Poderes e governação

A maioria absoluta na próxima Assembleia da República é de centro-direita. A esquerda perdeu.

Passo Coelho e o PSD ganharam, inequivocamente ganharam, e têm o direito e a obrigação de formara governo, após a normal e natural indigitação do Presidente da República que, como toda a gente sabe, é originário da mesma família política.

Quando menos se esperaria (ou talvez não dadas a actuais circunstancias) o desiderato que tanto ambicionou Sá Carneiro (pelo menos teve essa premunição) haveria de ser alcançado por um jovem promissor acabado de chegar à liderança do seu partido.

Depois de diversas tentativas, Passos Coelho não só consegui chegar ao lugar do fundador do PSD, presidente do seu partido, como haveria de conseguir ir mais além do que o próprio pretendeu, alcançar a Presidência da Republica, conseguir uma maioria no parlamente (ainda que em coligação, mas também nunca foi dito que seria de um só partido), formar governo e como cereja do bolo a presidencia da Assembleia da republica. É a prova provada que, como dizia Mário Soares “só são vencidos os que desistem de lutar”.

Aqui, do Luminária assumimos, como esquerda que nos declaramos, democraticamente a derrota. Sem hipocrisias nem mau agoiro desejamos as maiores felicidades ao próximo governo liderado por Passos Coelho e pelo PSD, que será assim esperamos e conforme o próprio futuro 1º Ministro afirmou publicamente, “o governo de todos os portugueses”.

Na nossa perspectiva não poderão existir desculpas, com tudo o poder concentrado, ideologicamente, na área social-democrata só tem que ser bem e honestamente usado em favor do pais e para bem de Portugal. Assim esperamos nós e todos os portugueses.



Publicado por Zé Pessoa às 09:42 de 06.06.11 | link do post | comentar |

10 comentários:
De MF a 7 de Junho de 2011 às 08:59
Para memória futura
- por Manuel Falcão, Metro, 7.6.2011

As eleições de domingo foram o reflexo de um país cansado de mentiras e promessas vãs – e isso reflectiu-se de duas formas:
por um lado pela elevada abstenção (41,1%);
e por outro pela rejeição fortíssima do PS, e de José Sócrates em particular.

Com a derrota do PS fecha-se um ciclo político e nestas alturas é bom fazer um exercício de memória, para que no futuro não esqueçamos o que aconteceu,
além do aumento da dívida, do aumento do desemprego e da crise em que o País foi mergulhado.

Alguns lembrar-se-ão que Luís Campos e Cunha, o seu primeiro ministro das Finanças, avisou bem cedo do rumo que as coisas iriam tomar. Mas o que veio a seguir ultrapassou tudo o que se esperava:
utilização da CGD para patrocinar a tomada de poder no BCP e financiar guerras internas de accionistas, tentativas de compra de uma estação de televisão
incómoda para o Governo, casos de corrupção uns atrás dos outros.

Na noite das eleições uma jornalista corajosa perguntou a Sócrates se ele achava que os processos judiciais, que foram travados enquanto ele foi primeiro-ministro, iriam agora avançar. Foi uma pergunta oportuna.

Mas há outro episódio que deve ficar para a memória – a queda de Sócrates é também a queda de um processo fabricado por Jorge Sampaio quando era Presidente da República. Na altura em que Durão Barroso partiu para Bruxelas, Sampaio recusou-se
a convocar eleições antecipadas, contra a opinião de muita gente, porque sabia que Sócrates e o PS, nessa altura, ainda não estavam preparados para ir a votos.
Seis meses depois, com a máquina do PS já a rodar, encontrou um pretexto para derrubar o Governo que ele nomeara e convocou eleições antecipadas.
Sócrates chegou a primeiro-ministro pela mão de Jorge Sampaio, num episódio político nebuloso que
objectivamente favoreceu o PS. Por isso também Jorge Sampaio é co-responsável de tudo o que
aconteceu e também ele foi um dos grandes derrotados de 5 de Junho.


De Curtas a 6 de Junho de 2011 às 17:36
A história regista que é preciso recuar a antes do 25 de Abril para se encontrar um período em que o Presidente da República, o Primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da Republica, sejam simultaneamente de direita.


No novo voo do PS não me sinto nada Seguro, nem mesmo com Assis...tência. Preferia muito mais que o António desse à costa.


