Quem manda nas agências de 'rating'?

É accionista de referência da S&P e da Moody’s e tem participações de relevo em 36 países.

Capital Group é accionista de referência da Standard & Poor's.

É considerada a entidade mais poderosa do mundo a actuar nos mercados financeiros e talvez seja uma das mais discretas. A Capital Group é, através de uma das suas empresas, a Capital World Investors, a maior accionista da entidade que detém a agência de ‘rating' Standard & Poor's e tem uma participação de mais de 10% na Moody's. Além disto, através de fundos de investimento, a Capital World Investors detém ainda milhões em dívida soberana, onde se incluíam no final de 2010, pelo menos, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Este valor pode ser superior, já que diz respeito apenas a dois fundos direccionados para o retalho de uma das cinco entidades do Capital Group.

A reputação do Capital Group é de discrição quase absoluta. Raramente aparece na imprensa e nem sequer faz publicidade aos seus produtos e serviços. Uma das poucas vezes que a entidade financeira deu que falar aos jornalistas foi quando um dos seus analistas criticou, em 2003, o presidente da Time Warner. Meses depois, este foi demitido. O mesmo analista do Capital Group voltou ao ataque, criticando em 2008 o presidente-executivo da Yahoo por este ter rejeitado uma OPA lançada pela Microsoft. O guião repetiu-se e, meses depois, o homem forte da tecnológica foi forçado a sair do comando.

A Bloomberg refere que a Capital Group opera com "luva de veludo" no controlo e influência das empresas onde está investida. Já o britânico "Independent" refere que a instituição "é quase patologicamente receosa dos media". Mas a sua influência é inversamente proporcional ao seu ‘modus operandi' recatado.

Um estudo publicado no ano passado por dois investigadores do Swiss Federal Institute of Technology concluiu que o Capital Group era a instituição financeira com maior poder nos mercados globais. A investigação incluiu 48 mercados, concluindo que o grupo é "uma accionista proeminente do controlo simultaneamente em vários países", concluem Glattfelder e Battiston. O ‘ranking' feito pelos investigadores pode ser encarado como "uma medida de controlo e de poder potencial (nomeadamente, a probabilidade de determinada entidade conseguir atingir os seus próprios interesses em oposição a outros actores). Dadas estas premissas, não podemos excluir que os maiores accionistas com vasto poder potencial global não exerçam esse poder".

Capital Group tem mais de 10% da Portugal Telecom

O montante canalizado para dívida nacional por dois dos veículos geridos pela Capital World Investors, o American Capital World Bond Fund e o American Funds Insurance - Global Bond Fund, ficava-se pelos 19,5 milhões de euros no final de 2010, aplicados em Obrigações do Tesouro que vencem em 2020, segundo a Bloomberg.

No entanto, os investimentos do Capital Group em Portugal não se ficam pela dívida. Uma outra empresa pertencente ao universo da sociedade de investimento mais influente do mundo, a Capital Research & Management, detém 10,09% da Portugal Telecom, posição avaliada em perto de 600 milhões de euros aos preços actuais da operadora liderada por Zeinal Bava transacciona em bolsa. É mesmo o maior accionista da operadora portuguesa.

Os fundos geridos pela Capital Research & Management construíram uma participação qualificada na PT, isto é, acima de 2%, a 12 de Agosto, já depois da empresa nacional ter decidido vender a posição que detinha na brasileira Vivo à Telefónica. No final desse mês, a Capital Research reforçou a posição 5,07% e a última posição conhecida era de 10,09%, podendo ser superior sem que tenha de ser comunicada.

Poder de fogo do Capital Group é igual ao do mega-fundo da UE

Em Maio, a União Europeia, em conjunto com o FMI, tentou impressionar o mercado, com a criação do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira com um poder de fogo de 750 mil milhões de euros. Mas o arsenal financeiro do Capital Group não fica atrás do valor astronómico colocado à disposição por Bruxelas. As estimativas apontam que a sociedade financeira sediada na Califórnia tenha activos sob gestão superiores a um bilião de dólares (mais de 743 mil milhões de euros). O número é quase cinco vezes superior à riqueza produzida anualmente em Portugal.

