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De Bloco Abril contra Direita e tríade a 13 de Maio de 2011 às 12:37
Bloco quer um 25 de Abril novo para combater aliança da direita com a troika
-por Pedro Vaz Marques, ionline,13.5.2011

.O i analisa o programa eleitoral do BE com a ajuda dos economistas Miguel Morgado e José Reis.
Leia ao lado os programas da Troika, do PS, do PSD e do BE

."Se uma onda invertesse a marcha e contrariasse toda a maré" é um verso dos Deolinda, citado por Francisco Louçã durante a apresentação do manifesto eleitoral do partido e que vai acompanhar a campanha do Bloco para as legislativas de 5 de Junho.

Contra a política da direita, "formada pelo PS, PSD, CDS e troika", o BE quer "voltar ao essencial".
Louçã voltou a propor um governo de esquerda, "num combate eleitoral que não vai ser fácil", e um "novo 25 de Abril".

"É preciso mudar de política para defender o Estado social e combater a desagregação da economia", sustentou o coordenador do Bloco, centrando a apresentação em três vectores:
a necessidade de uma auditoria à dívida externa,
a criação de um fundo nacional de resgate e
a criação de emprego.

auditoria à dívida
"O BE pediu auditoria à dívida. Não se paga a conta sem olhar para a factura.
É uma resposta de seriedade e responsabilidade devida aos portugueses", afirmou Louçã, sublinhando que
"é preciso renegociar a dívida para defender a Economia".
Louçã sustentou também que Portugal tem que reajustar a taxa de juro que vai pagar, já que o valor de 5% apenas levará a um agravamento da situação do país e à necessidade de um novo pedido de resgate, dando como exemplo o caso grego.
"Temos de sair do ciclo da dívida", avisou o líder bloquista.

Ouvido pelo i, o professor universitário Miguel Morgado considerou que esta proposta do Bloco
"tem tanto de cálculo pragmático como de afirmação ideológica".
"O Bloco acha que Portugal nunca poderá pagar a dívida e mais ainda, acha que a Europa não tem legitimidade de cobrar essa dívida", disse.
Mais, o professor universitário sublinha que "são os mercados estrangeiros que nos ajudam a combater o défice.
Se rejeitarmos a ajuda externa vamos estar anos afastados destes mercados internacionais".
"Só se quiserem que Portugal saia da União Europeia", concluiu.

Já José Reis, antigo secretário de Estado do Ensino Superior de António Guterres, também ouvido pelo i, tem uma opinião mais positiva,
"as medidas de oposição [do BE] à asfixia a que os movimentos financeiros e o capital especulativo estão a sujeitar a economia e o crescimento económico".
Para o também professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, é relevante
"o escrutínio das despesa orçamentais" de forma a que "as necessárias à coesão social e à promoção do crescimento não sejam afectadas, impedindo-se a canibalização do Estado pelo interesses dos poderosos".

Fundo nacional de resgate
Como resposta ao défice, o BE propõe a criação de um fundo nacional de resgate da dívida, a ser constituído por três novas taxas:
- um imposto sobre mais valias urbanísticas ("para o combate à corrupção e para a clareza das contas"),
- um imposto de uma milésima sobre transacções bolsistas e
- uma taxa sobre transferências para zonas fiscalmente privilegiadas (offshores).
"São questões da justiça fiscal e da justiça social (que estão seriamente em causa em Portugal)", analisa José Reis.

criação de emprego
Criticando o programa da troika que prevê, na opinião do Bloco, "despedimentos mais fáceis, mais baratos e com direito a subsídio de desemprego por menos tempo",
o partido sublinhou que o acordo da ajuda externa prevê mais 200 mil desempregados em 2013.

Louçã disse ainda não perceber como se pode falar em retoma e ignorar a taxa de desemprego.
"Em Portugal, trabalhar é difícil, ser despedido é fácil, não ter contrato é norma e ganhar pouco é regra", lamentou o coordenador do Bloco.

Por isso mesmo, o manifesto eleitoral refere que é preciso criar emprego. Francisco Louça avançou com a possibilidade de criação de 90 mil postos de trabalho num ano com com
aposta na recuperação da ferrovia de proximidade,
serviços de apoio à infância e terceira idade e
através de mecanismos de reconversão energética.

"Mais despesa pública, já que são postos de trabalho a ser suportados pelo Estado", comenta Miguel Morgado.
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De BE contra tríades PP-PSD-PS e FMI-BCE-CE a 13 de Maio de 2011 às 12:41
Bloco quer um 25 de Abril novo para combater aliança da direita com a troika
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Além disso, o líder dos bloquistas propôs que todos os falsos recibos verdes passassem a contratos efectivos, "para que o trabalhador passe a ser respeitado".
Morgado considera que esta é uma proposta "coerente" com o que tem sido defendido pelo Bloco de Esquerda.
Ainda assim, o professor universitário sublinha que "isto vai ao arrepio do acordado pelos três partidos - PS, PSD e CDS - com a troika":
"Iria contribuir para a rigidificação do mercado laboral e tendencialmente para mais desemprego."

Na avaliação final as opiniões voltam a ser dispares.
- Se José Reis considera importante e positivo "um conjunto de questões que têm de ser consideradas centrais para um debate sobre o futuro da economia e da sociedade portuguesa",
- já Miguel Morgado, à luz destas medidas, considera que "o programa do BE parece uma contradição insanável."


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