Auditoria às contas públicas e à ''dívida soberana''

Queres uma auditoria às contas públicas? Toma!

Pois, bem me parecia. Um desvio colossal afinal não é um "desvio colossal".

Contem-me histórias, que eu gosto: é claro que o Governo PSD/CDS não está interessado numa auditoria às contas públicas. Porque, se isso fosse feito por uma entidade independente (estrangeira, obviamente) - vamos dar asas à mais delirante das hipóteses - descobrir-se-ia que o buraco já vem de longe, de muito longe, de outras frentes PSD/CDS, quem sabe (submarinos, disse? Sobreiros, o quê? casa da Coelha, quantos?).

O centrão serve para isto mesmo: agora fico calado eu, agora ficas calado tu. Os interesses têm de continuar a fluir como água suja debaixo da ponte. E o nosso dinheiro, o que vem do aumento de impostos, também, para as contas em paraísos fiscais que bancos e empresas que ganham contratos com o Estado mantêm. A máquina funciona tão bem... para quê o grão de areia na engrenagem? 

 

            ''Foi você que pediu uma auditoria às contas públicas ?''

Na minha terra, um "desvio colossal" é sempre "um desvio colossal". Não estamos a falar de uma "diferença brutal"; ou sequer de um "buraco orçamental".Não, esperai; se calhar, estamos. É isso? Aquele buraco que o presidente Cavaco tapou bem tapadinho, impedindo - certamente em nome do "interesse nacional" (essa santa panaceia para a curiosidade natural dos cidadãos) - que fosse feita uma auditoria às contas portuguesas? Isto há menos de quatro meses? Um desvio colossal, disse? E não poderia, sei lá, ser menos específico?

Esperamos resposta, até porque a tal auditoria às contas públicas - o mínimo que seria exigível perante o descalabro dos últimos anos - é uma utopia, um sonho cerceado em nome do "interesse nacional". Agora sem desculpas, cá esperamos ansiosos para saber exactamente o que significa "desvio colossal". E uma explicação para esse desvio; que seja cabal

 (- por Sérgio Lavos)



Publicado por Xa2 às 08:01 de 16.07.11 | link do post | comentar |

10 comentários:
De .Nem pobres nem ricos são o ALVO. a 18 de Julho de 2011 às 10:00
Pobres dos que não são nem pobres nem ricos

As preocupações sociais do governo já estão devidamente parametrizadas e se existiam dúvidas estas foram esclarecidas pela conferência de imprensa do ministro das Finanças. Estão excluídos de qualquer medida de austeridade os que vivem dos rendimentos do capital e os não declaram mais do que o ordenado mínimo, uns porque são pobres e outros porque são ricos.


Na perspectiva do governo devem ser alvo de medidas de austeridade todos os que trabalhem e que ganhem acima do ordenado mínimo, são estes que pagarão as medidas de apoio aos pobres ou supostos pobres, aos bancos onde o dinheiro dos mais felizardos rende dinheiro e o desequilíbrio das contas públicas. Estes estão encurralados no curral fiscal em que o país se está transformando para os trabalhadores por conta de outrem e, principalmente, para a chamada classe média que todos prometem proteger.


Não admira que a o grupo Cofina, uma das possíveis beneficiárias da privatização da RTP, se tenha apressado a encomendar uma sondagem à Aximage no dia seguinte à conferência de imprensa de Vítor Gaspar e tenha concluído que metade dos eleitores apoiavam a medida. Compreende-se, com tanta gente a rir-se dos que vão suportar os custos da folga e Passos Coelho não admira que as medidas tenham tanto apoio.


Aliás, se Passos Coelho fosse esperto em vez de mexer nas taxas do IVA voltava a aplicar um imposto extraordinário no próximo ano. Evitava que os “pobres” e os donos de restaurantes e mercearias mudassem de opinião continuando a apoiar as medidas de austeridade.


O problema começa a saber quem é pobre em Portugal, os que ganham 500 euros e beneficiam dos mais diversos apoios e isenções ou os que ganham 1500 euros e não beneficiam de quaisquer apoios, pagam taxas elevadas de impostos, sofrem cortes de vencimentos e suportam os impostos extraordinários. Isto sem considerarmos que uma boa parte dos que ganham o ordenado mínimo não passam de falsos pobres pois em muitos sectores de actividade está a generalidade de pagar uma parte do ordenado “por fora” apenas se declarando ao fisco e à Segurança Social o montante equivalente ao ordenado mínimo.


Mas para o ministro das Finanças está tudo bem, Portugal é exemplar no combate à evasão fiscal e esta realidade não merece preocupações. É mais prático ignorar a realidade social, a injustiça latente em muitos apoios sociais tantas vezes denunciada pelo PSD, fazer de conta de que não há evasão fiscal, ignorar que a economia paralela representa mais de 20% da actividade económica e centrar a austeridade cobrando impostos aos que estão presos no curral fiscal.

- por Jumento, 16.7.2011


De 1º imposto ''extraordinário''...quietinh a 18 de Julho de 2011 às 10:15
O imposto por prudência


«Os portugueses ouviram ontem da parte do ministro das Finanças tudo o que sempre (ou, pelo menos, de há umas semanas para cá) quiseram saber sobre o novo imposto extraordinário mas tinham medo de perguntar.


