O futuro é uma incógnita

Os números dos votantes expressam bem o profundo desastre eleitoral que sofreu o PS quando comparados com as eleições para o PE de 2004 e, principalmente, as legislativas de 2005.

Tudo começou com a queda no número de votantes que foi de menos 2.190.596 relativamente às legislativas de 2005 e mais 152.458 relativamente às eleições para PE de Junho de 2004. Dada a proximidade das eleições legislativas a realizar em Setembro ou Outubro é provável que a comparação com as legislativas seja um indicador mais fiável, mesmo que o abstencionismo venha a ser menor.

O PS perdeu 793.767 votos, relativamente ao PE 2004 e 1.642.944 na comparação com as legislativas de 2005.

O PSD perdeu 52.5981 votos na comparação com as legislativas 2005, não havendo números comparativos com as ao PE 2004 por ter então concorrido em coligação com o CDS. Mesmo assim, os dois partidos ganharam nas eleições de Domingo 292.498 votos.

O PSP-PEV perdeu 51.578 votantes relativamente às legislativas de 2005 e ganhou 69891 votos na comparação com as do PE 2004.

O BE foi o único partido parlamentar que ganhou em relação às legislativas de 2005 e as do PE 204, ou seja, respectivamente mais 16.820 e mais 214.578.

O CDS perdeu 118.593 votos, relativamente às legislativas de 2005.

Com 1.127.444 (31,69%) o PSD foi um nítido vencedor e o PS com 945.368 (26,58%) ficou num segundo lugar sem qualquer mérito.

O BE com 381.791 (10,73%) ficou num honroso terceiro lugar, mas sem significado em termos eventuais coligações partidárias e, portanto, participação em governos.

O PCP com 379.292 (10,66%) deixou-se ultrapassar pelo BE e encaixou um resultado também sem significado, se as eleições fossem legislativas.

O CDS com 297.823 (8,39%) é o último da liga e também sem significado governativo.

Com uma dinâmica de vitória o PSD pode esperar um resultado melhor nas próximas legislativas, apesar de nada ter na manga para eliminar a insatisfação de muitos portugueses, principalmente dos funcionários públicos que viram a idade da reforma a ser alargada até aos 65 anos de idade, além do sistema de carreiras não ser já tão generoso como foi no passado. Claro, não é agradável trabalhar 35 anos e não se reformar porque ainda se está nos cinquenta e tal anos. Mas, com o contínuo aumento da esperança de vida, esses funcionários seriam capazes de viver mais anos que trabalharam e receberem o último vencimento, o que significa receber muitas vezes mais aquilo que descontaram. Claro, receberam um aumento de 2,7% num ano de depressão com os preços a descerem ligeiramente, mas as pequenas percentagens são muito pouco sentidas na vida dos trabalhadores. Ganhar 1000 ou 1027 é quase o mesmo.

Os reformados ficaram descontentes por verem o seu IRS praticamente duplicar.

O próprio ordenado mínimo de 4.500 euros, tão criticado pela Manuela Ferreira Leite, não passa de uma miséria.

Portugal tem actualmente uma população activa muito reduzida devido ao desemprego e falta de postos de trabalho para quem poderia trabalhar e já desistiu.

Temos actualmente quase um reformado por cada trabalhador activo, ou seja, 3.884.000 trabalhadores activos por conta de outrem contra cerca de 3.300.000 de reformados. Além disso, temos uns 750 mil trabalhadores independentes, patrões e agricultores. Muito pouca gente para tanto reformado.

Será que o PSD, o BE ou o PCP têm alguma solução para encontrar um equilíbrio entre activos e reformados?

Entre os activos, os níveis salariais são muito baixos 40,6% dos trabalhadores por conta de outrem ganham menos de 600 euros mensais líquidos, o que é uma miséria para se viver, mas uma fortuna quando comparados com 50 a 100 euros auferidos por marroquinos, chineses, indianos, brasileiros, caribenos, africanos, etc., todos competidores das indústrias nacionais que estão maioritariamente à beira da falência, por falta de clientes nacionais e estrangeiros.

 A economia nacional continua a basear-se nos baixos salários para exportar e concorrer internamente com os produtos oriundos de fora.

O PCP propõe que se aumentem os salários, o que seria justo sob o ponto de vista ético, mas nas lojas Minipreço e outras, os produtos estrangeiros ficavam ainda mais baratos do que estão em relação aos nacionais.

Quanto a uma política de redistribuição, saliente-se que apenas 3,8% dos activos portugueses auferem de salários superiores a 1.800 euros líquidos e quanto a salários milionários, talvez nem 0,01% dos portugueses os recebam. E 12,4% dos portugueses activos ganham mais de 1.200 euros, o que seria um ordenado mínimo para todos perfeitamente justo se fosse comportável pela economia nacional, ou seja, por todas as empresas.

No diversos fóruns em que participam empresários não encontramos nenhuma sugestão para aumentar a competitividade e produção das empresas, excepto pequenas alterações na forma de pagamento do IVA ou do IRC que, obviamente, pouco ou nada influem no rendimento nacional.

Apesar dos baixíssimos salários portugueses, principalmente nas zonas industriais do Norte em que são abaixo da média referida, as exportações portuguesas caíram 28% no primeiro trimestre deste ano face a igual período do anterior. Só para a Espanha, as vendas nesse período diminuíram 32%. Será que decretos ou pequenas medidas fiscais ou de apoio estatal podem alterar a situação? É óbvio que não.

A agravar a situação, o petróleo entrou novamente em alta, tendo já chegado aos 71 dólares o barril.

Um comentador da imprensa escrita afirmou que o PS “acreditou num país imaginário” que não existiu. Será que os outros partidos acreditam que podem por via governamental construir o tal país imaginário que todos gostariam que existisse?

O mesmo comentador afirma que “o que vem a seguir é uma incógnita” e Manuela Ferreira leite fala em falar verdade.

A verdade é destes números e da crise que nos rodeia. Será que alguém está disposto a dar o seu voto para ouvir uma verdade tão amarga.

O economista Louçã já disse que nunca faria uma coligação com o PS. Para além de ser possível que os seus votos não cheguem para formar uma maioria, é óbvio que Louçã não está disposto a arregaçar as mangas e sujar as mãos no trabalho governativo. Ele sabe que a crise mundial e os números nacionais não são manipuláveis a partir de Lisboa e em Bruxelas, o peso do casal Portas e Matias mais o Tavares é igual a zero no conjunto dos quase 700 deputados europeus, excepto nos lautos vencimentos que cada um vai auferir.



Publicado por DD às 22:31 de 13.06.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De casinos en Las Vegas a 9 de Julho de 2009 às 14:56
Que BE y PCP jamás se junten a PS! Más pronto vería una coligación entre PSD y PS, de tal modo tienen plataformas similalares cuando es llegada la altura de gobernar.


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