Renegociar já.

A palavra proibida desta campanha: renegociação.

por Daniel Oliveira

      A palavra que sempre aparece associada à dívida irlandesa, grega e portuguesa em todos os textos que por esse Mundo se vão escrevendo tornou-se numa palavra proibida no debate político português: renegociação. As contas são simples e não deixam enganar: é virtualmente impossível pagarmos a dívida acumulada e a que, para pagar a que já temos (e recapitalizarmos os bancos), acabámos de contrair. Mesmo cumprindo todo o programa da troika tal não acontecerá. Os nosso credores sabem disso e preparam-se para a renegociação que virá. Apenas querem ganhar tempo. A verdade é esta: daqui a uns anos ou estaremos a pedir mais dinheiro emprestado para pagar os juros - olhem para a Grécia -, ou estaremos a não pagar ou estaremos a renegociar.

      Mas, em Portugal, quem ouse falar do assunto é chamado de radical, irrealista, caloteiro e irresponsável. E, no entanto, são os que se recusam a debater o inevitável que merecem cada um destes adjetivos.

      Radicais, porque acreditam que é da destruição da nossa economia e daquilo a que chamam de "regime" que nascerá a solução para os nossos problemas. Os ultras do liberalismo económico repetem o discurso que antes era mais comum na extrema-esquerda: sobre as ruínas da sociedade antiga nascerá o homem novo e deste tempo nada sobrará a não ser uma memória distante de um "Estado gastador" e dos privilégios dos "direitos adquiridos".

      Irrealistas, porque qualquer economista ou político sério sabe que nem em circunstâncias diferentes, com melhor situação económica, se conseguiria pagar esta dívida, com estes juros e estes prazos. Quanto mais num momento de crise internacional, quando os estímulos públicos ao crescimento nos estão vedados, se advinha uma recessão e se sabe que as receitas fiscais cairão e as despesas sociais, mesmo com todos os cortes, aumentarão. Olhe-se para os números da Grécia, um ano depois da "ajuda" externa, e aprenda-se alguma coisa.

     Caloteiros, porque esses é que pedem emprestado em condições que sabem que nunca poderão cumprir. Na realidade, tal como na economia doméstica ou nas empresas, só quer renegociar a dívida quem a tenciona pagar. Os caloteiros, esses, enganam os credores e enganam-se a si próprios, adiando a confissão das suas dificuldades até ao momento em que o inevitável se impõe.

      Irresponsáveis, porque tencionam empurrar o problema com a barriga. Alimentam uma bola de neve: pedir emprestado para pagar o que se pediu emprestado para pagar o que se pediu emprestado para pagar o que se pediu emprestado. Não percebendo que a única forma de quebrar este ciclo vicioso é garantir crescimento económico. Podem cortar toda a despesa do Estado, que os juros da dívida continuarão a aumentar se não combatermos o nosso verdadeiro problema estrutural: a divida externa, sobretudo privada. E que só há uma forma de a reduzir: crescer e poupar. Não há crescimento com políticas públicas recessivas. Não há poupança com uma austeridade cega e desvairada.

      Não estaremos pior daqui a uns anos porque era inevitável. Estaremos pior porque aceitámos a cartilha ideológica da moda no lugar do debate sério sobre a nossa economia. E esse debate sério inclui a proposta proibida: renegociação da dívida. Quanto mais tarde menos útil ela será. E quando os credores a quiserem fazer já de pouco nos servirá. A nossa economia será uma ruína. Diz-se: renegociar dará mau nome ao País. Imaginem o nome com que ficaremos quando não conseguirmos pagar de todo.



