade dual, nunca nada foi dado aos mais fracos. Tudo teve que ser arrancado aos mais fortes. Trabalho digno, direitos económicos e sociais foram emergindo do sangue, suor e lágrimas dos que celebramos no dia 1.º de Maio, e do exemplo que nos legaram.
   Depois, revivescendo, e exercitando, quotidianamente, esse legado, e passando esse testemunho de mão em mão, foi possível à classe trabalhadora lavrar um terreno de maior respeito por quem trabalha, mais humano, menos injusto.
   Dia após dia, ano após ano, com luta e abnegação, os trabalhadores têm vindo a forçar a sucessiva correcção das injustiças existentes. Com avanços e recuos, porque a cada avanço respondem as forças ultraliberais com uma panóplia de "munições", visando a perda dessas conquistas sociais. Muitas vezes parece um combate desigual, com sucessivos benefícios do infractor.
  

   Não há direitos sem deveres, nem deveres sem direitos. Mas há quem, erradamente, queira impor mais deveres à revelia dos legítimos direitos de quem trabalha e produz riqueza.
   A única resposta reside na luta constante, ordeira e organizada, dos trabalhadores e dos seus sindicatos.
   Luta é a palavra que nunca poderá sair do léxico dos trabalhadores. Luta é o comportamento permanente dos que não aceitam que se confunda empresas com "sanzalas" nem trabalho com escravatura.
   Este 1.º de Maio decorre num dos momentos mais graves da nossa vida colectiva.
   A vida nunca foi fácil para os portugueses. A bancarrota, no final do século XIX, os desvarios da I República, a ditadura, a guerra colonial, a descolonização, e os choques petrolíferos obrigaram-nos a enormes sacrifícios colectivos, ao longo dos últimos 115 anos. Mas esta crise, com a sua dimensão exógena, de responsabilidade exclusiva de um modelo criminoso e egoísta de capitalismo selvagem, especulativo, de "casino", apanha-nos, a nós portugueses, de uma forma brutal, e quase indefesos.

   A inépcia dos nossos governantes, o silêncio dos nossos intelectuais, a cumplicidade de muitos dos que nunca desistiram de vingar as nossas conquistas sociais e a perda concomitante de alguns dos seus privilégios foram o caldo de cultura da crise portuguesa. A somar à paralisia do processo de integração europeia, onde os egoísmos nacionais se sobrepõem, adiam e postergam a solidariedade, a coesão, a convergência e a competitividade da zona euro, condição sine qua non à sobrevivência do projecto europeu.
   É crise a somar à crise. Nacional, internacional, europeia e, desgraçadamente, política, com eleições, campanhas, disputas, insultos e desresponsabilizações, quando os "homens do fraque" já cá estão, para nos impor as condições que lhes garantam receber o dinheiro que nos vão emprestar, no mais curto espaço de tempo. Sem que tivéssemos feito, responsavelmente, o trabalho de casa que nos competia: a negociação de um Pacto de Salvação Nacional, que envolvesse e responsabilizasse todos (cf. por mim proposto num artigo de opinião publicado na edição deste jornal de 11 de Março de 2011), constituindo uma garantia de co-responsabilização colectiva - como aconteceu em 1983 - e, assim, travar e conter muitas das receitas que nos irão ser impostas pela troika de credores, sem racionalização, humanidade e justiça, enfraquecidos e desnorteados que estamos, perante esta "loucura" política a que nos conduziram os nossos governantes e "responsáveis"políticos, só comparáveis ao anti-herói literário Macunaíma, do escritor Mário de Andrade. "(Trata-se de) alguém que apenas transita pelo mundo ao sabor do acaso, sem outro fim ou projecto que não seja o da própria sobrevivência, capaz de tudo para consegui-la".

