Alerta de 'Vírus máfia' ?!

Quem corta assim é parvo , por Andrea Peniche

[Imagem de Barbara Kruger]   

   Em nome da poupança, foi anunciado que o Estado deixará de comparticipar, entre outras coisas, a pí­lula contracetiva e a vacina que previne o cancro do colo do útero. Esta vacina foi integrada no plano nacional de vacinação em 2009 e dispensada às raparigas jovens. De fora ficaram todas as outras mulheres que para prevenirem este cancro recorriam à  compra da vacina nas farmácias.    O cancro do colo do útero é a segunda causa de morte (a seguir ao cancro da mama) entre as mulheres jovens (15-44 anos) na Europa. Portugal regista a maior incidência dos países da União Europeia: cerca de 17 casos por cada 100 mil habitantes, com 900 novos casos por ano. Todos os anos morrem no nosso paí­s cerca de 300 mulheres com este tipo de cancro.    O governo decidiu também deixar de comparticipar a pílula contracetiva. Dos 5 euros e qualquer coisa, uma embalagem passará a custar cerca de 18 euros. A pílula continuará a ser dispensada gratuitamente nos centros de saúde, através das consultas de planeamento familiar, e ainda bem. Porém, dizer que os centros de saúde nem sempre a têm não é novidade como também não é novidade dizer que para ir a uma consulta a um centro de saúde se tem de perder uma manhã ou uma tarde de trabalho.    O que também não é novidade para ninguém é que a medicina preventiva é mais barata que a medicina curativa e, sobretudo, mais humana.    Sempre em nome da poupança, o governo parece estar a sugerir (ou a impor) às mulheres uma nova forma de organização da sua vida sexual: sem sexo não é preciso pílula contracetiva; sem sexo quase se esgota a possibilidade de transmissão do vírus do papiloma humano. O resultado será, evidentemente, outro: aumentará a incidência de cancro do colo do útero e de gravidezes indesejadas.

 

    Austeridade segundo Vítor Gaspar , por Bruno Sena Martins

           Poupa-se hoje na vacina para gastar amanhã na quimioterapia. (e não, isto não é uma analogia mórbida).   
   Cuidar-nos da saúde , por Miguel Cardina
(1):  Macedo nomeia ex-gestor do BPN para estudar cortes

(2):  Saúde: Ministro quer melhor fiscalização às PPP mas não rescinde contrato com grupo Mello no Hospital de Braga.


MARCADORES: , ,

Publicado por Xa2 às 14:24 de 08.09.11 | link do post | comentar |

3 comentários:
De .S.N. Saúde / Seguros ... a 14 de Dezembro de 2011 às 09:02
SNS – serviço nacional de seguros


Com o Serviço Nacional de Saúde (SNS, ou ex-SNS?) a caminho de se tornar no Serviço de Saúde aos Indigentes diz-nos Passos Coelho que:
"o Governo está absolutamente confortado com a proposta feita pelo ministro da Saúde".

A palavra conforto é usada amiúde pelos nossos governantes, seja para mandar os deolindos fazerem a trouxa e zarpar, seja para transformar uma consulta hospitalar pública em algo tão ou mais caro do que uma privada. O conforto advém da ideia de que o SNS deixe de fazer sentido para quem pode pagar um seguro de saúde.

Passos Coelho e Paulo Portas dirigem um executivo confortável que se deixa confortar com propostas de um dos seus ministros. É como se o Conselho de Ministros não fosse um colectivo mas sim uma troika de negócios que recorre a consultores externos, a quem chama ministros.

Falta agora sair legislação na "óptica do pagador não-consumidor" que interdite o SNS a cidadãos com rendimentos superiores ao salário mínimo nacional.

Até lá adivinha-se que, nos hospitais particulares, as listas de espera cheguem à saturação para os utentes-segurados.

Chegaremos ao ponto de conforto total quando a saúde mínima for exclusiva da caridade, a saúde média for exclusiva dos seguros e a saúde máxima for exclusiva dos ricos, sendo que os utentes da saúde mínima nada contribuem, os utentes da saúde média contribuem a dobrar (impostos+seguros) e os utentes da saúde máxima contribuem somente para o seu bem-estar.
LNT, [0.590/2011], 13.12.2011


De .psd-cds/finança: DEMOLIÇÃO em Curso. a 9 de Setembro de 2011 às 11:58
PRDC - PRocesso de Demolição em Curso
(-por Sérgio Lavos, Arrastão, 9.11.2011)