Publicado por Xa2 às 08:07 de 24.05.11 | link do post | comentar |

19 comentários:
De Lady kimberly a 14 de Janeiro de 2016 às 16:32
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De Taça para Socrates travada a soco e a po a 24 de Maio de 2011 às 16:41
http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2011/05/24/20110524_psmangualde.mpg





De Tiago Mesquita a 24 de Maio de 2011 às 16:24
Chamam-lhe "a máquina do partido socialista", e dizem que "está na estrada". Eu chamo-lhe a pouca vergonha estendida à campanha eleitoral, e digo que o Partido Socialista não anda na estrada, anda sim pelas ruas da amargura.
Realmente só pessoas que não entendam patavina de português, que não sejam cidadãos portugueses e por isso não possamm votar neste país mas que precisam, infelizmente e por necessidade, de algo em troca (um lanche, uma peça de fruta, um sumo, a naturalização? etc.) para andarem atrelados à campanha mais ignóbil que tenho visto. E ter de aturar as baboseiras do Sr. Engenheiro, comício após comício, com o sol quente a torrar-lhes o turbante, só mesmo para quem não está a entender nada do que se está a passar.
Com a habitual e triunfal música de fundo a fazer lembrar as grandes produções de Hollywood que tentam, filme após filme e a custo, minimizar os grandes desastres históricos do povo americano, aparece José por entre o nevoeiro qual Dom Sebastião da Arrentela para acenar ao povo. Ao povo indiano, angolano, guineense, cabo-verdiano, moçambicano, paquistanês e a uma senhora portuguesa que estava no 3º andar de um prédio a estender os cueiros, ali mesmo junto à praça do Giraldo.
Segundo consta foram 5 as camionetas usadas para transportar estes "socialistas" dos 7 costados de Lisboa até Évora. No dia do debate com Pedro Passos Coelho já tinham sido avistados à porta da estação televisiva de bandeirinha em punho. Desde que este escândalo se descobriu nunca mais ninguém ouviu falar neles, provavelmente voltaram às lojas do Martim Moniz ou à porta das diversas embaixadas onde foram "pescados" (ninguém investiga isto?), à espera que passe o autocarro socialista das eleições autárquicas. Já nada é espontâneo, nada é real, perderam a vergonha definitivamente. É o asco político. Um verdadeiro nojo.



De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 24 de Maio de 2011 às 16:59
É o marketing, é o marketing...
É disto que o povo gosta...
Folclore...
Demagogia...
Falta de vergonha na cara...
O povo identifica-se com o PM...
É o Zé, pá!
A «xico espertice« no poder... o porreiro, pá!
É como se fossemos «nós» que lá estiessemos...
E alguém põe cobro a este pagode?
Não, que estamos em «democracia»...
E o dinheiro abunda...
Vem aí mais uma tranche da UE...
Vai ser à fartazana, pá!


De Usura, Realismo e Redução da Dívida. a 24 de Maio de 2011 às 14:34
Realismo

Paul Krugman lembra que o mito anti-keynesiano da “consolidação orçamental expansionista”, ou seja, da crença que a austeridade pode favorecer o crescimento, foi sobretudo alimentado pelo BCE, por Jean-Claude Trichet, um dos mais proeminentes adeptos de uma “AUSTERIDADE SELVAGEM” que é, na realidade, a principal causa do desemprego.

Aqui chegados, Krugman só pode continuar a ser realista. À atenção de Sócrates, Passos, Portas e de todos os outros DEMAGOGOS da TROIKA interna:

“Assim, para ser realista, a Europa tem de preparar-se para alguma forma de redução da dívida, combinando a ajuda proveniente das economias mais fortes e a reestruturação das dívidas imposta aos credores privados, que terão de aceitar menos do que o pagamento total.
O realismo, no entanto, parece não abundar”.

É claro que estes empréstimos usurários, exaurindo as economias periféricas, não são a ajuda de que fala Krugman.
- por João Rodrigues, Ladrões


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 24 de Maio de 2011 às 11:07
Prémio Nobel da Economia (2008) Paul Krugman já por diversas vezes se referiu à crise da Grécia, Irlanda e de Portugal.
E já afirmou que estes países nunca irão pagar a dívida pelo simples facto de não lhes ser possível criar a riqueza necessária para o fazerem...
Ora se não é «matematicamente» possível pagar porque será que os políticos insistem?
Será que o «negócio» não é o pagamento da dívida, mas sim dos juros que se vão liquidando mensal, trimestral e anualmente pagando, sem que a dívida seja diminuída?
Ora pensem lá bem e pelas vossas cabecinhas e se possível esqueçam nem que seja por breves momentos a vossa partidarite... Se não é possível pagar e se os dirigentes políticos nacionais e europeus não são «burros» porque insistem? E a resposta é...? Isso mesmo, vêm como quando querem chegam lá!

