Pilhagem, cumplicidade e soberania monetária

Pilhar

 

O jornalista Rui Peres Jorge faz um bom apanhado da recente opinião económica convencional sobre privatizações nas periferias europeias para chegar à conclusão que “as privatizações não resolvem a crise”. Aliás, a venda entusiástica dos bens estratégicos do país a preço de saldo revela bem a cumplicidade das nossas elites com um capitalismo de pilhagem com escala internacional. Como sublinha Eugénio Rosa, contrariando um discurso oficial cada vez mais aldrabão, trata-se de aprofundar a inserção dependente de Portugal e de canalizar cada vez mais recursos para o exterior.



Publicado por Xa2 às 08:25 de 19.07.11 | link do post | comentar |

7 comentários:
De c. Propostas ALTERNATIVAS p. superação. a 20 de Julho de 2011 às 12:12
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Hoje

«A crise originada em 2007 no sistema financeiro internacional poderia ter conduzido a profundas transformações no funcionamento e finalidades deste sector.
Os poderes públicos poderiam ter olhado para os seus efeitos negativos sobre o conjunto da sociedade e decidido reapropriar-se de instrumentos de política económica e financeira que limitassem os seus impactos no presente e impedissem a sua repetição ou escalada futura.

Em vez disso, abdicaram de reformar em profundidade o sistema financeiro e permitiram que este transferisse os custos da sua recuperação para os Estados,
através de custosas operações de salvamento seguidas de ataques especulativos às dívidas soberanas, a começar pelas das economias mais fragilizadas e periféricas.

A inclusão destas economias na zona euro não as protegeu de tais ataques, com as instituições da União Europeia a serem mesmo parte activa na imposição de um caminho de prolongada recessão económica e regressão social que traz consigo o risco de desintegração europeia.»

Do posfácio de Sandra Monteiro ao livro
«Portugal e a Europa em Crise»
(Para acabar com a economia de austeridade), editado pela Actual Editora e organizado por José Reis e João Rodrigues,
que reúne artigos publicados na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique, entre Março de 2008 e Maio de 2011.

Um roteiro para compreender a crise, as suas verdadeiras causas, o descalabro da resposta europeia e as propostas alternativas para a sua superação.

A apresentação da obra, a cargo de João Cravinho, realiza-se hoje às 18h30 na livraria Almedina do Atrium Saldanha (Lisboa), contando com a presença de José Reis e João Rodrigues.

(-por Nuno Serra às 19.7.11 , Ladrões de Bicicletas)
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Diogo disse...
Nada foi feito pelos poderes POLÍTICOS porque estes estão a SOLDO da BANCA.


De . Injustiça e FALÁCIA do fisco !!. a 20 de Julho de 2011 às 10:14
O fisco não vai ter mãos a medir

«As manifestações exteriores de fortuna - quando o rendimento declarado ao fisco não suporta o valor aplicado na compra de uma casa, carro ou obra de arte, por exemplo - também vão ser chamados a pagar a nova sobretaxa do IRS.

O diploma que cria o imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal, a que o DN teve acesso, é discutido e votado na generalidade pela Assembleia da República, na sexta-feira.» [DN]

Parecer do Jumento:
A questão está em saber se a riqueza fácil deu lugar a património (tributável em IRS...).
----------- ou

A questão real está em tributar com verdadeira justiça, equitativamente, e progressivamente como diz a Constituição.

Todos sabem que as maiores fugas ao fisco são das empresas e não dos trabalhadores por conta de outrém.

E estando o Património, benesses e mordomias (casas, terrenos, carros, barcos, jóias, electrónica, consultorias, operações financeiras, ... despesas pessoais, familiares e domésticas) afectas NÃO ao indivíduo mas à empresa (logo ao IRC ... e não ao IRS),
esta medida é uma FALÁCIA para tentar enganar papalvos... e pagantes do costume.


De .Portugal e a Europa em crise. a 19 de Julho de 2011 às 12:49
Cravinho defende um Governo económico único para salvar o euro
rr.sapo.pt, 19-07-2011

“Hoje, quem tem a cabeça no cepo não é Papandreou, não é Portugal, não é Irlanda, é toda a União Europeia, a senhora Merkel em primeiro lugar”, afirma o antigo ministro. João Cravinho critica ainda a reacção do Governo de Sócrates à crise, em 2008.

João Cravinho, antigo ministro socialista e actual administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), considera que uma união monetária só sobrevive com um governo económico e financeiro comum.

