Despesa pública e ruptura de capital nos bancos, coisas muito diferentes

Não sei, nem faço a menor ideia, quem seja este AAA, o texto de Carta me foi enviado via e-mail, muito antes de realizadas as recentes eleições. Contudo, estando de acordo com o registo, até porque em alguns postes, no LUMINARIA e em outras circunstâncias, aludi a tais argumentos, aqui o postulo.

 

Meus Caros

Não sou um técnico em  questões macro-económicas, nem em nada, mas tenho presente o desenvolvimento humano que se verificou em Portugal  nos últimos 60 anos, que por acaso acompanhei.

Quando se fala em despesa pública incontrolada (certamente a custear em excesso a despesa com os funcionários  e outras com a  máquina  do Estado, mas também a custear as infra-estruturas hospitalares e a qualidade da prestação dos serviços de saúde - que não é uma falácia - o parque escolar e as condições de ensino e de apoio social oferecido/concedido aos estudantes e às famílias, nas infra-estruturas dos transportes rodoviários, ferroviários e aéreos, etc. etc.), interrogo-me se devíamos continuar a ter as Misericórdias como principal instrumento de apoio hospitalar e a serem financiadas com recurso aos cortejos de oferendas realizados periodicamente, se as crianças das serranias do interior deveriam fazer 7/10 Kms a pé, quando não mais,  diariamente para irem à escola até completarem, se o conseguissem, uma quarta classe mal amanhada - ainda se lembram das Regentes escolares? - Possivelmente comendo uma bucha com toucinho quando houvesse, e o não dar condições às crianças do sexo feminino para estudarem e assim não pressionarem o mercado do trabalho  que não o das chamadas "criadas", não contando, portanto,  nas estatísticas do desemprego,  ou se devia continuar a demorar 6/7 horas a viajar de automóvel de Lisboa à Beira Alta ou ao Algarve ou se queríamos voltar ao tempo em que o país nada devia mas pouco ou nada investia e acumulava o ouro em Fort Knox, no BIS ou nos cofres do Banco de Portugal (naturalmente a dívida pública era de 12% do PIB!...). 

 Não estou a tecer loas aos Governos que sucederam ao do Dr. Cavaco, nem vou falar na responsabilidade deste com o desmantelamento da frota pesqueira e destruição da agricultura nacionais, nem a reforma dos vencimentos dos funcionários que criou o "monstro", nem do CCB cujo custo e utilidade lembro-me de ter sido na altura muito questionado, nem dos cursos financiados pela CEE cuja utilidade não foi prévia e posteriormente avaliada. Não quero dizer que não se poderia ter feito o mesmo com custos inferiores e, portanto, menor endividamento,  se houvesse maior controlo. Nem que não se devia ter ajustado há muito tempo os preços dos bens públicos aos custos reais devidamente auditados para evitar a situação em que se encontram as empresas que os oferecem.   Quero somente dizer que falar da dívida e do desenvolvimento da economia  actual e compará-lo com os de 1850, 1900,  1950 ou 1973  fica bem, a meu ver,  como exercício académico, de contabilista ou para eleitor ver.

Talvez por força da minha experiência de vida e também profissional, acho que é incorrecto não ter em conta  os ganhos em desenvolvimento humano alcançados (equivalente ao lucro/resultado intangível da actividade do Estado e dos próprios cidadãos) e os activos existentes  e que estão à vista, e que, se forem devidamente utilizados/aproveitados e sobretudo bem geridos, são fundamentais para o futuro desenvolvimento  do país.  Saibam os futuros Governos (PSD) promover a sua utilização em benefício da economia,   "exigindo" aos cidadãos e em especial  aos empresários que os aproveitem em benefício de maior produtividade e, consequente, melhoria da competitividade.

Não gostava de voltar ao tempo do Estado Novo em que pouco ou nada se fazia para não aumentar a dívida ou não vender o ouro. A meu ver é preferível estarmos a dever, com obra feita, que a dívida se há-de pagar...

Sei que muitos de vós não está de acordo com esta visão. É, contudo um desabafo pois não acho bem a forma infra de procurar ganhar eleições.

 AAA



Publicado por Zé Pessoa às 15:34 de 14.06.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De Izanagi a 16 de Junho de 2011 às 19:41
“…Não estou a tecer loas aos Governos que sucederam ao do Dr. Cavaco, nem vou falar na responsabilidade deste com o desmantelamento da frota pesqueira e destruição da agricultura nacionais, nem a reforma dos vencimentos dos funcionários…”
Como?
Cavaco é que é responsável pelo desmantelamento da frota pesqueira e pela destruição da agricultura?
Mas responsável porquê? Porque a EU, que passámos a integrar, e bem, por iniciativa de Mário Soares concedeu dinheiro para abater barcos tecnologicamente obsoletos? E Cavaco é responsável pelo facto dos proprietários das embarcações não terem reinvestido o dinheiro em embarcações mais modernas? É responsável pelo facto dos armadores optarem por gastarem o dinheiro em automóveis de luxos e outros bens de luxo?
Destruição da agricultura. Mas que agricultura é que tínhamos? Importávamos, aliás como actualmente, mais de metade do que consumíamos. Qual a diferença com a actualidade, a não ser que no momento em que receberam o dinheiro da EU passou a haver muitos mais jipes na cidade e Mercedes no campo. Onde entra aí a responsabilidade de Cavaco? A falta de reinvestimento e modernização da agricultura é da responsabilidade de Cavaco? E onde entra a responsabilidade dos agricultores? Na Grécia, em Espanha, na Itália, onde houve procedimentos da EU para com ao agricultores idênticos aos portugueses, optaram por reinvestir na agricultura e não em férias em hotéis de luxo nas ilhas Dominicanas. È Cavaco responsável por isso? Mas porque é que a responsabilidade termina em Cavaco e não vai até Mário Soares? Só porque este foi socialista( até meter o socialismos na gaveta)?E desde que seja socialista podem-se fazer todas as asneiras que estamos sempre desculpados?
Andava distraído o autor do texto no momento em que agricultura e as pescas foram destruídas? E o aumento dos funcionários públicos foi uma medida errada? Criticou-a nesse momento?
Quanto ao estado novo, que o autor do texto tanto critica, não reparou ainda que os “anéis” que o estado dito democrático tem andado a vender para alimentar um padrão de vida parasita, foram adquiridos por esse “estado novo” e que as gerações vindouras, dele, autor e quejandos, apenas vão herdar dívidas: Que se o 2estadi novo” tivesse procedido como o estado democrático, a sua qualidade de vida seria igual á que ele vai proporcionar ás futuras gerações, ou seja, pela primeira vez, as futuras gerações vão ter um padrão de vida inferior ao dos seus progenitores.
Pobre país que numa conjuntura que exige sobretudo pragmatismo, só produz gente com níveis de racionalidade bastante baixos. Um país assim não tem futuro.


De Izanagi a 16 de Junho de 2011 às 19:43
Onde se lê : aumento dos funcionários públicos, deve ler-se : aumento do vencimento dos funcionários públicos


De Os Votos do Rio a 15 de Junho de 2011 às 10:03
Os votos do Rio vão por água abaixo.

O PS entregou esta quarta-feira na mesa de apuramento dos votos da emigração um pedido de impugnação para impedir a abertura dos boletins oriundos do Rio de Janeiro, visando a sua anulação, disse à agência Lusa o deputado socialista Paulo Pisco.

O jornal adianta ainda que directora do Portugal em Foco, Benvinda Maria, tem uma conhecida ligação ao PSD e o filho conduziu a campanha do PSD no Brasil.


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