UM DIÁLOGO ACTUALÍSSIMO

Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV:

Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço...

Mazarino: Se, se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino: Criam-se outros.

Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino: Sim, é impossível.

Colbert: E então os ricos?

Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert: Então como havemos de fazer?

Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.

 

PS:

Não será que é chegada a hora de contradizer Mazarino? Tudo depende do comportamento dessa tal classe empobrecida pela força das circunstâncias que foram/são o próprio mau governo (casos dos gregos) maus governantes, usurários e especuladores financeiros, agências de notação a soldo de credores.


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Publicado por Zé Pessoa às 12:57 de 08.07.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De .- Quem paga isto ?! Até quando ?! a 8 de Julho de 2011 às 18:32
De:
Governo Neo-Liberal Penaliza Trabalhador
a 5 de Julho de 2011 às 10:55

Juros e dividendos não pagam crise. Só os salários.

"Esta exclusão dos juros e dividendos do imposto especial [metade do subsídio de Natal] foi confirmada por Vítor Gaspar ao «Jornal de Negócios», depois de no Parlamento, Passos Coelho ter garantido que todos os rendimentos estariam abrangidos pelo novo imposto."

Por Nossa Senhora!... Caro Passos Coelho! Não prometa, faxavor, mais coisa nenhuma. Que os seus ministros, académicos do mais alto gabarito, puxam dos galões da ciência e estamos fo feitos com eles. E consigo.

Aqui está uma medida - esta do ministro das Finanças - que os capitalistas, os que vivem de rendimentos, de dividendos e de juros, aplaudem.
- Então quem paga a crise?
- Quem vive do salário, dos rendimentos do trabalho.

É uma decisão que, a confirmar-se, penaliza o trabalho e favorece o capital. E contraria a promessa feita na AR dois dias antes pelo 1ºM.

Será uma decisão genuinamente neoliberal, do ministro que revelou aos media ser um grande admirador de Milton Friedman (“O economista que mais admiro é Milton Friedman”).

Que defende o neoliberalismo? "Liberdade económica", "desregulamentação", "monetarização da economia", Estado fora da economia, Estado mínimo.
Frases bonitas. Que os media, os jornalistas e analistas por conta, tornaram muito simpáticas. Tão simpáticas que até dá mesmo vontade de votar nelas. O pior são as consequências. Com tais ideias, os muito ricos ficam muito mais ricos e os menos ricos muito mais pobres. Não é que os mais ricos desejem empobrecer as classes médias ou os trabalhadores mas para enriquecerem ainda mais têm de ir buscar o dinheiro a alguém. Que é que hão-de fazer, coitados?!

O guru da escola de Chicago, e um dos mais célebres economistas do sec XX, Milton Friedman, não era nenhum reaccionário, mas a sua teoria económica era muito apreciada pela mais alta finança e pelos políticos de extrema direita, seus representantes. Não foi por acaso que Friedman foi consultor económico de Barry Goldwater, o candidato da extrema direita republicana à presidência dos EUA, em 1964, que felizmente foi derrotado por Johnson. Não foi por acaso que Pinochet seguiu os seus conselhos quando, em 1975, Friedman foi ao Chile explicar como resolver a crise económica. E, seguindo a sua doutrina, Pinochet venceu a crise mas com um pequeno senão, lançou milhões de chilenos na miséria. Milton Friedman também foi muito estimado por Reagan o presidente norte-americano da viragem do sistema financeiro mundial para a desregulamentação que culminou na apoteose da grande crise mundial de 2008/2009, crise que continua, como os vulcões, em estado entre o larvar e o explosivo.

Com o tempo vamos todos ver melhor o que é o "neoliberalismo", bandeira que Passos Coelho, não sei se com plena consciência, ufano, iça a mãos ambas.

Etiquetas:
Cortes de Passos Coelho, Milton Friedman, neoliberalismo., Vitor Gaspar
# posted by Raimundo Narciso, 4.7.2011,PuxaPalavra


De fortuna+ a 8 de Julho de 2011 às 15:58
As circunstancias do nosso tempo, do tempo espomoso dos dias que passam, obrigam-nos e ficar estupidamente embecilizados ou inbecilmente estupedificados.

São os mercados, a economia, o acumular de fortunas, isto é de bens materiais, porque fortuna é, deveriam ser, outros diferentes e sentidos Seres.


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