Neste momento, é toda a união monetária que está em risco, diz João Cravinho
“O euro só pode subsistir se tiver atrás de si uma fortíssima componente política, traduzida na existência de uma tesouraria comum, um Governo económico e financeiro. Hoje, quem tem a cabeça no cepo não é Papandreou, não é Portugal, não é Irlanda, é toda a União Europeia, a senhora Merkel em primeiro lugar”, defende, em declarações à Renascença.

Em seu entender, a União Europeia reagiu tarde demais à crise da dívida soberana e, em termos nacionais, responsabiliza o Governo socialista, em particular o ex-primeiro-ministro José Sócrates pelo estado a que chegou o país.

"Não era preciso ser um génio para perceber"... críticas de Cravinho a José Sócrates
“O Governo do Partido Socialista podia ter tido uma atitude diferente. Não era preciso ser um génio para perceber, em Setembro de 2008, a seguir ao Lehman Brothers, que ia haver uma contracção de crédito brutal, que iria atingir não só as empresas como até a dívida soberana. Era, portanto, preciso reduzir esse endividamento absolutamente extraordinário. É claro que o ministro das Finanças percebeu, não tenho a menor dúvida, mas temos que ver que a teimosia do primeiro-ministro foi altamente lesiva para o país”, condena.

João Cravinho apresenta hoje, em Lisboa, o livro “Portugal e a Europa em crise”, uma obra da autoria dos economistas José Reis e João Rodrigues.


De . PCP: . imposto prá banca. a 19 de Julho de 2011 às 13:19
João Oliveira:
o imposto extraordinário deveria ser pago pela banca e não pelos portugueses

por Sónia Peres Pinto, ionline,19 de Julho de 2011

.Para o deputado do PCP, a única solução para o país é não cumprir o acordo com a troika e renegociar a dívida de forma a disponibilizar recursos para uma política de crescimento económico

.Era preciso avançar com uma profunda alteração das políticas que têm sido concretizadas e que neste momento apontam para uma perspectiva de agravamento da situação. É preciso pôr como prioridade o que está a ser relegado para segundo plano, que é a preocupação com o crescimento económico. Sem este não se resolve nenhum dos outros problemas. É o caso do défice orçamental, do endividamento do país, além de todos os problemas sociais que estão associados à recessão e com que somos confrontados, como o agravamento do desemprego, da pobreza e das situações de exclusão social.

Pela via do investimento público?

Sim, mas também pela via de apoio aos sectores produtivos. Houve uma destruição da nossa capacidade produtiva que conduziu não só ao endividamento do país, mas também à incapacidade de responder às nossas necessidades em termos económicos.

A troika impôs um calendário rigoroso e novas medidas de austeridade...

A questão decisiva é saber se devemos ou não cumprir este acordo.

É possível não cumprir este acordo?

A única solução para o país é não cumprir este acordo. Do ponto de vista económico devemos tomar caminhos contrários ao que o acordo prevê. O próprio texto do Memorando de Entendimento aponta para recessão até 2013 com o aumento do desemprego. A recessão significa que vamos criar menos riqueza que aquela que criamos hoje, e se o problema que temos hoje é não criar riqueza suficiente para pagar as nossas dúvidas como é que criando menos riqueza ficamos em melhores condições?

Como podemos ter mais investimento público se não temos dinheiro?

Renegociando a dívida. Ao renegociar disponibilizamos recursos para uma política de crescimento económico.

Para isso é necessário que haja disponibilidade por parte dos credores...

Não há renegociações das dívidas que tenham sido feitas a pedido dos credores. São sempre feitas por iniciativa dos devedores.

Mas a renegociação da dívida foi sendo sempre afastada pelo novo governo...

Mais cedo ou mais tarde vamos ter de renegociar a dívida. Olhamos para a Grécia e vemos o caminho que vamos seguir. Houve necessidade de alargar os prazos de pagamento, isso é renegociar a dívida.

Está de acordo com a afirmação da Moody''s quando diz que não temos capacidade de pagar?

A classificação da Moody''s foi feita com base em elementos que já conhecia há três meses e só diz agora porque essa reflexão do ponto de vista da especulação financeira lhes interessa. Há muito tempo que o PCP diz isso.

Por mais sacrifícios que se peçam, a situação não se consegue resolver?

Porque é que os sacrifícios têm de ser pedidos aos portugueses? Esta é ou não é uma crise que teve origem no sector financeiro? É ou não é uma crise que resulta de uma especulação desenfreada? Os responsáveis por esta crise querem livrar-se das responsabilidades, sacando aos trabalhadores os prejuízos que não querem assumir.

