Parceiros da finança

Um mundo perfeito

   Há uma aflição. Um país em dificuldades. As causas podem ser diversas. Dívida grande aos bancos ou fundos na maior parte estrangeiros. Não lhe emprestam dinheiro, na emergência ou só a juros que o arruínam. Chama-se o FMI para "ajudar".
   Que faz o FMI? Promete emprestar muito dinheiro, tanto quanto o que aquele país em aflição necessita para pagar aos credores que o apertam: bancos ou fundos, em geral estrangeiros, que lhe emprestaram o dinheiro e cujos interesses o FMI vem acautelar.
   Mas, mas com condições. Que aliás não podem deixar de ser draconianas e exigem muita "coragem". Coragem? Sim coragem porque é preciso obrigar a pagar a factura,   não a quem teve, eventualmente, responsabilidades na aflição, não aos banqueiros nem às grandes empresas accionistas dos bancos, em resumo, não aos muito ricos, parceiros, afinal, do mundo da finança, parceiros do FMI, mas  aos trabalhadores e às classes médias. O que desagradavelmente os leva à ruína, à miséria ou apenas a um sério abaixamento da sua qualidade de vida. E para isso é preciso "coragem".
    E quem tem essa coragem? Os que chamam o FMI. Os que obrigam os governantes, que são quem governa, a chamar o FMI ou o BCE ou a troica, que é a mesma coisa, e que obviamente são poupados aos sacrifícios que "corajosamente" mesmo que com alguma (mesmo que pouca) relutância, têm de impor à generalidade da população".
E resulta?     Claro que resulta.
    Os credores são pagos e os banqueiros internos e os cidadãos muito ricos, seus accionistas ou accionistas das grandes empresas ficam, invariavelmente, tão ou mais ricos.
    E os trabalhadores e as classes médias ?  Digamos o poviléu em geral ?  Bem alguém tem de pagar a fatura. Claro que é muito desagradável o sacrifício, por isso é preciso "coragem", medidas "corajosas" mas que outro remédio?    Nós ! ?


Publicado por Xa2 às 08:17 de 26.05.11 | link do post | comentar |

10 comentários:
De alvaro a 27 de Maio de 2011 às 18:53

Será que é preciso ser Engº para saber fazer contas?

Será que quem pôs o País sem dinheiro e com dívidas não se enganou nas contas?

Para onde foi o dinheiro? Que contas é que fez?

Pagou-se o preço justo pelos gastos?

Os gastos eram indispensáveis? inadiáveis? rentáveis?

Pode-se gastar o dinheiro dos outros?

Pode-se gastar contra o interesse do País a favor dos que se governam à custa do País? Pode-se?

PODE-SE. É SÓ GANHAR AS ELEIÇÕES. OS GASTOS LOUCOS FORAM O INVESTIMENTO NA RE-ELEIÇÃO.

PARA QUE ALGUNS CONTINUEM NO PODER ENDIVIDA-SE O PAÍS.






De Seremos GREGOS ... ou servos Bárbaros ?! a 27 de Maio de 2011 às 10:21

Vejo-me grego

A comissária europeia grega decidiu ameaçar o seu país com o cenário de saída do euro no caso de não se aceitar mais uma ronda de austeridade inviável.

A comissão europeia e o BCE fazem tudo para adiar a inevitável reestruturação da dívida grega.
Segundo o eminente historiador económico Barry Eichengreen, esta terá de envolver uma redução do fardo da dívida de cerca de 40%.

Vale tudo para proteger os interesses do sistema financeiro?
No entanto, a ameaça europeia não é credível.
Toda a gente sabe que a saída do euro implicaria uma reestruturação da dívida mais rápida e em maior escala devido ao aumento do seu fardo pela mudança de moeda e isto geraria ondas de choque por todo o sistema financeiro europeu.

Adicionalmente, a desvalorização cambial que se seguiria “vedaria” o mercado grego à produção do centro.
Na realidade, espero que o povo grego consiga pressionar o seu subalterno governo a mudar os termos da relação:
ou acabam com esta destruidora austeridade
ou somos nós que saímos do euro.

Esta ameaça seria muito mais credível, até porque começa a ser claro que não há futuro decente para a maioria dos cidadãos das periferias nesta configuração do euro.

As reformas que tornarão a zona euro sustentável requerem actos de rebeldia das suas periferias.
Quem começa?

(- por João Rodrigues às 26.5.11 , Ladrões de Bicicletas)
-----------------------

---- João Carlos Graça disse...
Talvez seja melhor ninguém fazer bluff e procurar-se antes, de parte a parte, um divórcio amigável... enfim, tão amigável quanto possível...

----- Almerinda Teixeira disse...
Há muito tempo que os países da periferia (os seus políticos) deveriam ter-se já unido.
Rebelião, precisa-se.

