Globalização infeliz e recessão mundial

A globalização infeliz
     Depois de ter sido um dos principais intelectuais da “doutrina do choque” neoliberal imposta pelo FMI em tantos países – da América Latina ao Leste Europeu –, durante os anos oitenta e noventa, e agora desgraçadamente reeditada entre nós, é sempre bom confirmar que o economista Jeffrey Sachs está agora numa linha de economia mais substantiva, focada (nas pessoas e) nos valores, como a felicidade, que temos boas razões para promover e na

  denúncia de processos económicos geradores de custos sociais, que acabam sempre por ser transferidos para quem menos poder e que temos boas razões para bloquear,

  reconhecendo então com todo o realismo que “o capitalismo global representa diversas ameaças directas à felicidade” ou que a “a procura louca pelos lucros empresariais está a ameaçar-nos a todos”. É por estas e por outras que temos de pugnar pela desglobalização sustentável.
     Iminências 

 Lagarde avisa que está iminente uma recessão da economia mundial. É a austeridade dos dois lados do Atlântico, cujas consequências já tinham obrigado Lagarde a fazer o pino e a defender uma política de estímulos económicos para já.

   Uma boa pergunta, da Mariana Vieira da Silva, no Jugular:
«Se as obrigações da escola pública no ensino básico vão diminuir, por que raio aumenta o valor [de 80 para 85 mil euros por turma] dos contratos de associação?».
   É bom lembrar, de facto, que no memorando de entendimento com a troika, no compromisso de «reduzir os custos na área da educação, com o objectivo de poupar 195ME», também estava prevista a «redução e racionalização das transferências para escolas particulares com acordos de associação» [ponto 1.8 do capítulo da Política Orçamental para 2012].
   E assinalar, paralelamente, que - no «histórico» plano de cortes da despesa pública - só as medidas relativas à «supressão de ofertas não essenciais do ensino básico», «revisão criteriosa de planos e projectos associados à promoção do sucesso escolar», «racionalização de recursos, nomeadamente quanto ao número de alunos por turma», «encerramento de escolas do 1º ciclo», «ajustamento dos critérios relativos à mobilidade docente» e «outras medidas» - todas elas dirigidas à escola pública - já perfazem um total de 309ME (ou seja, um acréscimo de quase 60% face ao valor inscrito no acordo com a troika).
    Para a coligação PSD/PP, os cortes e os sacrifícios, quando nascem, não são de facto para todos.


Publicado por Xa2 às 19:08 de 05.09.11 | link do post | comentar |

1 comentário:
De . DIREITA: técnicas e práticas... a 6 de Setembro de 2011 às 17:48
Ridículo, se não fosse perigoso e anti-democrático
(-por Sérgio Lavos)

A resposta do Governo em funções à prevista contestação social e aos previsíveis "tumultos" é acenar, uma vez mais, o espantalho da estabilidade.

Por esta altura do campeonato, e a continuar pelo caminho que tem seguido, muita razão tem o Governo para se preocupar.
Até porque os retrocessos são de uma magnitude tal que, mais cedo ou mais tarde, a tampa vai saltar ao povo.
E aí, não vai haver "suspensão democrática" nem ameaças que consigam conter a força das águas.

---------------------
Mais esquerda
(-por Miguel Cardina)

António Barreto defendeu há dias uma «profunda renovação» da Constituição, tão profunda que exigiria ser inconstitucionalmente referendada.

Este fim-de-semana foi a vez de Passos Coelho tentar criar com pouca habilidade uma nuvem de fumo sobre as redes sociais e a perspectiva do país a arder.

Hoje calhou a Paulo Portas vir falar das greves como causadoras de pobreza.

A direita no poder mostra assim o seu programa real:
a austeridade como oportunidade de refundar o regime;
o recurso à ideologia da inevitabilidade para denunciar as movimentações sociais contra o plano de saque em curso;
a conversão da solidariedade em caridade, de preferência voluntária e confessional;
a demonização dos serviços públicos e
a abertura de espaços para a iniciativa privada em enlace por vezes obsceno com interesses instalados na área do Estado.

No fundo, quando Manuela Ferreira Leite falou da necessidade em «suspender a democracia por seis meses» não estava só a expressar um desejo.

Desenhava sem saber o futuro do qual nos aproximamos.
Precisamos, definitivamente, de mais esquerda.


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