Estado é refém dos oligarcas, abutres e media

                A crise vista dos States

    Vê-se pouco, na TV, em Washington, onde me encontro.
Só por causa das oscilações da Bolsa, se alude ao ataque das "rating agencies" a Italia. Tirando o escândalo do império Murdoch no Reino Unido, nada mais europeu existe. Nem sequer a explosão devastadora em Chipre, de que recebo notícias por colega cipriota.
     Em compensação, no Congresso, todos perguntam pela crise na Europa, todos falam da Grécia, todos temem o contágio, mesmo os menos informados Senadores e Representantes sabem que Portugal e Espanha estão no radar dos abutres, perguntam como é, como será, o que vai fazer a Europa.
     Regulação, regulação, regulação - de ambos os lados se concorda que é indispensável e se admite que ainda não aconteceu.
O Dodd-Frank Act está a ser boicotado na aplicação, reconhecem. "Too much money, too much lobbying" dos bancos, financeiros e cia.
    O controlo dos (paraísos fiscais/'offshores') "tax havens" / a "Delaware question", que persistentemente trago à colação, todos concorrem ser indispensável, mas poucos tentam sequer explicar porque nada acontece.
    O que está a dominar o discurso político e mediático é a disputa entre Administração e Congresso sobre o pedido aumento do tecto de endividamento, para que o Estado não incorra em "default" no inicio de Agosto. Tudo se comporá entretanto, todos asseveram, dando força à tese de que os Republicanos, reféns dos populistas e extremistas eleitos pelo "Tea Party", estão já a ensaiar em tom "nasty" a medição de forças para ver se no próximo ano inviabilizam a re-eleição de Obama, cada mais indigerivel para eles ( e uns Democratas a ajudar à missa, receosos de não serem re-eleitos para o ano...).
    De forma incoerente, o líder da minoria Republicana no Senado, Mitch Mcconnell, sugeria hoje que o Presidente assumisse sozinho a decisão de elevar o endividamento, marimbando-se para a House - a mesma que há semanas o censurou por avançar com meios militares na Líbia, sem antes a ouvir...
Obama pede pela primeira vez para aumentar o limite do endividamento. Bush filho pediu sete e conseguiu sempre. Já aconteceu mais de 50 vezes desde os anos 60.
    No fundo, nos States, como na Europa a questão é quem vai pagar a crise:  os mais ricos  ou  os pobres  e a classe média, a sofrer mais cortes no financiamento da assistência médica, como quer a direita, apostada em não deixar cobrar mais impostos aos ricos.
    Que o sistema é escandalosamente injusto, admite-o o multimilionário Warren Buffet, accionista principal da famigerada Moody's, ao apontar que a sua secretária paga mais do dobro do que ele em impostos: ela é taxada a 33% pelo salário, ele apenas 14% pelas mais-valias milionárias do capital que investe...
     A MSNBC explica como a resistência da direita ao aumento de impostos (aos ricos e multi-milionários), instilada por media (ou mídia: TVs, jornais, rádios, ... controlada por multimilionários) como a FOX News, tem tudo a ver os interesses do império Murdoch, que arrecadou lucros fabulosos nas ultimas décadas, desde que Rupert Murdoch se naturalizou americano, beneficiando de todo o tipo de isenções.
    Nos EUA, como em Portugal e na Europa, voltamos sempre à velha questão:

 vamos usar o Estado para forçar os ricos a partilhar com os pobres, ou pelo contrário, vamos tornar os ricos cada vez mais ricos, à custa dos pobres?



Publicado por Xa2 às 08:07 de 13.07.11 | link do post | comentar |

7 comentários:
De ..PERIGO ! LADRÕES !!.. a 15 de Julho de 2011 às 12:40
Claro como a água

[ PERIGO , LADRÕES ]

Há alturas em que, não fosse as consequências serem tão dramáticas para a nossa economia e sociedade, quase agradeceríamos certos anúncios e medidas que tornam claro como a água do lado de que classe e de que interesses está o governo -

e ajudam a afastar as ilusões que ainda possam ter os mais ingénuos
(deve haver bastantes, visto que os elegeram):

Rendimentos do capital ficam isentos do imposto extraordinário -
que é como quem diz, os trabalhadores e pensionistas que paguem a crise.


(-por Alexandre Abreu, Ladrões de Bicicletas, 15.7.2011)


De Finança global ASSASSINA. a 13 de Julho de 2011 às 23:43
Vejam :
«Confissões de um assassino económico» (os dois links abaixo complementam-se) ou '' Como os Estados Unidos utilizam a globalização para defraudar os países pobres em triliões de dólares-
entrevista de John Perkins'' -'expert' da Banca internacional em associação com agências dos EUA .

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=dFtijO8qM6A

http://resistir.info/eua/perkins_hit_man_port.html


De concordo a 18 de Julho de 2011 às 14:52
Apresenta uma explicação que considero muito plausível para a perseguição de que o Euro está a ser alvo.