---- 25abril disse...
Há movimentos que tardam mas acabam por ter lugar.
Com todas as movimentações de pessoas que começam a surgir pelos países periféricos é uma questão de participar!
ou para os que são fãs do zapping ficar em casa no sofá a ver o que isto vai dar.

Certo, certo é se as pessoas não se responsabilizarem pelo estado do país, por exemplo
os que votaram neste governo e noutros anteriores - achando que a culpa é dos políticos, esquecendo-se muito convenientemente que alguém os colocou nesse cargos de decisão - não saímos da "cepa torta".

Ainda no Corredor do Poder, há uns tempos, o José Gusmão estava a tentar passar a mensagem de que economistas díspares como Paul Krugman e Joseph Stiglitz estavam de acordo relativamente ao percurso que Portugal deveria tomar e os representantes do PS e PSD quais mentecaptos a tentar refutar o que ele estava a dizer sem quaisquer argumentos válidos.
A desinformação que se vive neste país é chocante.
O vosso blog contraria essa tendência nacional. Continuem o bom trabalho :)

---- Anónimo disse...
Será que não estão dentro dos próprios países periféricos as forças de bloqueio para um resposta clara e inequívoca a esta situação? e se estão porque é que actuam como tal?
Para mim por puro e simples egoísmo.


De .Ninguém consegue pagar a +de 5% !! a 27 de Maio de 2011 às 10:24

Portugal não vai conseguir pagar a dívida

Nunca citámos tanto Krugman como agora, mas é óbvio que o argumento de autoridade ajuda a passar uma conclusão que devia ser evidente para todos:

- uma economia anémica com problemas estruturais de competitividade, para mais sujeita a um programa procíclico selvagem em plena recessão,
não consegue pagar empréstimos com este tipo de juros -
nem os dos contratos antes contraídos,
nem os que vêm associados ao pacote BCE-FEEF-FMI.

E desta vez nem falo dos efeitos distributivos desse programa de austeridade.

Por isso talvez fosse bom que se abandonasse as conversas sonsas em torno da boa fé de Portugal como devedor e se encarasse a realidade - em moldes democráticos e mais cedo do que tarde.

- por Alexandre Abreu


De Emprego e Justiça. x -Quem ganha ?. a 26 de Maio de 2011 às 17:09
Dominique Strauss Kahn - A verdade Escondida

(uma outra visão sobre o caso DSK….vale a pena ler e reflectir…. )

A rádio, os jornais, a televisão não vos contam a verdade. Sobre qualquer informação faça a seguinte pergunta:
- "Quem beneficia com isto?".
Procure pontos de vista diferentes, pense por si. Agora sim, retome a notícia.

Dominique Strauss Kahn foi eliminado por ameaçar a elite financeira mundial

Dominique Strauss Kahn foi vítima de uma conspiração construída ao mais alto nível por se ter tornado uma ameaça crescente aos grandes grupos financeiros mundiais.
As suas recentes declarações como a necessidade de regular os mercados e as taxas de transacções financeiras, assim como uma distribuição mais equitativa da riqueza, assustaram os que manipulam, especulam e mandam na economia mundial.

Não vale a pena pronunciar-nos sobre a culpa ou inocência pelo crime sexual de que Dominique Strauss Kahn é acusado, os media já o lincharam.
De qualquer maneira este caso criminal parece demasiado bem orquestrado para ser verdadeiro, as incongruências são muitas e é difícil acreditar nesta história.

O que interessa aqui salientar é:
- quem beneficia com a saída de cena de Strauss Kahn?

Convém lembrar que quando em 2007 ele foi designado para ser o patrão do FMI, foi eleito pelo o grupo do clube Bilderberg, do qual faz parte.

Na altura, ele não representava qualquer "perigo" para as elites económicas e financeiras mundiais com as quais partilhava as mesmas ideias.

Em 2008, surge a crise financeira mundial e com ela, passados alguns meses, as vozes criticas quanto à culpa da banca mundial e
ao papel permissivo e até colaborante do governo norte-americano.

Pouco a pouco, o director do FMI começou a demarcar-se da política seguida pelos seus antecessores e do domínio que os Estados Unidos sempre tiveram no seio da organização.

Ainda no início deste mês, passou despercebido nos media o discurso de Dominique Strauss Kahn.
Ele estava agora bem longe do que sempre foi a orientação do FMI.
Progressivamente o FMI estava a abandonar parte das suas grandes linhas de orientação:
o controlo dos capitais e a flexibilização do emprego.

A LIBERALIZAÇÂO das finanças, dos capitais e dos mercados era cada vez mais, aos olhos de Strauss Kahn, a RESPONSÁVEL pela proliferação da CRISE "made in America".