E já agora este mesmo economista também já referiu que nenhum destes países deveria ter aderido ao «euro»... E lembram-se que até aí não fomos tido nem achados? Houve referendo? Mais uma decisão meramente política em que quem nos dirigia considerou que pelo simples facto de terem sido eleitos e representarem 12 a 15% dos portugueses, podiam decidir e hipotecar o futuro dos 100%, de todos nós.
E porque terá sido que assim decidiram na altura? Façam o mesmo exercício anterior de tentarem pensar pelas vossas


De Cidadania activa e Manif permanente. a 24 de Maio de 2011 às 13:56
Protesto na Grécia
Cidadãos querem o povo a ditar "as regras do jogo"
por LusaHoje

Representantes de um movimento cívico grego concentram-se à porta do Parlamento, em Atenas, para exigir que seja o povo a ditar "as regras do jogo", quando o governo tenta um consenso político para aprovar medidas de austeridade suplementares.

"Estamos aqui para protestar contra o acordo feito entre o Governo os representantes europeus", disse à agência Lusa Jordan Genitsaris, um jovem grego de 32 anos, que faz parte do movimento '300 Gregos', que está desde sábado à porta do Parlamento, em Atenas.

"Queremos que o primeiro-ministro saia e que nos deixe fazer as regras do jogo", acrescentou Jordan Genitsaris, referindo que estas regras consistiriam em deixar os gregos governarem o país, com o afastamento dos políticos.

O movimento '300 Gregos' reivindica a saída dos 300 deputados que estão no Parlamento grego e foi criado por cidadãos que se sentiram afectados pela crise que a Grécia atravessa.

Com Jordan Genitsaris estão outros três jovens gregos, sentados em cadeiras de praia em frente ao Parlamento, que dizem que a ideia é manter o protesto, que decorre de forma pacífica.

"A ideia é continuar aqui", afirmou Jordan Genitsaris.

O jovem disse que o reduzido número de manifestantes que esta manhã está junto ao Parlamento grego se deve ao facto de ser horário de trabalho, acrescentando que ao final do dia "podem ser 100 pessoas ou mais".

Na Grécia, existem vários movimentos cívicos que contestam as medidas de austeridade aplicadas pelo governo.

Outro dos exemplos é um movimento que apela ao boicote ao pagamento das portagens nas autoestradas.

Os protestos começaram no início do ano para contestar o aumento do preço das portagens.

"Chegamos a ter de pagar portagens em estradas que ainda não estão concluídas", disse Jordan Genitsaris.

O governo grego tenta alcançar um consenso político para a aprovação de medidas de austeridade suplementares, no valor de seis mil milhões de euros.

O governo de Atenas recebeu até ao momento 53 mil milhões de euros do total da ajuda externa acordada com os parceiros europeus e Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 110 mil milhões de euros.

Hoje, o ministro das Finanças grego, Yorgos Papaconstantínu, reafirmou que o país declarará a bancarrota se não receber uma quinta tranche de ajuda externa no valor de 12 mil milhões de euros até 26 de Junho.

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Na Islândia, os cidadãos derrubaram o governo, fizeram eleições e um 'partido/união de cidadãos' formado em poucas semanas, ganhou as eleições, fez novo governo e nova constituição, e prenderam responsáveis políticos e financeiros, ...

em várias cidades de Espanha, Portugal e outros países ... mantém-se e cresce o Movimento «Democracia Real Já»,
em consonância com os movimentos «ATTAC», «M12M»/geração à Rasca, «FERVE-recibos verdes», desempregados indignados , ...


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 24 de Maio de 2011 às 14:27
Pelos visto os dirigentes da UE e dos países que a ela pertencem não diferem assim tanto dos kadafis do Norte de África no que diz respeito a ouvir o povo e a atender os sinais de pedido de mudança das políticas praticadas, isto com as devidas distancias...
Na prática são tão autistas como os outros. Podem ter sido eleitos «democraticamente» e até usar fato e gravata (azul), mas depois de eleitos só lhes interessa os jogos do poder pessoal, particular e de interesses económicos, que para ser simpático, diria interesses económicos muito duvidosos.


