Sub-viver para a agiotagem enriquecer ...

Escolha já a sua ponte (ou buraco para ''sub-viver'')

por Andrea Peniche

     Hoje em dia usa-se muito dizer que somos um País de proprietários, isto é, que todos nós temos a nossa casinha. Na verdade, somos um País de hipotecados. Eu, por exemplo, mantenho uma relação com o senhor Ulrich, que se manterá até aos meus 72 anos.

     Acontece que há uns anos os salários não só não chegavam para pagar uma renda como praticamente não havia casas para arrendar. Mas os salários iam dando para pagar uma hipoteca ao banco. Neste País, nunca houve políticas de incentivo ao arrendamento. A escolha foi sempre a de facilitar o crédito. A banca agradecia e quando a banca está contente o País rejubila.

     Gostava de dizer que eu não escolhi ser proprietária; eu escolhi emancipar-me e isso custou-me 40 anos de hipoteca.

     Porém, tudo está a mudar. A troika, com a concordância do PS, PSD e CDS, decidiu animar o mercado de arrendamento. E decidiu fazê-lo castigando quem foi obrigado a comprar casa. Assim, no memorando da troika pode ler-se (a tradução é do Aventar, uma vez que o Governo ainda não teve oportunidade de a disponibilizar):

 

«O governo vai modificar a tributação da propriedade, com vista a equilibrar os incentivos para arrendar, face à aquisição de habitação. (4T 2011) Em especial, o Governo irá:

i) limitar a dedutibilidade nos impostos sobre os rendimentos das rendas e juros das hipotecas a partir de 1 de Janeiro de 2012, excepto para as famílias de baixos rendimentos. O pagamento do capital não será dedutível a partir da mesma data;

 ii) gradualmente, reequilibrar a tributação sobre a propriedade imobiliária para o imposto recorrente (aumentar o IMI) e dar menos importância ao imposto de transferência de propriedades (IMT), sempre tendo em conta os mais vulneráveis socialmente. A isenção temporária de IMI para habitação ocupada pelo proprietário será consideravelmente reduzida e o custo para propriedades devolutas ou não arrendadas será significativamente aumentado».

 

     A juntar a isto, hoje, perante a suspeita de que o BCE poderá aumentar as taxas de juro, a Euribor subiu pelo quarto dia consecutivo e o Banco de Portugal decidiu autorizar a violação unilateral dos contratos estabelecidos entre os clientes e a entidades credoras. Assim, se houver «razão atendível» ou «variações de mercado», a banca vai poder fazer «repercutir nos clientes os efeitos da conjuntura desfavorável, ou seja, os consumidores serão sempre chamados a pagar as oscilações de risco da banca». Os encargos negociados, nomeadamente o spread, passam a ser letra morta sempre que os bancos assim o entenderem.

     Como diz José Sócrates, para não contaminar todo o sistema financeiro, o Governo decidiu nacionalizar os prejuízos do BPN (mais de 6 mil milhões de euros); a banca, apesar dos lucros, continua a pagar menos impostos do que as empresas, sendo também responsável pela diminuição da receita fiscal em 2010; dos 78 mil milhões de euros do empréstimo a Portugal, 12 mil milhões de euros vão directamente para a dita «recapitalização da banca». 

     A nós, que pagamos todos os impostos, directos e indirectos, é-nos exigido que continuemos a ajudá-los. Haja decência.



Publicado por Xa2 às 13:07 de 18.05.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Hipercapitalist 'trama progressista' FMI a 19 de Maio de 2011 às 11:02
FMI
Strauss-Kahn marcou a história da instituição, no bom e no mau sentido
Económico com Lusa, 19/05/11
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.Dominique Strauss-Kahn, que se demitiu na quinta-feira do cargo de diretor geral do Fundo Monetário Internacional, marcou a história da instituição ao conseguir modernizá-la e ao acabar a sua carreira na prisão.

O antigo ministro das Finanças francês apresentou na quarta-feira, quinta-feira em Portugal, ao conselho de administração do FMI uma demissão que parecia inevitável, numa carta escrita desde a prisão de Rikers Island, em Nova Iorque.

"É com uma infinita tristeza que me vejo obrigado a propor hoje ao conselho de administração a minha demissão do meu posto de Director Geral do FMI", escreveu o francês, na sua primeira declaração pública desde a sua detenção devido a uma suspeita de um crime sexual.

"Quero preservar esta instituição que servi com honra e devoção, e sobretudo, quero consagrar todas as minhas forças, todo o meu tempo e toda a minha energia para demonstrar a minha inocência", acrescentou.

Desde que assumiu funções em Novembro de 2007, Strauss-Kahn, 62 anos, conseguiu transformar uma instituição em crise, ao efectuar uma reestruturação profunda, rejuvenescendo-a e tornando-a novamente poderosa.

Na cena diplomática e financeira, Strauss-Kahn demonstrou estar aberto a todas as propostas, gerindo a instituição com uma habilidade política que lhe valeu elogios vindos do mundo inteiro.

"A crise financeira deu ao Fundo uma ocasião para começar a reafirmar o seu lugar no mundo, e Strauss-Kahn aproveitou essa ocasião", escreveu na terça-feira o Director Geral do fundo obrigacionista Pimco, Mohamed El-Erian, antigo economista do FMI.

Em Janeiro de 2008, quando esta crise ainda era descrita como benigna pelos governos, Strauss-Kahn apelava às grandes economias do planeta para aplicarem planos de relançamento económico, quebrando a tradição dos ocupantes do cargo.

Strauss-Kahn apostou na diversificação dos pontos de vista de uma instituição emblemática do capitalismo ocidental, chegando a declarar, em Abril de 2011, a morte "do consenso de Washington", um conjunto de doutrinas liberais.

Entre os países fundadores do euro, o francês também esteve na primeira linha quando a união monetária começou a ser ameaçada pela crise da dívida pública, defendendo a solidariedade entre governos.

O seu sonho de uma autoridade orçamental europeia que pudesse organizar essa solidariedade a longo prazo corre hoje o risco de não se concretizar.

O seu estilo agradava não apenas aos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais, mas também aos eleitores franceses.

A partir de 2009, começou a ser apontado nas sondagens como um dos favoritos nas eleições presidenciais da primavera de 2012.
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Conclusão:
- Será que as pequenas mudanças para o ''centro-esquerda'' introduzidas por DSK no FMI
(importante instrumento de intervenção do ''capitalismo-global-imperialista'')
foram A razão para
(as forças/financeiros reaccionárias-ultraNeoLiberais Europeias e Americanas)
arranjarem uma armadilha para 'tramar'/afastar o ''progressista-do-PS-francês'' DSK, usando o seu conhecido fraco por mulheres ?


De João Mateus a 18 de Maio de 2011 às 13:25
Amen


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