Voto crítico e vigilante, pela renegociação e responsabilidade

A alternativa que vai a votos tem um nome: renegociação.

(- por Daniel Oliveira)

    Nuns textos falo da única hipótese de respirarmos: renegociar a dívida. Nos outros faço o diagnóstico e falo do que nos espera se seguirmos a receita criminosa da troika. Mas há uma incomunicabilidade que leva a que nos segundos muita gente ignore o que escrevi nos primeiros e me pergunte: e soluções?    A renegociação não é a solução para a crise estrutural com que temos de lidar. Mas é a única saída que permite fazer a escolhas que dão espaço ao crescimento económico para pagarmos o que devemos. Quando se diz "renegociação da dívida" parece que se fala estrangeiro. Não cabe na narrativa sacrificial que foi imposta ao País por quem tenciona ganhar alguma coisa com a crise no processo de privatização do Estado Social. E as pessoas compraram a inevitabilidade de, no meio disto, serem saqueadas.

    No entanto, a inevitabilidade da renegociação fez, nesta campanha, o seu caminho. Responsáveis do PSD e do CDS já a admitem. Extraordinário é que, sendo inevitável, não seja o centro do debate. E ainda mais que esta condição para qualquer solução seja adiada para quando já servir de muito pouco. Quando estivermos em bancarrota já não renegociamos nada. Limitamo-nos a não pagar. E aí, aqueles que, como Sócrates, disseram que renegociar é ser caloteiro terão de explicar o seu calote.

    Ainda assim, o que no início era uma heresia já é aceite por dirigentes da troika nacional. É um avanço e uma vitória dos dois partidos que colocaram o tema tabu no debate político nacional: Bloco de Esquerda e PCP. Os dois partidos que, depois de vários erros de avaliação sobre o estado de espírito dos portugueses - mais tomados pelo medo (e apatia pela alienação cansaço e incredulidade) do que pela revolta -, fizeram as únicas campanhas que se concentraram em temas relevantes para o País. E que tiveram a coragem de defender uma alternativa.

    Essa alternativa terá de ser coordenada com os restantes países vítimas de um ataque sem precedentes das instituições financeiras. Mas para que essa coordenação seja possível é preciso que a sua urgência seja aceite pela classe política de cada um deles. O meu voto, no próximo domingo, não será apenas contra a receita sociopata da troika, apesar disso não ser, como escrevi ontem , um pormenor. Será o voto pela única solução possível.

Como não tenho o hábito de falar em código, digo-o de forma clara: votar no Bloco de Esquerda ou na CDU é a melhor forma de enviar essa mensagem. No meu caso, mesmo irritado com erros de palmatória cometidos por bloquistas e comunistas no último ano, voto no que me está politicamente mais próximo.

    Assumo esta clivagem clara, a que nenhum partido pode fugir: quem acredita na solução da troika terá de responder por ela. Mas quem está contra ela também terá de estar à altura dos votos que receber: fazer todos os compromissos para garantir uma renegociação urgente da dívida e estar disponível para, depois dela, assumir a responsabilidade de ajudar a reconstruir este País. O meu voto é crítico e será vigilante. Mas, nestas eleições, mais do que em qualquer outra, não poderia ser diferente.

 ---------

As contas dos três da troika

...

    O último fim de semana passou-se como se tem passado o resto da campanha: em vez de debaterem os problemas do País, PS, PSD e CDS discutem coisas lá deles. Em vez de pensar como salvam o País, preparam-se para repartir o pouco que sobra do bolo, que do programa sabe a troika estrangeira que decide o que esta troika nacional deve fazer.

    Para cortar na segurança social, na saúde, na educação, nas prestações sociais não é preciso fazer grandes contas. Assina-se de cruz o que a troika mandar. O esforço matemático faz-se para saber dos lugares que há para cada um. Quem coliga com quem e quantos ministerios há para os que se coligarem, sendo certo que em todas as combinações estará um barrete de Paulo Portas. A soma seguida da divisão, é tudo o que interessa para quem não pensa muito na subtração que está a ser feita aos direitos e aos rendimentos dos portugueses. É que quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte.



Publicado por Xa2 às 13:20 de 03.06.11 | link do post | comentar |

8 comentários:
De Zarolho... a 3 de Junho de 2011 às 15:39
Eu, que zarolho me não confesso, ou vejo, de facto , mal ou há um estranho fenómeno em certos postes publicados no Luminária , têm comentários feitos anteriormente ao momento das sua publicação !? Vijam as horas de uns e outros.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 3 de Junho de 2011 às 16:34
Não são só os nossos «queridos» lideres partidários que fazem malabarismos com o dizem e prometem... Há «habilidades» que se propagam rapidamente e que «tocam» a muita gente. E não estou a referir-me ao e-coli!