Definitivamente, o nosso caríssimo ministro da Saúde está a mostrar serviço. Seria de esperar, com o seu currículo. O homem com a fama de ter endireitado a Direcção-Geral de Impostos - fama e proveito, diga-se, e nisto da cobrança de impostos a eficiência cai sempre bem à direita,

sobretudo quando a mão fiscal não chega às contas fora do país e às grandes fortunas e limita-se a ser inflexível como quem não pode fugir, a agora sacrossanta classe média assalariada e os profissionais liberais.
Mas adiante. O homem que conseguir cobrar mais impostos do que os seus antecessores tornou-se uma espécie de messias para um hipotético governo de direita.
E quando a direita chega ao poder, lá está ele. Paulo Macedo corre mesmo o rico de ser o único ministro unânime de um Governo rapidamente caído em desgraça. As comadres do PSD - Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Marques Mendes e até o todo-o-terreno Vasco Graça Moura - apressaram-se a dar estaladas no bebé da incubadora e agora preparam-se para esmagá-lo impediosamente.

Enquanto isso, o catita Passos Coelho saltita por Berlim e Bruxelas em nobre missão de apajamento da longínqua suserana do país, deixando o governo entregue a um novato da política, Vítor Gaspar, que se multiplica em anúncios de medidas e entrevistas televisivas, e a um estranhamente
ausente Álvaro, chamado três vezes ao parlamento e três vezes negando (como Tomé) a pretensão dos aborrecidos deputados.
Não iremos especular sobre um possível retiro espiritual em Montreal; debrucemo-nos antes sobre o herói - até agora - deste Governo, Paulo Macedo.
Competência não lhe falta, julgando não só pela referida eficácia na DGI mas também pelo invejável currículo na área da Saúde.
Um cínico poderia dizer que não, ele não tem experiência na área da Saúde. Mas caramba, picuinhices, meus amigos, isso são meras picuinhices.
Alguém que foi vice-presidente (não executivo) de várias empresas do Millenium BCP, a saber, Grupo Segurador, Ocidental e Médis, Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde (entre outras), está mais do que habilitado a tomar conta do sector e a tornar rentável o que é um peso enorme para o Estado.

E as medidas anunciadas nos últimos dias indicam que se vai no bom caminho - talvez por isso eu não entenda a irritação deste senhor (e não se preocupe, que eu não me senti mal tratado; já pelo Governo que o senhor apoia, isso é outra história), primeiro porque não explica porque está irritado e segundo porque eu
percebo muito bem - que absurdo achar-se o contrário - que "o nosso país de direitos e regalias PARA TODOS está alegremente falido";
por isso é que o Governo PSD/CDS está a trabalhar no sentido de transformar este num país de direitos e regalias PARA ALGUNS.

E Paulo Macedo é um dos pontas-de-lança do processo de DEMOLIÇÃO do Estado Social em curso.
Por esta razão, parece-me também absolutamente natural que ele tenha escolhido um antigo gestor do BPN que levou duas empresas na área da Saúde à falência - ou perto disso - (GrupoPort.Saúde passivo de 100milhões€ !!) para liderar um grupo que vai
estudar a criação de mecanismos que "sejam incentivadores de geração de receita própria".
Um serviço social que gera receita não será um ovo de Colombo; os hospitais EPE são o exemplo vivo disso:
geram receita à conta dos dinheiros que recebem do Estado.
Já os hospitais públicos, é a desgraça que se conhece:
dão um prejuízo brutal tratando de doentes de todas as classes sociais.
Onde já se viu? Temos, definitivamente, de acabar com este estado de coisas. Por isso fica aqui o meu agradecimento e uma ou duas sugestões a Paulo Macedo:
que tal fundir os hospitais e os centros de saúde com as repartições das finanças?
Ou os bancos de sangue com os gabinetes de atendimento da Médis?
Os recursos que se poupariam deste modo, a "receita" que não se recolheria!



tags: chegaram os hooligans, saúde, vampirismo


De 'Idiotas' perigosos 'governam' Portugal a 8 de Setembro de 2011 às 15:46
Ideias lebres para salvar Portugal (3)

(-por Sérgio Lavos, Arrastão, 6.9.2011)

Em quatro Passos:

- Nomear como ministro da Saúde alguém ligado a diversas empresas com interesses nesse sector.

- Anunciar cortes que levarão a uma degradação significativa do Serviço Nacional de Saúde.

- Nomear alguém próximo para estudar os cortes e pensar numa solução que passe pela criação de mecanismos que "sejam incentivadores de geração de receita própria", de preferência tendo passado por empresas acima de qualquer suspeita, como é o caso do BPN, alguém que se possa invejar de ter um currículo inigualável na área da gestão de serviços de saúde e que possa constituir com sucesso uma comissão liquidatária do sector.

- Entregar o que restar à gestão de privados (de preferência, às diversas empresas por onde o ministro passou), transformando um direito humano universal num direito a que só pode aceder quem tem (muito) dinheiro.

tags: neo-liberais, saúde, vampirismo


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO