3 comentários:
De Auditoria Cidadã, transparente e respons a 31 de Maio de 2011 às 16:55
Zuruspa disse...

Parece que há entäo dinheiro que chegue, mas está é mal distribuído...


Auditoria cidadä com contas simples, do tipo:

- A empresa X foi privatizada por P milhöes de euros; no espaço de um ano valorizou-se em V milhöes, aos quais foram atribuídos D milhöes em dividendos;

é óbvio que houve um erro de avaliaçäo do real valor da empresa X, com danos para o Estado:
deste modo, pelo menos 50% de V foi resultado de má-fé por parte do vendedor.

Concomitantemente 0,5(V+D) é dívida odiosa (injusta ou ilegal).

Se o banco quiser o montante, peça ao comprador (provavelmente o banco que financiou a compra também emprestou ao Estado).

Só falta o ponto final:

pena de prisäo para os responsáveis pela privatizaçäo, por gestäo danosa do Bem Público (e ...).


De Zé T. a 31 de Maio de 2011 às 17:07
Combater o rentismo improdutivo
(estatizar/municipalizar as mais-valias urbanísticas)

Pedro Bingre tem estudado uma das mais importantes e menos conhecidas facetas da economia política que escavacou as nossas cidades e fragilizou financeiramente o país:
as “fortunas trazidas pelo vento” que dão pelo nome de mais-valias urbanísticas.

Parece fácil a resposta à seguinte pergunta:
“quando vinte famílias pagam 3.000.000 € por um conjunto de apartamentos que mais não custou a construir do que 1.000.000 €, quem embolsou dois milhões de euros em mais-valias urbanísticas criadas por uma decisão urbanística pública?”

Que fazer para combater este improdutivo rentismo e a corrupção que lhe está associada?
Seguir as práticas mais avançadas, aliás como propõe a esquerda socialista.

Ainda Bingre:
“Contraste-se este nosso regime comercial com o dos Países Baixos;
o mercado imobiliário holandês é dos que mais exemplarmente executa a retenção pública de mais-valias urbanísticas.
Mesmo que se encontrem contíguos aos perímetros urbanos, os solos agrícolas holandeses são transaccionados a preço estritamente agrícola, posto que qualquer comprador privado sabe de antemão que futuros acréscimos de valor do solo, produzidos por via de loteamentos, reverterão para o erário público.

Além de reter as mais-valias urbanísticas, o Estado Holandês oferece também para arrendamento público mais de 30% do parque habitacional do país
— fórmula que além de facilitar a mobilidade laboral e assegurar residência a preço justo para toda a população, dificulta sobremaneira o crescimento de bolhas imobiliárias.”

É claro que nada disto está previsto nos programas das troikas interna e externa.
Porque será?
- por João Rodrigues


De .. a 31 de Maio de 2011 às 17:11
Economia portuguesa

Sabemos que as coisas começam lentamente a melhorar do ponto de vista intelectual quando até no blogue Portuguese Economy a realidade consegue perturbar os idealismos de mercado aí dominantes. Falo do post de Ricardo Cabral sobre os termos da intervenção externa vertidos no memorandum da troika. Apesar dos diferentes pontos de partida, destaco quatro pontos em que também temos insistido neste blogue.

Em primeiro lugar, Cabral considera que não extiste no memorandum um diagnóstico adequado sobre as causas de uma crise que não é primeiramente uma crise de dívida soberana e que nenhum governo conseguirá cumprir os irrealistas termos da chantagem aceite pela troika interna. Falta sublinhar que a austeridade recessiva, transformando definitavamente o Estado num problema, gerará desemprego, intensas quebras dos rendimentos privados e a insolvência de muitos: o Estado não se pode comportar como uma família sem onerar as famílias realmente existentes.

Em segundo lugar, destaco a sua justa indignação com os termos dos apoios públicos à banca, que poderão atingir 27% do PIB, sem que o Estado tenha qualquer poder de controlo e gestão, mantendo-se assim intacto o poder accionista privado. Trata-se de salvar os credores internacionais e o privilegiado pilar financeiro da economia política nacional; este pilar foi o que mais contribuiu para a destrutiva economia da construção, do rentismo fundiário ou das parcerias público-privadas e que mais desprezou os sectores de bens transaccionáveis, canalizando para estes uma pequena percentagem do crédito.

Em terceiro lugar, assinala-se o conflito de interesses entre o BCE, membro da troika, e o BCE que seria um dos perdedores de uma eventual transferência de custos para os credores se tivesse sido criado um mecanismo justo de reestruturação bancária.

Em quarto lugar, é certeira a sua crítica à lógica de reengenharia política dos países, que subjaz a estas perversas intervenções externas movidas por “pura ideologia”, ou seja, pelo que chamamos neoliberalismo, essa expressão ideológica do poder financeiro.
- por João Rodrigues, Ladrões


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