Rui Barroso  Diário Económico 07/07/11



Publicado por Zé Pessoa às 09:20 de 11.07.11 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 12 de Julho de 2011 às 21:31
Lixo não sei se somos. Mas a EDP não é Lixo pois se ainda no ano passado premiou com verbas escandalosas os seus admnistradores pela excelência do desempenho...
Agora estou à espera que as tais agências classifiquem os líderes partidários que com as suas excelentes políticas levaram os seus países ao Lixo, ou será que quando estas classificam os Países estavam mas era a referir-se já a eles?
Se é assim estou a começar a perceber a coisa...


De Enlouqueceram a 11 de Julho de 2011 às 17:15
A Europa está rota e não consegue segurar um pingo de bom senso.

Reuniram-se todos os máximos responsáveis das instituições europeias, nas vésperas do encontro de todos os ministros das finanças da respectiva (des)União, ECOFIN e de tal encontro, ao mais alto nivel, nem sequer um comunicado conjunto foi lido.

Esta gente anda perdida ou enlouqueceu, só pode.


De Sacrificios com justiça ? a 11 de Julho de 2011 às 15:19
"A retórica de ataque aos mercados internacionais não cria um único emprego, nós devemos fazer o trabalho que nos compete de forma a reduzir a nossa dependência do financiamento externo sempre com uma grande preocupação de distribuir, com justiça, os sacrifícios que são pedidos aos portugueses." Declaração feita em 09.11.2010.

Pela data podemos constatar que não foi La Palisse quem fez tão eloquente afirmação. foi um senhor de Boliqueime que até foi 1º Ministro em tempos de muitos fundos estruturais vindos da então CEE para fortalecer a economia nacional.

A agricultura, as pescas e a industria nacionais tiveram a evolução que todos sabemos.

Agora vivemos, uns fazendo sacrifícios outros sacando, para offshores , os capitais que nunca serão investido em território nacional mas que teremos de pagar.


De .NÃO PAGO a Dívida PRIVADA doutros! a 11 de Julho de 2011 às 15:03
A ''dívida soberana'' portuguesa (independentemente de grande parte ser injusta, odiosa, insuportável, ... ) compreende uma parte de Dívida Pública e outra parte de Dívida Privada.

- Pela Dívida PÚBLICA são os cidadãos (e seus descendentes...) responsáveis, no seu conjunto, porque são eles que constituem a essência do Estado da República Portuguesa.
E terão de PAGAR a 'factura' com que os seus representantes político-governativos se comprometeram.
Posso não gostar/aprovar o modo como foi feito o défice ... mas porque sou cidadão (e residente e aqui tenho rendimentos ou bens) e vivo em democracia lá terei que pagar a minha quota-parte ... através de impostos ... (que deverão ser repartidos de forma Justa ...)..

- Mas, pela Dívida PRIVADA (feita pelos bancos, empresas e famílias...), que é a maior parte, já os cidadãos, no seu conjunto, se devem OPOR a esse ESBULHO.
Os cidadãos, no seu conjunto, NÃO DEVEM nada ao BPN, BCP, ... construtores civis, etc., e quem, individualmente, lhes deve alguma coisa essa é uma dívida privada a tratar individualmente, nos tribunais se necessário.
E se o devedor (individual ou casado em comunhão de bens, ou sócio de empresa com dívidas...) não puder pagar deve ser dado como INSOLVENTE, tal como se a empresa privada (ou o banco privado) não puder pagar a outros (nacionais ou estrangeiros) deve abrir FALÊNCIA e os credores que se fiquem pela massa falida ou bens existentes da empresa, seus sócios e gerentes ... o resto dos CIDADÃOS não têm nada a ver com isso e NADA DEVEM PAGAR.