Trata-se, como os portugueses devem lembrar-se (se tiverem melhor memória do que o primeiro-ministro), do imposto que Passos Coelho, em campanha, tinha "garantido" que, a ser necessário, incidiria sobre o consumo e não sobre o "rendimento das pessoas" e que, afinal, vai incidir sobre o rendimento de 1, 7 milhões de famílias e de 700 mil reformados.


E é, a vários títulos - confirmou-o o ministro -, não um imposto extraordinário, mas um extraordinário imposto, com o qual o Governo, só por "prudência", irá cobrar 1025 milhões a portugueses escolhidos a dedo. E quem são os felizes contemplados? Quem trabalha (75% desses 1025 milhões virão de salários) e quem já trabalhou (reformados e pensionistas, que pagarão o resto da factura, com excepção de uns trocos de senhorios e de quem tiver a infeliz ideia de vender alguma casa ou terreno em 2011).


Já os portugueses que têm dinheiro a trabalhar por eles nos bancos ou nas empresas podem ficar descansados: a consigna é "trabalhadores e reformados que paguem a crise, que já estão habituados". O Governo só não irá ao bolso de quem vive com os 485 euros por mês do salário mínimo. Também por "prudência": provavelmente não encontraria lá um cêntimo, só cotão.» [Jornal de Notícias], Manuel António Pina.


De . Defende Capital contra Trabalho !! a 18 de Julho de 2011 às 12:36
MM não poupa PCoelho, 15.7.2011

O imposto extraordinário que o Governo vai aplicar este ano mostra a sua verdadeira natureza de defensor dos interesses do capital contra o trabalho.

É chocante que os salários sejam taxados com mais um novo imposto e que os lucros dos capitalistas recebidos em dividendos e juros de depósitos não o sejam.

Seria admissível que se deixassem de fora dividendos ou juros abaixo de certos valores mas deixar de fora todas as grandes fortunas, gente que não vive de salários mas que recebem milhões de euros por ano em dividendos e juros é verdadeiramente escandaloso.

A desculpa tola, dada pelo ministro das Finanças, de que ir taxar os que recebem juros ou dividendos seria contrariar o esforço de poupança, não passa de isso, uma explicação tola ou que pretende fazer de nós tolos.


Muito bem disse, ontem, na TVI24, Marques Mendes, no comentário ao novo imposto, que
"isentar os que têm dinheiro para fazer depósitos de 500 mil, 1 milhão e muito mais, como se sabe, e aplicá-lo a quem não tem dinheiro para aforrar não me parece minimamente justo".


"O ministro das Finanças, perdeu uma grande oportunidade para mostrar que este Governo é diferente dos outros.
Antes de pedir mais sacrifícios às pessoas devia ter dado o exemplo e começar por cima, começar por cortar no Estado, nas mordomias, nas gorduras do Estado, nos institutos"


Marques Mendes disse que lá por apoiar o Governo não podia ir agora dizer o contrário do que antes defendia
e, depois de se desquitar com umas quantas loas ao Governo, como preço da sua qualidade de militante e ex-dirigente do partido do governo, o ex-lider do PSD,
não teve papas na língua e disse o que está à vista de todos com o novo imposto.


De Direita no Poder... a 18 de Julho de 2011 às 10:24
Contra a balança torta
...
Com estes exemplos não narrei quaisquer factos, mas penso ter traduzido fielmente a diferença que todos sentimos entre dois climas: o de antes deste governo e o de depois deste governo.
Por isso, podem dizer-me, com alguma razão, que a direita em todos o seus estados está a transformar, aceleradamente, o país numa anedota ambulante.
Mas não podemos deixar de nos lembrar que a direita nunca faz nada gratuitamente.


De facto, ela parece sonhar, com intensidade crescente, com uma sociedade em que uma casta de senhores (a estreita camada dirigente da direita ) oprima e explore uma multidão de cidadãos, mas fazendo-os sentir como os únicos culpados por tudo aquilo que sofram.

Pelo contrário, eles, os de cima, apresentam-se como quem, sem ter feito nada para isso, mas apenas por ter sido tocado por uma fortuita sorte ou pela excelência, é vítima das circunstâncias.

E assim sofre contrariadamente com os seus privilégios, com o seu poder e com a sua riqueza, vivendo a desgraça de os ter que aproveitar.

Tudo isto, melifluamente, sorrateiramente, gradualmente, mansamente; e, quando absolutamente necessário, muito santamente.

-por Rui Namorado, OGrandeZoo, 17.7.2011


De .inimPUTÁveis a 18 de Julho de 2011 às 12:17
Os inimputáveis
por Bruno Sena Martins, Arrastão, 14.7.2011

"Jardim só aplicou 29,5% das verbas recebidas na reconstrução Madeira:
O governo regional utilizou pouco mais de um quarto das verbas que recebeu em 2010 do governo da Republica para a reconstrução das zonas afectadas pelo temporal de Fevereiro de 2010."

Porquê ? E o resto onde está ? para onde foi ? !! E ninguém vai preso ?!!


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