Estacionamento, trânsito e espaço Público

   Estacionamento em Lisboa: o pau e a cenoura.

        (- por Daniel Oliveira)

       O aumento das tarifas de estacionamento em Lisboa gerou grande indignação. Compreendo mas discordo. Porque este aumento foi feito exactamente como tem de ser: mais caro no centro, mais barato na periferia. Mais barato onde há mais espaço, mais residentes e menos transportes públicos; mais caro onde o trânsito é maior, onde há mais gente a trabalhar e mais transportes públicos. A mobilidade é um direito. Mas andar de carro no centro das cidades e estacionar nas artérias principais é um luxo. E basta conhecer várias cidades europeias para o saber.

      Circulam em Lisboa cerca de 700 mil carros por dia. Não há espaço para todos estacionarem. Tão simples como isto. E a verdade é que os carros estacionados por todo o lado estão a destruir a qualidade de vida dos cidadãos. A cidade não pode continuar a ser colonizada por carros, usurpando todo o espaço público que deveria estar reservado a jardins, passeios, esplanadas.

      Os cidadãos têm direito a bons transportes públicos, a preços económicos, confortáveis e pontuais. Não têm direito a ir de casa ao trabalho e do trabalho a casa no seu próprio carro e a ocupar os centros das cidades com o seu automóvel. Isso é um luxo. E os luxos pagam-se. E pagam-se caro. Na verdade, acho que o estacionamento no centro de Lisboa, para não moradores, continua a ser demasiado barato (e a fiscalização devia ser bem mais severa). Vão de carro pelas grandes artérias das principais cidades europeias. Tentem estacionar por lá e verão que vos passa logo a vontade.

      Dito isto, esperava duas coisas da mesma autarquia que tomou esta decisão:

 que se tivesse manifestado ruidosamente contra o anúncio da privatização de rotas da Carris, Metropolitano de Lisboa e CP e contra o aumento previsto para as tarifas dos transportes públicos;

e que se comprometesse destinar os rendimentos do estacionamento para o financiamento dos transportes coletivos, como acontece em algumas cidades europeias. Para exigir civismo é preciso dar alternativas. E para mudar comportamentos não basta punir ou cobrar. É preciso dar incentivos. A Câmara de Lisboa mostrou o pau. Falta mostrar a cenoura.

      A reação de quem viveu a anos a ocupar de borla um espaço que é de todos com o que apenas a si pertence criou esta ideia de que o estacionamento gratuito é um direito. Não é. E ainda virá o dia em que, como acontece em Londres, se paga para trazer um carro para a cidade e que esse dinheiro serve para financiar o transporte coletivo. Talvez aí se perceba que o transporte público, esse sim, é que é para todos. E talvez então o aumento das suas tarifas cause a revolta que merecia.



Publicado por Xa2 às 08:00 de 05.07.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 5 de Julho de 2011 às 15:27
Quem tem carro e não tem garagem terá que se habituar a pagar para estacionar à porta de casa. Mais dia menos dia o chamado cartão de residente com espaços próprios isento de pagamento venha a acabar.
Agora é natural que nós os Lisboetas reclamenm sempre que é para pagar... Faz parte do comum humanóide que a lógica e o bom senso só se utiliza quando falamos dos outros, porque quando nos «toca» a nós esquecemo-nos logo dessas qualidades...
Mas tal como quem quer viver na capital e no centro dela tem que pagar as casas mais caras quer à compra quer ao aluguer, tem terá que se habituar que se quer carro à porta também terá de contar com essa despezinha.
Não quer, vá viver para os subúrbios ou fazer um ano sabático para Paris de France, tá!


De alfacinha a 5 de Julho de 2011 às 13:20
" mais caro no centro, mais barato na periferia"
Com toda a certeza que o autor do post não vive em Lisboa. Se vivesse saberia que antes do aumento ja era mais caro no centro e mais barato na periferia.
O que aconteceu foi um aumento generalizado e mais elevado no centro.
Até estou de acordo que o estacionamento á superfície , sobretudo no centro deve ser caro, mas já é incompreensível que o custo em parques subterrâneos seja tão caro, porque se o objectivo é melhorar a mobilidade, o aumento á superficie devia ser compensado com uma redução do preço em parques subterrâneos, que repito, são exageradamente caros.
Mas o objectivo principal da CML não foi aumentar a mobilidade, mas sim aumentar a receita da EMEL.


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