6 comentários:
De Zé da Esquinas, o Lisboeta a 4 de Maio de 2011 às 11:26
Este blogue anda muito fraquinho...
Então «ninguém» comenta o (não) discurso do sr PM ontem?
Ou estão ainda a decifrar?


De Brutalidade policial no 1ºMaio Setúbal. a 3 de Maio de 2011 às 09:48
Um relato da brutalidade policial na 1.ª pessoa
por Sérgio Lavos

No Vias de Facto, Ricardo Noronha conta o que aconteceu na manifestação do 1.º de Maio em Setúbal. Um excerto:
«
(...) Após algumas centenas de metros na cauda da manifestação da CGTP, da qual estava separada apenas por um cordão de agentes da PSP (cerca de 5), a manifestação anti-autoritária seguiu um rumo diferente, em direcção ao bairro da Fonte Nova, uma das zonas da cidade mais carregadas de memória histórica pelas lutas operárias de vários anos. Mais uma vez, e apesar de não haver qualquer agente da PSP nas imediações, a manifestação prosseguiu o seu rumo pacífico e combativo, gritando palavras de ordem e comunicando com a população e os transeuntes. Após cerca de duas horas, chegou ao Largo da Fonte Nova, onde foi ligada uma aparelhagem sonora na parte de trás de um carro. Tocava Zeca Afonso.
O pessoal dispersou pelo largo e pelas ruas à volta, a conviver. Não houve qualquer dano a qualquer tipo de propriedade, nenhum conflito com os moradores. Aliás, não chegámos a estar ali mais do que vinte minutos.
Chegou um carro com dois polícias (talvez fossem mais, mas só dois se aproximaram), que solicitaram que o volume fosse reduzido, o que aconteceu. Na conversa que se seguiu, enquanto um dos polícias pediu a uma das pessoas que estava junto do carro que se identificasse, o outro começou a ordenar às outras pessoas que se afastassem. Quando a pessoa que estava junto do carro respondeu que não tinha identificação, o agente em questão imediatamente a agarrou e lhe disse que tinha de ir à esquadra.
Quem estava à volta teve apenas tempo para se aproximar para perguntar o que se passava, uma vez que no espaço de 30 segundo chegou uma carrinha, de onde saíram meia dúzia de agentes que começaram a disparar tiros de caçadeira. Repito, chegaram a alta velocidade, pararam, saíram e
dispararam. Várias pessoas foram atingidas pelo que se veio a revelar serem tiros de borracha (aqueles mesmos que tiraram um olho a um adepto do Benfica há duas semanas). Foram disparados para o ar tiros de pistola de fogo real.
Começaram a chegar vários carros da PSP, enquanto os agentes no local aproveitaram a surpresa para isolar cerca de 3 ou 4 manifestantes (o primeiro, que não tinha identificação, e mais alguns que se aproximaram ), que começaram a espancar no chão enquanto lhes atiravam gás pimenta para os olhos. Perante este cenário, os restantes manifestantes avançaram, puxaram os que estavam a ser espancados, defenderam-se da melhor maneira possível e recuaram para o outro lado do Largo. Quando a polícia resolveu continuar a investida, foi recebida por uma chuva de pedras e garrafas. Alguns manifestantes pegaram em chapéus e mesas de uma esplanada vizinha, para se defenderem. Um carro da PSP que chegou a alta velocidade foi embater numa carrinha de um morador/comerciante que ali estava estacionada, danificando-a. Para trás ficou o indivíduo que vem aparecendo em várias fotografias e que quase ninguém conhecia. Várias testemunhas afirmam que ele foi baleado no chão com uma caçadeira, quando já estava detido pela polícia.
O resto da manifestação dispersou em pequenos grupos, que foram literalmente "caçados" pelas ruas de Setúbal, onde continuaram a ser disparados tiros de borracha e efectuadas detenções com grande aparato, para estupefacção da população que passava e assistia a polícias sem identificação que ameaçavam, insultavam e empurravam todos os que tinham um ar suspeito. A senhora da PSP que parecia coordenar as operações deu indicações pela rádio segundo as quais deveriam ser detidas todas as pessoas que usassem "roupa preta" ou tivessem um "aspecto esquisito". Alguns manifestantes foram detidos dentro de cafés e metodicamente espancados dentro da carrinha antes de serem conduzidos à esquadra.
Testemunhei tudo o que relato em pessoa, com excepção do que aconteceu após a carga inicial, quando toda a gente dispersou em pequenos grupos pela cidade. Pude em todo o caso ver as marcas deixadas pela PSP nos corpos de vários manifestantes (e não só, muitos moradores também apanharam simplesmente por terem vindo à rua tentar acalmar a polícia) e cruzar diversos relatos e versões que se confirmam mutuamente.
A polícia mente ...


De ... a 3 de Maio de 2011 às 09:51
Um relato da brutalidade policial na 1.ª pessoa
por Sérgio Lavos
«...
A polícia mente quando afirma que foi recebida à pedrada e mente de forma descarada quando refere comportamentos impróprios por parte dos manifestantes. Tal como no 25 de Abril de 2007 fomos premiados com a notícia de montras estragadas e cocktails molotovs que ninguém chegou a ver, no 1º de Maio de 2011 a PSP procura inverter as responsabilidades pelos acontecimentos, escrevendo um romance policial de escassa qualidade. (...)
»
Chegados aqui, várias questões se colocam, desde o excesso da carga policial até à reiterada mentira nos comunicados da polícia de cada vez que um caso destes acontece.
Mas o que me parece mais grave é o silêncio dos media perante estes acontecimentos.