   O presente e o futuro apresentam-se assustadores para quem trabalha.
   Desde as medidas que o FMI nos vai impor como garantia do empréstimo que evite a bancarrota (um PEC IV muito mais gravoso), até às propostas do Mais (Alta) Sociedade dos amigos de Passos Coelho - com toda a tralha de políticas e soluções de pendor "reaccionário", contra quem trabalha e, preservando os interesses dos banqueiros e dos grandes grupos económicos - o próximo futuro não augura nada de bom para os trabalhadores, pensionistas, reformados e para o povo em geral. 
   Avizinha-se a vitória do capitalismo selvagem. Será efémera, se os trabalhadores e o seu movimento sindical assumirem sem tibiezas o seu papel prioritário - a Luta. Que este 1.º de Maio seja o ponto de partida de uma enorme mobilização dos trabalhadores, para a "guerra social" que, inevitavelmente, terá uma vez mais que ser travada, igual a todas as que desde os mártires de Chicago foram desencadeadas pela emancipação da classe trabalhadora.

[José Manuel Torres Couto * , Público.pt, 29-04-2011,(via MIC )

* Secretário-geral da UGT de 1978 a 1995, dirigente nacional do PS de 1978 a 2002


Publicado por Xa2 às 00:07 de 30.04.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Falências e Desemprego aumentou. a 4 de Maio de 2011 às 10:26
FALENCIA DE EMPRESAS!
O número de pessoas que ficaram desempregadas na sequencia de falencias de empresas aumentou cerca de 20% entre 2008 e 2009.

A protecção destes trabalhadores terá que ser melhorada ao contrário do que se defende em alguns sectores da UE, nomeadamente os conservadores que não querem qualquer harmonização nesta matéria, como, aliás, em todas as matérias sociais!

Entretanto, foi publicado o Relatório da Comissão ao Parlamento Europeu e ao Conselho sobre a aplicação de determinadas disposições da Directiva 2008/94/CE relativa á protecção dos trabalhadores em caso de insolvencia do empregador.Ver

-por A.Brandão Guedes em http://Bestrabalho.blogspot.com, 3.5.2011


De 1º Maio: Lisboa 15:00 Mart.Moniz-Alameda a 29 de Abril de 2011 às 16:33
EMPREGO, SALÁRIOS, DIREITOS SOCIAIS.

Por uma Sociedade mais JUSTA.

CONTRA as INJUSTIÇAS, Mudar de políticas .

Participa nas MANIFESTAÇÕES do 1º de Maio


De anónimo a 29 de Abril de 2011 às 16:19
CONTRA A DESTRUIÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA e do ESTADO SOCIAL

É NECESSÁRIO:
MUDAR DE RUMO, NÃO QUEREMOS MAIS DO MESMO!
POR UMA POLÍTICA EM DEFESA DOS SERVIÇOS
PÚBLICOS E DOS SEUS TRABALHADORES

GREVE dia 6 de MAIO 2011

Os partidos do centrão político (PS e PSD) estão a preparar-se para continuar a destruição da
Administração Pública e, por arrasto, impor mais sacrifícios aos trabalhadores, é tempo de lutar.

O PEC IV do PS ou as propostas do PSD que já se conhecem, para cortar ainda mais na Administração Pública, e agora com o pedido de “ajuda” à União Europeia e ao FMI impõem a nossa resposta:

Venha quem vier para o Governo nas próximas eleições, não queremos mais do mesmo nem pior.

Depois de mais de 10 anos de um violento ataque aos Serviços Públicos e aos seus trabalhadores, é
precisamente neste período pré-eleitoral que devemos deixar claro que não queremos que esta política continue e que queremos MUDAR DE RUMO !

Como de facto demonstraram a Greve Geral de 24 de Novembro e as grandes manifestações que
realizamos, os trabalhadores e o povo estão saturados desta política.

É altura de dizermos aos partidos e aos políticos que nos têm (des)governado (PS, PSD e CDS) que NÃO QUEREMOS que estas políticas de DIREITA continuem !

NÃO QUEREMOS MAIS AS POLÍTICAS DE DIREITA que, independentemente dos protagonistas (PS
ou PSD com ou sem o CDS), nos:

· reduziram os salários;
· acabaram com as carreiras;
· congelaram os escalões e as promoções e as progressões nas carreiras;
· aumentaram a precariedade;
· impuseram o sistema de repressão que é o SIADAP;
· destruíram o vínculo público de nomeação para a grande maioria dos funcionários públicos;
· criaram e aplicaram a mobilidade especial, o despedimento encapotado;
· impedem a Contratação Colectiva na Administração Pública;
· reduziram os dias de férias;
· roubaram direitos na aposentação;
· aumentaram a idade de reforma;
...
É que, se das próximas eleições vier um novo Governo destas forças políticas (seja PS/Sócrates ou
seja PSD/Passos Coelho, com ou sem o CDS/Paulo Portas) o que nos espera é mais do mesmo, como tem acontecido com a alternância que temos tido desde 1976, entre PS e PSD, com ou sem muleta mais à direita.

