3 comentários:
De Capachos da Finança ultra-liberal a 31 de Maio de 2011 às 17:26
Comissário para uma colónia que se deixa tratar como capacho
(- por Daniel Oliveira, Expresso online)

Fontes da troika fizeram saber que os partidos com possibilidade de governar (um novo conceito constitucional) já deveriam ter escolhido um "alto comissário" para começar a preparar a aplicação medidas do memorando.
Uma espécie de primeiros-ministros ad hoc antes das eleições.
Tenho ideia que nos países destes senhores - alguns deles também bastante endividados e prontos para cair no buraco da crise - há leis e constituições e que a democracia não é uma mera formalidade.
Também por cá, da última vez que olhei para a nossa lei fundamental, não constava a figura de um comissário pré-eleitoral.

A forma como estes manga de alpaca falam dos países onde intervêem, mais típica de governadores coloniais do que de instituições internacionais com algumas regras diplomáticas a cumprir, não é apenas insultuosa.
É demonstrativa de uma extraordinária falta de cultura democrática. (é o exagerado poder da alta-finança neo-liberal habituado a explorar e pisar direitos de trabalhadores, de cidadãos, de países e povos, de tribunais e constituições democráticas )
Portugal não é uma das ditaduras onde o FMI se sente mais em casa.
É uma democracia parlamentar. Aqui elegem-se deputados e governos. A legitimidade de quem governa reside no voto popular.
Em democracias não se nomeiam comissários antes do voto e o voto não é um pormenor que se ignora.

Mas o que deveria causar indignação a qualquer democrata ou patriota parece ser natural para os candidatos a diretores-gerais do PS e do PSD.
Passos tentou mesmo usar o insulto em seu favor: vejam que eles, inteligentes, civilizados, lá de fora, querem mudar de governo.
Até onde vai a falta de espinha de quem se diz líder político.

Estamos, ao que parece, condenados a ser governados por capachos.
Mas o problema não é apenas dos candidatos a tão pobre figura.
A maioria dos portugueses acha que merece ser tratada com este desprezo.
Aplaude a chegada do colono e acredita que ele vem pôr a piolheira na ordem.
Aceita o insulto sem um protesto.

A respeitabilidade de um povo não se mede pela emoção com que canta o hino ou o fervor que entrega à evocação da sua história.
Vê-se na forma como se trata e se deixa tratar.
E um povo que não se choca com a sugestão estrangeira da escolha administrativa de um comissário que prepare a governação, como se o seu voto nem existisse, provavelmente merece os passos e os sócrates que lhe têm saído na rifa.
Neste País falta mais do que dinheiro.
Começa a faltar alguma dignidade.


De Guerra da Finança vs Cidadãos e Estados a 31 de Maio de 2011 às 17:39

----José Peralta
''A quem pedir o dinheiro ?''

Por exemplo, em vez de chamar gatunos à minoria residual de pessoas que recebem indevidamente subsídio de desemprego, (e eu não nego que as haja)
argumentando com a falácia de que é por causa dessa minoria que outros não o recebem (e já há cerca de 300.000 que a ele não tem direito !)
porque não ir "buscar" o dinheiro... a quem o tem ?

Aos administradores, cada um com cerca de trinta empresas, e respectivos ordenados milionários. (Que grandes "trabalhadores" !!!).

Aos gestores de empresas públicas completamente falidas, mas que mesmo assim, tem ordenados e prémios faraónicos, por "boa gestão"...

Às reformas duplas (ou triplas, ou...) e milionárias de títeres como Eduardo Catroga, Leite de Campos, etc., etc., etc.

Poderia não ajudar muito, mas sempre tapava alguns buracos e aliviava as medidas drásticas que os pobres em geral, vão ter de pagar.

Mas disso não falam, nem Sócrates, nem Coelho, nem Portas...

Porquê ? Porque não querem afrontar as clientelas... e os amigos !

----Pedro
Daniel,

subscrevo, por completo o teu texto embora, ache que deves já preparar o próximo post. Isto começa ser uma questão de pormenor, comparado com que se anda por aí a fazer.

O grau zero da soberania está a ser anunciado com o processo de neocolonização que "os nossos amigos" da Troika estão a querer impôr à Grécia.

Um país que fica na impossibilidade de sequer cobrar e gerir os seus impostos, não é um país, é um confisco na sua liberdade e da sua dignidade.

Chegando a este ponto a discussão sobre a Europa tem que subir de tom.
Já não estamos a falar do projecto Europeu, estamos a falar da institucionalização da submissão e do roubo.

Na verdade é uma ocupação da vida democrática, que influi no mais básico dos quotidianos de cada um e de cada uma, numa apropriação ilegítima e ilegal de parte do rendimento do trabalho.

Há coisas que nem as ocupações militares conseguem fazer tão bem.

Se tal se confirmar, já não estamos no domínio da chantagem em que embarcamos ou não, estamos à beira de uma GUERRA.


De Eleitor a 31 de Maio de 2011 às 16:31

Boa e simples explicação ...
Mas será que o Povo/povinho/povão irá agora Agir em conformidade ou, em vez de pensar 2 vezes e votar, se irá abster ou votar no centrão de intereses (dos bancos e grandes empresas...).

E não digam que não há Alternativa, que são todos iguais, etc ou que o voto útil ... bla bla


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