O patrão do FMI mostrava agora nos seus discursos uma via mais "suave" de "ajuda" financeira aos países que dela necessitavam,
permitia um desemprego menor e um consumo sustentado, e que portanto não seria necessário
recorrer às privatizações desenfreadas que só atrasavam a retoma económica.

Claro que os banqueiros mundiais não viam com bons olhos esta mudança, achavam que está tudo bem como sempre tinha estado, a saber:
que a política seguida até então pelo FMI tinha tido os resultados esperados,
isto é os LUCROS dos grandes grupos financeiros estavam garantidos.

Esta reviravolta era bem-vinda para economistas progressistas como Joseph Stiglitz que num recente discurso no Brooklings Institution, poderá ter dado a sentença de morte ao elogiar o trabalho do seu amigo Dominique Strauss Kahn.
Nessa reunião Strauss Kahn concluiu dizendo:

"Afinal, o EMPREGO e a JUSTIÇA são as BASES da estabilidade e da PROSPERIDADE económica, de uma política de ESTABILIDADE e da PAZ.
Isto são as bases do mandato do FMI. Esta é a base do nosso programa".

Era impensável o poder financeiro mundial aceitar um tal discurso, o FMI não podia transformar-se numa organização distribuidora de riqueza.
Dominique Strauss Kahn tinha-se tornado num problema.
Recentemente tinha declarado:


De GUERRA: Mercados'' c. Estados/ cidadãos. a 26 de Maio de 2011 às 17:17
...
DSK, recentemente tinha declarado:

"Ainda só fizemos metade do caminho.
Temos que reforçar o CONTROLO dos mercados pelos ESTADOS,
as políticas globais devem produzir uma melhor DISTRIBUIÇÃO dos RENDIMENTOS,
os bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos e dos preços imobiliários
Progressivamente deve existir um regresso dos mercados ao estado".

A semana passada, Dominique Strauss Kahn, na George Washington University, foi mais longe nas suas declarações:

"A mundialização conseguiu muitos resultados...mas ela também um lado sombrio:
o FOSSO cavado entre os RICOS e os POBRES.

Parece evidente que temos que criar uma nova forma de mundialização para impedir que a "MÃO INVISÍVEL" dos mercados se torne num "PUNHO invisível".

Dominique Strauss Kahn assinou aqui a sua sentença de morte, pisou a alinha vermelha, e como tinha " telhados de vidro " e " pecados ", como qualquer pessoa , foi armadilhado e esmagado.


De Raimundo Narciso a 26 de Maio de 2011 às 12:25
Olá. Obrigado pela visita e promoção


De obedecer às troikas da Finança e polític a 26 de Maio de 2011 às 11:55
D., H (em Ladrões)disse...

Teixeira dos Santos obedece, quer lá saber se está a vender o país a retalho. O dia de S. Portugal em WallStreet,NY, é um dia feliz.

Redução da TSU com aumento de impostos (IVA, IMI, IRS),
corte e congelamento de salários e pensões apesar da inflação galopar para os 4%,
desemprego a crescer, despedimentos a pedido,
extinção progressiva do serviço de saúde tendencialmente gratuito.
E a cereja em cima do bolo: as privatizações.

Uma “crise” há muito almejada pelos donos do dinheiro (donos da terra?); até a UE vê finalmente a oportunidade de pôr fim à golden share do governo.

Não parece que esse tal “programa de governo” seja para aplicar neste Portugal.
Deve ser noutro país qualquer, não aqui...Pelo menos a julgar pelo “entusiasmo” da troika portuguesa em campanha, bem secundada por alguns farsantes e ingénuos.


De Troikas vendem República e esmagam cidad a 26 de Maio de 2011 às 13:26
Vender a República


Empresas que o Estado tem de privatizar deram 237 milhões em dividendos.
As privatizações já estavam planeadas antes da intervenção externa.
Os 5,5 mil milhões de receitas previstas (um pouco abaixo da estimativa anterior do governo, que estava nos 6 mil milhões, para o mesmo universo de empresas) contribuirão para uma redução insignificante do peso da dívida pública no PIB.

Quem é que à esquerda está disposto a pactuar com esta miopia?

É que nada justifica a destruição, talvez irreversível, de qualquer possibilidade de um Estado estratego capaz de garantir o interesse público em sectores sensíveis da economia.

Sabe-se que a redução sustentável da dívida só pode vir de um novo modelo de crescimento que prescinda de receitas neoliberais fracassadas.

A experiência internacional vem mostrando que o controlo público de sectores estratégicos da economia, nomeadamente no campo das infra-estruturas e dos serviços de rede – da rede eléctrica aos serviços postais –, indispensáveis para a coesão social e territorial de uma comunidade política digna desse nome, é mais eficiente e eficaz do que a mera e sempre ligeira regulação de actores privados.

