Renovação Socialista

MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO SOCIALISTA

 Um conjunto de 45 militantes do Partido Socialista, constitui o grupo de subscritores iniciais de um Manifesto Para uma Renovação Socialista, que foi tornado público no passado dia 13 de Julho, em conferência de imprensa realizada em Coimbra. ... Entre os subscritores iniciais há militantes de diversos concelhos do país, mas a maioria é de Coimbra.
    ... A estrutura do manifesto projecta-o no médio prazo, fá-lo englobar algumas questões de fundo que estão em aberto no mundo em que vivemos e são decisivas para um aprofundamento da identidade socialista. Não esquece a Europa.

   Numa primeira fase, pretendemos congregar todos os militantes do PS que se sintam suficientemente em consonância com o essencial do documento para o subscreverem publicamente. Está em causa, nesta primeira fase, dar força às posições assumidas no texto, para as valorizar como contributo para uma evolução positiva do PS. Sabemos que há outras perspectivas dentro do nosso partido. Não as menosprezamos e estaremos sempre abertos ao diálogo com todas elas. A pluralidade interna do PS não é um embaraço, mas um inestimável recurso. ...
    Logo que achemos que está terminada a primeira fase, será dada a todos os subscritores, que até então tenham apoiado publicamente o Manifesto, a oportunidade de se congregarem num clube político, semelhante a muitos outros que já existem (ou existiram) dentro do PS. Sublinhe-se, no entanto, que qualquer dos subscritores pode, com toda a legitimidade, querer apenas subscrever o Manifesto. Quanto a estes últimos, ficarão sempre abertos canais de informação e contacto, que serão por eles usados se e quando quiserem. É claro que qualquer decisão, como seria, por exemplo, uma possível criação de um clube político, será sempre precedida de uma consulta democrática a todos os subscritores do Manifesto.

Quem quiser subscrever basta deixar no blog  ManifestoPS um comentário com nome, nº de militante e a secção/concelho a que pertence.
       Não pode continuar ignorada a necessidade de um renovação profunda do PS.
                      (texto adaptado, via oGrandeZoo)
Eis alguns extractos do manifesto:
1.1. A deriva neoliberal do capitalismo aumentou o risco de catástrofes económicas e sociais, bem como o de um agravamento suicidário da degradação ambiental.
2. Para um horizonte socialista.
6. PS - um partido com um novo tipo de funcionamento. 6.1-Eleições primárias; 6.3- Separação rigorosa entre política e negócios; 6.5- Um partido que seja uma rede de solidariedade; ...
8.1- Trabalho.
   A repartição da riqueza produzida entre o capital e o trabalho tem de passar para o primeiro plano da concertação social e ser explicitada com transparência nos programas políticos dos socialistas. Não podemos continuar a consentir que o trabalho vivo seja instrumentalizado, completa e grosseiramente, pelo “trabalho morto”. E para sair desta subalternidade estrutural o primeiro caminho a percorrer há-de levar-nos a uma justa repartição do trabalho, do lazer e dos rendimentos. O capital, enquanto “coisa”, tem de se converter num instrumento de humanização do trabalho, para assim deixar de ser um factor de “coisificação” das pessoas. “Coisificação” resultante do facto de se sujeitar o trabalho à lógica linear e irrestrita da reprodução do capital.

8.5. Segurança social.

   Um sistema público de protecção social é um vector estruturante das democracias modernas, nomeadamente, no que concerne a pensões de reforma, a subsídios de doença e de desemprego. A sua garantia reforça-se pela sua sustentabilidade financeira, sendo certo que o seu limite, em democracia e em última instância, é o da própria subsistência e reprodutibilidade do Estado no seu todo.

9. Conclusão

   Este Manifesto parte da necessidade de uma metamorfose do PS que o coloque em condições de responder com êxito aos desafios históricos suscitados pela conjuntura vivida pelas sociedades actuais. Não pretende ser um programa, nem um projecto fechado. Quer apenas afirmar um horizonte de referência correspondente à identidade socialista, procurar caminhos que dele nos aproximem e partilhar uma visão do mundo emancipatória e solidária, que leve a liberdade ao extremo de si própria. Afinal, o que essencialmente se pretende, é a socialização dos direitos humanos  fundamentais, com vista a garantir a dignidade e a igualdade real de todos os portugueses.

    Essa necessária metamorfose do PS não pode afastá-lo da sua identidade histórica, nem dos seus valores, nem da sua base social e eleitoral, mas tem que o adequar à sua missão histórica. Uma missão exigente que o século actual tornou mais visível e que implica um PS, não só capaz de interferir em todos os planos do combate político e de ser digno de um horizonte socialista, mas também capaz de ser um movimento social, culturalmente vivo, ecologicamente activo e humanamente solidário.