De Quanto? Quem? Como? ... porquê? !! a 24 de Maio de 2011 às 14:50
É só Demagogia e Marketing.
O centrão de interesses só fala de tricas e banalidades, mas nada diz sobre questões importantes, ... que depois decide pela calada, em conluio com os grandes privilegiados deste país (os representados por aqueles 20 excelsos administradores que recebem/gerem 1000 empresas)
... é só pão e circo, mesmo em tempo de campanha eleitoral e momento crítico para se ESCLARECER (...) e fazerem opções...

Quando, quanto, quem, como ... ?? vamos pagar os empréstimos (dívidas e juros, sempre a crescer), ... com que impostos e taxas, em que montante ou % ??
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Pedido de explicações ao PS, PSD e CDS
Louçã exige saber se impostos vão aumentar
por Eva CabralHoje


Francisco Louçã exige que PS, PSD e CDS expliquem "se tencionam efectivamente aumentar os impostos já em Julho".

Comentando declarações de Teixeira dos Santos de que os impostos vão ter de subir para se compensar a descida da TSU negociada com a 'troika' europeia já em Julho, o líder do BE diz "ser esta a hora da clarificação para esses partidos, pois nos seus programas eleitorais não falam de subir impostos". Nesta altura ninguém pode ficar "com nada na manga" reforça o candidato.

O dia de campanha começou com o líder do BE a visitar a Artesanal Pesca uma organização de produtores de pesca a operar no porto de Sesimbra e que reúne boa parte da frota que captura de peixe-espada negro. Francisco Louçã saudou o modelo lembrando que o país importa anualmente 4000 milhões de produtos alimentares e que destes 25 % são de pesca.

"Produzir e utilizar os nossos recursos próprios são menos importações o que é fundamental para quem está com uma dívida enorme como Portugal", disse o líder do BE


De Izanagi a 24 de Maio de 2011 às 16:33
E será que estão errados? Duvido. O povo, com a sua sabedoria ( não se diz que o povo é sábio?) continua a votar neles. Então é porque eles agem correctamente.
Esta mania de se estar sempre contra o povo, não é nada democrática.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 25 de Maio de 2011 às 10:25
O povo.
O que é isso do «povo»?
O povo é um conceito geral (conjunto de cidadãos que constituem uma comunidade, região, um país...)
Mas quando se diz ser a «voz do povo» não é mais que a opinião de quem a profere e quanto muito, será acompanhada, por mais umas quantas que momentaneamente se identificam com ela. Não existe a «voz do povo» porque povo é uma totalidade, nunca parte dela, porque muito grande percentagem que seja.
Portanto à que ter muito cuidado quando alguém diz ser a voz de todos nós. Habitualmente dá mau resultado.
A «voz do povo» é uma utopia.
Quem diz ser a «voz do povo» leva, na maioria das vezes, o povo à desgraça.
Não é por se dizer que o céu é azul, que este o seja, mesmo quando levantamos a cabeça e este nos pareça azul…


De Urgente resposta global da UE a 24 de Maio de 2011 às 10:37
CRISE
FMI: Resposta mais forte por parte da Europa é urgente
Margarida V.Lopes, Econ. 20/05/11

.O chefe da missão do FMI para a Irlanda disse hoje que a Europa precisa de um pacote de medidas mais abrangente para resolver a crise.

Ajai Chopra alertou, esta sexta-feira, para o facto de a Europa precisar de um pacote de medidas mais abrangentes que seja capaz de dar resposta à crise de forma eficaz.

Para aquele responsável do FMI, "um elemento-chave para uma solução mais europeia mais abrangente é ter uma estrutura de gestão de crise mais ampla que a actual". Na mesma ocasião, Chopra sublinhou ainda a necessidade de se fazer um 'upgrade' ao Fundo de Estabilização Europeu.

O chefe da missão do FMI para a Irlanda referiu ainda que "a magnitue e os termos dos financiamentos [feitos pelo fundo europeu] têm que ser de tal forma que convençam os credores particulares de que os encargos com a dívida vão ser sustentáveis mesmo em cenários adversos e que uma reestruturação da dívida é um cenário inexistente".

