Fuga da U.E. aos problemas da política económica inviável

O inevitável é inviável...

Joana Lopes chama a atenção para uma ideia que vai fazendo o seu caminho nas esquerdas e muito para lá delas: falo, é claro, da renegociação da dívida, que foi abordada ontem por Medeiros Ferreira e até por Santana Lopes. A renegociação de juros, prazos e montantes pode ser encarada como uma arma de diplomacia económica. Manejada de forma atempada pelas periferias pode persuadir o centro europeu a avançar com soluções institucionais para os problemas da Zona Euro.

De resto, é sempre aconselhável ler e ver Medeiros Ferreira e Fernando Rosas. Em debate semanal na TVI24 geram externalidades positivas no campo do conhecimento: até Santana Lopes, que também participa no programa, acaba por enriquecer o debate, pelo menos a avaliar pela sua prestação de ontem. Constança Cunha e Sá, com acusações preconceituosas de “radicalismo” e “irrealismo” a tudo o que altera este insustentável status quo, aliás facilmente desmontáveis, contribui inadvertidamente para que as coisas possam ir sendo esclarecidas. Aqui está um programa de debate a ver regularmente.   (



Publicado por Xa2 às 13:07 de 19.05.11 | link do post | comentar |

6 comentários:
De Privatizar/dar património aos abutre... a 24 de Maio de 2011 às 09:19
Privatizações (gregas) só com agência independente, diz Juncker

Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , Gestão do risco , Inteligência Económica , crise
ainda sem comentários

“No futuro, a União Europeia irá monitorizar o programa grego de privatizações tão estreitamente como se fossemos nós que o estivéssemos a implementar”, referiu hoje ao jornal alemão Der Spiegel o presidente do Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças da zona euro), o primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Juncker acrescentou que veria com bom grado que o governo grego colocasse o plano de privatizações nas mãos de uma “agência independente do governo, baseada no modelo da Treuhandanstalt”, a agência alemã, criada em 1990, que tratou da privatização de 8500 empresas da Alemanha de Leste depois da reunificação. Essa agência grega deveria inclusive ter peritos estrangeiros, acrescentou.

O plano de privatizações grego poderá valer €50 mil milhões.


De Propostas certas x Força político-partid a 20 de Maio de 2011 às 13:46
Renegociar
por Miguel Cardina, arrastao

Tenho um amigo que gosta de lembrar um erro frequente da esquerda:
o de considerar que a incapacidade em fazer valer os seus pontos de vista resulta da falta de profundidade dos debates que lhe são constitutivos.
A verdade é que frequentemente os problemas da esquerda são de outra natureza:
não tanto intelectuais quanto políticos.

Nesses casos, mais do que um esforço decidido de repensamento e reconfiguração, o que lhe falta é força política para tornar as suas ideias hegemónicas.
Claro que ambas as coisas não estão desligadas, mas a pulsão autocrítica, sendo fundamental, leva por vezes a processos de autoflagelação nem sempre construtivos.
E mais: esquece que frequentemente já temos as boas soluções vislumbradas.
Falta apenas a tal força política para aplicá-las.

Um exemplo claro nos tempos que correm é a proposta de renegociação da dívida.
No debate com Francisco Louçã, José Sócrates chamou-lhe a promoção do “calote”.
Sócrates é um homem que “honra os seus compromissos”, está bem de ver, e que deste modo faz de advogado dos credores contra um país que entrará numa espiral recessiva e que, mais tarde ou mais cedo, terá mesmo de renegociar, como se prepara para fazer a Grécia.

Foi curioso por isso ver Ricardo Costa nos seus comentários ao debate dizer que a renegociação, “a médio prazo”, até faz muito sentido.
Ou descobrir agora, via Joana Lopes, que a proposta vai conquistando almas honradas e insuspeitas, como Medeiros Ferreira.

E chegamos assim ao drama actual do país:
quem tem as propostas certas não parece vir a ter força política para as implementar;
quem aparece melhor colocado nas sondagens não tem a visão política necessária aos próximos tempos.
Um drama, valha-nos isso, que pode ter alguma resolução nas urnas.
Assim a população seja mais corajosa do que os políticos do "grande centro" ideológico que nos tem desgovernado.


De Isto Não é Ajuda mas negócio Agiota.! a 20 de Maio de 2011 às 13:34
Não há nenhuma ajuda

Por mais argumentos que se apresentem
- das taxas de juro abusivas às privatizações ruinosas, passando pela "contracção sem precedentes do rendimento disponível real das famílias e de novos aumentos da taxa de desemprego",
segundo o tenebroso Banco de Portugal, sempre em apoio de todas as regressões, de todas as incompetências -,
a expressão “ajuda externa” sobrevive no debate público devido à seguinte ideia:
em Maio não haveria dinheiro para "pagar salários".
Isto não é bem assim.
Em Maio, tudo o resto constante, e nem tudo tinha de estar constante porque havia algumas propostas para gerar liquidez, poderia não haver dinheiro para pagar salários e, friso o e, para fazer face a todos os compromissos com os credores.
Numa democracia, aqui chegados, a escolha seria clara:
entre o contrato social e o contrato financeiro não há como hesitar.
No entanto, o periclitante sistema financeiro europeu não estaria em condições de aguentar tal escolha, claro. Isto é conhecimento comum.

A intervenção externa pretende evitar que os credores internos e externos tenham quaisquer perdas até 2013.
Se Portugal tivesse tido a coragem de recusar os termos da intervenção externa, teria gerado um arranjo europeu bem melhor do que esta desgraça.