Deixo ao vosso critério.
mas repito - isto só vai com uns tiros em alguns abutres, enquanto isso não acontecer vamos continuar neste aprisionamento

Como se Destroi um País – Jonh Perkins
>
>
>Na quarta feira dia 6 de junho de 2011, o jornal expresso publicou um artigo interessantíssimo com o titulo Como se Destrói um País, que gerou um bom leque de comentários. Os colegas do Economia e Finanças também fizeram referencia a este artigo.
>Não posso deixar de partilhar com todos os leitores o video publicado pois fornece sinais para reflectir sobre a veracidade da mensagem que o autor Jonh Perkins pretende passar ao mundo.
>Fica ao critério de cada um, mas não posso deixar de fornecer a minha opinião pessoal, pois acredito que em todas as guerras existem interesses comerciais e financeiros e sempre que se fala de petróleo temos lá a potencia mundial.
>De igual modo, acredito que se esta informação fosse verdadeira, não estaria assim tão acessível a todos e este Senhor também já teria sido alvo dos Chacais que o vídeo tanto fala. Por outro lado, durante tantos anos foi possivel esconder esta estratégia do mundo e de um instante para o outro, um senhor apenas, consegue desvendar tudo.
>Estou reticente… Vejam o vídeo… Dêem a vossa opinião…
>COMO SE DESTRÓI UM PAÍS


De Explicação precisa-se a 13 de Julho de 2011 às 16:41
Como é isso de por os privados a participar no financiamento das dividas, ditas, suberas dos esatdos ?
Quem, neste blog, poderá fazer um post a explicar, se é quem alguem terá conhecimento para tal?


De . a 13 de Julho de 2011 às 18:00
Veja os posts sobre economia política...

Simplificando:
«Pôr os privados a participar no financiamento das dívidas soberanas (dos países em crise: Grécia, ...)»

Em vez de ser só UE/BCE/FMI a comprar dívida (emprestar dinheiro a juros ...) a UE/ecofin/conselho/Merkel-Sarkozi quer que os Bancos/investidores... também arrisquem mais (e comprem mais dívida e reinvistam... apesar de já estarem a lucrar imenso com os juros agiotas do mercado secundário de dívida e títulos e acções dos Estados mais frágeis).


De De que lado estamos? Contra-ATACAR.. a 13 de Julho de 2011 às 11:21
A luta de sempre. A da repartição da riqueza

Continua a guerra entre os congressistas republicanos, numa já longa deriva de direita muito extremada e o governo de Obama.
Em causa o teto da dívida federal que pode colocar os EUA em incumprimento, em 6 de Agosto, o que sucederia pela primeira vez na história do império, com consequências imprevisíveis.

Os republicanos querem que o governo diminua as despesas, "emagreça" o Estado (onde é que já ouvi isto?...) querem que elimine a reforma da saúde de Obama que permite pela primeira vez o acesso à saúde de milhões de norte-americanos pobres, ou que o reduza drasticamente.

O governo não quer eliminar a sua promessa eleitoral mais simbólica e aceitando fazer algumas concessões, quer pôr fim ao maná, do tempo de W.Bush, que foi a drástica baixa de impostos às grandes fortunas.

Também por cá, a nossa direita ( e recentemente um membro deste governo), lança o balão de ensaio da diminuição do número dos escalões de IRS,
obviamente para diminuir a progressividade deste e favorecer as grandes fortunas.
Espadejam com um argumento "fortíssimo" e comovente, simplificar o IRS.

Os muito poderosos querem ser, sempre, mais poderosos.

Em resumo, o braço de ferro mantém-se entre o Obama, humanista, sim,
mas demasiado conciliador e crente num consenso entre o bando das raposas e as galinhas,
entre a cúpula radical das grandes fortunas e o cidadão comum.

É um braço de ferro, duríssimo, pela repartição da riqueza.

Afinal, lá na América, como por cá, na União Europeia e em Portugal.
É a lógica natural do capital financeiro, sem regras,
na sua crescente arrogância, sentindo-se impune sem o perigo que antes, o comunismo lhe inspirava e o travava. (Link)


Etiquetas: default, incumprimento dos EUA, Obama, Reparição da riqueza
# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra


De .''Mercados abutres''... até quando?. a 13 de Julho de 2011 às 11:16
Mercados
EUA: dívida quase bate o PIB, mas rating é o melhor
Só que risco de não haver dinheiro para pagar aos credores é muito menor do que nos países da Europa.

São precisos 15 números para contabilizar a dívida pública dos EUA, que ultrapassa os 14 biliões de dólares. É quase o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar do elevado endividamento e do défice orçamental ser maior do que em muitos países europeus, os EUA têm o rating mais elevado do mundo. É que o risco de não haver dinheiro para pagar aos credores é muito menor do que nos países da Europa.

Vejamos: com uma dívida equivalente a 98% da riqueza produzida e um défice orçamental de 9%, os EUA têm nota máxima nas três agências de rating. Ao contrário do que está a acontecer na Europa, as agências não atribuem risco de incumprimento ao Estado norte-americano.

Mas há quem defenda que as agências de rating estão a usar dois pesos e duas medidas. Este ano, a dívida pública norte-americana deverá ultrapassar os 15 biliões de dólares. E estima-se que continue a crescer chegando acima dos 20 biliões em 2016.

De acordo com as previsões orçamentais, o défice norte-americano vai atingir o valor mais alto de sempre este ano. A redução só começa a verificar-se a partir de 2012, mas é feita sobretudo à custa do aumento da receita.

As estimativas mostram que a despesa do Estado vai continuar a crescer mais um bilião de dólares nos próximos cinco anos.

(- em 12.7.2011, http://www.agenciafinanceira.iol.pt/mercados/eua-rating-divida-pib-mercados-agencia-financeira/1266053-1727.html )
------------------------
FMI / Lagarde: incumprimento dos EUA seria «devastador»
------------------------
Rating da Irlanda: Corte enerva a bolsa (em queda); Euro ignora decisão da Moody's


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