Chopra defendeu ainda rigorosos testes de stress à banca europeia, e "devem ser acompanhados, quando apropriado, por uma recapitalização, e em alguns casos, os bancos podem mesmo precisar de ser reestruturados ou então encerrados", concluiu.


De 'Mercados' e Comissão UE: MATAM UE. a 24 de Maio de 2011 às 10:54

Grécia "fecha a loja" se não receber ajuda em Junho
Económico com Lusa 24/05/11 08:43

Grécia está à beira da BANCARROTA.

( Irlanda e Portugal ... é já a seguir... e agora tb Itália Espanha e Bélgica estão a ser ''atacadas'' pelos ''mercados'', com os 'cães de fila' das 'agências de rating' a baixar-lhes a cotação e a fazer subir os juros agiotas das suas dívidas.
E o que faz a UE ? Os Comissários e Cons.Ministros ? estão todos ao serviço da alta finança/''mercados'' e nada fazem para travar o descalabro...
Até já D.Barroso quer 'fugir'/pré-candidata-se para o FMI ... )


.O ministro das Finanças grego ( Papaconstantinuo ) reafirmou hoje que o país declarará a bancarrota se não receber 12 mil milhões de euros até 26 de Junho.

"A verdade é muito difícil e se não recebermos o dinheiro até 26 de Junho, seremos obrigados a fechar a loja e a declarar a impossibilidade de pagar as nossas obrigações", disse George Papaconstantínu numa entrevista exclusiva ao canal privado Skai, de Atenas, citada pela agência espanhola EFE.

Na segunda-feira, o Governo grego decidiu aplicar de forma urgente novos cortes salariais na função pública e nas pensões, aumentar os impostos e privatizar portos e empresas estatais, medidas que visam responder às condições para continuar a receber o empréstimo trianual concedido em Maio de 2010, pela Zona Euro e o FMI, num
valor total de 120 mil milhões de euros.

No domingo, o primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, já tinha advertido que a Grécia entrará em colapso se não receber a nova tranche da ajuda externa em Junho.

Papandreou vai reunir-se hoje com a oposição para tentar chegar a um acordo que permita aprovar as novas medidas de austeridade, no valor de seis mil milhões de euros, mas a tarefa poderá ser difícil, tendo em conta as divergências com o partido Nova Democracia, segundo o embaixador de Portugal em Atenas.

"Vai ser bastante difícil [chegar a um acordo]. Tem havido divergências muito profundas entre o Governo socialista e a Nova Democracia, o principal partido da oposição na Grécia", afirmou aos jornalistas, em Atenas, Alfredo Duarte Costa.


De Dona Branca global BURLA agiota a 24 de Maio de 2011 às 14:11
A Dona Branca global


Olhando para a Grécia há quem aponte o FMI como o causador da desgraça.

Não me parece que esta seja a realidade até porque o Fundo Monetário Internacional consegue ser mais generoso do que os outros parceiros europeus que, por concederem a parte maior dos apoios que se destinam a proteger os membros da União (e do Euro), deveriam ser menos usurários.

A questão reside no facto de não abrandar a pressão dos "MERCADOS" sobre os países que lhes estão na mira com a intenção de que esses estados consigam dinheiro (como fizeram e continuam a fazer em Portugal), para poderem continuar a comprar outro dinheiro nesses "MERCADOS" ao preço que eles próprios estabelecem.

Jorge Sampaio falou um pouco de tudo isto numa entrevista que deu na semana passada na SICn. Dizia Sampaio que lhe parece um erro entrar num banco para pedir um empréstimo e começar por insultar a instituição a que se está a recorrer. Acrescentava ainda que o erro seria maior se, na altura do pagamento, se voltasse ao banco e, para início de conversa, se desse um par de chapadas na entidade com quem se queria renegociar a dívida.

O que Sampaio NÂO DISSE foi que o banco se financiou à CUSTA de cada um dos seus clientes (pedido externo a pagar pelos contribuintes cuja parte reverteu directamente para si acrescida de outra parte que serve como garantia) e que depois, empresta esse financiamento ao cliente, que já o está a pagar, cobrando por ele mais um tanto.

Quem comprou o dinheiro vai ter de pagar duas vezes, como se por duas vezes já não bastasse ter de nascer.

