De . a 13 de Maio de 2011 às 10:56
"Vem aí um novo PREC", alerta Major Tomé
Rui Boavida *, JN, 13.5.2011

A crise da dívida vai criar um novo PREC em Portugal, com o povo a revoltar-se nas ruas, diz Mário Tomé, o coronel que insiste em continuar a ser "major para o povo" e que inventou a frase "os ricos que paguem a crise".
Em entrevista à Agência Lusa, o "major - coronel" - Tomé, antigo líder da União Democrática Popular (UDP), reforça que nunca como agora fez mais sentido a ideia de pôr os ricos a pagar a crise.

"Não sei se é altura de dizer os ricos que paguem a crise. Que é altura de o fazer, é. (...) Esta crise tem de ser paga por aqueles que beneficiaram dela, que são exatamente os mesmos que a provocaram, e que é a grande finança, a banca. O país inteiro -- e não é só aqui -- trabalha só para a banca e para os seus altos assalariados e para as grandes empresas, que pagam milhões aos Mexias", afirma.

"Eu não sei se esta 'troika' -- ou tríade -- internacional, servirá de base programática para impor a finança e por um só partido. Se calhar é uma especulação, mas sinto-me tentado a pensar nisso", acrescentou Mário Tomé, referindo-se à missão do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, que negociaram as condições para que Portugal receba o empréstimo de resgate de 78 mil milhões de euros.

Para Mário Tomé, a crise de dívida soberana que exigiu que Portugal pedisse a ajuda financeira internacional é apenas mais um passo na democracia global de hoje, que esmagou "as conquistas de um século e tal, conquistadas com muito sangue, muito sofrimento, muita luta" e que criará um novo PREC, Processo Revolucionário em Curso.

"Estamos à espera que o PREC recupere a sua dinâmica. Ele vai vir aí. O PREC para mim é a grande referência, e o PREC é a luta das pessoas. E com o mínimo de violência", diz.


De Bloco Abril contra Direita e tríade a 13 de Maio de 2011 às 12:37
Bloco quer um 25 de Abril novo para combater aliança da direita com a troika
-por Pedro Vaz Marques, ionline,13.5.2011

.O i analisa o programa eleitoral do BE com a ajuda dos economistas Miguel Morgado e José Reis.
Leia ao lado os programas da Troika, do PS, do PSD e do BE

."Se uma onda invertesse a marcha e contrariasse toda a maré" é um verso dos Deolinda, citado por Francisco Louçã durante a apresentação do manifesto eleitoral do partido e que vai acompanhar a campanha do Bloco para as legislativas de 5 de Junho.

Contra a política da direita, "formada pelo PS, PSD, CDS e troika", o BE quer "voltar ao essencial".
Louçã voltou a propor um governo de esquerda, "num combate eleitoral que não vai ser fácil", e um "novo 25 de Abril".

"É preciso mudar de política para defender o Estado social e combater a desagregação da economia", sustentou o coordenador do Bloco, centrando a apresentação em três vectores:
a necessidade de uma auditoria à dívida externa,
a criação de um fundo nacional de resgate e
a criação de emprego.

auditoria à dívida
"O BE pediu auditoria à dívida. Não se paga a conta sem olhar para a factura.
É uma resposta de seriedade e responsabilidade devida aos portugueses", afirmou Louçã, sublinhando que
"é preciso renegociar a dívida para defender a Economia".
Louçã sustentou também que Portugal tem que reajustar a taxa de juro que vai pagar, já que o valor de 5% apenas levará a um agravamento da situação do país e à necessidade de um novo pedido de resgate, dando como exemplo o caso grego.
"Temos de sair do ciclo da dívida", avisou o líder bloquista.

Ouvido pelo i, o professor universitário Miguel Morgado considerou que esta proposta do Bloco
"tem tanto de cálculo pragmático como de afirmação ideológica".
"O Bloco acha que Portugal nunca poderá pagar a dívida e mais ainda, acha que a Europa não tem legitimidade de cobrar essa dívida", disse.
Mais, o professor universitário sublinha que "são os mercados estrangeiros que nos ajudam a combater o défice.
Se rejeitarmos a ajuda externa vamos estar anos afastados destes mercados internacionais".
"Só se quiserem que Portugal saia da União Europeia", concluiu.

Já José Reis, antigo secretário de Estado do Ensino Superior de António Guterres, também ouvido pelo i, tem uma opinião mais positiva,
"as medidas de oposição [do BE] à asfixia a que os movimentos financeiros e o capital especulativo estão a sujeitar a economia e o crescimento económico".
Para o também professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, é relevante
"o escrutínio das despesa orçamentais" de forma a que "as necessárias à coesão social e à promoção do crescimento não sejam afectadas, impedindo-se a canibalização do Estado pelo interesses dos poderosos".

Fundo nacional de resgate
Como resposta ao défice, o BE propõe a criação de um fundo nacional de resgate da dívida, a ser constituído por três novas taxas:
- um imposto sobre mais valias urbanísticas ("para o combate à corrupção e para a clareza das contas"),
- um imposto de uma milésima sobre transacções bolsistas e
- uma taxa sobre transferências para zonas fiscalmente privilegiadas (offshores).
"São questões da justiça fiscal e da justiça social (que estão seriamente em causa em Portugal)", analisa José Reis.

criação de emprego
Criticando o programa da troika que prevê, na opinião do Bloco, "despedimentos mais fáceis, mais baratos e com direito a subsídio de desemprego por menos tempo",
o partido sublinhou que o acordo da ajuda externa prevê mais 200 mil desempregados em 2013.

Louçã disse ainda não perceber como se pode falar em retoma e ignorar a taxa de desemprego.
"Em Portugal, trabalhar é difícil, ser despedido é fácil, não ter contrato é norma e ganhar pouco é regra", lamentou o coordenador do Bloco.

Por isso mesmo, o manifesto eleitoral refere que é preciso criar emprego. Francisco Louça avançou com a possibilidade de criação de 90 mil postos de trabalho num ano com com
aposta na recuperação da ferrovia de proximidade,
serviços de apoio à infância e terceira idade e
através de mecanismos de reconversão energética.

"Mais despesa pública, já que são postos de trabalho a ser suportados pelo Estado", comenta Miguel Morgado.
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