De Querem destruir a Economia e a Democraci a 3 de Junho de 2011 às 12:15
O programa que vai a votos tem um nome: Grécia.
(-por Daniel Oliveira, 2.6.2011, Arrastão.org)

Um privilégio destas eleições:
conhecemos o programa que PS, PSD e CDS vão seguramente aplicar.
Um esconde-o,
outro orgulha-se dele e quer mais
e o outro passeia barretes e não se compromete com nada.
Mas está escrito, traduzido e assinado.

O segundo privilégio destas eleições:
conhecemos as consequências desse programa. Estão à vista na Grécia.
Num ano, o desemprego aumentou, o PIB caiu e o défice público cresceu.
Não por falta de empenho na aplicação de tresloucada receita dos sociopatas europeus.
Mas pela sua aplicação.
Os SACRIFÍCIOS exigidos aos gregos PIORARAM a situação dos gregos, cada vez mais longe de honrar os seus compromissos.

Perante o descalabro da sua receita, a Europa não arrepia caminho. Quer mais.
Depois de DESTRUIR a ECONOMIA grega quer DESTRUIR a DEMOCRACIA.
Porque a democracia é o que pode levar os gregos a pôr um travão nesta loucura.
Para emprestar, a juros altos, o que falta do dinheiro acordado inventou uma nova regra a meio do jogo:

a oposição TEM de APOIAR as medidas que sempre, e com toda a razão, como se viu pelos resultados, condenou.
Toda ela. TEM de DEIXAR de ser oposição.
Se a oposição tem razão ACABA-SE com a OPOSIÇÃO através da chantagem.
A Europa quer fazer da Grécia uma DITADURA pluripartidária.
Para estar no Parlamento é obrigatório subscrever a RECEITA extremista dos LIBERAIS.

Mas a coisa não acaba aqui.
O neoCOLONIALISMO é imaginativo e novas propostas são feitas por vários países europeus:
criar uma AGÊNCIA externa para COBRAR os IMPOSTOS aos gregos e ser a Europa a tratar das PRIVATIZAÇÔES no País.
Ou seja, a mesma Europa que é incapaz de ter uma política FISCAL COMUM ou um ORÇAMENTO que se veja (hoje, timidamente, Trichet e V.Constâncio do BCE, disseram ser a favor de um 'ministério' das Finanças da UE., para controlar os ministérios das finanças dos países, sem soberania financeira económica parlamentar ...), quer OCUPAR a Grécia.

Só quando tudo isto estiver feito é que se dará o ultimo passo:
correr com a Grécia do euro, tornando o pagamento da divida impossível mas SACANDO TUDO o que houver para sacar.
Depois de SAQUER os cofres PÙBLICOS gregos para recapitalizar uma BANCA fragilizada pela crise de 2008,
depois de DESTRUIR a ECONOMIA e a DEMOCRACIA gregas, larga-se o moribundo na berma da estrada.

É esta a política europeia para lidar com a crise das dívidas soberanas.
É esta a gente a quem estamos a entregar o nosso futuro.
É a isto que temos chamado de "ajuda externa" e de "resgate".
É este o caminho que PS, PSD e CDS querem trilhar.

As simulações de ódio entre os futuros parceiros não me impressionam.
O meu desagrado com algumas opções dos partidos que se opõem a este caminho não chegam para me demover.
O que está em causa é bem mais importante:
é a nossa economia e a nossa democracia.

E o voto é a arma que me resta contra os rufias que tomaram conta da Europa e os que por cá se contentam em ser seus diretores-gerais.
Não o usarei para determinar quantos ministros tem cada um dos partidos da troika.


De Acentuam-se Desigualdades e Pobreza a 3 de Junho de 2011 às 12:25
Este país não é para crianças

Ontem (1.6.2011) celebrou-se o dia da criança. A decência de uma sociedade também se mede pela forma como cuida das suas crianças.
Em Portugal, há pouco que celebrar nesta área. Esta semana ficámos a saber que duas em cada cinco crianças podem viver em situação de pobreza, ou seja, em situação de gritante desvantagem. Somos uma sociedade indecente.

Somos uma sociedade onde as MEDÍOCRES ÉLITES gostam muito de falar de MÉRITO, mas onde a investigação continua a apontar para a nossa incapacidade institucional, quase sem paralelo na Europa, em igualizar minimamente as oportunidades.