São estes, os tais "MERCADOS". Emprestam dinheiro com juros para que se lhes compre dinheiro com juros mais elevados. Um carrossel de finança que enriquece uns e torna os outros miseráveis e que só parará quando os ESPECULADORES forem OBRIGADOS a PARAR.

LNT, [0.184/2011] Barbearia sr.Luis


De Ajuda ?! ou Usura+ desajuda da UE. a 24 de Maio de 2011 às 10:02
Não há nenhuma ajuda
(- por João Rodrigues, http://arrastão.org ,20.5.2011)

Por mais argumentos que se apresentem - das taxas de juro abusivas às privatizações ruinosas, passando pela "contracção sem precedentes do rendimento disponível real das famílias e de novos aumentos da taxa de desemprego",
segundo o tenebroso Banco de Portugal, sempre em apoio de todas as regressões, de todas as incompetências -,
a expressão “ajuda externa” sobrevive no debate público devido à seguinte ideia:
em Maio não haveria dinheiro para "pagar salários". Isto não é bem assim.
Em Maio, tudo o resto constante, e nem tudo tinha de estar constante porque havia algumas propostas para gerar liquidez, poderia não haver dinheiro para pagar salários e, friso o e, para fazer face a todos os compromissos com os credores.
Numa democracia, aqui chegados, a escolha seria clara:
entre o contrato social e o contrato financeiro não há como hesitar.
No entanto, o periclitante sistema financeiro europeu não estaria em condições de aguentar tal escolha, claro.
Isto é conhecimento comum.

A intervenção externa pretende evitar que os credores internos e externos tenham quaisquer perdas até 2013.
Se Portugal tivesse tido a coragem de recusar os termos da intervenção externa, teria gerado um arranjo europeu bem melhor do que esta desgraça.

É por estas e por outras que o problema europeu só começará a ser resolvido quando um país periférico ou, ainda melhor, uma aliança de países periféricos ameaçar usar a arma da renegociação.
Quanto mais cedo isso acontecer melhor.

Nem imaginam como isso tornaria o centro europeu consciente do seu interesse próprio esclarecido, como isso concentraria as mentes nos três problemas europeus que contam
- dívida, investimento e bancos - e em três reformas incrementais:
euro-obrigações, reforço do banco europeu de investimento e do controlo público dos bancos.

A alternativa a isto é a desconstrução europeia, graças à interacção perversa entre as fracturas económica, social e política.


De . Poker strip Agiota e Viciado. a 24 de Maio de 2011 às 10:09
As regras do jogo

Na discussão pública sobre a questão da dívida soberana, os cenários de reestruturação ou de não pagamento parcial são em regra rotulados, negativamente, como soluções «fora-da-lei». Isto é, como opções ilegítimas e imorais de que qualquer governo deverá abdicar, caso queira conservar, pelo menos, uma espécie de «dignidade» ou de «honra» institucional.

Valerá contudo a pena lembrar que as taxas de juro pornográficas a que têm estado sujeitas as dívidas soberanas dos países periféricos têm justamente, como fundamento, o risco de incumprimento. Ou seja, reestruturar ou saldar apenas parcialmente uma dívida faz necessariamente parte das regras do jogo, a partir do momento em que se aceita que um país fique obrigado a pagar um montante adicional, decorrente da «estimativa de risco» que os mercados entendem (sem demonstrada objectividade, aliás) apurar.

É por isso inaceitável o manto hipócrita de imoralidade e ilegalidade que se estende sobre os cenários de reestruturação e de não pagamento da dívida, sobretudo quando é com total naturalidade e legitimidade que se estabelece o pagamento de um montante acrescido apreciável (que se soma ao «valor legítimo» dos juros), nas situações em que os Estados saldam atempadamente as suas dívidas. Aliás, ao demonstrarem, desse modo, como eram infundadas as estimativas de incumprimento, os Estados deveriam inclusivamente poder mover acções indemnizatórias contra os credores, por manifesta falta de «verificação» do risco que levou à fixação de taxas exorbitantes.
(- por Nuno Serra )


De 1º a periferia fraca, depois o coraçãoUE a 24 de Maio de 2011 às 10:24
Para lá do moralismo económico europeu

A crise grega não pode ser circunscrita.
Esta é a beleza e o horror da moeda única:
sem mecanismos de absorção de choques, como a dívida comum, as tragédias dos fracos transformam-se nas calamidades dos poderosos.

