De Quem é/ não é Responsável ?! a 12 de Maio de 2011 às 11:17

Vamos ajudar?


Um ano depois do que só com muita ignorância ou desfaçatez ainda se designa por “ajuda”, como está a Grécia?
Quebra do PIB de 4,3%, desemprego galopante, que já vai nos 14,7%, défice e dívida revistos em alta.
Os efeitos perversos da austeridade não têm fim.

Rumores sobre saída do euro à parte, a verdade, como afirma Paul Krugman, é que antes desse cenário, e talvez em vez dele, está, neste contexto europeu, a inevitabilidade da REESTRUTURAÇÂO da DÍVIDA para reduzir o seu fardo.

É a arma das periferias para forçar um mínimo de racionalidade nesta desunião. É claro que isto vai contra a lógica da AUSTERIDADE, cujo propósito é salvar o sector FINANCEIRO, os credores, evitando que tenham perdas por agora, quando ainda se está frágil devido à última crise.
Duas alternativas:
a ameaça da renegociação ou o conselho do economista Mark Weisbrot no New York Times:
“podem ter a certeza que as autoridades europeias ofereceriam à Grécia um melhor acordo perante uma ameaça credível de saída do euro”.

Portugal vê-se grego. Weisbrot de novo:
“Portugal acabou de concluir um acordo que prevê mais dois anos de recessão.
Nenhum governo deve aceitar este tipo de punição.” Os JUROS anunciados para o empréstimo da UE – algures entre 5,5% e 6% – são INCOMPORTÁVEIS.
É que, segundo um estudo do próprio FMI, o esforço de consolidação orçamental em curso tem impactos recessivos fortes.
No contexto mais favorável, ou seja, quando é possível desvalorizar a moeda e descer taxas de juro, por cada 1% de consolidação orçamental, o PIB cai 0,5%.
Num contexto como o das periferias, em que essas opções não estão disponíveis, cada 1% austeridade tende a gerar uma quebra do PIB de 1%.
A redução prevista no défice é de 6% do PIB. Façam as contas e veremos que os 4% de recessão nos próximos dois anos, seguidos de tímida recuperação, podem bem pecar por ser optimistas.
Jorge Bateira já fez as contas, com pressupostos mais benevolentes, e a dinâmica de INSOLVÊNCIA com esta engenharia NEOLIBERAL é clara.

RESPONSÁVEIS são então aqueles que respondem com realismo à principal questão:
renegociar a dívida agora, quando ainda temos alguma força económica,
ou renegociar montantes, prazos e juros mais tarde quando estivermos ainda mais exauridos por anos de capitalismo de PILHAGEM ?
Promova-se uma AUDITORIA à DÍVIDA (e aos credores) para preparar a sua renegociação e talvez alguma racionalidade, alguma decência, alguma clarividência, surja entre estas elites políticas.
Tudo o resto é INCOMPETÊNCIA, irresponsabilidade e PILHAGEM.
Tudo o resto é a política de bloco central.

- por João Rodrigues , 11.5.2011, http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/


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