O que necessitamos é de MUDAR DE RUMO e de ROMPER COM ESTAS POLÍTICAS e com ESTES POLÍTICOS ao serviço do GRANDE CAPITAL FINANCEIRO.

O QUE NOS ESTÁ A ACONTECER NÃO É INEVITÁVEL !

Agora, dizem eles, por causa da chantagem dos ditos “mercados financeiros” tivemos de pedir “ajuda”
externa do FMI e da União Europeia.
Essa “ajuda” não é necessária. Há outros caminhos !

A Grécia e a Irlanda já tiveram a “ajuda do FMI” e estão PIOR, com graves recessões e sem
perspectivas de futuro !

A Islândia, com uma situação ainda pior que estes dois, pois a sua banca faliu, não pediu a ajuda do
FMI e está a resolver os seus problemas, sem ceder à chantagem dos AGIOTAS do dinheiro e sem
hipotecar o futuro do seu povo!

Por isso, a greve de dia 6 de Maio deve ser feita por todas e por todos para que sirva de aviso de que
as coisas têm que MUDAR nas ELEIÇÕES do dia 5 de Junho !

POR SERVIÇOS PÚBLICOS DE QUALIDADE E AO SERVIÇO DE TODOS!

CONTRA A PRECARIEDADE !

CONTRA A MOBILIDADE E OS DESPEDIMENTOS !

POR CARREIRAS DIGNIFICADAS !

CONTRA O CONGELAMENTO SALARIAL E O AUMENTO DE IMPOSTOS !

PELA REVOGAÇÃO DO SIADAP !

POR TRABALHADORES DA FUNÇÃO PÚBLICA MOTIVADOS !

PELA MUDANÇA DE RUMO PARA O PAÍS !

ADERE À GREVE DE 6 DE MAIO !

Lisboa, 6 de Abril de 2011
A Direcção Nacional da FNSFP


De Esta GREVE: bom ou mau passo sindical ?. a 4 de Maio de 2011 às 10:31
A GREVE !
Percebi hoje que os sindicatos da Função Pública vão mesmo avançar com a greve nacional do próximo dia 6 do corrente mês!
Dado o contexto esta iniciativa é um mau passo sindical ! Passo a dizer porquê:

- Em primeiro lugar porque foi decidida sem consulta mínima aos trabalhadores;
- Porque foi para satisfazer uma ala radicalizada da Frente Comum ligada ás autarquias sem ter em conta que a Administração Pública não é apenas um sindicato;
- Porque os trabalhadores estão altamente castigados neste momento em termos financeiros;
- Porque muitos trabalhadores não entendem que se faça uma greve num momento em que vigora um governo de gestão e alguns recusam até o recurso à greve neste momento.

- Avançar assim para uma greve neste contexto é ir direito a uma derrota e é desgastar esta forma de luta já tão desgastada por mal utilizada !

- Por outro lado será de lembrar que é de evitar marcar greves ás sextas feiras para não acusarem os grevistas de quererem fins de semana alargados...

Seria mais sensato ouvir mais amplamente os trabalhadores nos locais de trabalho e coordenar as eventuais lutas com a manifestação nacional da CGTP marcada para 19 de Maio.

Os tempos que estão para chegar vão exigir muitos sacrifícios aos trabalhadores que já sofreram diminuição salarial e, para muitos milhares ,até cortes salariais.

Os sindicatos da Função Pública vão ter um longo e penoso combate para travar, em condições muito complexas.
Esses combates só terão êxito se forem realizados com a maioria dos trabalhadores e não apenas com os apaniguados !
Não se esqueçam que os trabalhadores querem RESULTADOS das lutas !
Com esta greve apenas o Estado vai meter dinheiro ao bolso !

- por A.Brandão Guedes , http://Bestrabalho.blogspot.com , 2.5.2011


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