Os mesmos jornais e televisões que denunciam os excessos dos regimes autoritários árabes, do Egipto à Síria, calam-se quando agentes da polícia portugueses usam balas reais em manifestações pacíficas e atiram aos joelhos balas de borracha.

Quando esses agentes percorrem as ruas de uma cidade portuguesa em busca de indivíduos "vestidos de preto" ou de "aspecto esquisito".
Dos cordões policiais em manifestações pacifistas ao uso de armas com munições reais contra gente que se limita a estar na rua, um caminho muito perigoso foi percorrido.
Num país que não denuncie estes casos graves, que não os evite, que não castigue os abusos claros das autoridades policiais, eu não quero viver.

*Fotografias via Spectrum.
tags: media, repressão policial


De .Grito de ALERTA. a 3 de Maio de 2011 às 09:30
Aos quatro ventos

Corre pela net e chegou à minha caixa de correio este grito de alerta de Margarida Fonseca Santos:

"Pedimos que divulguem isto aos quatro ventos." E eu espalho aos 4 ventos.
Entretanto o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória emitiu um comunicado que pode ser lido aqui .
"Dia 3 de Maio, pelas 9h15, um julgamento que nos remete para os tempos da ditadura...

Os réus: Margarida Fonseca Santos (autora), Carlos Fragateiro e José Manuel Castanheira (ex-directores do Nacional D. Maria II) - somos acusados, pelos sobrinhos de Silva Pais, dos crimes de difamação e ofensa à memória de pessoa falecida. No seu entender, denegrimos a imagem do último director da PIDE com a adaptação para teatro do livro A Filha Rebelde (de José Pedro Castanheira e Valdemar Cruz), feita para o TNDM em 2007, com encenação de Helena Pimenta.

O Ministério Público não acompanhou a queixa.

Conquistámos, no 25 de Abril, a liberdade de expressão, que está agora posta em causa.
Mas, mais grave ainda, esta é uma tentativa de branquear a imagem daquele que foi o responsável máximo da PIDE - a polícia política que perseguiu, torturou e matou muitos opositores ao regime, entre eles o General Humberto Delgado.

Pedimos que divulguem isto aos quatro ventos.
Um abraço
Margarida Fonseca Santos"


De .25 Abril, sempre ?. a 3 de Maio de 2011 às 09:58
Sobrinhos de último director da PIDE processam ex-responsáveis do D. Maria II.

Os sobrinhos de Silva Pais, último director da PIDE/DGS, apresentaram uma acção em tribunal contra a autora da peça 'A Filha Rebelde' e os ex-directores do Nacional D. Maria II, que será julgada a 3 de Maio.

Fontes ligadas ao processo disseram à Lusa que está em causa uma alegada insinuação na peça de que o ex-director da polícia política foi um dos responsáveis pelo assassinato de Humberto Delgado, que os queixosos consideram difamatória e ofensiva da memória do tio.

Os sobrinhos de Silva Pais, falecido em Janeiro de 1981, acusam a autora da peça, Margarida Fonseca Santos, bem como o então director artístico do teatro do Rossio, Carlos Fragateiro, e o seu adjunto, José Manuel Castanheira, e pedem uma indemnização de 30.000 euros.

A peça, com encenação de Helena Pimenta, esteve em cena no Teatro Nacional D. Maria II em 2007 e baseia-se no livro homónimo dos jornalistas Valdemar Cruz e José Pedro Castanheira.

«Consideram os sobrinhos que, dentro da total liberdade criativa da autora, houve ofensa à memória de Silva Pais. Em causa estão concretamente três falas da peça», disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Os autores da acção judicial são Carlos Alberto Mano Silva Pais, a residir em Zurique, e Berta Maria Mano da Silva Pais Ribeiro que mora em Portugal.

Considerada uma acusação de âmbito privado por ser uma injúria, o Ministério Público (MP) demarcou-se do processo, não acompanhando a acusação. O MP pode associar-se quando considera estarem em causa bens essenciais para a comunidade, explicou à Lusa fonte judicial.

Silva Pais não chegou a ser sentenciado no processo do assassínio de Humberto Delgado por ter morrido seis meses antes de terminar o processo no Tribunal Militar de Lisboa em que o Promotor Público o tinha acusado de co-autoria moral do crime.

Os sobrinhos do ex-director da PIDE/DGS (Polícia Internacional de Defesa do Estado/Direcção Geral de Segurança) baseiam a queixa no facto de o tio não ter sido condenado.

Este processo corre no 2.º Juízo Criminal do Tribunal de Lisboa e será julgado a 3 de Maio.
Lusa / SOL
MARCADORES: 25 abril, justiça, pide
Publicado por [FV]


De Manuel Martinez Mediero a 6 de Maio de 2011 às 14:26
Me parece que es producto de la situcación de indefensión en que nos encontramos los demócratas y sobre todo el antifascismo. Me adhiero y me solidarizo con los autores de la obra y con los directores del Teatro Nacional Doña María.
Viva Portugal libre.


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