Fazer/obrigar o conjunto dos cidadãos a pagar (através de impostos, taxas, cativações, ...) dívidas privadas é ANTI- CONSTITUCIONAL, é ILEGAL, é INJUSTO, é contra as próprias regras do capitalismo e do Direito privado, é um Esbulho, é um ROUBO. .

Eu NÂO PAGO dívidas de Privados porque não sou responsável por elas... e a benemerência ou caridade escolho-a eu, NÃO ACEITO que PRIVADOS condicionem os EXECUTORES do MEU ESTADO e me IMPONHAM Dívidas PRIVADAS ... pois esses privados também não repartiram comigo os seus LUCROS, nem sequer me pediram qualquer opinião..

Cidadãos, RECUSEM PAGAR a DÍVIDA PRIVADA.


De Zé T. a 11 de Julho de 2011 às 10:20
No passado, as canhoneiras impunham a ''Lei e ordem colonial'' (rapinando recursos), depois vieram as empresas de produção (ex: «Americam Fruits», «Nestlé», «Bayers», ...) que passaram a dominar países inteiros (pondo e depondo governantes...), a par de «Agências de espionagem+ intervenções militares selectivas» (ex: invasão e golpe de estado na pequena Granada, ...),
agora temos as mais ''independentes e camufladas corporações financeiras +agências de rating'' - ''os mercados'' - que compram/vendem/destroiem outras empresas, países, moedas, continentes, ... mandam literalmente no Mundo (com e através do dinheiro que movimentam ou ameaçam mexer ...) sem precisarem de disparar uma espingarda... basta um sussurro, uma notícia/'análise', uns clics num computador.

- Onde está a SOBERANIA de um ESTADO (um país ou uma União de países) ?!,
- onde está o PODER e a LIBERDADE de decisão e auto-determinação política e económica de um Parlamento ?!
- Os Países, as autarquias, os recursos naturais e os direitos das comunidades, dos povos, foram entregues a AGIOTAS/sanguessugas/ ABUTRES/''Bangsters'' acoitados em paraísos fiscais/offshores e mascarados atrás de uma teia de empresas e ''marionetas'' na Bolsa, nos conselhos de Administração, nos Parlamentos e Governos ...
e nós deixamos ... em nome da ''liberdade dos mercados a funcionar'', do neo-hiper-liberalismo .

- Até quando vamos continuar a permitir isto, CIDADÂOS ?


De 'Lixado' à força. mas Lixo NÃO sou. a 11 de Julho de 2011 às 13:51
Eu, por mim, não!
[SãoJ.Almeida, Público.pt, 09-07-2011]

1. Será que podemos pedir ao Governo que afinal não cobre um imposto extraordinário sobre o rendimento do nosso trabalho em 2011, como pensam fazer no final do ano?
É que as intenções que levam a tal sacrifício, em Portugal, não são entendidas pelas agências de rating.

O novo Governo do PSD e do CDS, até fez uma profissão de fé neoliberal, prometeu e já começou a ir mais longe do que a receita neoliberal determinada no memorando assinado por Portugal com a 'troika'. Foi, assim, mais papista do que o Papa.

Registando, sem comentar, a facilidade e a rapidez com que as opiniões sobre este assunto mudaram em Portugal - apenas pergunto:
então agora já não é preciso "acalmar os mercados"? -, aparentemente porque mudaram os partidos no Governo, confesso que a decisão da Moody"s de baixar o rating de Portugal era, para mim, expectável.

O capitalismo financeiro não vive de boas intenções e, na guerra entre o dólar e o euro, não se deixa impressionar por profissões de fé ideológicas, por muito que elas estejam de acordo com cânones por que se rege o próprio sistema, desde que elas não sejam suficientemente úteis e não dêem o lucro pretendido. E a Moody"s segue as regras e quer mais e mais. E é preciso que a venda do património empresarial público que vai começar seja feita a verdadeiro preço de leilão.

