Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Foi mesmo necessário passar por esta derrota?

FERREIRA FERNANDES-DN

Se na eleição para primeira figura do Estado acabou por ter uma saída airosa - uma derrota, mas com votação acima do esperado -, Fernando Nobre não conseguiu ser a segunda figura do Estado com uma derrota tão cruel como as expostas pelas televisões: apesar de ladeado por dois futuros ministros, Paula Teixeira da Cruz e Miguel Macedo, e sentado na primeira fila do PSD onde estavam Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas, ele nem conseguiu, por duas vezes, ter o pleno dos votos do partido que o propunha. As derrotas doem mais quando são desnecessárias e previsíveis.

Ao ir ontem ao Parlamento, Passos Coelho sabia que só os votos do seu partido (108 deputados) não chegavam para eleger o seu candidato a presidente da AR (116 votos, no mínimo). E o seu aliado Paulo Portas sabia que sem os votos dos centristas (24), Fernando Nobre dificilmente reuniria entre a oposição os votos necessários para, acrescentados aos do PSD, ser eleito. Desses dois saberes tirava-se uma conclusão lógica: o Governo indigitado corria o risco de sofrer uma derrota política ainda antes de tomar posse. Aparentemente, o presidente do PSD e o presidente do CDS preferiram esse risco a faltarem à palavra: Passos Coelho escudou-se na promessa que fizera de apresentar Nobre, e Portas na de rejeitá-lo. A ver vamos se mais não valia ter negociado, de forma assertiva e aliciante, com Fernando Nobre para ser ele próprio a desistir. E o líder do PSD viu aritmeticamente demonstrado - 106 votos na primeira votação (secreta) a favor de Nobre, e 105 votos, na segunda - que nem conseguiu convencer todos os seus.

Por ironia, Fernando Nobre acabaria por ver, pela forma como foram conduzidas as duas votações que o derrotaram, que a principal acusação que lhe faziam pode ser infundada. A inexperiência dos procedimentos parlamentares impediam, dizia-se, a escolha para presidente da AR de alguém que nunca fora deputado. Ora, ontem, a mesa que dirigiu as votações era constituída por três parlamentares experimentadíssimos: Guilherme Silva e Duarte Pacheco, do PSD, e Celeste Correia, do PS. Mas o traquejo não os impediu de cometer um erro na primeira votação, ao recolher os votos antes de saberem qual o quórum no hemiciclo. Quando se fez a contagem, 106 a favor, 101 brancos e 21 nulos (total: 228 deputados), deu--se conta da falta de dois deputados. Emendou--se na segunda votação, chamando deputado a deputado e só deixando um votar depois do outro o ter feito - descobriu-se quem eram os faltosos (dois socialistas). Essas emendas também Nobre aprenderia depressa...



Publicado por DC às 10:32 | link do post | comentar

3 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 21 de Junho de 2011 às 10:41
Num país em recessão e em crise social e económica profunda, estas coisas são merdelices.
haja seriedade, não percam tempo.


De Surpreende a 21 de Junho de 2011 às 11:48
Tem toda a razão, é preciso que este povo se deixe de andar apegado a ninharias e arregace as mangas para coisas efectivamente séria.

E, o PSD surpreende pela positiva, agora parece que vai propor Assunção Esteves como nova candidata para a presidência da Assembleia da República.

Se for eleita, Assunção Esteves será a primeira mulher na história do Parlamento a desempenhar tal cargo. No entanto, ainda não há garantias de que o segundo nome indicado pelos sociais-democratas tenha luz verde, uma vez que a eleição do presidente da Assembleia da República está fora do acordo entre o PSD e o CDS-PP .

Não creio que o CDS mantenha o voto em branco e que os socialistas vão votar contra.

É muito significativo e inovador ter uma mulher como segunda figura do Estado.

É caso para dizer às mulheres socialistas, que não estão satisfeitas com o partido, mudem-se... ou mudem o partido mas, não olhem para o umbigo.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 21 de Junho de 2011 às 13:03
pelo pensamento vigente no PS qualquer dia ao lado do «Movimento das Mulheres Socialistas» iremos ter o «Movimento dos Gays, Lésbicase afins Socialistas», o «Movimento dos Pretos, Amarelos e Assim-assim» e outras peuquenas ou grandes particulariedades a fazer manifestos internos...


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