Sucessão no P.S.: - e a reflexão / debate... ?!

Assis ou Seguro: o erro ou o intervalo

  O PS prepara a sucessão de José Sócrates. Depois de seis anos no poder, com muitos lugares para distribuir, sempre - em todos os partidos - mais acessíveis a quem prescinda do seu sentido critico, reaprender o debate exige uma fisioterapia política sempre dolorosa. Depois de alguns anos com um secretário-geral ideologicamente vazio e com um estilo de liderança autocrático não é fácil encontrar o seu caminho. Amarrado a um memorando trágico para Portugal e em tudo contrário aos valores fundamentais da esquerda, não será fácil, para o PS, resolver a sua profunda crise de identidade - que, sendo justo, não lhe é exclusiva.

     Neste momento, há dois candidatos à liderança.

     Francisco Assis é um homem que, não galvanizando, está preparado para os serviços mínimos. Garantir um bloco central informal, deixar passar tudo, fazer de pequenas questões simbólicas cavalo de batalha e esperar que o PSD se estampe para lhe suceder na mesma tarefa. Assis tem um posicionamento ideológico claro: a terceira via que enterrou as social-democracias europeias por muitos e bons anos. Ninguém pode dizer que não sabe o que quer. Mas o que quer apenas aprofundará a crise de representação à esquerda.

     António José Seguro é um homem que, não galvanizando, está preparado para surfar na indefinição absoluta. Garantir um bloco central informal, deixar passar tudo, fazer de coisas um pouco maiores cavalo de batalha e esperar que o PSD se estampe para suceder não se sabe bem para quê. Ninguém sabe o que Seguro pensa. Representa o mesmo vazio que enterrou o País por muitos e bons anos. Desde que nunca chegasse ao poder, seria um bom intervalo para o PS procurar uma alternativa um pouco melhor.

     Entre um e o outro, se me perguntassem a mim, que nada tenho a ver com o assunto, escolheria o segundo. Porque quanto pior melhor? Pelo contrário. Porque, num momento em que a esquerda terá de encontrar novos caminhos para a defesa do Estado Social, mais vale um intervalo do que uma escolha errada. Porque Assis pode formatar o partido às suas convicções. E as suas convicções levam o PS para um beco sem saída. Porque Seguro adia o erro e permite que o PS se dedique a uma reflexão difícil antes de fazer um disparate de que se arrependerá por muitos anos.

Às vezes é preciso parar para pensar. E Seguro será esse compasso de espera.

(-por Daniel Oliveira, 28.6.2011) 



Publicado por Xa2 às 13:40 de 01.07.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De ... a 1 de Julho de 2011 às 16:13
---- Ana
Assis ou Seguro?

Uma escolha difícil , mas os argumentos apresentados pelo DO neste post a favor de Seguro são de elevado risco. Para o DO, Seguro " desde que nunca chegasse ao poder, seria um bom intervalo para o PS procurar uma alternativa um pouco melhor" seria um intervalo e seria positivo para o País.

O problema é que a dinâmica da situação europeia pode não dar tempo a esse intervalo. A Grécia segue para bancarrota dentro de 3 semanas ou não? Se for, quem se segue?

Será que dentro de poucos meses não estamos a discutir a saída do Euro? Uma saída sem negociação e total desastre para o País?

Uma coisa é certa PSD+CDS não duram muito tempo, por um ou outro motivo (quase sempre externo), eles caem e ai, ficamos com o Intervalo e o Vazio?

Nos tempos de hoje a dinâmica não segue a velocidade da racionalidade, segue a velocidade da volatilidade.

------ pedro lourenço
desde o momento em que vi o assis quase chorar numa conferência de imprensa promovida pelo próprio, e em que apenas estava presente o próprio,
para mandar um recado aos seus subordinados de bancada parlamentar, ameaçando que se demitia caso estes viabilizassem a taxação das mais valias nos dividendos,
por alturas do escandalo da antecipação dos dividendos resultantes da venda da Vivo pela PT, confirmei aquilo de que já desconfiava, que o panhonha não é pessoa de bem...

não me admira que seguro tenha o apoio maioritário do partido. é um bom sinal para o PS.

assis tem o apoio dos interesses que sempre escolheu defender.

assis pode na verdade personificar quase 40 anos de produção legislativa ininterrupta em favor dos interesses mais obscuros e corruptos e contrários ao da maioria da população e do interesse nacional,
o que inevitavelmente nos trouxe até aqui.
não será certamente o único, mas é porventura o mais estúpido ao ponto de jogar toda a reputação de que ainda gozava e de colocar o seu próprio pescoço no cepo de uma forma tão, mas
tão descarada de defesa dos interesses de poucos contra o interesse comum,
sem que pelo menos tenha zarpado para umas dessas empresas que certamente estariam dispostas a acolhê-lo quanto mais não seja como gratificação pelo excelente serviço prestado na política.

o facto de ainda se apresentar a eleições no ps e manter a sua posição no parlamento é reflexo da mais completa falta de pudor e descaramento, bem como

de inimputabilidade de que hoje em dia larápios e lacaios como assis gozam na nossa política e sociedade em geral.
deixado a 28/6/11

-----Rui F
... A verdade é que não se vislumbra neste PS (e nos Socialistas Europeus, suficientemente neoliberalizados), ideias transformadoras ou de ruptura que devolvam o espírito da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que caracteriza o Socialismo democrático.
Vai ser muito complicado voltar a devolver à política o poder que passou para a finança.

A verdade é que a Esquerda está na encruzilhada e o desejável era mesmo haver uma sacudida valente para separar as águas.

-------Pirralha...eu?
''Há vida para além de Sócrates'' disse M.Soares em 26.5.2011.
... O PS é o Partido de matriz Social-Democrata mas, foi “vítima” dos desvios sucessivos das suas direcções, desde a “gaveta”, passando pela “3.ª via”, até ao que “hoje se vê”.
Actualmente, distingue-se do PPD (PSD foi um “acrescento” de Sá Carneiro, com um objectivo inviabilizado por Soares, numa espécie de “registo da patente”) por algumas “minudências catroguistas”, as quais serão “limadas” pela Troika

Dito” isto, penso que quem pretende “refundar” a Social-Democracia, tem dois caminhos:
1- Aderir ao PS e lutar, internamente, pelo regresso do Partido às origens;
2- Fundar, já, um Partido novo ou, começando pelo MRSD (Movimento Reorganizativo da Social-Democracia), concluir o processo com a designação de Partido Social-Democrata dos Trabalhadores Portugueses.

Pretender transformar o Bloco de Esquerda no que não está na sua génese parece-me pouco curial (utilizei um “euFMIsmo”).
A menos que a ideia seja mudar a designação para Partido Operário Social-Democrata Português…»

Se o compasso de espera ganhar no PS, abre-se uma janela de oportunidade para tentar resolver os problemas desses 2 Partidos.

Bora lá para o L. do Rato ajudar o PS ...


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