De Ajuda ?! ou Usura+ desajuda da UE. a 24 de Maio de 2011 às 10:02
Não há nenhuma ajuda
(- por João Rodrigues, http://arrastão.org ,20.5.2011)

Por mais argumentos que se apresentem - das taxas de juro abusivas às privatizações ruinosas, passando pela "contracção sem precedentes do rendimento disponível real das famílias e de novos aumentos da taxa de desemprego",
segundo o tenebroso Banco de Portugal, sempre em apoio de todas as regressões, de todas as incompetências -,
a expressão “ajuda externa” sobrevive no debate público devido à seguinte ideia:
em Maio não haveria dinheiro para "pagar salários". Isto não é bem assim.
Em Maio, tudo o resto constante, e nem tudo tinha de estar constante porque havia algumas propostas para gerar liquidez, poderia não haver dinheiro para pagar salários e, friso o e, para fazer face a todos os compromissos com os credores.
Numa democracia, aqui chegados, a escolha seria clara:
entre o contrato social e o contrato financeiro não há como hesitar.
No entanto, o periclitante sistema financeiro europeu não estaria em condições de aguentar tal escolha, claro.
Isto é conhecimento comum.

A intervenção externa pretende evitar que os credores internos e externos tenham quaisquer perdas até 2013.
Se Portugal tivesse tido a coragem de recusar os termos da intervenção externa, teria gerado um arranjo europeu bem melhor do que esta desgraça.

É por estas e por outras que o problema europeu só começará a ser resolvido quando um país periférico ou, ainda melhor, uma aliança de países periféricos ameaçar usar a arma da renegociação.
Quanto mais cedo isso acontecer melhor.

Nem imaginam como isso tornaria o centro europeu consciente do seu interesse próprio esclarecido, como isso concentraria as mentes nos três problemas europeus que contam
- dívida, investimento e bancos - e em três reformas incrementais:
euro-obrigações, reforço do banco europeu de investimento e do controlo público dos bancos.

A alternativa a isto é a desconstrução europeia, graças à interacção perversa entre as fracturas económica, social e política.


De . Poker strip Agiota e Viciado. a 24 de Maio de 2011 às 10:09
As regras do jogo

Na discussão pública sobre a questão da dívida soberana, os cenários de reestruturação ou de não pagamento parcial são em regra rotulados, negativamente, como soluções «fora-da-lei». Isto é, como opções ilegítimas e imorais de que qualquer governo deverá abdicar, caso queira conservar, pelo menos, uma espécie de «dignidade» ou de «honra» institucional.

Valerá contudo a pena lembrar que as taxas de juro pornográficas a que têm estado sujeitas as dívidas soberanas dos países periféricos têm justamente, como fundamento, o risco de incumprimento. Ou seja, reestruturar ou saldar apenas parcialmente uma dívida faz necessariamente parte das regras do jogo, a partir do momento em que se aceita que um país fique obrigado a pagar um montante adicional, decorrente da «estimativa de risco» que os mercados entendem (sem demonstrada objectividade, aliás) apurar.

É por isso inaceitável o manto hipócrita de imoralidade e ilegalidade que se estende sobre os cenários de reestruturação e de não pagamento da dívida, sobretudo quando é com total naturalidade e legitimidade que se estabelece o pagamento de um montante acrescido apreciável (que se soma ao «valor legítimo» dos juros), nas situações em que os Estados saldam atempadamente as suas dívidas. Aliás, ao demonstrarem, desse modo, como eram infundadas as estimativas de incumprimento, os Estados deveriam inclusivamente poder mover acções indemnizatórias contra os credores, por manifesta falta de «verificação» do risco que levou à fixação de taxas exorbitantes.
(- por Nuno Serra )


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