De Discursos e má lingua a 6 de Junho de 2011 às 14:32
Há quem afirme, o que é verdade ,não se pode nega-lo , que Sócrates fez um excelente discurso de despedida. Um discurso de um homem digno de que Portugal se deveria orgulhar.
Tudo muito certo mas, tais opiniões serão sol de pouca dura. Não tardará muito que o homem ande nas bocas do mundo quando, como Jorge Coelho, Pina Moura ou Mira do Amaral aceite um lugarzito a ganhar um chorudo ordenado numa qualquer empresa das energias renováveis. Aí, os que tanto andaram a louva-lo serão os primeiros a dele maldizer.
É o costume, quer por parte dos politicos como do povo.


De Zé Parvo, das berças a 6 de Junho de 2011 às 19:43
Tá enganado amigo. Nã ouviu o home?
Ele disse que tinha estado ao serviço do país... E não para se servir....
Então o home era lá capaz de aceitar um tachito...
Ele vai mas é pra enginheiro na Covilhã...
Pode lá dizer-se mal do cavalheiro, heim!


De Aí vêm LOBOS-vampi... Bento, Bessa,Duq.. a 6 de Junho de 2011 às 13:41

Vamos então lá eleger a troica

Estou a meditar... que não valia a pena tanta canseira, tanto beijo e abraço, tanta feira.
Não valia a pena, tanta campanha, tanta bandeira, gritaria e barganha.
Porque afinal o que aí vem é o governo do máximo capital.
Mas compreendo o esforço. Afinal há o pote.
E o meter-lhe a mão. Nalguns o longo jejum justifica a sofreguidão.

E logo aí temos a "governar-nos" por interpostos eleitos o invisível Governo Mundial. Clube de gente de fortuna a que chamamos mercado, agências de rathing ou sistema financeiro internacional...

Apesar de tudo é gente que tem alguma consideração por nós.
Pouparão e talvez mesmo recompensarão os portugueses "melhores", os de fortuna, seus irmãos.

# posted by Raimundo Narciso


De Cheq-pobreza p.privados lucrarem + a 9 de Junho de 2011 às 11:26
Lembram-se do cheque-pobres proposto por Diogo Leite Campos?

Pois, o professor já está a fazer render a ideia. E onde está a fazê-lo?
E o que é a Edenred? É o maior grupo europeu de cartões de serviços e de cheques pré pagos!

O que pensa a Edenred sobre os subsídios do Estado? A Edenred explica:

«O dinheiro dos contribuintes muitas vezes é mal gasto! Os benefícios sociais são um exemplo disso.

Actualmente, o dinheiro que o estado despende com subsídios diretos aos contribuintes, como é o caso do subsídio de refeição, apoio à educação, despesas com saúde, subsídio de transporte, em vez de contribuir para uma coesão social e para uma racionalização económica, tem um efeito precisamente contrário.

A titularização destes benefícios, que não é mais que condicionar cada euro gasto à sua finalidade, traria ganhos imediatos. Fiscais, sociais e económicos.
Tudo à distância de uma simples alteração legislativa.»

Ora aí está, nada mais fácil, tudo à distância de uma simples alteração legislativa, isto é, de uma mera assinatura!
Bem, mas o texto não é da Edenred, é a síntese de uma intervenção de Diogo Leite Campos num almoço (que não foi pago com cheques da Edenred...) da Edenred.

Não admira que o presidente da Edenred defenda a medida em declarações à RTP:

«Em entrevista à agência Lusa, Jacques Stern realça que o dinheiro pago pelas empresas em subsídios de alimentação "pode ser usado numa refeição mas também noutras coisas", motivo pelo qual o uso de cheques-refeição, que poderiam inclusive ter um valor maior que o do subsídio, "é muito mais eficiente do ponto de vista médico e da própria refeição" em si.

"As pessoas fazem a pausa de qualquer forma, não comem uma sandes de forma rápida", diz. Com um cheque-refeição, "a saúde é preservada e a produtividade [laboral e económica] é reforçada", acredita o responsável da Edenred, que se encontra em Portugal durante esta semana num encontro com responsáveis dos 40 países onde a empresa atua. » [RTP]

Agora é só esperar que Passos Coelho faça a tal assinatura que não custa nada fazer e explique a medida dizendo que os pobres e desempregados são uns malandros e alguém tem de cuidar da forma como gastam o dinheiro.