Esse imposto extraordinário deveria ser aplicado à banca?

Por exemplo, essa era uma das alternativas. O governo prevê arrecadar com esta medida cerca de 800 milhões de euros. Se fosse imposta uma taxa de 0,2% nas transacções financeiras com offshores ou nas transacções bolsitas, o Estado conseguia arrecadar um montante muito superior àquele que vai arrecadar com o corte do subsídio de Natal.

Há quem defenda uma política concertada na Europa. O PCP subscreve a ideia?

De maneira nenhuma. ...


De . o PCP e a crise: . a 19 de Julho de 2011 às 13:23
João Oliveira: o imposto extraordinário deveria ser pago pela banca e não pelos portugueses
...
Há quem defenda uma política concertada na Europa. o PCP subscreve a ideia?

De maneira nenhuma.
Isto é mais um exemplo daquilo que tem sido uma lógica errada, a favor do capital e não de quem trabalha.
Precisamos de menos Europa a favor do capital, da especulação e dos interesses financeiros
e de mais Europa a favor das pessoas e de quem trabalha.
Uma Europa mais preocupada com o desemprego que com a especulação.
Esta lógica de integração capitalista na Europa vai fracassando nos seus sucessivos objectivos e vai apresentando esses fracassos como justificação para um passo seguinte.

Seria desejável que Portugal saísse da moeda única?

Sermos empurrados para fora do euro teria custos económicos e sociais gravíssimos para o nosso país.
Seria um cenário profundamente prejudicial.
É preciso perceber se devemos ou não equacionar medidas que nos preparem para esse caminho ou para essa eventualidade.
A verdade é que a construção da moeda única foi prejudicial para o nosso país, tal como o PCP já tinha alertado antes de Portugal aderir à moeda única.
Foi não só prejudicial para Portugal como para economias semelhantes à portuguesa e as consequências vêem-se hoje.
Somos um país mais dependente, mais desigual e que vai alienando cada vez mais fatias importantes de soberania à custa da construção europeia.
É preciso um governo que defenda com firmeza os nossos interesses.
Há por aí quem vá especulando e assumindo a necessidade de Portugal equacionar medidas com essa perspectiva de saída da moeda.
O PCP não vai tão longe na afirmação desse caminho, mas julgamos que é preciso ponderar de facto medidas que defendam a nossa economia e a nossa soberania.
Se elas tiverem de conduzir a esse caminho, não devemos pôr de parte essa possibilidade.


De ..Abra os olhos.. a 19 de Julho de 2011 às 11:15
Quando não se percebe o problema...
(- por Pedro Sales, Arrastão)

"This is not a crisis of a small country at the edge of the eurozone. Nor is this a crisis brought on by rating agencies or speculators. This is a systemic crisis of a monetary union that refuses to be a fiscal union". Wolfgang Münchau, 18 Janeiro 2011.

Ao mesmo tempo que no Financial Times se fala na crise do euro, por cá, o ministro das Finanças diz que temos uma "crise da dívida soberana de alguns países".
Já nem é uma questão de alguém lembrar a Vítor Gaspar que já não trabalha para o Banco Central Europeu,
mas de ter alguém no Governo que abra os olhos.
Se não importunar muito, claro.


De - Que fazer ? decidam ... rapidamente. a 19 de Julho de 2011 às 11:03

Não podemos ficar na situação em que estamos, numa Zona Euro cujos Estados (i.e. líderes e governos com políticas neoLiberais) não foram, nem são capazes, de manter a sua economia estável e em crescimento, nem entre as apertadas balizas dos critérios de convergência.

(Acabaremos engolidos pelos AGIOTAS financeiros).

Ou avançamos para o FEDERALismo EUROPEU (também económico, fiscal, orçamental e financeiro, e damos continuidade ao projecto de construção e solidariedade Europeia)

ou recuamos e saímos da Zona Euro, 'tentando' manter uma parte da nossa (teórica) soberania (dominada pelo capitalismo global e cúmplices mandaretes 'nacionais'), mas com custos económicos e sociais muito elevados.

Ou haverá um outro caminho ?
Aliar e criar movimentos e líderes políticos (nacionais e europeus) que forcem um ''novo acordo'' europeu e internacional, controlando/subjugando a economia, a finança e ''os mercados'' aos interesses dos povos/nações.

Assim, aqui (como o burro parado no meio da ponte), é que não podemos aguentar mais !

Zé T.


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