De quem descendemos nós?

Um jovem diplomata, em diálogo com um embaixador que viera a despacho com o ministro e enquanto esperavam que este os recebesse, revelava o seu inconformismo.

A situação económica do país é, deveras, muito complexa, os índices nacionais de crescimento e bem-estar, se bem que em progressão, revelavam uma distância, cada vez mais significativa, face aos dos nossos parceiros. Olhando retrospectivamente, tudo parece indicar que uma qualquer "sina" nos condena a esta permanente "décalage", que se aprofunda. E, contudo, olhando para o nosso passado, Portugal "partira" bem:

- Francamente, senhor embaixador, devo confessar que não percebo o que correu mal na nossa história. Como é possível que nós, um povo que descende das gerações de portugueses que "deram novos mundos ao mundo", que criaram o Brasil, que viajaram pela África e pela Índia, que foram até ao Japão e a lugares bem mais longínquos, que deixaram uma língua e traços de cultura que ainda hoje sobrevivem e são lembrados com admiração, como é possível que hoje sejamos o mais pobre país da Europa ocidental.

O embaixador sorriu, benévolo e sábio, ao responder ao seu jovem colaborador:

- Meu caro, você está muito enganado. Nós não descendemos dessa gente aventureira, que teve a audácia e a coragem de partir pelo mundo, nas caravelas, que fez uma obra notável, de rasgo e ambição.

- Não descendemos? - reagiu, perplexo, o jovem diplomata - Então de quem descendemos nós?

- Nós descendemos dos que ficaram por aqui...

 

Como diz o Zé das Esquinas, o Lisboeta a 20 de Junho de 2011 às 10:24

Gostava de voltar a ler aqui no Luminária, coisas sérias.
Faz tempos que não «vejo» aqui nada de jeito.
Só minudências e ressabios...
Onde pairam os ideais para uma possível melhor sociedade e vida que norteavam muito do que aqui se postava?
Andam todos escondidos? Ou «morreram»?

 

Nós, portugueses que por aqui ficamos, gostamos muito da má-língua. Coisas sérias obrigam a reflectir e cansam muito o cérebro. Cultivamos muito aquela ideia de mãe que dizia para a filha “chama-lhe p... a ela antes que ela te chame a ti”. A mãe lá saberia o que a filha andava a fazer!



Publicado por Zé Pessoa às 12:35 de 20.06.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Descendente a 21 de Junho de 2011 às 00:18
Sorbonne vai abrir ao domingo para que Sócrates possa estudar
De acordo com uma notícia avançada pelo "Expresso", José Sócrates irá, durante o próximo ano, para Paris, estudar Filosofia e aproveitar para consolidar o seu Francês Técnico. O primeiro-ministro cessante pretende, assim, tirar uma espécie de licença sabática e aprender tudo acerca do filósofo seu homónimo, incluindo uma receita antiga de caipirinhas com cicuta, as chamadas caipi-cutas. Num gesto de amabilidade, a Câmara de Paris mostrou-se disposta vedar o acesso ao Bois de Vincennes a pavões e prostitutas, sempre que Sócrates queira fazer 'jogging', e
a Sorbonne disponibilizou-se para começar a abrir aos domingos, para que Sócrates possa entregar os trabalhos a horas.


De P a 20 de Junho de 2011 às 12:57
Esses tais que demandaram o mundo fizeram-no acossados pela fome ou à força. O resto é esperança de que sejamos especiais. Qualquer humano na mesma situação geográfica teria feito o mesmo. Ter tido prejuízo com a aventura é que necessitou de um povo particular. Mas deixai, temos a cozinha portuguesa em geral e a alentejana em particular. Não morreremos de fome fácilmente.


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