São as falhas de um sistema fiscal cuja regressividade se vai acentuar,
de um Estado social em quebra e
de uma regulação cada vez mais frágil das relações laborais,
incapaz de favorecer o trabalho decente,
de evitar a pobreza laboral e
de REDUZIR as DESIGUALDADES salariais.

Na realidade, estamos bem acompanhados, por exemplo, pelos EUA:
a pobreza infantil que aí se regista ambém está acima da média, e a mobilidade social abaixo da média, dos países desenvolvidos.

Também se sabe que quanto mais desiguais são os países, menor é o contributo do crescimento económico para diminuir a pobreza.
Pobreza e desigualdade económica não são separáveis, como muitos teimam em pensar num país desigual.
Nas últimas décadas, e como sublinha o excelente observatório das desigualdades, não cessaram de se acentuar as desigualdades de remuneração no sector privado.
Agradeçam à troika interna que nos tem governado.

É estranho que seja nos países de capitalismo mais desigual que mais se tenda a responsabilizar os pobres pela sua situação.
Estamos num país onde uma NOJENTA CAMPANHA de extrema-DIREITA contra uma prestação frágil como o RSI pode ter sucesso,
onde se corta com todo à vontade no abono de família,
onde se multiplicam as famílias com todos os adultos desempregados,
onde mais de 50% dos desempregados não tem qualquer apoio,
onde 50% dos trabalhadores leva para casa menos de 750 euros por mês,
onde o investimento público em creches e infantários escasseia.

A pobreza infantil é filha de um sistema em que uma minoria com voz vive em cima das possibilidades de desenvolvimento de tantas crianças e de tantos adultos, os que nunca tiveram tempo para ser crianças.

Se isto é assim, não acham também estranho que se multipliquem as palas sociais que impedem tantos de ver o que deve ser visto?
Não acham estranho que sejamos dominados por um CREDO de “MERCADO” que parece assumir que todos nos tornamos adultos autónomos como que por uma mão invisível?

Há tanta coisa estranha no capitalismo desigual, não há?

(- por João Rodrigues, Ladrões)


De Partidos fogem do essencial... bla bla a 3 de Junho de 2011 às 14:00
Campanha fugiu do "essencial" com partidos a não dizerem como vão cumprir memorando, diz Sampaio
01.06.2011 - Por Lusa

O ex-Presidente da República Jorge Sampaio considerou esta quarta-feira à noite que a campanha eleitoral para as legislativas de domingo fugiu ao “essencial” ao não abordar a forma como cada um dos partidos pensa cumprir o memorando assinado com a “troika”.
Jorge Sampaio esteve hoje em Faro a participar na cerimónia de atribuição do doutoramento “honoris causa” em Turismo pela Universidade do Algarve ao empresário André Jordan e ao secretário-geral da Organização Mundial de Turismo, Taleb Rifai, e no final confessou aos jornalistas que o “preocupa sinceramente o que se passará a partir de dia 6”.

“Claro que é muito importante votar, é decisivo mesmo, e as pessoas devem fazer um esforço final para compreenderem o mais possível do que está em jogo. Mas a verdade é que a campanha não esteve muito concentrada naquilo que eu acho que vai ser essencial, que é a maneira como cada um dos partidos e das pessoas vê como vamos cumprir o memorando com a ‘troika’”, afirmou.

Sampaio frisou que “isso vai marcar a vida portuguesa nos próximos meses, se não anos” e lamentou que “em torno disso não tenha havido muito desenvolvimento”, porque “as capacidades e exigências de fazer compromissos vão ser absolutamente cruciais a partir de dia 6”.

O antigo chefe de Estado disse que “há uma grande desigualdade social em Portugal, que corre o risco de se agravar”, mas sublinhou que não quer ser pessimista e afirmou-se confiante “de que os portugueses vão dar uma luta muito grande”, apesar de saber que “vai ser muito, muito exigente”.

Questionado sobre as razões que levaram os partidos a não falar em como vão cumprir o memorando que o PS, PSD e CDS-PP assinaram com a “troika”, Sampaio disse não saber.

“Não sei. A campanha eleitoral é sempre uma coisa muito dura, porque tem sempre muitos discursos, intervenções, muitas rádios, televisões, jornais, feiras, mercados, arruadas, toda aquela panóplia que eu já vivi e sei o que é, e a maneira como as coisas estão a acontecer no Mundo não são muito favoráveis à passagem da mensagem substantiva”, acrescentou.