Estes últimos estão mais interessados na captura de rendas, nem que para isso seja preciso sacrificar o interesse público,
enganando reguladores e tendo muitos ex-ministros nas suas folhas de pagamentos.

O resto é conhecido de quem estudou o funcionamento da grande empresa no regime neoliberal que erodiu os contrapoderes públicos e sindicais:
uma perversa cultura de salários milionários e de bónus atribuídos por gestores de empresas monopolistas ou oligopolistas a si mesmos, perante a habitual cumplicidade dos accionistas.

Uma cultura de enriquecimento que corrói a ética de serviço público, indispensável quando está em causa uma parte da base material da comunidade.

Estamos no estádio mais predador de um ciclo de privatizações iniciado há pouco mais de vinte anos com a privatização das cervejas e que pode bem acabar na água.
Um ciclo que gerou um conjunto de grupos económicos viciados na captura de sectores onde a concorrência não é possível ou desejável, viciados na expropriação financeira de cidadãos e de empresas produtivas.
Este foi e é o modelo da troika interna.
Falhou (mas querem continuar... se Nós ficarmos calados e quietos.).

- por João Rodrigues, Ladrões de Bicicletas


De Privatiza, liberaliza trabalho, polariza a 26 de Maio de 2011 às 10:48
A experiência da Coreia Sul com o FMI - Lições para Portugal
...
Com a necessidade de recurso ao FMI, a Coreia do Sul teve de se submeter ao "programa de ajustamento" da praxe.
Em cumprimento desta determinação, o país empreendeu um conjunto de reformas.

. A generalidade das empresas públicas foi privatizada. Quais as excepções? "Electricidade, caminhos-de-ferro, água para consumo público e um banco semipúblico, o Korean Development Bank", responde Ahn.

. Houve também um reforço da liberalização do mercado de trabalho, dando às empresas grande liberdade para despedir em função da conjuntura.

... "Considera que o programa foi "demasiado severo" e que podia ter sido mais flexível. Além disso,

. "polarizou os rendimentos", uma forma de dizer que "os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres", sem que esse efeito se tenha revertido desde então. O país tem "uma estrutura dualista" (criando ainda maiores desigualdades sociais).

Etiquetas: Coreia, crise asiática anos 90, FMI
RN,
PuxaPalavra, 24.5.2011 -


De .Sabedoria Não governa o mundo... a 26 de Maio de 2011 às 10:54
Paul Krugman no NYT:
é inevitável a reestruturação das dívidas

"Está agora claro que a Grécia, a Irlanda e Portugal não poderão – e não irão – reembolsar as suas dívidas na totalidade, se bem que Espanha talvez possa consegui-lo"

É Paul Krugman que o afirma, no passado domingo, no NYT, reproduzido no El País e resumido no Jornal de Negócios.
Krugman não podia ser mais contundente para com as políticas erradas e os "programas de AUSTERIDADE SELVAGEM" que a UE (leia-se Alemanha) para PROTEGER os créditos dos BANCOS alemães está a impor à Grécia, à Irlanda e a Portugal.

Em sua opinião estes programas das troicas vão agravar a crise nestes países e arriscam tornar a Europa no epicentro de nova crise financeira. Considera ainda inevitável a reestruturação das dívidas com o não pagamento de parte delas.

Krugman (via Jornal de Negócios ou El País):
" Por un lado, Alemania está adoptando una posición dura contra nada que se parezca a una ayuda a sus vecinos con problemas, a pesar de que una motivación importante para el actual programa de rescate fue el intento de proteger a los bancos alemanes de las pérdidas." ...

"Por desgracia, el hada [a fada] de la confianza [dos mercados] sigue negándose a hacer acto de presencia. Y la disputa sobre cómo manejar la incómoda realidad amenaza con convertir a Europa en el epicentro de una nueva crisis financiera."

..."A isto juntou-se a declaração de que se a Grécia procurar um alívio da dívida, o BCE desligará a ficha do sistema bancário grego, que é crucialmente dependente desses empréstimos”,
...
“Se os bancos gregos forem à falência, isso poderá muito bem obrigar a Grécia a SAIR da Zona Euro – e é muito fácil de ver como é que isso poderia dar início a um efeito DOMINÓ em grande parte da Europa.

Assim sendo, no que anda o BCE a pensar?” Intuio que simplemente não está disposto a afrontar o fracasso das sus fantasías."
"Y si esto suena muy estúpido, bueno, ¿quién dijo que la sabiduría gobierna el mundo?"

Paul Krugman es profesor de economía en Princeton y premio Nobel de 2008. © The New York Times, 2011.

Etiquetas: Paul Krugman, reestruturação das dívidas.
# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra


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