É por estas e por outras que o problema EUROPEU só começará a ser resolvido quando um país periférico ou, ainda melhor, uma ALIANÇA de países PERIFÉRICOS ameaçar usar a arma da renegociação.
Quanto mais cedo isso acontecer melhor.
Nem imaginam como isso tornaria o centro europeu consciente do seu interesse próprio esclarecido, como isso concentraria as mentes nos três problemas europeus que contam
- dívida, investimento e bancos - e em três reformas incrementais:
euro-obrigações, reforço do banco europeu de investimento e do controlo público dos bancos.

A alternativa a isto é a desconstrução europeia, graças à interacção perversa entre as fracturas económica, social e política.

(- por João Rodrigues, Ladrões Bicicletas)


De UltraLiberais dão cabo de tudo. a 20 de Maio de 2011 às 12:27
D. Merkel e os seus conselhos

A D. Merkel veio dar conselhos sobre a uniformização do número de dias de férias e horas de trabalho aos "subdesenvolvidos" do sul da Europa.

António Chora que preside à Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa deu-lhe uma excelente resposta.

António Chora diz.
"A senhora Merkel não deve conhecer bem o seu país (R.F.Alemanha).
Onde a lei estabelece 48 horas de trabalho semanais e 20 dias de férias por ano, mas onde, pela contratação colectiva e pelos acordos de empresa, ninguém trabalha mais de 35 horas por semana ou tem menos de 30 dias de férias.
Se é esta a uniformização que a senhora chanceler quer fazer, pois não nos importamos nada".

Os patrões portugueses que embandeiraram em arco com a D. Merkel será que conhecem a realidade alemã?


Etiquetas: Angela Merkel, Conselhos
# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 19 de Maio de 2011 às 20:13
o agiota é sempre o «amigo» que empresta o guito.
Porque os outros, os que se dizem amigos, e independentemente de o serem ou não, ou são «tesos» ou simplesmente não emprestam.
E como na diplomacia, tal como hoje no resto da política, e até nas relações entre pessoas, famílias e «amores», o que mais pesa nas relações, são os interesses, de que nos podemos queixar?
Temos andado a «fundar» uma nova sociedade baseada em, como se diz agora, em inverdades.
De que estávamos à espera? De caridade?
Sim que isso da solidariedade é chão que já deu uvas!
E só para o mês que vem é que poderemos voltar à pedinchice do «um tostãozinho para o sant'antónio, se faz favor»... Esse é que não tem juros, nem que ser pago. Viva as tradições!


De Renegociação/ Reestruturação da dívida.. a 19 de Maio de 2011 às 14:33
-----Exilado disse...

E que tal dizer que provavelmente o preço que nos irão cobrar por essa eventual renegociação
(daqui a uns tempos já que a destruição e o desespero ainda não estão nos niveis desejados)
será a saída "voluntária" do Euro?

----- JVC disse...
Não sei se nos estamos a entender.
RENEGOCIAÇÃO da dívida e REESTRUTURAÇÃO da dívida, para mim, são exatamente a mesma coisa.

Estou enganado? Pode é haver maior peso do CREDOR ou maior peso do DEVEDOR, mas isto não me parece alterar a identidade das expressões.

No entanto, como eu já escrevi e me parece que é o quer dizer também o seu companheiro de blogue José M. Castro Caldas, suspeito que anda muita gente a fazer JOGO de PALAVRAS.

O próprio PCP começou por escrever no programa reestruturação e ontem Jerónimo falou em renegociação.
Os outdoors do BE dizem renegociação.
É porque o termo é mais entendível ou é para sugerir um processo mais "suave" e "menos caloteiro"?

Lendo-o agora a si, e nunca suspeitando de que o João Rodrigues faz manipulação, pergunto-lhe o que quer dizer neste post, exatamente, com renegociação?

----- João Rodrigues disse...

Acho que tem razão JVC:
reestruturação e renegociação de prazos,juros e montantes são a mesma coisa.

As palavras são importantes e, na minha opinião, devemos usar aquela que transmite a ideia mais facilmente.

Reestruturação é provavelmente menos clara.
Não se trata de manipulação.
Trata-se de fazer um esforço para ser mais claro.

-----------------------
RePROFILemo-nos

A conversa sobre a reestruturação da dívida está a evoluir na União Europeia.
Agora já não é “reestruturação jamé”. É “reestruturação suave”, “reprofilamento” (reprofiling).

As inovações linguísticas na União Europeia são um sinal inequívoco de que alguém mudou de ideias.
A reestruturação vem lá, antes de 2013, com bênção institucional do Eurogrupo, por muito que custe ao BCE.

E vem lá ao mesmo tempo que nos está a ser imposto um “acordo” baseado no pressuposto de que a reestruturação "jamé".

Antes da reestruturação é preciso flagelação.
Esta parece ser a lógica de quem agora manda na UE.

Cá é parecido.
Enquanto Socrates continua no reestruturação “jamé”,
Passos Coelho já diz que primeiro temos de nos castigar um bocadinho para depois podermos mendigar uma taxa de juro menos punitiva.
E diz também que uma redução da taxa de juro não tem nada a ver com reestruturação.
Pois não, deve ser “reprofilamento”.

-por José M. Castro Caldas, 18.5.2011, http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/
------------------------------------------------
Millenium Falcon disse...

não é flagelação

é mais tentar resgatar o máximo antes da queda final

seja suave seja quebra-ossos

----------
Exilado disse...

Todo este processo de empréstimos e “resgates” tem o leve odor de uma arrogância cultural da Europa Central face a povos que sempre viram como inferiores.

Por cá as elites assumiram o preconceito dos seus colegas de fora e também consideram quem governam (politicamente, economicamente, culturalmente…) como uma populaça mais torpe que o resto da Europa.

E como falamos de animais de carga para quê poupar o chicote?


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