Para o antigo presidente, “é preciso o ‘soundbyte’, a frase” e “usar esse tempo para explicar o que se faz com a taxa social única, para dar um exemplo, é difícil, é complicado e não há muita paciência para isso”.

Sampaio disse ainda que Portugal está confrontado “com uma decisão importante no próximo domingo” e espera que “as pessoas estejam presentes e exprimam o seu ponto de vista, mesmo que tenham algumas dúvidas”.

“Depois esperemos que o realismo, o fim da crispação, o melhor entendimento entre as pessoas, impere, porque somos todos cidadãos do mesmo país e temos que trabalhar em conjunto”, concluiu.


De ? Novo SAQUEAR do PSD e CDS ...? a 3 de Junho de 2011 às 14:38
Sobre as Empresas Municipais

O Expresso de hoje publica no caderno de Economia informação interessante sobre este tema que agora constitui matéria da troika e ainda bem.

A criação de empresas ao nível dos Municípios foi de uma forma geral FEITA SEM o mínimo de critérios lógicos:
necessidade, mercado, racionalidade económica, agilização dos serviços a prestar.
De uma forma geral SERVIU fins POLÍTICOS.
Desde reforço de vencimentos de autarcas que passaram "à vida civil", empregos partidários, etc, o menos das vezes para prestar verdadeiramente bons serviços à comunidade.

Com isto, não meto tudo no mesmo saco. Há empresas municipais que se justificam.
Mas o que foi feito, repito, foi uma autêntica REBALDARIA.
Se a troika for eficiente e eficaz nesta matéria, nada mau.

O documento scanarizado junto mostra que foi o PSD quem CRIOU mais EMPRESAS municipais (clicar sobre imagem para ler)

Etiquetas: Empresas Municipais, PSD
# posted by Joao Abel de Freitas, PuxaPalavra


De OJumento a 3 de Junho de 2011 às 14:53
Governar bem

De pouco serve aos que votem num governo de direita ou num governo de Sócrates se esse governo não governar bem, de pouco serve ao país um bom projecto se for mal conduzido ou se o país for mal governado.
O país pode correr com Sócrates e escolher Passos Coelho de olhos fechados ou confiar em Sócrates e rejeitar a revolução liberal se for mal governado, a situação em que a crise financeira o deixou é má e a que resultou de uma crise política desnecessária é ainda pior.

Governar bem EXIGE competência, capacidade de decisão, coragem política, saber escolher os governantes e as suas equipas e, acima de tudo, governar para, com e pensando nos portugueses.

Segundo este critério o actual governo esteve aquém das minhas expectativas como o disse pouco depois de ter sido constituído, nunca confiei na competência do ministério das Finanças como o disse aqui muitas vezes,
também segundo esse critério não posso confiar em Passos Coelho, não me convenceu de que tem qualidades para primeiro-ministro e algumas personagens que o acompanham fazem-me sentir calafrios na espinha.

Sempre aqui defendi orçamentos EQUILIBRADOS, por vezes chego mesmo a pensar que sou dos poucos portugueses que considera que os défices orçamentais devem ser uma excepção e não uma regra.
Mas para ter orçamentos equilibrados não é necessário acrescentar à miséria e às brutais ASSIMETRIAS na distribuição de rendimento um SNS e um sistema educativo público para pobres.

É necessário sim gastar menos e com mais critério, combater a EVASÂO FISCAL e fechar a torneira a uma imensidão de ESQUEMAS de evasão fiscal legalizada, como é o caso da zona franca da Madeira ou a imensidão de OFFSHORES e de FUNDAÇÔES privadas oportunistas.

Governar significa restabelecer ou impor a CONCORRÊNCIA nos mercados e
adoptar a meritocracia nas instituições do Estado e nas empresas públicas,
acabar com a criação de empresas municipais para empregar as clientelas partidárias ou
usar os cargos no topo do Estado e das Empresas Públicas para colocar os AMIGOS .(e familiares = NEPOTISMO ).

Os prejuízos que a BURROCRACIA instalada pelos PARTIDOS em todos os níveis do Estado nos últimos trinta anos provocaram prejuízos incalculáveis,
tal como um mercado onde impera o OPORTUNISMO impediu o aparecimento de milhares de empresas competitivas que hoje poderiam ser projectos empresariais de dimensão internacional, mas que nem chegaram a nascer ou morreram precocemente,
asfixiadas pela concorrência desleal, pelos ABUSOS do poder, pela CORRUPÇÂO e pela burocracia.

