A hora das reformas, em Portugal, é chegada

O povo, na sua soberana sabedoria, falou e disse aceitar a vinda da troika.

Houve quem tivesse “especulado” que a queda do governo Sócrates terá sido uma “jogada” estratégica do próprio para possibilitar a entrada da Troika internacional na medida em que terá concluído não haver condições, por modo próprio interno, para implementar as reformas de que o país tanto necessita.

Agora poderá haver quem “alcovite” que a mesma “jogada” de “fazer cair o governo” foi não só para permitir a vinda da troika como para o homem se libertar da responsabilidade de ter de impor o pesado fardo que nos vai carregar os ombros a propósito das medidas que vão ser implementadas.

FRANCESC RELEA em artigo publicado no “El País”, há um certo tempo atrás, deu bem conta disso (do fardo pesado, entenda-se) quando preconizou que “o governo que surgir das próximas eleições terá de confrontar-se com a obrigação imposta, tanto pela necessidade como sobretudo, pelo memorando de entendimento assinado com o FMI, BCE e CE, como contrapartida para a solvência financeira do país, em modificar leis como a do arrendamento, da partidocracia na gestão das empresas públicas, nomeadamente as dos transportes, legislação autárquicas e do financiamento das autarquias, da justiça e processuais.”

Como é referido no artigo “os problemas seriam mais maleáveis se Portugal tivesse um sistema de justiça eficiente. O que não é o caso. E a economia ressente-se por duas vias, segundo o coordenador científico do Observatório Permanente da Justiça, Boaventura de Sousa Santos: a corrupção, que desequilibra a competitividade entre empresas, e a demora na tomada de decisões que pode levar a elevados custos monetários.” (o bold é da nossa autoria)

O facto de em Agosto de 2010 haver tribunais com mais de um milhão de acções pendentes para cobrança de dívidas (70% do total dos processos em curso), conforme divulgou o Conselho Superior da Magistratura é revelador da inércia do sistema e da ineficácia da justiça.

Será agora o governo de Passos Coelho e Paulo Portas capaz de implementar as tais, exigentes, reformas?

Terá esse governo a capacidade de ser (suficientemente) justo e imune a abusos e corrupções?

Terão os membros do futuro governo uma consistente formação intelectual e forte personalidade para serem capazes de aplicarem de medidas correctoras e reformadoras que não permitam satisfazer interesses clientelares?

Assim se espera, até porque desta vez existe uma ajuda de peso a Troika. Contudo, a avaliar pelas notícias que nos chegam dos meandros de Bruxelas não são de modo a dar-nos descanso, infelizmente.



Publicado por DC às 09:55 de 07.06.11 | link do post | comentar |

4 comentários:
De Helenófilo a 8 de Junho de 2011 às 13:56
Intervenção externa (da troika, e interna de...)
lição de hoje:

Grécia ''vende''('em saldo') 10% da operadora de telecomunicações helénica à Deutsche Telekom. (dos banqueiros alemães) !!

e a seguir ... será...?
o Porto de Pireu, a Olimpic, ...

e em Portugal será diferente ?
Sim ...
em vez de 'helénica' serão as 'lusitanas' :
PT, EDP, REN, REFER, CP, Metro, TAP, RDP, RTP, CGD, Águas de P., Porto de Sines, Hospitais de ..., Escolas de..., Quartel de ..., as Praias de ..., Pontes de ..., Auto-Estradas de ...,


De contra a semi-ESCRAVATURA ultra-liberal! a 8 de Junho de 2011 às 10:14
Contra a RedWare : Paga o que deves Caloteiro, Burlão, sobre-explorador, Sanguessuga , escravocratas !!!

Quem somos?
Somos um conjunto de empregados e ex-empregados da RedWare. Continuaremos a nossa luta enquanto a situação na empresa permanecer na ilegalidade:

Que se façam contratos de trabalho e acabem com os falsos recibos verdes (há pessoas que trabalham durante anos sempre a falsos recibos verdes)

Que as pessoas recebam o que lhes é devido independentemente do tempo que estejam na empresa.
Há pessoas que estão à experiência durante um mês e ao se retirarem não recebem qualquer remuneração

Que as pessoas passem a efectivas e que não as “rodem” de empresa em empresa com o único objectivo de nunca poder entrar no quadro

Que as condições físicas de trabalho sejam adequadas, cadeiras ergonómicas, casas de banho em bom estado, ar condicionado em condições, espaço pessoal suficiente

Que dêem material de trabalho aos empregados
Que se respeitem tanto a hora de almoço como os descansos

Que os feriados sejam pagos segundo a Lei
Que quem trabalha ao Domingo e em horário nocturno, receba conforme a Lei

Que exista um salário base obrigatório
Que as férias sejam pagas assim como o subsídio correspondente.
O mesmo se aplica ao subsídio de Natal
Que a pessoa que falte por doença ou em caso de mães trabalhadoras que devem ficar em casa para cuidar os seus filhos, não deixem de receber por essa razão
Que os estudantes que trabalham tenham direito a faltar o dia anterior e o próprio dia do exame

Que entendam que quem trabalha é um ser humano e não uma peça
Que se confirme que se trata de uma situação de falsos recibos verdes já que se cumprem horários específicos, trabalho realizado em instalações da empresa e trabalho hierarquizado

Que se acabe a situação de semiescravatura.

site: http://contraaredware.wordpress.com
Facebook: http://www.facebook.com/pages/Contra-a-RedWare/220892821272105


De Honestidade ecorrupção de comportamentos a 7 de Junho de 2011 às 10:51
Não é condição mas ajuda muito o facto do ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos não pertencer ao aparelho partidário permite-lhe, mais facilmente, sair “de consciência tranquila” e até, conforme afirmou, preparar um dossier para entregar ao seu sucessor, com as principais medidas a adoptar devido ao acordo com a 'troika'.
Foi mesmo ao ponto de, para cada medida concreta identificada, mandar elaborar ficha própria na quais se deverão indicar quem, como, em que tempo, com que meios e objectivos tais medidas devem ser tomadas.
Porque não foi feito isto antes do descalabro?
Terão sido os sacos azuis, existentes em certos ministérios e institutos através dos quais são pagas despesas pessoais, a impedi-lo?
Terão sido interesses e empecilhos aparelhisticos a impedi-lo?
Como alguém afirmou num outro poste infra “o PS há muito havia perdido as eleições não foi no dia 5”.


De Enquistamento governativo! a 7 de Junho de 2011 às 15:19
Estou de acordo com o comentário e, por falar em honestidade e corrupção, ainda hoje mesmo Ana Gomes alertou publicamente par a carrada de suspeições que incidem sobre a cabeça de Paulo Portas, nomeadamente a propósito dos Submarinos , caso que já levou a condenações na Alemanha e corre tramites legais em Portugal.
Manda o bom senso que este senhor, ainda que a legitimidade democrática se não questione, não deva tomar parte do governo sob pena de enquistamento ab initio .


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO