Stop Coddling the Super-Rich

A página de opinião do New York Times de hoje traz um editorial surpreendente de Warren Buffet, dono e CEO da Berkshire Hathaway (que por sua vez é dona da Moody’s) e o terceiro homem mais rico do mundo.

Além do dinheiro e do poder que tem, Buffet é considerado um pensador iconoclasta e pouco convencional, frequentemente citado pelas suas afirmações tão pertinentes como provocatórias. Finalmente é um filantropo à medida da sua fortuna: prometeu legar 83% à Fundação Gates. Quanto aos filhos, disse:

“Quero deixar-lhes o suficiente para que sintam que podem fazer o que quiserem, mas não tanto que achem que não precisam de fazer nada.”

Para ter uma pequena ideia do que pensa este homem, uma citação chega:

“Não sinto culpa nenhuma em relação ao dinheiro. O que acho é que o dinheiro representa uma data de pagamentos à sociedade. É como se tivesse uns papeizinhos que posso transformar em consumo. Se me apetecesse, podia contratar dez mil pessoas para não fazer mais nada a não ser pintar o meu retrato até ao fim da minha vida. E o PNB subiria. Mas a utilidade desse produto seria nula e estaria a tirar a essas pessoas a possibilidade de serem cientistas, ou professores, ou enfermeiros. Todavia não faço tal coisa. Não utilizo muitos papeizinhos. Não há nada de material que queira muito.”

Ora bem, sendo Buffet um super investidor, com certeza que os seus conselhos podem ser seguidos pelos "nossos" Vítor e Álvaro, uma vez que o nosso Governo em pouco mais de um mês já demonstrou a sua vontade politica (e ideológica) de apostar nos investidores. Como se sabe, os Estados Unidos também estão metidos numa alhada financeira maior do que as suas capacidades, com falta de investimento, desemprego e dívida soberana inflacionada.

E o que diz Buffet no New York Times?

 

“Os nossos dirigentes têm falado em “partilhar sacrifícios”.

Mas quando os pediram, pouparam-me.

Perguntei aos meus amigos mega-ricos mas a eles também não lhes aconteceu nada.

Enquanto os pobres e a classe média (...), a maioria dos americanos, luta para chegar ao fim do mês, nós, os mega-ricos, continuamos a beneficiar com extraordinárias reduções de impostos.(...) Alguns gerem investimentos que rendem biliões de dólares mas podem classificá-los como “juros” (“carried interest”) conseguindo assim um imposto à taxa de 15%. Outros compram activos futuros, vendem-nos dez minutos depois e pagam 15% de 60% do que ganharam, como se fossem investidores a longo prazo. (...)

No ano passado paguei apenas 17,4% sobre o meu rendimento sujeito a imposto, menos do que as outras vinte pessoas que trabalham no meu escritório. A carga fiscal desses empregados ficou entre 33 e 41%

Quem faz dinheiro com dinheiro, pode pagar ainda menos do que eu. Mas quem faz dinheiro a trabalhar pagará certamente uma percentagem maior – provavelmente muito maior. (...)

No ano passado, cerca de 80% das receitas do Estado veio de Imposto sobre Capitais e IRS. Os mega ricos pagam Imposto sobre Capitais a 15% e praticamente não pagam IRS. Com a classe média é diferente: em geral caem nos escalões (...) em que apanham pesadas taxas de IRS. (...)

De acordo com uma teoria que tenho ouvido, eu devia recusar-me a investir quando as taxas são muito altas nos ganhos de Capital e Dividendos. Mas nunca me recusei, e os outros investidores também não. Trabalho com investimentos há 60 anos e ainda estou para ver alguém — nem mesmo quando o Imposto sobre Capitais era de 39,9%, em 1976-77 — fugir de um bom investimento por causa dos impostos sobre o lucro previsível. As pessoas investem para ganhar dinheiro e os impostos potenciais nunca as assustaram. E, para aqueles que afirmam que impostos mais altos impedem a criação de emprego, lembro que houve um aumento de 40 milhões de empregos entre 1980 e 2000. E todos sabemos o que aconteceu depois: impostos mais baixos e menor criação de postos de trabalho.”

 

Em seguida, Buffet faz algumas propostas concretas para subir os impostos sobre o Capital e reduzir o IRS:

"Eu deixaria as taxas para 99,7% dos contribuintes na mesma e continuava com a mesma redução de 2% no que os empregados pagam. Esta redução ajuda os pobres e a classe média, que precisam de todos os descontos que puderem.

Para quem tem um rendimento superior a um milhão de dólares (...) subiria imediatamente o imposto para o rendimento colectável superior a um milhão, incluindo, evidentemente, dividendos e ganhos de capital. E para quem ganhe dez milhões ou mais, sugeria um aumento ainda maior na taxa."

 

Mas o que interessa para nós é apenas isto:

Um homem que sabe de dinheiro como poucos reconhece que taxar menos o capital e mais o trabalho é o caminho errado para recuperar uma economia – mesmo não considerando a injustiça social evidente.

Vítor e Álvaro, porque é que vocês não ouvem o homem?

 



Publicado por [FV] às 18:10 de 18.08.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Zé T. a 26 de Agosto de 2011 às 09:57
Totalmente de acordo.
Estes governantes e títeres a soldo de financeiros sem escrúpulos estão a rebentar com os Estados, as Nações e as Famílias das classes média e baixa.


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