De Zé T. a 12 de Maio de 2011 às 11:03
Eurodeputados Unidos Contra a Crise e Pelo Desenvolvimento?

A crise alimentar esteve em debate entre os deputados portugueses no Parlamento Europeu (um por cada partido com representação parlamentar), no programa "Eurodeputados", a cuja transmissão assisti, ontem, na RTP 2... a emissão, repetida, passou já tarde, noite dentro e, ao meu olhar de cidadã, os seus 60m foram um momento único na política portuguesa:
um deputado do PS, uma deputada do PSD, um deputado do CDS, um deputado do PCP e uma deputada do BE
analisaram a União Europeia enquanto importadora ALIMENTAR e, face à crise em que se encontram as economias nacionais ("a braços" com as designadas "dívidas soberanas"),

no que se refere ao caso português, foi consensual a ideia de que a UE tem que proceder a uma revisão estrutural da Política Agrícola Comum (PAC), direccionando-a, antes de mais, para a diminuição das importações alimentares.
Para o efeito, cada eurodeputado apresentou razões que, inequivocamente!, se completavam e se reforçavam na exposição de algumas das ideias que consideraram essenciais a essa reforma.

As intervenções, cooperantes, objectivas e sustentadas por todos, podem resumir-se da seguinte forma: para diminuir as importações alimentares é fundamental produzir nacionalmente.
O incremento da produção nacional e a revitalização do sector primário, a saber, a agricultura, a par do desenvolvimento de uma rede de distribuição eficaz e sustentada, é o principal instrumento de promoção efectiva do desenvolvimento rural, motor da dinamização da demografia do interior.

Destas intervenções, destaco a qualidade da perspectiva apresentada por João Ferreira do PCP, que, aceite por todos os colegas por corresponder e ilustrar perfeitamente um objectivo comum, bem poderia servir de eixo estrutural ao argumentário português, no combate que tem que se fortalecer na esfera europeia, para defesa, não só do interesse nacional mas, do interesse de todos os cidadãos europeus - em especial, dos que habitam o mundo rural.

E, pelo que ouvi, os nossos deputados ao PE são capazes de se unir para o fazer - desde que os seus partidos não tolham as suas capacidades comunicacionais e diplomáticas, impondo as lógicas fracturantes a que recorrem, em nome de uma identidade partidária que mais não é do que mero corporativismo.

Quanto ao argumentário exposto, determinante para o desempenho de um papel activo e capaz no plano político europeu, pode sintetizar-se assim:
para reduzir a vulnerabilidade económica nacional face à dependência externa de importações, deve promover-se o direito à produção interna e a reorientação dos modelos de produção para pequenas e médias explorações, vocacionadas para responder às necessidades do mercado interno.

Com o objectivo de, por um lado, reduzir a agricultura direccionada par ao exterior, intensiva e monocultural, e de, por outro lado, privilegiar a diversidade produtiva, esta reorientação dos modelos produtivos concorreria para a consolidação da autonomia local e contrariaria o crescimento exponencial do desemprego, através da promoção do aumento do número de pessoas susceptível de vir a trabalhar na agricultura.

E se estes objectivos devem vir a configurar o modelo de desenvolvimento e crescimento económico nacional, é também indispensável que, no plano comunitário, a nova reforma da PAC autorize os países-membros a produzir para efeitos de auto-suficiência, articulando, para efeitos de sustentabilidade, a política agrícola com as políticas comerciais - actualmente responsáveis pela dispersão e globalização do mercado alimentar, com custos sociais mas, também, financeiros, elevadissimos!, para os cidadãos e os Estados.

- Por Ana Paula Fitas em 11.5.2011, ANossaCandeia
http://anapaulafitas.blogspot.com/2011/05/eurodeputados-unidos-contra-crise-e.html

---- Rogério Pereira :
Obrigado pelo alerta (e pelo texto). Vou tentar ver se há video do programa.

Sublinho o que escreveu: "E, pelo que ouvi, ... mero corporativismo."

---- Ana P.Fitas:
... ... é assustador como "as máquinas" podem engolir o melhor das pessoas sem atenderem ao enorme prejuízo público que essa lógica implica... esperemos que um dia saibam discernir e valorizar, nos momentos certos, as prioridades e os valores...


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