''Ajuda'' agiota e ambição pessoal /nacional fractura a Europa

A via dos juros

«O presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o alemão Klaus Regling, explicou ontem porque é que portugueses (e gregos, e irlandeses) devem escrever "ajuda" com aspas quando se referem aos planos de resgate da dívida soberana apoiados por países como a Alemanha: "Até hoje, só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos e a diferença reverte a favor do orçamento alemão".

Repetindo o retrato que do colonizado faz o colonizador, Merkel diz que portugueses (e gregos, e demais "pretos" dos países do Sul) não gostam de trabalhar. Por sua vez, na passada semana, Hans-Werner Sinn, presidente do IFO, afirmou que "os portugueses e os gregos vivem à custa dos alemães".
 Dados da OCDE e do EUROSTAT revelam porém que portugueses e gregos trabalham afinal mais que os alemães: os gregos 2119 horas por ano, e os portugueses 1719 (espanhóis 1654, italianos 1773), enquanto os alemães se ficam por 1390. Os mesmos dados mostram que a produtividade individual é semelhante na Alemanha e nos países do Sul, e que, na Grécia, a produtividade horária é até superior à da Alemanha.

Tudo isso mais as afirmações de Regling confirmam o óbvio: que os alemães é que vivem à nossa custa e dos demais PIIGS do "Lebensraum". Por algum motivo Helmut Kohl acusa a Alemanha de, pela mão da ambição hegemónica de Merkel, estar a fracturar de novo a Europa
[JN, Manuel António Pina].


Publicado por Xa2 às 08:07 de 19.07.11 | link do post | comentar |

2 comentários:
De little pear tree a 20 de Julho de 2011 às 10:05
encontrei por acaso este blog, mas fiquei fascinada com os textos: informativos e não meramente opinativos. tenho aprendido muito, principalmente a pensar. obrigada.


De Melhor Europa : pela confedração da UE. a 19 de Julho de 2011 às 12:37
António José Seguro, candidato à liderança do PS, diz que a Alemanha ganha com os empréstimos a Portugal e exige uma redução das taxas de juro a cobrar aos países periféricos que enfrentam processos de consolidação orçamental.

As posições do candidato ao cargo de secretário-geral do PS foram assumidas em entrevista à agência Lusa, na qual defendeu que a Alemanha, assim como outros países do Norte da Europa, "têm beneficiado com os pagamentos de altos juros por parte dos países que precisam de fazer consolidação das suas contas públicas". Interrogado se a criação dos chamados "eurobonds" não levará a médio prazo a um aumento dos juros a pagar pelos cidadãos alemães, holandeses e austríacos, já que a dívida dos diferentes Estados-membros passaria a ser comum nos mercados internacionais, Seguro considera que essa questão está colocada ao contrário.

"Portugal paga taxas de juro à União Europeia superiores às taxas de juro que os países que emprestaram dinheiro obtêm quando se vão refinanciar aos mercados. Quem nos empresta dinheiro é beneficiário desse diferencial de taxas de juro para os seus orçamentos, podendo por essa via ajudar ao desenvolvimento das respectivas economias", contrapôs o candidato à liderança do PS.

António José Seguro advoga que a União Europeia tem de tomar decisões rapidamente. "Os eurobonds podem ajudar ao financiamento de qualidade em zonas que precisam de crescimento económico; a Europa pode e deve criar de imediato uma agência de rating independente; pode e deve baixar as taxas de juro dos empréstimos que concedeu a Estados-membros, designadamente a Portugal; pode e deve reforçar o orçamento da União Europeia, que até agora pouco pode ajudar ao desenvolvimento e à convergência económica", apontou o ex-eurodeputado socialista.

Para António José Seguro, ou se olha para a Europa "como correspondendo a um projecto de solidariedade, de coesão territorial e social, onde todos partilhamos recursos e as vantagens dessa construção europeia, ou então a Europa não tem sentido nem futuro". "Quando olho para a Europa, não gosto do que vejo, porque, actualmente, as agendas nacionais sobrepõem-se e transportam um egoísmo que não tem sentido -- o Conselho Europeu de Junho último foi um exemplo disso mesmo ao não resolver o problema da crise financeira grega", apontou.

Já em relação à próxima cimeira de chefes de Estado e de Governo, quinta-feira, em Bruxelas, Seguro diz aguardar com expectativa os resultados. "Espero bem que a Europa decida e não faça apenas belas proclamações, porque caso contrário tudo não passará de um debate estéril e inconsequente para a vida das pessoas. Nesse mesmo dia, aliás, promovo uma conferência com reputados economistas, empresários e dirigentes sindicais para aprofundarmos e darmos contributos sobre a situação que se vive na Europa", acrescentou António José Seguro.

- Lusa/DN, 19.7.2011


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