De Líderes UE perderam toda reputação. a 17 de Maio de 2011 às 14:19
"Bruxelas acabará por IMPLODIR devido à sua burocracia e arrogância"

Luca Barillaro, um consultor financeiro independente italiano, especialista em commodities, fala da volatilidade do mercado das matérias-primas nas últimas semanas e considera que os líderes europeus perderam toda a reputação

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt) , 16.5.2011, http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/649155


Nas duas últimas semanas assistimos a um ziguezague nos preços das commodities, com o que foi alcunhado de flash crashes sobretudo na prata e no barril de Brent a 5 e 11 de maio seguidos de regresso à tendência altista. Particularmente o ouro mostrou-se o mais resiliente. As razões do que ocorreu e qual a tendência que vai predominar - se a correção em baixa, se a continuação da alta especulativa - continua em acesa polémica entre os economistas e analistas. Esta volatilidade destes mercados converge, por ora, com a crise da dívida soberana em vários países da zona euro.

O Expresso ouviu Luca Barillaro, um consultor financeiro independente de Bolonha que trabalhou anteriormente na City londrina, que surpreende com algumas opiniões pouco ortodoxas: "Há vários tipos de commodities, algumas mais iguais do que outras"; "Bruxelas acabará por implodir devido à sua burocracia e arrogância"; "todos estes resgates em curso são, apenas, transferências de dinheiro que não resolverão o problema"; "a única saída para a zona euro é a sua moeda baixar para a paridade com o dólar, reduzindo a dívida em termos reais".

P: As quebras que houve a 5 e 11 de maio foram o juízo final para a especulação desenfreada no mercado das commodities?

R: Depende de que commodities estamos a falar. Há umas mais iguais do que outras. Se nos referimos ao ouro, à platina e ao petróleo, julgo que se trata, apenas, de uma correção, pois estas três são olhadas - e, de facto, são-no - como outro género de unidades monetárias. Com os processos de depreciação das divisas tão em voga pelos bancos centrais, os mercados financeiros acabam por olhar para "moedas" alternativas. O ouro, a platina e o petróleo são aquilo que os especuladores chamam de "divisas fortes", pois não estão sujeitas à manipulação de dar à manivela de impressão.

P: Os metais preciosos sempre foram encarados como alternativas ao papel fiduciário, mas o barril de petróleo pode ser considerado uma "divisa forte"?

R: Pode parecer-lhe estranho, que o petróleo é diferente dos metais preciosos. Mas o barril tem enorme poder e implicações políticas muito grandes. Dispor de grandes reservas de petróleo significa influência política. Não é, por acaso, que a França se apressou a bombardear a Líbia. Os políticos franceses foram contra o bombardeamento da Sérvia - se for ao maior parque de Belgrado, ao Kalemegdan, encontra ali um monumento com um pedido de desculpas dos franceses por causa dos bombardeamentos da NATO. Mas quanto à Líbia foram rápidos. A energia é uma "moeda" geopolítica.

P: E nos outros casos de commodities?

R: Se falamos de casos como o cobre, o aço, o gás natural, e mesmo a prata, penso que a liquidação total a que assistimos nesses dias foi, apenas, a outra face do que chamamos de negócio de carry trade entre divisas. Por isso, eu julgo que vamos ver dois andamentos: mais liquidações no caso de matérias-primas que vêm os preços subir devido ao carry trade, e tendência de alta clara no que designei por commodities que funcionam como "divisas fortes". Pode verificar-se a relação do ouro com o euro ou do petróleo com o euro para se observar esta diferença de que falo.

P: Como funciona esse mecanismo especulativo associado ao carry trade?
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