    Para isso, gostaríamos que se abrisse, o mais rapidamente possível, um processo de profunda renovação estrutural e funcional do Partido Socialista, que venha culminar num Congresso especialmente destinado a potenciar essa renovação. 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 31.08.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De .PS e Seguro têm de ser + e melhor. a 5 de Setembro de 2011 às 15:52
O súbito incómodo do euroconformado
(-por Daniel Oliveira, Expresso)

António José Seguro diz que "ficaria triste se o primeiro ministro do meu país fosse receber ordens da senhora Merkel ou do senhor Sarkozy".

Importa-se de repetir? Mas o que raio fez José Sócrates, nos dois últimos anos, senão receber ordens de Berlim?
Quem impôs as regras do PEC IV? Não foi a senhora Merkel? O que é o memorando da troika senão a institucionalização dessas ordens?

O que tem feito o PS, nas últimas duas décadas, senão abdicar de qualquer discurso autónomo sobre a construção europeia e assumir uma postura umas vezes euroentusiástica, outras euroconformada?
O que é o Tratado de Lisboa - porreiro, pá! - senão a transformação da Europa num Império do diretório?

Quando foi eurodeputado, o que fez Seguro em defesa de uma democracia europeia?
Uma democracia a sério, em que os povos sejam um pouco mais do que súbditos.
Onde esteve quando se construiu uma Europa que nem é federal, nem é um acordo entre Estados soberanos, e, ficando a meio caminho, é apenas antidemocrática?

Não teve o Partido Socialista português um papel central na demissão nacional em relação a todos os debates europeus mais relevantes, resumindo tudo a duas alternativas:
ou o conformismo de um europeísmo vazio,
ou o antieuropeísmo de uma resistência nacionalista? Como se participar num projeto desta dimensão não exigisse sentido critico.

Não tiveram os partidos socialistas europeus um papel central na imposição do dogma neoliberal a todos os Estados da Europa?
Não foram os socialistas portugueses passivos perante esta caminhada irresponsável para este beco sem saída?
Ou mesmo ativos, como denunciou o contentamento com um tratado péssimo para os países periféricos só para ter a miserável satisfação de aparecer na fotografia?

Não foi o deslumbramento complexado e provinciano de todos os líderes do PS perante um euro pensado à imagem e semelhança do marco alemão o único contributo para o debate sobre a Europa na última década?

Não participaram de forma ativa e convicta no desbaratar de fundos europeus para destruição da nossa economia?
Não nos andaram a vender que ou se estava por esta Europa ou se estava contra a Europa?
Não é a senhora Merkel produto desta União sem democracia e deste euro sem política?

Claro que o PS pode mudar de postura e passar a querer que Portugal seja mais do que um "bom aluno".
Mas para isso terá de fazer uma REFLEXÃO que não fez,
avançar com propostas para mudar a União que não tem,
dizer que tipo de Banco Central quer,
que reformas institucionais deseja,
que mudanças defende para a política económica europeia.
Dizer se quer uma harmonização fiscal, um orçamento que se veja e os eurobonds.

E bater-se por isso.
Se Seguro quer virar uma página na demissão socialista em relação às questões europeias tem de nos dar um pouco mais do que um ligeiro incómodo de patriota ofendido.
Com o cadastro do PS, vem tarde demais.
Com a ausência de discurso alternativo, vem cedo demais.


De Ovelhas negras? a 31 de Agosto de 2011 às 12:55
Será que a estrutura directiva que sair do próximo congresso lhes irá responder? Aguardemos mas, se calhar será melhor sentarmo-nos, não acham?

A Comissão Nacional de Jurisdição (CNJ) do PS, cujo mandato termina no congresso de Setembro, continua sem responder a dezenas de militantes que foram expulsos no verão de 2010 e apresentaram recurso à sanção disciplinar aplicada.

Mais de cem militantes, entre os quais Narciso Miranda, ex-autarca de Matosinhos, foram expulsos do PS em Agosto de 2010 por se terem candidatado como independentes nas eleições autárquicas de 2009.


De renovar/refundar? a 31 de Agosto de 2011 às 09:27
Uns dizem renovar outros sugerem a refundação .

Para renovar talvez fazer uma encomenda à fabrica de papel RENOVA, eles são experientes nisso.

Para refundar talvez pedir ajuda à fundação do pai fundador, Dr. Mário Soares.

O PS ou melhor, os socialistas empobreceram enquanto pessoas e apodreceram ideologicamente. Enquanto esta doença não for curada o PS não terá cura, também.

Para que pudesse haver cura teria de começar por todos os que tenham cargos dentro do partido se demitissem imediatamente a seguir ao congresso e dotos os que desempenharam cargos de secretários coordenadores e presidentes de assembleias militantes não poderiam candidatar-se nas eleições seguintes. Seguir o exemplo de Sócrates, reduzirem-se à "humilde condição de militantes".

Assim poderia falar-se em refundação renovada ou em renovação refundada, de outra modo é continuar a tapar o sol com a peneira ou continuar a chover no molhado .


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