Yannis Varoufakis (-via João Rodrigues, Ladrões, 23.5.2011)

Ring-fenced Greece: The evolution of a false promise first to an incredible threat and, then, to a dangerous delusion.

It all started with a false promise:
The Greek ‘bailout’ (i.e. a combination of a gargantuan, expensive loan and severe austerity) would contain the Greek debt mountain and would, in association with the establishment of the EFSF a few days later, ring-fence Greece thus preventing the crisis from spreading to Ireland and the Iberian peninsula.
... -------------
---DK
Greece is being used as a money funnel for the banking system.
It is politically expedient to blame Greece instead of “recapitalizing” German, French, etc. banks.
What makes you think that, when push comes to shove, Greece will not be allowed to default and that these banks will not be bailed out directly?
This is a less costly option for German and Dutch taxpayers.

---- Stephan
It’s depressing. 90% of your northern economist “colleagues” are either completely clueless or evil anti-people mainstream economics robots.
Which isn’t exactly a new insight but makes things now worse because they have such a big megaphone with the media.

Due to the crisis these people are suddenly all over the place with their crazy ideas.
Once they were confined to an ivory tower brain-washing some innocent students.
Now they are brain-washing whole nations.

And don’t get me started about the politicians and the Eurozone crisis.
These are negotiations between political cowards (traitors?) representing the debtor nations and political lackeys of the EU zombie banks pretending to represent the creditor nations.

---- Y-patia
This is exactly what they are doing as youn say:
Redesigning the entire European system.
Only in a way which does it by – allow me the pun – “default” with Greece being the scaring hare in front…

i.e. through the threat of leaving us to our fate for the rest to see and transfer wealth to the North more voluntarily than in the absence of the Greek drama looming.
First they take Athens then they take Madrid…


De Corrigir o Desvario Europeu e ... a 24 de Maio de 2011 às 12:45
O desvario europeu
por MÁRIO SOARES, DN, 24.5.2011

1. A União Europeia vai mal, sem rumo nem valores. Tenho insistido, nestes modestos artigos, que a União Europeia não vai poder aguentar, por muito mais tempo, a política neoliberal que tem prosseguido, em especial desde que a crise nos afecta. Porquê? Porque, ao contrário da América do Norte, tem persistido em não ver a realidade e em não querer mudar de paradigma ou seja: o modelo económico de desenvolvimento.

Os mercados especulativos continuam a dominar a política dos Estados membros da União, por enquanto apenas os considerados os mais fracos, e a sobrepor-se a todos os outros valores: às conquistas sociais, às políticas de bem-estar, ao pleno emprego - ideal (esquecido) dos anos cinquenta - aos próprios valores éticos...

Perante a crise que se vai estendendo a toda a União, o que conta, para os líderes europeus, é manter os equilíbrios financeiros: combater os deficits e o endividamento externo. Esquecendo o desenvolvimento económico, os perigos da recessão, o desemprego alarmante e as desigualdades sociais.

A Grécia foi a primeira vítima, com culpas de gestão pública evidentes. Mas as instituições europeias não compreenderam que o que estava em causa era a estabilidade do euro, que interessava acima de tudo defender. A reacção foi tardia, em grande parte por culpa da Alemanha e insuficiente relativamente às necessidades. A União Europeia, até hoje, nunca foi capaz de definir - e muito menos de executar - uma política concertada com todos os Estados membros contra a crise global, de defesa do euro e, por outro lado, esqueceu-se do valor essencial da solidariedade, a que todos os Estados membros estão - ou deviam estar - obrigados.

Estas faltas são muito graves e vão custar muito caro ao crédito internacional da União Europeia - ao seu prestígio -, criando precedentes internos, talvez fatais, para os mecanismos de funcionamento futuro da União.

Portugal, um ano depois da Grécia, em circunstâncias diferentes, é certo, sofreu ataques semelhantes dos mercados especulativos e das empresas de rating. A União Europeia tornou-se, entretanto, um pouco mais flexível, graças sobretudo à influência do Fundo Monetário Internacional. Mas as receitas economicistas não mudaram e os compromissos aceites, pelo lado português, vão ser extremamente difíceis de aplicar.

