De Vencer a SUBMISSÃO FINANCEIRA. a 16 de Maio de 2011 às 11:08
Para não cair na situação da Grécia


A UE está num impasse. Após a execução de uma política de austeridade selvagem, a Grécia vê o peso da sua dívida sempre a crescer ao mesmo tempo que está previsto que "regresse aos mercados" em 2012, o fim da "ajuda". Mas as taxas do mercado estão mais altas do que há um ano. O que fazer agora?

Entre os especuladores é um dado adquirido que a Grécia terá de reestruturar a sua dívida.
A única dúvida, como diz o Financial Times, é se será um processo negociado ou imposto. Se for imposto, causaria algum prejuízo aos bancos alemães e, sobretudo, ao BCE e aos vendedores de seguros deste tipo (CDS).
Se for voluntário, não reduziria o valor em dívida mas teria de dilatar o seu vencimento mais uns 15-20 anos para de facto aliviar a pressão financeira. Uma condição com que os credores não simpatizam.

O editorial do FT defende que a UE dê continuidade ao financiamento à Grécia, mas na condição de lhe exigir que faça mais pela estabilidade das suas contas públicas. O título do editorial é sugestivo:
"Deve-se APONTAR a PISTOLA à Grécia".

Em Portugal, quando as «reformas estruturais» (as que tiverem sido concretizadas) não tiverem produzido o efeito pretendido - pôr a economia a crescer - estaremos na mesma situação em que está hoje a Grécia.

De uma coisa estou certo: a «REFORMA estrutural» do mercado de trabalho produzirá mais DESEMPREGO e menos procura, e não se vê que as restantes reformas (justiça, saúde, autarquias, etc.) possam estimular a procura interna.
E sem procura interna não há crescimento das exportações que nos possam valer.
Propor reformas estruturais como receita para o crescimento económico é MÁ teoria económica ("economia da oferta"), releva da crença NEOLIBERAL.

Para não cair na situação da Grécia, Portugal terá de encontrar fontes de financiamento alternativas.
Só assim poderá dizer BASTA e dar início a uma política económica de promoção do crescimento.

Agora, defender a reestruturação unilateral da dívida pública e nada dizer sobre a forma de VENCER a SUBMISSÃO FINANCEIRA em que nos encontramos não passa de uma proposta política inconsequente.
E os eleitores percebem isso.
-por Jorge Bateira, Ladrões de B.


De Articular c. países periféricos a 16 de Maio de 2011 às 12:06
Reestruturação, jamais?

É claro que soluções para as periferias europeias, e portanto para a crise da Eurozona, são medidas como a emissão de obrigações europeias ou recompra da dívida pelo FEEF.
A reestruturação da dívida é o que irá acontecer se decisões desse tipo não forem tomadas a tempo, e é preciso prepararmo-nos para a eventualidade delas não serem tomadas de todo.

Não se compreende portanto que alguém, fingindo-se muito indignado, possa dizer alto e bom som - “reestruturação jamais” - sem corar de vergonha.

Se uma coisa é certa - e acerca dela nem sequer há divergências entre economistas de esquerda e de direita - é que
com estas perspectivas de recessão e estas taxas de juro,
a DÍVIDA das periferias NÃO é PAGÁVEL.
É matemático: a dívida explodiria.

O que não se compreende também é que se OCULTE que a reestruturação, com “cortes de cabelo” e tudo, está prevista nas resoluções do Conselho Europeu para depois de 2013
e já aconteceu de facto na Grécia quando as taxas de juro e as maturidades dos empréstimos FEEF/FMI foram revistas.

Na realidade, o que se passa é que alguém anda a querer ganhar TEMPO.
Tempo para quê? Talvez para limpar dos balanços dos bancos o lixo tóxico (títulos de dívida pública e privada grega, irlandesa e portuguesa).

Alguém anda a querer "repatriar" a dívida para que o “corte de cabelo” quando vier não o afecte.
O tempo que esse alguém anda ganhar, para nós é tempo perdido.
O que estão à espera para articular posições com a Grécia, a Irlanda e a Espanha (e outras vozes razoaveis na UE)?
Ainda acham que podemos ser contaminados por algum virus mediterranico?

É por isso que me parece absolutamente irresponsável um dirigente político dizer - “reestruturação jamais” –
e fazer disso bandeira de campanha eleitoral, ao mesmo tempo que aceita o prato de veneno que lhe põem à frente e ainda por cima lhe chama um figo.

Parvos somos nós?
Postado por José M. Castro Caldas


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