Afinal, há uma ligação entre Diogo Leite Campos e antes de o vice-presidente defender a senha de compras para os pobres já tinha ido a um almoço organizado pela principal empresa interessada no negócio apregoar que bastava uma assinaturazinha. Como o prof. Diogo Leite Campos não é um sociólogo nem pertence à AMI, é um fiscalista que cobra muito bem o seus serviços, seria interessante saber qual a sua ligação à Edenred. Não sei porquê, recordo-me de um conhecido pediatra que fez a vida de um governo num inferno exigindo a vacinação contra a meningite e depois veio a saber-se que recebia comissão pelas vacinas.

A ligação de Diogo Leite Campos À Edenred parece ser mais antiga pois de vez em quando aparece a defender os cheques vendidos por aquela empresa, sempre muito preocupado com a despesa do Estado e a forma como é gast o dinheiro pelos beneficiários de apoios sociais. Já em Outubro de 2010 tinha participado noutra conferência, dessa vez sobre o "cheque creche" da Edenred, onde disse coisas muito agradáveis para os ouvidos desta empresa:

«"Quando se dá um subsídio de refeição é preciso que o beneficiário coma a refeição. Quando se dá um subsídio de creche é preciso que as crianças vão efetivamente para a creche. Quando se dá um subsídio para o idoso é necessário que beneficie efetivamente desse subsídio para alojamento e saúde", exemplificou, realçando que isso também permite o desenvolvimento de serviços e a criação de empregos.

Considerou também um "desperdício" que a administração central e local, empresas e instituições atribuam subsídios sociais "sem a garantia de que essa atribuição vai alcançar o fim social a que se dirige".» [Edenred]

Não me incomoda que existam as senhas e cartões para pagamento de serviços, é uma forma de pagamento absolutamente legal e no passado já teve alguma expressão em Portugal, deixou de a ter devido a alterações legislativas em sede de IRC. O que é moralmente inaceitável é usar a pobreza e insinuar que os pobres são uns descuidados a gastar o dinheiro para p...


De os vicios que nos matam a 6 de Junho de 2011 às 12:12
Estou, Também, de acordo como o postante e com o comentário. Efectivamente a esquerda, muito easpecialmente o PS "Terá que tomar medidas mais fortes e fazer algumas «amputações»."

Tenho muitas dúvidas , eu e muitos militantes de esquerda, sobretudo no PS, deixamos de acreditar no sistema partidário actual nomeadamente em quem controla e mata o "aparelho" partidário aos seus diversos níveis.

A vergonhosa atitude de ontem, como dizia um comentador televisivo, que "ainda o cadáver politico de Sócrates fumegava " e já aparecia em bicos de pés e com seus capangas atrás de si o AJS , candidamente, a mostrar-se disponível para tudo, claro está, incluindo o "assalto" ao aparelho socialista .

Simplesmente lamentável ,continuara a ser um vazio, um deserto, o debate interno e a vida partidária no interior do Partido Socialista, para mal da democracia e do sistema democratico.


De Mudar o PS . a 6 de Junho de 2011 às 15:01
Ácham que ... ainda não é tempo de RESPONSABILIZAR os DIRIGENTES ?!! deputados, autarcas, Sec. e Com.Nacional, Federações, Concelhias e Secções .?!!

Para quando a REFLEXÂO e as acções concretas/ MEDIDAS / VASSOURADAS ??!! ? !!

Para quando a TRANSPARÊNCIA, a Democracia interna, as PRIMÁRIAS, ... ??!!

Para quando a Limpeza de cadernos e registos de militantes... com quotas em dia ?!

Para quando.. ?!


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 6 de Junho de 2011 às 10:00
Faço meus, os votos do postante, que este novo governo, governe para bem do País e dos portugueses, que bem precisam.
E que o faça, como ainda ontem prometeu PPC, com transparência nas suas decisões políticas. Era bom e sempre seria uma novidade no exercício das funções de PM.
Ao PS não basta «lamber» as feridas. Terá que tomar medidas mais fortes e fazer (alg)umas «amputações».


De Õptimista a 6 de Junho de 2011 às 12:14
Porque é que este governo há-de ser diferente dos demais, que não governaram bem, mas sim , governaram-se bem. Desiluda-se se espera mudanças.Se com um governo Socialista (?) foi o que foi, seguramente que não irá ver grandes mudanças,ainda por cima com a desculpa que estão "amarrados" ( e estão) a um acordo que não lhes deixa quase margem de manobra.
Quanto ao PS, existe?


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