Isto porque há coisas que não mudam e a história mostra-o. A essência do capitalismo, o que o move nas suas várias etapas, desde o seu início no século XIV, é o lucro. E a sua evolução na obtenção de formas de o engrandecer foi feita em combate com as forças que o tentaram regular: os Estados. É por isso que é permanente a guerra entre a "liberdade do mercado" e a sua regulação pelos Estados, a disputa pelo predomínio entre o poder político e o poder económico, a luta entre os vários momentos do liberalismo económico (renascido há trinta anos e rebaptizado de neoliberalismo) e as várias formas de estatismo, de esquerda ou de direita, democratas ou ditatoriais. É por isso que historicamente cabe ao capitalismo, e não só ao actual capitalismo financeiro, defender e aumentar as formas de obter lucro, bem como cabe aos Estados defender o interesse das populações - de formas mais ou menos democráticas, com soluções mais à esquerda ou mais à direita -, de modo a que haja equilíbrio na sua exploração pelo capitalismo e na defesa de algum bem-estar. E evitando-se assim o que se convencionou chamar de capitalismo selvagem.

Há uma coisa que a história também ensina e é que, para que haja lucro, é preciso que haja consumo, para que haja consumo, é preciso que haja produção e poder de compra e, para que isto exista, é necessário trabalho, que é a base do sistema, tal como o fim é o lucro. E, para que o sistema funcione, é preciso que quem trabalha seja pago para poder consumir aquilo que é produzido pelo seu trabalho. Ou então regressamos à escravatura. Ou seja, é pelo salário que recebe pela venda da sua força do trabalho que a população mundial tem assegurado o lucro do capitalismo. Quer pelo que recebe e gasta a consumir os produtos produzidos, quer, claro, através do que não recebe por ser pago abaixo do nível do que produz. Acresce a esta forma clássica, uma outra fonte de lucro, o do investimento não produtivo, o dos rendimentos no que se chama o mercado financeiro, e que é ele mesmo essencial à actual fase de capitalismo financeiro.

- : como é possível alguém acreditar que é baixando drasticamente o poder de compra das populações e impossibilitando o estímulo do funcionamento da economia grega ou portuguesa ou irlandesa que se ultrapassa o bloqueio a que chegou o crescimento económico?

Até quando teremos que esperar que a União Europeia, como um todo, perceba que tem de encontrar novas regras de funcionamento e reinventar a forma de cumprir o seu papel histórico enquanto poder político e regulador do sistema, para coconseguir equilibrar a sua relação de forças com o poder económico e financeiro? Quando vai a União Europeia retomar o seu papel de representante política das suas populações? Vai esperar que o euro rebente? Ou mesmo que a própria União colapse? Será assim tão grande a sua falta de autonomia em relação ao capital financeiro?

2. ..


De 'LIXO' é a Comiss.Europeia e Governantes a 11 de Julho de 2011 às 14:21
...
- Até quando teremos que esperar que a União Europeia, como um todo, perceba que tem de encontrar novas regras de funcionamento
e reinventar a forma de cumprir o seu papel histórico enquanto poder político e regulador do sistema, para conseguir equilibrar a sua relação de forças com o poder económico e financeiro?

Quando vai a União Europeia retomar o seu papel de representante política das suas populações?
Vai esperar que o euro rebente?
Ou mesmo que a própria União colapse?
Será assim tão grande a sua falta de autonomia em relação ao capital financeiro?

2. Há um aspecto desta situação - meramente simbólico, admito - que me faz uma impressão danada.
- Será que nenhum representante político português estranha - já não digo indigna-se, apenas estranha - a expressão "Portugal é lixo"?
- Que valores regulam hoje a sociedade portuguesa que permitem que ninguém reaja a esta expressão?

Provavelmente vou ser acusada de nacionalista - o que até me faz sorrir -, mas, caramba, ninguém reage à ideia de Portugal ser lixo?!
Um país é lixo por decisão de uma empresa privada?!

Um país, uma nação, uma comunidade unida por factores comuns como a língua, a história, a cultura, por aquilo que se convencionou chamar a unidade nacional de uma população, é lixo?
Será que aceitamos todos ser atirados para o caixote do lixo?
Eu, por mim, não!

(-SãoJ.Almeia, Público.pt)


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