A União Europeia e, mais uma vez, a Alemanha não ficaram bem no retrato. Entretanto, outra responsabilidade gravíssima: pôr fim, ao que parece, de forma unilateral, ao Tratado de Schengen, em virtude dos milhares de imigrantes que, fugidos da Líbia e de outros países islâmicos, atravessaram, em velhos barcos, o Mediterrâneo, com risco de vida, e pediram asilo a Itália, que, por sua vez, reclamou a solidariedade da França, que lhe foi negada. Eis o egoísmo nacionalista em todo o seu esplendor! Ou seja: Itália e França deram uma machadada fortíssima nos ideais generosos com que se constituiu a União Europeia.

Não admira, assim, dados os exemplos citados, que comece a alastrar um espírito de mal-estar e mesmo de indignação, contra os líderes comunitários, pelas populações europeias. Por toda a parte, temos assistido a manifestações cívicas, felizmente pacíficas, em muitos dos Estados europeus, como a França, a Itália, o Reino Unido, a própria Alemanha e agora, até ao domingo passado, em Madrid e em muitas das grandes cidades de Espanha. Indignam-se contra as dificuldades da vida, o desemprego dos jovens, que avulta, nos países europeus, e reclamam contra a corrupção, exigindo outra política, mais liberdade e ética nos comportamentos.

Os Partidos estão em baixa, independentemente de se dizerem de Direita ou de Esquerda. Exigem deles um regresso aos grandes ideais: mais civismo e menos partidocracia e aparathecik. Querem sobretudo soluções para que a União reganhe o seu prestígio no mundo e possa voltar a ser um referência moral, política e social, num planeta cada vez mais inseguro e imprevisível.

Por essas razões - e ainda, outras -, num momento difícil de crise, os portugueses devem perceber que, em grande parte, as nossas dificuldades dependem da evolução da União Europeia, que nos condiciona.



De P'ra MUDAR U.E.: Crise tb pra França, It a 24 de Maio de 2011 às 13:35
O desvario europeu
por MÁRIO SOARES
...
Portugal, a Grécia e a Irlanda - embora, tenham, entre si, diferenças consideráveis - deviam conversar e definir uma estratégia comum relativamente à União. Somos velhos Estados, com histórias que, de diferentes ângulos, marcaram a Europa, o que nos dá o direito a sermos ouvidos e respeitados.

Ora os mercados especulativos não vão desistir de ganhar dinheiro.
Outros Estados vão ser igualmente atacados. A Bélgica, a Espanha, a Itália, talvez mesmo a França,
poderão ser as próximas vítimas, o que obrigaria a União a mudar de política, quer os seus líderes queiram quer não.

E é então que se abrirá, para nós - e para as restantes vítimas - uma janela de novas oportunidades, que teremos de estar preparados para aproveitar,
E a União Europeia a pôr fim ao ciclo de decadência e a ganhar um novo dinamismo e prestígio na cena internacional.
-----------------------

Mas 1º os CIDADÃOS têm de se manifestar expressivamente e pressionar os seus representantes políticos para estes levarem à UE (Comissão, Parlamento, Cons.Ministros Finanças, ...) uma clara e dura Mensagem, « é imperioso :

- REGULAR os MERCADOS (e sua AGIOTAgem),

- acabar com as OFFSHORES,

- criar uma Agência Europeia de ''rating'' e levar a tribunal (por manipulação, fraude, corrupção, ...) as outras,

- Criar um ORÇAMENTO EUROPEU comum e IMPOSTOS comuns, e títulos de tesouro comum,

- controlar/restringir as IMPORTAÇÔES de países que praticam ''DUMPING'' económico, social e ambiental

- Controlar o BCE e FEEF , pondo-os ao serviço do Desenvolvimento dos países/regiões europeias, do crescimento económico e do pleno emprego;

- Criar um verdadeiro exército Europeu (reduzindo os 'nacionais'), e política externa comum.

i.e. criar um verdadeiro espaço de União, Solidariedade e Desenvolvimento, tipo con-FEDERAÇÂO .»


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