Sócrates cometeu erros, talvez o mais dramático e elementar foi ter nacionalizado o BPN em vez de nacionalizar a SLN, - talvez um dia possamos conhecer tudo o que nos bastidores levou a esta decisão,- mas por agora é Sócrates que se arrisca a ver a direita ganhar, a mesma direita que defraudou o país com o BPN.

Mas financiar uma descida brutal da TSU com os dinheiros da segurança social ou com um aumento do IVA sobre o cabaz de compras dos mais carenciados não será um erro, será um CRIME premeditado.

Sócrates ERROU e foram os portugueses a pagar esse erro com impostos enquanto os senhores da SLN ficaram com o património e daqui a uns dias até poderão rir de Sócrates e dos portugueses.

Mas FINANCIAR os LUCROS das grandes empresas com a desculpa de criar alguns empregos não será um erro, será uma manobra premeditada de ENRIQUECimento dos que já são ricos à CUSTA dos que ficaram mais POBRES.

Governar bem é na actual situação pensar acima de tudo nos mais carenciados e PROTEGER a CLASSE MÈDIA, os problemas da economia não resultam da falta de ricos, resulta sim do número crescente de pobres e da DESTRUIÇÃO da classe média.

Governar bem é pensar no país, tudo fazer para que exista um projecto que consiga UNIR os portugueses em torno de um projecto que os mobilizes,
é fazer do programa do próximo governo um verdadeiro contrato social com todos os portugueses, um contrato capaz de conciliar as necessidades das empresas com a esperança dos mais pobres e da classe média que ainda resta.

Governar bem é governar para o país e não para testar ideologias, o país não está em condições para servir de laboratório para a reencarnação de Milton Friedman, até porque em Portugal ..


De Para GOVERNAR BEM para a Maioria a 3 de Junho de 2011 às 15:03
GOVERNAR BEM
...
até porque em Portugal vive-se em democracia e não se conta com os algozes de Pinochet para implementar a receita de Chicago.

Governar bem é ser capaz de garantir aos que fazem os sacrifícios de que serão ressarcidos do que perderam
e não o que sucedeu ao longo dos últimos trinta anos em que todos os programas de austeridade levaram a que os ricos ficassem mais ricos e todos os outros ficassem mais pobres.

Sempre aqui defendi maiorias absolutas, sou mesmo partidário de um sistema maioritário pondo fim a um sistema utópico que tem conduzido ao empobrecimento do país.
Mas governar com uma MAIORIA absoluta OBRIGA a que quem governa tenha a capacidade de governar PARA uma MAIORIA mais vasta do que a maioria parlamentar de que dispõe.
Isso não significa soçobrar aos INTERESSES CORPORATIVOS (ou de barões e lóbis de grandes grupos privados)
ou aceitar que sejam esses mesmos interesses a gerir uma boa parte do Estado, á margem da vontade dos portugueses

Neste último dia de campanha eleitoral confesso que tenho dúvidas, de que sinto receios, de que não tenho certezas.

Não acredito nos programas eleitorais, a única GARANTIA que tenho é o acordo com a troika mas qualquer governo pode e deve fazer muito mais do que transformar aquele programa em programa de governo,
seria como se o departamento de contabilidade de uma empresa se substituísse a todos os outros e o contabilista passasse a substituir todos os outros administradores e directores da empresa.

No PROGRAMA da troika não se fala de questões fundamentais como o ambiente, a agricultura, a investigação científica, a qualificação de várias gerações que com ou sem habilitações académicas não tem qualificações profissionais, das universidade, da qualidade do ensino ou da taxa de natalidade e da protecção da infância.

E há muito Portugal, há mesmo muito mais Portugal para além do défice público, da dívida soberana ou da competitividade das EMPRESAS MAL GERIDAS e que apostam na mão de obra intensiva pois foi o encerramento ou deslocalização dessas empresas que conduziu o DESEMPREGO aos actuais níveis.

E se alguém não tiver dúvida ainda que como eu tenham a certeza quanto ao partido onde vai votar que me digam, que me ajudem, a mim e a muitos portugueses, a termos certezas.

Mesmo que o próximo governo governe bem não há garantias de sucesso e a verdade é que são poucos os indicadores de que o próximo governo, seja ele qual for, será um bom governo.

Nos últimos anos muitas manifestações usaram figurantes que diziam estarem arrependidos de ter votado num determinado partido,
receio que daqui a dois anos em vez de figurantes sejam eleitores de verdade a fazê-lo.
E quando isso suceder a democracia portuguesa terá fracassado e
os portugueses terão de repensar seriamente o seu modelo constitucional,


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO